O dito da vez


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A explosiva descoberta
Ainda me atordoa.
Estou cego e vejo.
Arranco os olhos e vejo

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Carlos Drummond de Andrad

2 de nov de 2007

Ao mundo, o que é do mundo


7/8/2006

Ao mundo, o que é do mundo

O mundo é assim, colorido para uns, sombrio para outros, alegre de dia e triste de noite para tantos. O mundo perfeito é o desejo de todos e, por não sabermos exatamente que perfeição é essa, nós nunca estamos satisfeitos. Nunca. São poucos os que dizem “agora que consegui o que queria, posso morrer feliz”.

A verdade é que a gente mal sabe o que quer. Esse mundo é pequeno demais para nossos anseios e, ao mesmo tempo, é grande ao extremo às nossas possibilidades. Parece que temos força infinita, não aceitamos um limite, não concordamos com a placa que diz que é ali, naquele ponto, onde tudo termina. Nos sentimos fortes por isso e somente uma coisa é capaz de mostrar o quão frágil somos. Somente uma coisa é capaz de derrubar o mais perfeito intelecto, o mais engenhoso dos homens, a mais poderosa das invenções: o coração.

Não falo (apenas) daquela função do coração de procurar a mulher da sua vida ou o seu príncipe encantado. Falo do coração como visão singular dos sentimentos. A gente age conforme o que sente. Quem nunca aconselhou a si próprio a agir com a razão? Mas como podemos exigir tanto da razão, se ela perde toda a sua segurança quando o coração não vai bem e é obrigada a usar como ponto de sustentação algo que só conquistamos com o passar do tempo, a experiência?

Ao mundo, ao nosso mundo, ao mundo de cada pessoa, temos que permitir o que é da natureza humana: a coexistência da razão, do coração, da intuição e do instinto. Falta alguma coisa? Sim, a solidariedade (e não caridade) de quem está ao redor, única forma de diminuir a ação quase dominante do erro.



Por Emerson Alecrim


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JUSTIÇA

JUSTIÇA

Agora uma fabulazinha

Me falaram sobre uma floresta distante onde uma história triste aconteceu no tempo em que os pássaros falavam, os urubus bichos altivos mas sem dotes para o canto resolveram mesmo contra a natureza que havia de se tornar grandes cantores.
Abriram escolas e importaram professores, aprenderam


mi

sol

si
Encomendaram diplomas e combinaram provas entre si para escolher quais deles passariam a mandar nos demais a partir daí criaram concursos, inventaram títulos pomposos, cada urubuzinho aprendiz sonhava um dia se tornar um ilustre urubu titular afim de ser chamado por vossa excelência.
Passaram-se décadas arte que a patética harmonia dos urubus maestros foi abalada com a invasão da floresta por canários tagarelas, que faziam coro com periquitos festivos e serenatas com sabiás. Os velhos urubus encrespados entortaram o bico e convocaram canários e periquitos para um rigoroso inquérito:
cade os documentos de seus concursos?
Indagaram, e os pobres passarinhos se olharam assustados... Nunca haviam freqüentado escola de canto pois o canto nascera com eles.
Seu canto era tão natural que nunca se preocuparam em provar que sabiam cantar naturalmente cantavam
Não, não, não assim não pode, cantar sem os documentos devidos é um desrespeito a ordem, bradaram os urubus.
E em um nisoro expulsaram da floresta os inofensivos passarinhos que ousavam cantar sem alvarás...

Moral da história: em terra de urubus diplomados não se ouve os cantos dos sabiás