O dito da vez


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A explosiva descoberta
Ainda me atordoa.
Estou cego e vejo.
Arranco os olhos e vejo

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Carlos Drummond de Andrad

2 de nov de 2007


" Ser animal é viver mal.
Ser animal é viver com sacrifício,
Ser animal é penar sempre.
Ser animal é viver na indecisão sempre.
Ser animal é viver confuso sempre.
Ser animal é viver cansado sempre.
Ser animal é viver doente sempre, por ser de matéria.
Ser animal é viver pensando sempre, noite e dia.
Ser animal é viver agonizando sempre.
Ser animal é viver de experiência sempre.
Ser animal é ser turrão, teimoso e rebelde.
Ser animal é não saber a origem de sua causa.
Ser animal é desconhecer por completo o antes de seu ser assim ser e o antes de tudo assim ser.
Ser animal é viver de aparências.
Ser animal é não saber porque vive.
Ser animal é não saber porque que assim é.
Ser animal é não saber porque é de origem Racional.
Ser animal é não saber porque é um animal, porque se soubesse, deixaria de ser animal."

págs. 43/44 - 14º da Tréplica UNIVERSO EM DESENCANTO

Um comentário:

disse...

numa guerra entre o homem e as feras, lutaria do lado dos ursos.

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JUSTIÇA

JUSTIÇA

Agora uma fabulazinha

Me falaram sobre uma floresta distante onde uma história triste aconteceu no tempo em que os pássaros falavam, os urubus bichos altivos mas sem dotes para o canto resolveram mesmo contra a natureza que havia de se tornar grandes cantores.
Abriram escolas e importaram professores, aprenderam


mi

sol

si
Encomendaram diplomas e combinaram provas entre si para escolher quais deles passariam a mandar nos demais a partir daí criaram concursos, inventaram títulos pomposos, cada urubuzinho aprendiz sonhava um dia se tornar um ilustre urubu titular afim de ser chamado por vossa excelência.
Passaram-se décadas arte que a patética harmonia dos urubus maestros foi abalada com a invasão da floresta por canários tagarelas, que faziam coro com periquitos festivos e serenatas com sabiás. Os velhos urubus encrespados entortaram o bico e convocaram canários e periquitos para um rigoroso inquérito:
cade os documentos de seus concursos?
Indagaram, e os pobres passarinhos se olharam assustados... Nunca haviam freqüentado escola de canto pois o canto nascera com eles.
Seu canto era tão natural que nunca se preocuparam em provar que sabiam cantar naturalmente cantavam
Não, não, não assim não pode, cantar sem os documentos devidos é um desrespeito a ordem, bradaram os urubus.
E em um nisoro expulsaram da floresta os inofensivos passarinhos que ousavam cantar sem alvarás...

Moral da história: em terra de urubus diplomados não se ouve os cantos dos sabiás