O dito da vez


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A explosiva descoberta
Ainda me atordoa.
Estou cego e vejo.
Arranco os olhos e vejo

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Carlos Drummond de Andrad

31 de out de 2007

Processo


Catecismo Anarquista

Introdução

- És anarquista?

- Sim, porque sou trabalhador consciente.

- Que é ser trabalhador?

- É viver pelo esforço do seu trabalho.

- Quando se pode dizer que o trabalhador é consciente?

- Quando conhece as causas da sua miséria e as combate.

- Que é trabalho?

- É o esforço para produzir.

- Que é produzir?

- É criar riqueza.

- Que é riqueza?

- É tudo o que pode ser útil ao homem.

- Então o sol é uma riqueza?

- Sim, como o ar, a água, os peixes, etc.

- Mas o sol não é produzido pelo homem.

- Não, por isso se chama riqueza gratuita.

- Há outras riquezas gratuitas?

- Há, o ar, a chuva, os rios, os mares, etc.

- A terra será uma riqueza gratuita?

- Deveria sê-lo, porque é a matéria natural da produção natural da produção das riquezas minerais e orgânicas; mas não o é.

- Porque não o é?

- Porque é possuída por alguns homens em prejuízo da maioria dos homens.

- Isso é justo?

- Não. Isso é a causa da maior parte das desgraças humanas. Que dirias de um indivíduo que pudesse apropriar-se da luz e do calor solar e o fizesse para vendê-los depois aos outros homens?

- Que seria um infame!

- Que dirias dos homens que se apropriam de toda a Terra e não permitam que os outros a cultivem?

I- Que são infames.

- Que dizes de uma sociedade que mantém esse regime?

- Que é uma sociedade prejudicial ao homem e portanto precisa ser reformada pela extensão do direito de propriedade particular.

- Quem mantém essa propriedade particular?

- O governo, isto é, alguns homens que pretendem dirigir os outros homens.

- Qual é o meio de que lançam mão para tal fim?

- A lei, e para garantir a lei o soldado.

- Que é lei?

- O conjunto de regras impostas pelos reis, conquistadores, capitalistas, etc... às classes trabalhadoras com o fim exclusivo de manter a propriedade particular, isto é, a posse das riquezas, e regular a sua transmissão.

- Que é o soldado?

- É um trabalhador inconsciente que se sujeita aos possuidores da terra para manter essa posse a troco de um miserável pagamento.

- Como se sujeita ele?

- Sujeita-se pela disciplina.

- Que é a disciplina?

- É a escravização da vontade do soldado ao seu superior. O soldado obedece ao que lhe mandem sem saber como nem porquê.

- Qual é o ofício do soldado?

- Matar.

- Mas a lei não proíbe matar?

- Proíbe, mas se o soldado matar um trabalhador que protesta contra o governo, a lei declara que o soldado é um virtuoso.

- O papel do soldado é digno?

- Não. É o mais vil possível.

- E como há trabalhadores que se fazem soldados?

- São iludidos pelos governantes e arrastados pela miséria.

- Como conseguem iludi-los?

- Com fardamentos vistosos e insuflados neles o preconceito do amor à pátria?

- É um sentimento mesquinho que leva o indivíduo a supor que os que nasceram no seu território são superiores aos outros homens.

- Esse sentimento leva a más conseqüências?

- É o elemento principal que arrasta as massas humanas à "Guerra".

- Que é a guerra?

- É um processo de dominação pela morte.

- Como se explica?

- A história universal mostra que os "grandes" de uma nação armavam soldados, adestravam-nos e subjugavam pela força aos homens de outras terras, ou para escravizá-los, ou para se apossarem da lavoura, suas minas, de suas riquezas até mesmo de suas mulheres. Os diretores dessas guerras, um Cambyses, um Alexandre Magno, um César, um Napoleão. Eram simples bandidos que procuravam justificar as suas invasões com pretextos fúteis de "honra, vingança, amor à Pátria". Hoje as guerras são a mesma coisa, luta por causa de colônias, de comércio, de capitais comprometidos.

- Quem faz a guerra?

- São os capitalistas, por intermédio dos diplomatas e pelos canhões movidos por soldados.

- Que fazem os soldados da polícia?

- Mantém a chamada ordem ou "anarquia", isto é o regime de autoridade pelo qual os inferiores se subordinam aos superiores. Desde que alguns trabalhadores procuram levantar-se contra os seus exploradores a polícia intervém para "manter a ordem" isto é obrigar os trabalhadores a se submeteram à exploração.

- Como reformar isso?

- Extinguindo a propriedade particular e tornando a posse da Terra coletiva.

- Quem fará essa reforma?

- Os dirigentes capitalistas não o farão porque isso seria contrário aos seus interesses; logo essa reforma só pode ser feita pelos trabalhadores.

- Como se chamará o regime da propriedade coletiva?

- Chamar-se-à Anarquia.

- Que significa esse nome?

- Significa "não comando", isto é, exclusão dos superiores e portanto "igualdade, não autoridade".

- A anarquia exige ordem?

- É o único meio de obter a verdadeira ordem, que hoje é mantida apenas pela compreensão. Basta que por um dia se suprimam a polícia e o exército para que a "desordem" atual se manifeste em desmando de toda a espécie.

Um comentário:

disse...

- em! vós podereis perguntá-lo; e sem dúvida qualquer um de meus mais jovens leitores responde, "vós sois republicano".
- republicano, sim; mas esta palavra não especifica nada. res publica é a coisa pública, sob qualquer forma de governo que seja,
pode se dizer republicano. os reis também são republicanos.
- então vós sois democrata?
- não.
constitucional?
- deus me livre.
- então vós sois aristocrata?
- de modo nenhum.
- vós quereis um governo misto?
- menos ainda.
- o que sois então?
- eu sou anarquista.
- eu o entendo! vós fazeis sátira; isto está dirigido ao governo.
- de maneira alguma: vós acabais de ouvir minha profissão de fé, séria e maduramente refletida; ainda que muito amigo da ordem, eu sou, com toda a força do termo, anarquista. escutai-me.
o homem, para chegar à mais rápida e à mais perfeita satisfação de suas necessidades, busca a regra: no começo, esta regra é viva para ele, visível e tangível; é seu pai, seu senhor, seu rei. mais o homem é ignorante, mais sua obediência, mais sua confiança em seu guia é absoluta. mas...

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dizeres

JUSTIÇA

JUSTIÇA

Agora uma fabulazinha

Me falaram sobre uma floresta distante onde uma história triste aconteceu no tempo em que os pássaros falavam, os urubus bichos altivos mas sem dotes para o canto resolveram mesmo contra a natureza que havia de se tornar grandes cantores.
Abriram escolas e importaram professores, aprenderam


mi

sol

si
Encomendaram diplomas e combinaram provas entre si para escolher quais deles passariam a mandar nos demais a partir daí criaram concursos, inventaram títulos pomposos, cada urubuzinho aprendiz sonhava um dia se tornar um ilustre urubu titular afim de ser chamado por vossa excelência.
Passaram-se décadas arte que a patética harmonia dos urubus maestros foi abalada com a invasão da floresta por canários tagarelas, que faziam coro com periquitos festivos e serenatas com sabiás. Os velhos urubus encrespados entortaram o bico e convocaram canários e periquitos para um rigoroso inquérito:
cade os documentos de seus concursos?
Indagaram, e os pobres passarinhos se olharam assustados... Nunca haviam freqüentado escola de canto pois o canto nascera com eles.
Seu canto era tão natural que nunca se preocuparam em provar que sabiam cantar naturalmente cantavam
Não, não, não assim não pode, cantar sem os documentos devidos é um desrespeito a ordem, bradaram os urubus.
E em um nisoro expulsaram da floresta os inofensivos passarinhos que ousavam cantar sem alvarás...

Moral da história: em terra de urubus diplomados não se ouve os cantos dos sabiás