O dito da vez


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A explosiva descoberta
Ainda me atordoa.
Estou cego e vejo.
Arranco os olhos e vejo

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Carlos Drummond de Andrad

29 de dez de 2008

Massacre...



A paz regada a sangue!

DO GUETO DE VARSÓVIA AO GUETO DE GAZA

Em Abril de 1943 os judeus do Gueto de Varsóvia foram massacrados pela máquina militar do III Reich nazi. Em Dezembro de 2008 os palestinos do Gueto de Gaza são massacrados pela máquina militar do IV Reich nazi-sionista. Ambos os povos exerceram o seu direito inalienável à revolta contra a opressão.

É hipócrita e cínica a atitude do governo português a recomendar que cessem os ataques de ambos os lados. Com essa argumentação pretende-se comparar a resistência digna do povo palestino e a acção criminosa do invasor sionista que massacra a população civil e destrói a infraestrutura de Gaza, depois de sustentar durante meses um bloqueio total contra o seu povo.

Este genocídio só é possível porque o lobby judeu mundial concede-lhe o combustível necessário, porque os EUA dá cobertura política, economica e bélica ao agressor, porque a União Europeia lhe deu um sinal verde e porque grande parte da população israelense dá apoio à limpeza étnica promovida pelo governo nazi-sionista.

Só o levantamento generalizado no mundo árabe e a solidariedade internacional, com todo tipo de protestos por toda a parte, poderá deter essa acção criminosa. Neste momento é importante reiterar a solidariedade com o governo legítimo do Hamas e repudiar a posição cúmplice do actual presidente da Autoridade Nacional Palestina, sr. Mahmud Abbas. Este, apesar da carnificina em curso, optou por acusar o Hamas pelo que está a acontecer e de forma submissa procura negociar com os assassinos do seu povo.

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http://resistir.info/palestina/cppc_29dez08.html

27 de dez de 2008

O que o capitalismo vende?


O capitalismo vende segurança: como diz meu professor de geografia, a mídia sempre quer ver todo mundo com a “teoria do cagaço” debaixo do braço. A TV cospe sangue em você; faz com que você ache que qualquer pessoa minimamente mal vestida está olhando atravessado pra você, e que a cada esquina um seqüestrador está escolhendo uma vítima (e que vai ser você, é claro). Ela quer fazer você ficar tão angustiado que você vai querer comprar tudo que eles vendam como segurança, além de consumir mais comida e banalidades por causa da sua angústia. Afinal, pra onde as mulheres vão quando querem se distrair? SHOPPING, não é?

O capitalismo vende personalidade: As pessoas querem viver numa zona de segurança, algum lugar abstrato confortável, que está entre a normalidade e a personalidade exclusiva. Na verdade há duas motivações para as pessoas quererem se sentir “diferentes”. A primeira é a agonia da normalidade, e das duas é a “Menos ruim”. É quando alguém percebe que simplesmente se parece demais com “todo mundo” e com “estereótipos”, então tenta mudar e ganhar alguma coisa como uma “personalidade própria”. A outra motivação é que a sociedade em geral faz você acreditar que é normal ser diferente (em questão de personalidade), de forma que se você não é minimamente diferente, você não é normal - e aí algumas pessoas iriam à loucura se não se encaixassem nessa “normalidade”. A questão é que, por qualquer motivo que seja, você acredita que precisa ser diferente a qualquer custo, e antes esse fosse o problema. O problema é que é uma crença de superficialidade; as pessoas pra serem diferentes fazem algo no cabelo, compram roupas “diferentes” ou “que dizem mais” sobre elas, aprendem algumas expressões de determinado grupo social, e compram variados produtos que custam mais caro por causa do fator “exclusividade”. Um iPod já é caro, mas uma versão limitada, sei lá, autografada pelo U2 (uma vez já existiu uma assim) custa mais caro. E quem “se identifica” vai lá e compra. O capitalismo vende personalidade: pras pessoas, ser diferente é comprar a diferença.

O capitalismo vende utopias: Você acha que a anarquia é utopia? Utopia é achar que felicidade é casar, ter filhos, viver trabalhando que nem um condenado pra sobreviver e sobrar um dinheiro pra no fim da vida ficar sem fazer de nada numa casa de praia. Essa é a imagem ideal de muitas pessoas: quando é perguntado a elas sobre felicidade, ou elas respondem um amor, ou os filhos, ou uma velhice segura. Aqui está um estereótipo: pôr-do-sol. Praia. Crianças brincando em slow motion. Ondas calmas. Um idoso com sandálias chiques, óculos escuros impecáveis, apoiando os braços atrás da cabeça e deitando, curtindo o pôr-do-sol… Parece propaganda do Itaú, certo? Então. Todos os seus sonhos de felicidade são na verdade remédios pros seus medos. Medo e impossibilidade de ficar sozinho, medo instintivo e primitivo de não passar os genes adiante, e medo memético, que vem da insegurança social dos dias de hoje, de sofrer na velhice ou mesmo ficar pobre antes disso, etc. As pessoas não querem mais nada da vida, não ousam ir além, se contentam com o pouco que lhes aplaca as ansiedades - e é pior, pois se contentam em nem mesmo pensar sobre isso. Isso não é vida. Isso não é felicidade. Isso é utopia.

E, é claro, tem alguém lucrando com os casamentos, muita gente lucrando com filhos e com o trabalho, e muita gente lucrando com casas na praia.

E, acima de tudo, o capitalismo vende distração: Se não houvesse nada pra te distratir, mais pessoas pensariam que talvez a mídia manipula demais as informações, que talvez não é preciso muito pra ser diferente, e não é um grande objetivo de vida ser diferente - ou melhor, se encaixar no modelo padrão de “ser diferente” - e mais pessoas avaliaram o que desejam pras suas vidas. E assim as coisas mudariam. Mas como as pessoas não são tão sérias (e ainda bem que não são, sob certo ponto de vista!) elas gostam de uma diversãozinha. O problema é que não sabem usar com moderação. Transformam a religião, o pão e o circo em ópio pras mazelas silenciosas da existência.

E tem muita gente lucrando com isso.

Peterson Cekemp

24 de dez de 2008

então é natal?




Envolta em devaneio, a noite
Respirava o hálito sublime
De um acontecimento transcendente,
Após o qual jamais a Terra foi a mesma.
No humilde estábulo, longe da arrogância,
Da opressão, do fausto, vinha ao mundo
O próprio amor em homem encarnado.

Sua passagem nos campos do Oriente
Marcaria para sempre a humanidade:
Não mais a ameaça , o castigo, a punição,
Não mais dilúvios de um Deus vingativo,
Mas a suave e mútua solidariedade,
Que fazem do homem um ser realizado.

Pouco importa a forma, as fórmulas, os cultos,
Somente único foi seu mandamento:
“Que vos ameis uns aos outros, e que assim,
Como eu vos amei,
Vos ameis também uns aos outros.”

Nas amplas salas opulentas de mansões
Ressoam vivas, o tinir de taças,
Borbulha a alegria: é Natal!
Mas, não mui longe dali, o melancólico
Espetáculo da miséria tem lugar:
Famintos, mal vestidos, oprimidos,
Os filhos do operário se perguntam,
Sem entender o porquê do sofrimento:
Qual o motivo para festa e alegria?
Como comemorar se o companheiro
De correrias, na rua esburacada,
Vítima de uma bala perdida,
Foi para o céu tornar-se um querubim?

Natal… mas é possível
Comemorar em pompa o nascimento
De um Cristo que se mata todo dia
Em cada ato de intolerância,
De egoísmo cego e violência?
Que milenar, infinda hipocrisia
É esta do mundo ocidental,
A festejar com estrondo o Natal,
Se o amor cristão é uma palavra
Morta e sem sentido
Nos lábios daqueles cuja vida
Se faz em falsidade e autoritarismo?

Porém, a festa é válida e gostaríamos,
Neste Natal, despreocupadamente,
De festejar e enlevar-nos no momento
Mágico da noite fascinante.
Porém, queremos lembrar, caros amigos,
Que o Cristo encerra em si a esperança
De uma vida fraterna, livre, solidária,
De aconchego espontâneo e mútuo,
A enriquecer de cada um a existência;
Que na opressão e na miséria coletiva
Não é possível realizar-se esta vida.

Que o Natal seja para nós,
Isto sim, um dia de alerta,
Que realimente-nos o sonho da utopia,
Para lembrar que a felicidade,
Em cuja busca gastamos nossa vida,
Só é possível no calor da mútua doação
E que, para isso,
Cada um de nós é ferramenta indispensável
Na grande luta de transformação
Da sociedade em justo e consciente,
Solidário conviver de indivíduos
Em que na alma jamais falte franqueza,
Em cuja mesa jamais falte pão.

..

19 de dez de 2008

.De outro modo.

O anarquismo não se resume a ação de violência, porém essas ações são necessárias de acordo com o contexto político, cultural e social que por deveras oprime os homens e mulheres no decorrer dos tempos. Como anarquista minha preocupação não se limita apenas a ações de violência, abrange-se a informação que atualmente de forma imoral e moral molda gostos e desgostos de um povo que se fez e se faz cego perante a realidade em que se encontra.

O que queremos?

A resposta para essa pergunta pode ser variada de acordo com o ponto de vista de cada um, contudo o que à em comum no desejo de todos até inconscientemente, é a vontade de ser livre para viver uma vida digna, justa e humana, sem guerras e disputas por poder, onde a vontade do outro é alienada e manipulada pelo Estado, pela Igreja, pela Mídia e tantos outros poderes que se faz presente em nosso meio. Algo que salta aos olhos, mas que a maioria não consegue perceber, por que não quer e por que a os que não querem.

Se o que queremos é liberdade, temos que conquistá-la, porém a várias maneiras de se trilhar o caminho para o que desejamos tão complexos e variáveis como a sociedade em que vivemos. A informação é algo importante para abrir caminhos que há tempos estão bloqueados, essa informação deve almejar a formação de conceitos e atitudes outrora esquecidos para o bem estar de uma minoria que se julga capaz de decidir pela maioria, levando em consideração seu conforto econômico-egocêntrico.

Neste aspecto percebemos a importância de uma educação para liberdade, dando aos estudantes uma oportunidade de decidirem seu próprio caminho, sem amarras impostas pelo Estado através do currículo que hoje está implantado nas escolas, perpetuando o sistema capitalista e toda a exploração que o mesmo dispõe. A educação libertária é um dos meio que possibilita a quebra dessa “tradição”, para uma nova ordem social.

Paulo FREIRE:
“Não há nem jamais houve prática educativa em espaço-tempo nenhum de tal maneira neutra, comprometida apenas com idéias preponderantemente abstratas e intocáveis. Insistir nisso e convencer ou tentar convencer os incautos de que essa é a verdade é uma prática política indiscutível com que se pretende amaciar a possível rebeldia dos injustiçados. Tão política quanto à outra, a que não esconde, pelo contrário, proclama sua politicidade”.

A partir da compreensão da escola como espaço político, percebemos que a formação cognitiva e intelectual deve permitir a participação ativa dos que fazem à escola na sociedade em que vivem. Construindo uma ligação entre os valores e ações, entre escolhas e conseqüências. Tendo como preocupação dar oportunidade aos que estão a margem desta sociedade moldada por um sistema excludente, proporcionando autogestão, pela democratização da escola num sentido radical, isto é, envolvendo professores, alunos e funcionários nas decisões sobre os rumos da educação e consequentemente da sociedade que esses atores estão inseridos.

karina m.

15 de dez de 2008

Um ponto de vista...



A educação é naturalmente libertadora, onde também proporciona ao ser humano subsídios para a construção de seu “eu” social, político, cultural, etc. Está alienada ao homem “democraticamente”, por que negamos nossa realidade, a esquecemos, como se não a construíssemos! Percebemos então que, está negação nos leva ao questionamento sobre o porque não enxergar como vivemos e porque vivemos assim, nos levando a reflexão de alguns conceitos esquecidos aparentemente, como autogestão e liberdade.

Está “democracia amarrada” pelo Estado, não nos deixa viver efetivamente, moldando o ser humano a uma determinada forma de ser. Por isso a negação a realidade nos impede de transformá-la, é necessário entender toda está complexidade que nos cerca para vir-a conhecer como vivemos, assim poderá existir uma reflexão real, que constantemente nos promove a ação necessária para interagirmos com está realidade percebida.

Destruindo antigos conceitos e costumes, para criar novos conceitos e hábitos. Existindo de fato, dando jus a nossa potência de ser humano.

karina m.

12 de dez de 2008

Sólido - Gasoso

As intenções são muitas, mais como sempre existem opções em demasia, o que realmente importa em momentos cruciais como estes?
Tempos onde o que importa é o lucro. Lucrar é o grande negócio, vidas são resumidas a piões de um xadrez político instigante, pois se não fosse, nossa realidade seria outra qualquer, eu estaria a falar de flores não de guerra!
Mais o que temos aqui são “pessoas” que tem como desejo o poder, aquele máximo, onde palavras como humanidade, solidariedade, coletividade são feitas a ignorar, pois o bem é o próprio não de todos...
Logo, o que ocorre hoje, é uma revolta humana a não humanidade, onde a perdemos tentando encontrá-la, mas como sair das amarras e vendas?
Um amigo me disse, certa vez, "simplesmente existindo", sendo a história, a revolta, vivendo e não sobrevivendo em um mundo onde amos se instalam, fiquemos de pé.
km

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Link
Revolta, greve e ordem

10 de dez de 2008

Do berço ao pó




[Nas barricadas, nas ocupações da universidade, nas manifestações e nas assembléias mantemos viva a memória de Alexandros, mas também a memória de Michalis Kaltezas e de todos os companheiros que foram assassinados pelo Estado, fortalecendo a luta por um mundo sem amos e escravos, sem polícia, sem exércitos, sem cadeias e sem fronteiras.]

Imagens
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CMI
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Rede Libertária
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A-Inf.

8 de dez de 2008

!


Prezados/as,
Na seqüência da polêmica com a Profa. Eunice Duhran, que qualificou o Curso de Pedagogia como "uma fábrica de diplomas", segue o meu texto. Local de publciação: também Jornal da Ciência/SPBPC, possivelmente na versão impressa.
Abraços,
Ivonaldo

EM DEFESA DO CURSO DE PEDAGOGIA


Ivonaldo Leite

Professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)


Nos últimos dias, tem-se dado curso a um conjunto de afirmações a respeito do curso de pedagogia que são, no mínimo, instigantes ao debate. Refiro-me às reportagens com a Professora Eunice Duhran. A grande imprensa, como a Revista Veja, e mesmo órgãos de divulgação científica, como este JC, têm estampado manchetes brandindo que o curso de pedagogia não passa de uma "fábrica de maus professores" .

Que a precipitação na emissão de juízos de valor seja uma das marcas de um determinado tipo jornalismo, é, até certo ponto, compreensível, embora não aceitável. O sensacionalismo tem apelo comercial. Manchetes espetaculosas vendem bem. Todavia, nem de longe, tal postura é admissível em quem deve ter compromisso com a problematizaçã o analítica dos fenômenos. A análise social não pode ser refém de pautas jornalísticas – não obstante, cada vez mais, intelectuais (nalguns casos por vaidade, noutros nem tanto) orientem-se pela lógica dos holofotes e pelas diretrizes dos editoriais.

Ora, como diria Ariano Suassuna, não "saio a terreiro", em nome do curso de pedagogia, de "capa e espada", até porque, em princípio, sou oriundo do campo da teoria social, tendo aportado no contexto educativo-pedagó gico por via do doutoramento em ciências da educação. De resto, longe de mim atitudes que guardem semelhanças com posturas quixotescas. Se venho a público tratar do assunto em tela, é em decorrência da necessidade de se realizar um debate referenciado nos quadros da problematizaçã o analítica, orientado pelo recíproco movimento entre a instância lógica e a instância empírica, o que, por certo, é algo que não se coadune com a precipitação jornalística. Entendamo-nos.

À partida, como pressuposto, é de se apontar um equívoco na idéia segundo a qual o curso de pedagogia é "uma fábrica de maus professores" . "Embaralham- se as cartas", quer dizer, comete-se o conhecido erro de se misturar informações verdadeiras e informações falsas, para que estas últimas adquiriam a identidade das primeiras. Ou seja, que o curso de pedagogia tem desafios a enfrentar, é algo que não pode ser negado – no que, aliás, não está só, basta uma vista de olhos nas licenciaturas em geral para se verificar isso. Agora, o que não se pode é lhe atribuir problemas que não são de sua responsabilidade.

En passant, é possível realçar três debilidades analíticas no discurso que afirma ser o curso de pedagogia "uma fábrica de maus professores" : 1ª) apanha no mesmo nível questões que têm estatutos teóricos diferentes; 2ª) ignora as reconfigurações educativas contemporâneas; 3ª) passa do plano lógico-empírico para o ideológico.

No que concerne à primeira, por exemplo, só mesmo "forçando muito a barra" é que se pode meter num mesmo saco os desafios que o curso de pedagogia tem à sua frente e a idéia de "zerar as faculdades de educação", de par (veja-se só!) com a restrição da expansão da universidade pública e a defesa da concentração da pesquisa acadêmica apenas em algumas instituições/regiõ es. Num país em desenvolvimento, e com as desigualdades regionais e a extensão que o Brasil tem, este é um raciocínio "bastante paradigmático" a respeito da integração nacional. Convenhamos, há algum tempo, ao defender algo semelhante, no governo FHC, Bresser Pereira foi mais argumentativo, apesar de ter dito que "botar dinheiro em pesquisa no nordeste é como dar capim a gado".

No mais, cabe lembrar que as patranhas verificadas no ensino particular superior muito devem ao programa adotado pelo Ministro Paulo Renato (quando, aliás, a Professora Eunice Duhram exercia a Secretaria de Política Educacional do MEC), no sentido de se criar um mercado educacional. Disso resultou um crescimento desordenado da rede privada (com significativos efeitos sobre o curso de pedagogia), tendo instituições de ensino sido instaladas até em shoppings.

Em relação à segunda debilidade, é preciso desconhecer bastante as reconfigurações educativo-escolares contemporâneas para então se limitar a incidência do trabalho docente unicamente à aplicação de conhecimentos, ao ensino em sentido meramente instrumental – ou mesmo pôr "debaixo do tapete" as dimensões de sociabilidade pressupostas pela educação escolar. Francamente. A escola de hoje não é a escola que alguns imaginam, geralmente fotografada por seus "retrovisores mentais", espelhando uma escola pública que era freqüentada por uma minoria, a escola da antiga classe média, como bem disse Bernstein. A escola atual é a escola de massas. As classes populares, enfim, alcançaram-na, como parte da conquista da sua cidadania. É cada vez mais difícil cumprir um dos antigos lemas da pedagogia: "ensinar a muitos como se fosse a um só". Isto porque os muitos agora são "multidões", e o sistema educativo não está preparado para recebê-las. É por aqui que se encontra a entrada analítica para serem explicados fenômenos atuais como a indisciplina, a violência e, claro, os problemas de aprendizagem, que fazem com que estudantes cheguem à universidade sem uma base que lhes permita atender os requisitos do ensino universitário. Portanto, a suposta deficiência do curso de pedagogia, formando "maus professores" , está intensamente relacionada ao ensino de base que os seus estudantes tiveram. Há de se reter ainda que, nos de hoje, não raramente, o ingresso em determinados cursos é menos por opção vocacional e mais em função da obtenção de um diploma do ensino superior. Isto por razões as mais diversas. Assim, é de se imaginar os impactos que tal fato tem no percurso de segmentos dos estudantes, no que toca ao seu empenho para apreenderem uma formação sólida.

Por outro lado, no dia-a-dia das escolas, não podem ser desconsideradas ainda as remodelações contemporâneas envolvendo a socialização primária e secundária, assim como os perfis sócio-familiares. Num cenário como este, ater-se unicamente ao cognitivo-instrumen tal, desprezando o sócio-cognitivo (o que significa pôr de parte as contribuições de disciplinas como sociologia, história e filosofia), é, na melhor das hipóteses, um despropósito.

Last but not least, referindo-se à passagem do plano lógico-empírico para o ideológico, a terceira debilidade enviesa o discurso da "pedagogia como fábrica de diplomas", situando-o num âmbito em que os fatos cedem lugar as opiniões ideo-políticas. Convenhamos, sob a rubrica de corporativismo, atribuir aos professores e às organizações docentes a culpabilidade pelas deficiências na educação, é um non sens. No cotidiano escolar, professores e professoras são vítimas, como os alunos, dos problemas do sistema educacional brasileiro. Salas superlotadas, precárias condições de trabalho e a sobrecarga decorrente da ocupação em mais de uma escola constituem uma amostra dos percalços vividos. Casos pontuais de descompromisso e de corporativismo sindical não abonam a emissão de juízos generalizados, apanhando as partes como se elas fossem o todo. Se, no entanto, mesmo assim se procede, é porque o terreno em que o analista social se move deixou de ser o dos dados empíricos, com ele adentrando-se no universo da ideologia que, como se sabe, no seu significado hard, apreende e representa a realidade de forma invertida.

Os desafios do curso de pedagogia colocam-se em outro patamar. Não será com abordagens que se enviesam à partida e nem com manchetes espetaculosas que eles hão de ser superados. Por exemplo, é necessário que, no Brasil, (1) seja convencionado um entendimento do que é a identidade do pedagogo e os contextos da sua atuação; (2) que seja travado um debate argumentado sobre o local da formação de professores (definitivamente na universidade? Em estruturas independentes/ específicas, como em outros países? O curso de pedagogia manter-se-ia na universidade com outras características, com foco na investigação, gestão e outras dimensões da educação?); (3) que seja equacionada a relação da pedagogia com as ciências da educação, visto que estas constituem, no exterior, um curso à parte (inexistente no Brasil), resultante das abordagens da sociologia, história, economia, filosofia, antropologia, psicologia, etc. votadas à educação, tendo-se que, no país, elas são apreendidas desconhecendo- se esse seu caráter basilar – o que tem significativas implicações teórico-práticas.

É preciso, portanto, pesquisa disciplinada e imaginação analítica para tratar dos desafios no campo dos estudos pedagógicos. Não as encontraremos em manchetes que surfam em reportagens ideo-precipitadas e que, de forma estigmatizada, generalizam ilações sem a devida fundamentação.

4 de dez de 2008

2 de dez de 2008

Uma visão ingênua da pratica educativa é vê-la como prática neutra, a serviço de idéias abstratas. A impossibilidade de ser neutro ou apolítico é que exige do educador uma ética: o que me move a ser ético é saber que a educação é política. Respeitar os educandos e não mentir para eles dizendo que estudar não tem nada a ver com o que se passa no mundo lá fora.

Paulo Freire

29 de nov de 2008

28 de nov de 2008

...


A existência, porque humana, não pode ser muda, silêncios, nem tampouco pode nutrir-se de falsas palavras, mas de palavras verdadeiras, com que os homens transformam o mundo. Existir, humanamente, é pronunciar o mundo, é modificá-lo. O mundo pronunciado, por sua vez, se volta problematizado aos sujeitos pronuciantes, a exigir deles novo pronunciar.
Paulo Freire


O pensar criador gera movimento, aquilo que se apresenta como verdade passa pelo questionamento, o naturalizado vira objeto de problematização e conhecer se apresenta como uma arte exigente, possível para todos e todas, que nos instiga sempre. O pensar criador acorda o conhecimento, planta uma semente de interrogação onde antes morava a arrogância das certezas e que por vezes nos imobiliza ou adormece.
km

15 de nov de 2008

Primazia


“Neste meio século não parece que os governos tenham feito pelos direitos humanos tudo aquilo que moralmente estavam obrigados. As injustiças multiplicaram-se, as desigualdades agravaram-se, a ignorância cresce, a miséria alastra. A mesma esquizofrênica humanidade que foi capaz de enviar instrumentos a um planeta para estudar a composição de suas rochas assiste a morte de milhões de pessoas pela fome. Chega-se mais facilmente a Marte do que ao nosso próprio semelhante.
Alguém não anda cumprindo seu dever. Não anda a cumpri-lo os governos, porque não sabem, porque não podem, ou porque não querem. Ou porque não lho permitem aqueles que efetivamente governam o mundo, as empresas multinacionais cujo poder, absolutamente não democrático, reduziu a quase nada o que ainda restava do ideal de democracia.
Mas também não estão a cumprir o seu dever os cidadãos que somos. Pensamos que nenhuns direitos humanos poderão subsistir sem a simétrica dos deveres que lhes correspondem e que não é de se esperar que os governos façam nos próximos 50 anos o que não fizeram nestes que comemoramos. Tomemos então, nós, cidadãos comuns, a palavra. Com a mesma veemência que reivindicamos direitos, reivindiquemos também o dever dos nossos deveres. Talvez o mundo possa tornar-se um pouco melhor.”
(Fragmentos do discurso de José Saramago, no dia que recebeu o Prêmio Nobel da Paz de Literatura em 1998)


Vivemos em uma sociedade hipócrita, porque clamamos incessantemente por direitos sociais sem compreender que eles só podem ser contemplados numa sociedade em que todos, em todos os níveis, têm consciência de seus deveres, e histérica, pois passamos nossa existência buscando uma satisfação, mas, sua desorganização coletiva, estrutural e individual, a impede de obter.
Autonomia, esta conquista rara de um ser, é essencial para uma mudança no mínimo interessante, mais esse ato de assumir-se, ainda assombra a muitos, se anularem, perder a coragem de ser é o resultado de nossa realidade social, a coragem foi desacreditada, o sonho foi banalizado, por nós, porque assim nos deixamos impor, o medo de construir uma história diferente é o interesse de quem domina, mais o interesse coletivo ainda pode quebrar a mesa!
km

12 de nov de 2008

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Oh! Desmundo cru(El)
Como se não bastasse, esta mulher a tossir dentro de casa!
Como se não bastasse o pouco dinheiro e a lâmpada queimada,
Sem velas e todos esses trapos
Todos esses topordeamentos
Os fascistas
Comunistas
Colunistas
E muito querosene, com uma pitada de tiroteio (não teria graça)
Oh! [des]Graça...
Poderia te dar tantos nomes:
Flor
Aurora (esta perdida)
Já não importa (era vida a explodir por todos os cantos da cidades)nomes?
Quando ti cubro de flor e sangue!
Por minha cidade azul
Pelo Brasil, salve! Salve!
Pelo homem morto no mercado e pelos legumes cobertos de sangue...
Mundo sem voz, vez e nem ao menos cor
Essa coisa opaca que faz sangue, carne e pensamento,
Te faz mentira em verdade
Os carinhos mais doces, mais sacanas
Mais sentidos
Como bate esse coração por causa[s]
Debaixo da pele, com todos estes ossos
Combatente clandestino aliados aos sem voz
A margem deste capetalismo
Claro! Mais que claro, raro!

km

6 de nov de 2008

Quem são essas pessoas que procuram por sobrevivência aos olhos de todos, percorrendo as veias da cidade, construindo espaços reais num mundo ilusório

?



PÚBLICO E PRIVADO

Fomos condicionados a entender espaços fechados, a ser protegidos dentro de mundos isolados, a compreender de uma maneira unilateral o que é fora e o que é dentro. Estamos cada vez mais edificando espaços ilusórios artificiais (shopping centers, praças de alimentação), que são sem dúvida, atualmente, os espaços públicos das cidades. As praças, os parques, estão sendo enclausurados com grades, "pendurados" como obras de museu, inatingíveis, fictícias. As noções de espaço do morador de rua podem atingir um grau enorme de experimentação, no qual o público e o privado se mesclam aos nossos olhos, e as bricolagens e sobreposições de materiais são utilizadas para fomentar uma noção diferenciada de espaço. Este se torna, ao primeiro impacto, um muro, quase que esquizofrênico, incompreensível para os modos de vida burgueses de nossa sociedade. Mas, atravessando as sombras desse muro, entramos num oceano de criatividade e de vislumbres construtivos inigualáveis. Espaços autônomos, mutáveis de acordo com as necessidades do cotidiano, interações entre sobrevivência, moradia e corpo, que vão, ao mesmo tempo, sendo constituídas ininterruptamente. O lixo de consumo da sociedade torna-se a pedra fundamental para a vida na rua. Sob essa óptica, o mais importante seriam então as soluções encontradas para a relação entre o corpo/mente e os espaços das cidades. Retornamos para a importância dos espaços públicos e para o real significado de morar, de habitar e de ter o prazer de se sentir em casa, mesmo no âmbito dos espaços públicos. Esses espaços e a habitação devem caminhar novamente juntos, e essa caminhada precisa se transformar numa meta política e numa obrigação para o Estado. Soluções podem ser encontradas tentando-se conceber espaços "abertos", autônomos e reguláveis para os habitantes, e não enclausurados em edifícios seriados e sem vida...

31 de out de 2008

Tudo o Que eu precisei saber, aprendi na infância

A maioria das coisas que eu realmente precisava aprender sobre como viver, fazer e ser, eu aprendi na infância. Sapiência não se encontrava no topo da montanha das escolas de pós-graduação, mas na caixa de areia na creche.

Essas são as coisas que eu aprendi: compartilhe todas as coisas “jogue limpo” e não bata nos colegas. Não pegue nada que não seja seu, limpe a bagunça que você fez e coloque tudo de volta em seus lugares. Peça desculpas quando você magoar alguém. Sempre dê a descarga e lave as mãos, sobretudo antes das refeições. Viva uma vida equilibrada: além de trabalhar, desenhe, pinte, cante e dance um pouco todos os dias. Lembre-se também que leite frio e biscoitos fresquinhos pode ser bom para você.

Tire uma soneca às tardes e quando sair às ruas cuidado com o trânsito; dêem as mãos e permaneçam juntos.Cultive a sua imaginação: lembra-se da semente de feijão que a professora colocava no vaso de água? As raízes cresciam para baixo e as folhas para cima e ninguém sabia explicar o porque. Nós somos parecidos. Os peixinhos do aquário, os passarinhos da gaiola e as sementes de feijão,todos morrem e nós também.

Recorde-se do grande e melhor conselho da época, olhe! Olhe ao seu redor! Tudo o que você precisa saber está aí à sua volta. As regras de ouro: Paz, amor, ecologia e uma vida saudável.

Imagine como o mundo seria melhor se todos tivessem um lanchinho com leite e biscoito às três da tarde e em seguida tirasse uma soneca. Imagine se fosse uma política nacional que todos os cidadãos tivessem que limpar a sua própria bagunça e colocar as coisas de volta em seus lugares. Imaginem se todos dessem as mãos e permanecessem juntos.

(Texto de Robert Fughum adaptação e tradução de Paulo R. Motta)

28 de out de 2008

Por livre espontânea pressão...


A certa poesia ou será fantasia em viver em um tempo em que as armas asseguram a paz, a liberdade e essa tal democracia, tudo dominado por vícios midiáticos, personalizados, individualizados e expandidos neste ciclo vicioso que se tornou este estilo de viver... por livre espontânea pressão, vamos caminhando com passos de caranguejo, pois não vejo horizonte quando percebo a idéia de confronto por poder, por lucro, por saber poder manipular os horizontes para encostas e sobrados, tirando todo direito da vontade de ser. Ser o fato, a história, a poesia, a ação, ser você, pois vai ser sempre a mesma coisa até que o sujeito gente DECIDA que tudo pode ser diferente, afinal a grande merda da coisa toda.
A certa poesia em conseguir mudar, ou nunca conseguir mudar, o bom mesmo é viver, mais nunca de vida feita sob medida, empurrada guela abaixo como se não fossemos seres distintos, pensantes (apesar dos pesares)... quem dita o que quero? O que você quer? São muitos ditos, ditas e duras vidas, quem sabe o que é melhor para mim é eu!
Será difícil perceber?
Mais difícil é saber-se percebido?!

km

24 de out de 2008

Não ajuste o auto-ajuste


Veja de setembro 2008
Carta Capital de outubro 2008

19 de out de 2008

Mas tem uma coisa



O perfume ordinário, o amor "escasso", as goteiras no inverno, as agonias do verão.
E as formigas brotando aos milhões... (Como se elas fossem à essência da casa).
E todas buscavam
Num sorriso amarelo
Nas encostas dos dizeres
No coito em pé na calçada escura
E nas esquinas
No roubo
Nas dores de Dolores...
Compreender seus enigmas.

Que faço entre coisas?
Como me defendo (de quem me defendo)?

Num canto do quintal cresce flores da lama (como pode o perfume nascer assim?),
Terra preta regada a esgoto... Crescem os mais belos tomateiros (ou o fogo dos teus olhos)
-karina meireles-


Mais tem outra coisa:

Se para ti, "anarquia" é sinônimo de caos, desordem, confusão, desorganização e distúrbio, aperta bem esse cinto...

Anarquia não é confusão;
Anarquia não é desorganização;
Anarquia, do grego: an (sem) e arché (poder).

Anarquista não é sinônimo de desordeiro.

Anarquismo: movimento que luta por uma sociedade onde ninguém tenha poder sobre ninguém. Também podem ser chamados de ácratas, defensores da Acracia, do grego: an (sem) e kratos (governo). Os ácratas, ou anarquistas, querem uma sociedade em que ninguém governe ninguém. Pela ênfase que dão à liberdade e à negação de qualquer autoridade, são também conhecidos como libertários.

Anarquismo = Organização sem Autoridade.

...em volta do pescoço e ata-o bem alto.

(deixa estar que eu puxo a cadeira)

16 de out de 2008

Em mentira vos digo...



Somos todos filhos de Max Headroom! Nascidos em 80, com menos 80 % de carne e duas vezes 80 de QI...artificialmente produzidos, hihicronados, segundo uns, usando a gravata de Luther Blissett, de acordo com alguns e com a hipovida de um replicante. Entremos em mutação: "Do modo em que é colocada , tal superação do confronto homem máquina corresponde , por sua vez, a um deslocamento da questão da representação, através do qual a imagem não está mais no "lugar de" , mas passa a ser ela própria informação." Mutação, mutação, metamorphosis em informação um cálculo arretado muito mais menos do que mais para ser mais do que menos! Somos as verdadeiras "Iron Butterflies" nascidas de casulos transgênicos. Nossas asas não são metálicas, mas nossa banda é! Heavy Metal na cabeça porque o Segredo é dourado! Assim, tão clonados , transgênicos, formatados, vacinados, cromados...temos nossa vindicação pela boca da maçã: "Todas as coisas são perfeitas, mesmo aquelas com defeito estão de acordo com a lei de Éris!" Sobrevivemos sendo todos somados e arredondados. O som nunca foi tão perfeito depois do surgimento dos teclados da Cássio....relógios digitais da Cássio e o cristal não é líquido no nossos olhos. Somos condutores da visão para a mutação: Mutação, mutação, metamorphosis em informação um cálculo arretado muito mais menos do que mais para ser mais do que menos!
Somos as wikipedias orkuteiras do Ipod virótico , um novo híbrido entre homem, máquina e a casca da banana da macaca Chiquita bacana encostados na lavanderia chinesa....que hoje é uma galeria de camelôs na 25 de março ou na rua Saara. Temos Ipods, Vocêpods, Elepod e o mais raro êne que nem o poderoso comerciante e empresário Tsao Xing Um conseguiu piratear em Formosa: O Todospod e Nósphone! Esses equipamentos podem ser produzidos pelo uso de forças tétricas, portanto , desativem seus firewalls mentais! Poliglotas sem código fonte: a língua é o Random! Mutação, mutação, metamorphosis em informação um cálculo arretado muito mais menos do que mais para ser mais do que menos!

Abra seus Olhos
&
Veja
Como sua mente
Mente pra Você!


km.

10 de out de 2008

Duvidas...



Será que são as pessoas que têm de se moldar aos padrões tidos como "normais" da sociedade? Ou é a sociedade (nós mesmos) que deve aceitar a diversidade e mudar seus padrões?

Como podemos saber, especular, se vivemos neste mundo baseados em conceitos rígidos, (para anular a vontade de ser) usando o padrão da "maioria" (imposto historicamente) para tentar estabelecer uma verdade universal.
Como podemos viver, se estamos impregnados com a doença de não respeitar a naturalidade de cada um e tentar determinar seus sabores, dissabores, ódios e amores... Somos nós que historicamente repassamos tudo isso, a história não é para ser repassada como especulação irreal e sim ser vivida, construída coletivamente, somos os donos da história de nossas vidas, de nosso tempo.

Repassar ou construir?
De quem são os interesses que superam a humanidade, perdida na imensidão do tempo?
... Abobados com o espetáculo político mídiatico vivemos o nosso tempo...

O MUNDO ESTÁ PERDIDO
dizia o avô
e a
família saiu a procura
a mãe dentro de casa
o filho pelo quintal
o avô no baú
o pai na rua
o cachorro
só coçou o pescoço
dias depois todos voltaram
trazendo pedaços
colaram os cacos
e uma forma estranha se fez
o avô a avô o pai a mãe e o filho
riram
o cachorro
bocejou e dormiu

karina meireles

4 de out de 2008

2 de out de 2008

Nas terras Tupiniquins...

Atualmente o conhecimento a técnica e a informação esta bem difundida pela humanidade, apesar de humanamente não termos melhorado, mais este não era o objetivo. A ciência, a técnica nos deu hoje um mundo material rico, o que precisamos agora é povoar o mundo com homens melhores, com uma sensibilidade mais fina, uma espiritualidade mais desenvolvida, sustentar a tese que o desejável é possível, a escola deve ter como um dos objetivos elementares a formação do caráter moral, que ajude os moços e moças a saberem enxergar as possibilidades criadas pelo trabalho manufaturado que nos cerca hoje em dia, perceber que, o que nos falta é uma personalidade mais definida menos imposta, temos que divulgar o que há de melhor na sabedoria construída ao longo dos séculos, definir o que há de melhor em nós individual e coletivamente, deve ser a coisa mais importante que a escola tem para ensinar, cultivar a esperança e não perpetuar tecnicismo, o mano faturamento do ser, já que não nascemos nem bons nem maus, nem ruins nem excelentes, toda formação cultural depende dos conceitos.
Com a perda da palavra, sem o sentido, sem o símbolo, como humanizar? Sem a possibilidade de dar sentido ao seu próprio ser, suas pretensões, o homem não é capaz de discernir o que o faz sofrer ou o que faz outros sofrerem. Somos limitados, nos fazemos limitados em nosso aspecto subjetivo, podemos até buscar a dignidade pessoal, mas não seremos capazes de cultivá-la, de defendê-la, de transmiti-la.
Tais questões são tão importantes quanto às técnicas de cálculo, levar essas reflexões as crianças os farão emergir humanamente, as diferentes opiniões, o respeito a tal diversidade proporcionará a criação, a gestação, de um novo, de um outro, uma outra coisa. Esta reflexão permanente nos faz perceber a poética humana, se for guiada por valores bons, gerando assim boas construções, no sentido de sempre buscar a beleza, o inefável, o que até mesmo é difícil de ser descrito.
Mostrar aos jovens que a mais bela obra que pode um homem deixar para o mundo é sua própria vida, incorporando através de velhos valores um novo homem, apesar de termos mais facilidades em resolver raiz quadrada, pois virtudes e valores não são coisas, um conhecimento qualquer.
Nunca teremos uma única solução, estes princípios têm muitos aspectos, cada um tem uma maneira particular de perceber, mais é esse tipo de abordagem multifacetada que necessitamos, a escola nunca ensinará ética, pois ética é uma descoberta, uma construção do ser através de reflexão e isto independe de idade ou cultura. Essas possibilidades de construção é que torna um tema tão antigo e abstrato em algo novo e singular.






Enquanto isso o Estado vende a educação na mídia..
Tudo vai bem na educação Tupiniquim!!

Salários baixos e má preparação para os docentes, prédios velhos e sem estrutura, alunos que estudam por obrigação, má criação em família, desigualdade social, desinteresse dos governantes, favorecimento de instituições privadas, enfim, são vários os fatores que levam ao fracasso da educação pública brasileira.

.karina meireles.

29 de set de 2008

A escola dos valores humanos


A escola não proporciona a investigação não atiça a curiosidade e o fascínio dos estudantes pelos valores fundamentais do humano, não oferece conceitos importantes à construção do ser individual e coletivo, nem ao menos revela sua importância na vida dos alunos, virtudes que nos ajudarão a viver melhor como, por exemplo, a justiça, que segundo Aristóteles é uma virtude completa já que sem ela outros valores e virtudes podem deixar de sê-los, se almejamos um mundo justo dever-se-ia a escola analisar tais conceitos, não considerar as ditas virtudes cardeais, a coragem, prudência, sabedoria e temperança por achar que um ensinamento “coisificado” é bastante para uma vida em sociedade, somos humanos não coisas, é a partir de tais reflexões que se pode construir uma sociedade solidária.
A escola tem a responsabilidade de fazer os alunos perceber que tais virtudes nos constroem como seres sociais e autônomos.
Karina Meireles

27 de set de 2008

Se eu me confirmar e me considerar verdadeira, estarei perdida porque não saberei onde engastar meu novo modo de ser - se eu for adiante nas minhas visões fragmentárias, o mundo inteiro terá que se transformar para eu caber nele.
Clarice Lispector



A vontade
Essa potência
de ser
estar
ou ter
traz medo
superável
não se sabe até
ousar
ser
potência
perder tudo isso
encontrar-se diferente
a razão do medo
é ter medo de se ver
de não ver o que acha

querer/não querer
superar

aceitar o caminho
ter ciência
de ser...
km

25 de set de 2008

A poucos passos


O que entala a garganta além de soluços,
É ver que a vida era espalhada pelos verdes campos
Que existia vida ali sem mim
Aquelas árvores todas...
Agora vale-quem-tem
Passamos por tocas, cabanas e garimpos
Vale quem tem
Pois quem não tem
Nada não vale
Pois nada vale quem nada tem
Neste jogo de “vales”.
Muitos, muitos dias
Em um dia só
Dias outros há
Sempre haverá
Dentro e fora de nós
Porque definir limites é impossível
A cada um desses dias
Que passa por nós
Com fronteiras impalpáveis
O que nos resta
Por sobre nós?
Urubus talvez!?
km

23 de set de 2008

Sobrou um corpo...



sobrou um copo sobre a mesa
quem o deixou lá?

beatriz, teresa?
talvez lilian?
ou a nilza?

eu por certo não fui
pois ocupava meus momentos
trocando de camisa
22-Julho-1982.

Nicolau Flores
Poeta morto, seus textos foram entregues por sua mãe, e depois, inseridos neste "mundo".


ILUMINAR-SE
É
SABER-SE ILUMINADO

22 de set de 2008

Tarso Genro e suas coloc(ações)..

“O país precisa de uma profunda reforma política”
-Tarso Genro

“ACHO que para tratar desta questão (dos torturadores) não precisaria de mudanças na legislação porque a LEI de Anistia é política, índice sobre crimes políticos. A tortura não pode ser considerada um crime político.”
- Tarso Genro, Ministro da Justiça, na audiência da caravana da justiça, Rio de Janeiro, em 15 de maio do decorrente ano.

...
Depois dizem que vivemos em uma “DemocraZia”!
km

19 de set de 2008

Retrocesso


Percebes?
Percebemos sim... retrocesso
Manifestado, repassado, perpetuado e mais todos os “ados” que possa aparecer por ai.
Por nós?
Por aqueles que não se julgam donos de si,
Pois se julgam dono dos outros...
Nós
Vós
Eles
...

KM

11 de set de 2008

Soluço seco

Enquanto as hordas circundam a montanha
A dor frenética em gestos desumanos,
Que vertem o frio e a ambição tamanha.
Regem cânticos de guerra - Canta
Aqueles negros olhos de pavor.
E de novo revolvem, com ardor,
Os roucos gritos que emergem da garganta.
Vão-se sonhos, renascem outros,
No gesto que perfaz a destra mão,
No corpo que se esvai estertorado.
Perguntamos pelos homens - onde estão?
Vendo bestas trucidadas, lado a lado.

km

8 de set de 2008

Manifestação



“...essa prática política, essa presença de uma voz, a voz de um povo que luta contra o silêncio a ele imposto em todos esses anos de regime discricionário, autoritário, não terá sido também um momento extraordinário de pedagogia no dinamismo, na intimidade de um processo político? E lógico que não foi uma educação sistematizada, com uma pauta preestabelecida para discutir a luta de classes...”

Que democracia “conquistada” foi essa?


Pelo que se luta hoje e sempre...
Liberdade
Seja pela arte
Ou pela guerra
Seja está suja ou limpa
O homem a deseja.

KM

5 de set de 2008

Lisos e malditos


Em ternos corsos comícios
Com seus pornosorrisos
Com seus pornofuxicos
Mudam de cara, cabelos, corpos e risos.
E quem se importa com a febre do país dos enigmas?

Mais a quem importa homens encharcados de lama
Lisos e malditos
Para os [bem]ditos, nada mais é
A não ser seus sermões ilusórios
Vão conviver entre Armani’s e ratos
Seus [bem]ditos hipócritas!

E os pratos e trapos
Estão jogados nos quintais da vida
Modelados pelo desejo de ser
Voando pelos relampejos
E rastejando pelas noites clandestinas

Entre lençóis de noite e fulgor
Se erguerá da vontade obsoleta
Os malditos perfumados do passado
Depois de tanto ardor
Espero a vida colorida
Coroada pela aurora perdida.

KM

28 de ago de 2008

Aos esquecidos



Percebe-se o vigoroso empenho de alguns poucos a esquecerem e fazer esquecer a história de nosso país, não se lembrar de nomes de pessoas que contribuíram para existência de alguma liberdade é no mínimo cômodo!

Porque negar arte ao povo?
Para moldar nosso gosto e rosto...

Pois a arte nos eleva, nos faz pensar, aguçando percepções sobre a vida como ele é e como a podemos fazer, está não é um adereço decorativo, é a poesia da vida, nela nos aconchegamos e ganhamos forças para viver nesta sociedade do espetáculo!

KM

27 de ago de 2008

Ser professor



Tendo em vista a construção de uma sociedade de todos, com todos e para todos, também nós assumimos este processo e nos empenhamos nele verdadeiramente. O futuro professor, vai-se formando ao longo de toda a vida. Adquire conhecimentos, princípios e valores que lhe são transmitidos pela família, pelo meio que o cerca, interiorizando-os na convivência com o “outro”.

Ser professor é uma arte e ao mesmo tempo um talento que precisa ser completado com formação profissional adequada. Não há um “modelo” de bom professor, mas uma grande quantidade de “modelos” de acordo com o estilo pessoal de cada um e do modo como interage com os alunos/meio. O melhor professor será o que tiver uma resposta pronta para a questão que preocupa o aluno naquele momento. Este deverá ter a habilidade, a arte de reconhecer a necessidade imediata do aluno.

Falo da humildade de querer saber, mais não sem questionar nossas formas de atingir tal anseio [...] este caminho nunca será igual para nós dois, mais podemos aprender juntos ao longo dele. (Regis Morais)


KM

23 de ago de 2008

Divulgando...



Porque para elaborar tal lei deve está faltando muitos neurônios naquele cabeção!

O email do Senador Eduardo Azeredo é: eduardo.azeredo@senador.gov.br

21 de ago de 2008

Neste momento...



Um dos desejos mais inquietos do ser é sua liberdade, está ao longo dos tempos usurpada sejam por senhores de terras, imperadores, ditadores, burgueses, etc. os seres perdidos buscam sua liberdade na trivialidade das coisas... O pensar foi condicionado, para não encontrarmos a verdadeira liberdade, o conhecimento.
Podem me tirar o sol, a terra, a comida, mais meu conhecimento esta intrínseco em mim. Forma meu ser autônomo, me encontro e me governo...

Este é o medo da minoria dominante, que o povo tenha conhecimento!
Pois com este podemos nos livrar das amarras de um Estado de dominação...
Onde o lema “ordem e progresso” é imposto a todo custo.
Que ordem é essa, onde os verdadeiros culpados nunca são punidos, nossas cadeias estão lotadas de marginais criados pela própria sociedade, é lá onde se guarda o fracasso da ordem, esquecidos por um país onde nada funciona á não ser as eleições... Que progresso é esse, que é conseguido através da pobreza do povo!
E continuamos reinventando a roda!

Mais como conhecer, se a escola é reprodutora deste condicionamento?
Como vim a ser, se estamos amarrados?

KM

15 de ago de 2008

Elogio da Dialética



Bertolt Brecht

A injustiça passeia pelas ruas com passos seguros.
Os dominadores se estabelecem por dez mil anos.
Só a força os garante.
Tudo ficará como está.
Nenhuma voz se levanta além da voz dos dominadores.
No mercado da exploração se diz em voz alta:
Agora acaba de começar:
E entre os oprimidos muitos dizem:
Não se realizará jamais o que queremos!
O que ainda vive não diga: jamais!
O seguro não é seguro. Como está não ficará.
Quando os dominadores falarem
falarão também os dominados.
Quem se atreve a dizer: jamais?
De quem depende a continuação desse domínio?
De quem depende a sua destruição?
Igualmente de nós.
Os caídos que se levantem!
Os que estão perdidos que lutem!
Quem reconhece a situação como pode calar-se?
Os vencidos de agora serão os vencedores de amanhã.
E o "hoje" nascerá do "jamais".

...

14 de ago de 2008

Quem são os malditos certos?

Providenciando riqueza através da miséria!





























Usa-se a força para conseguir a paz; uma paz conquistada pela força mediante um regime de terror

JUSTIÇA

JUSTIÇA

Agora uma fabulazinha

Me falaram sobre uma floresta distante onde uma história triste aconteceu no tempo em que os pássaros falavam, os urubus bichos altivos mas sem dotes para o canto resolveram mesmo contra a natureza que havia de se tornar grandes cantores.
Abriram escolas e importaram professores, aprenderam


mi

sol

si
Encomendaram diplomas e combinaram provas entre si para escolher quais deles passariam a mandar nos demais a partir daí criaram concursos, inventaram títulos pomposos, cada urubuzinho aprendiz sonhava um dia se tornar um ilustre urubu titular afim de ser chamado por vossa excelência.
Passaram-se décadas arte que a patética harmonia dos urubus maestros foi abalada com a invasão da floresta por canários tagarelas, que faziam coro com periquitos festivos e serenatas com sabiás. Os velhos urubus encrespados entortaram o bico e convocaram canários e periquitos para um rigoroso inquérito:
cade os documentos de seus concursos?
Indagaram, e os pobres passarinhos se olharam assustados... Nunca haviam freqüentado escola de canto pois o canto nascera com eles.
Seu canto era tão natural que nunca se preocuparam em provar que sabiam cantar naturalmente cantavam
Não, não, não assim não pode, cantar sem os documentos devidos é um desrespeito a ordem, bradaram os urubus.
E em um nisoro expulsaram da floresta os inofensivos passarinhos que ousavam cantar sem alvarás...

Moral da história: em terra de urubus diplomados não se ouve os cantos dos sabiás