O dito da vez


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A explosiva descoberta
Ainda me atordoa.
Estou cego e vejo.
Arranco os olhos e vejo

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Carlos Drummond de Andrad

30 de mar de 2008

A Marcha


A Marcha da Maconha será realizada no dia 4 de maio, domingo, na Praia de Ipanema. A manifestação está marcada para as 14h no Arpoador, seguindo em passeata pela orla. A Marcha da Maconha é uma festa popular que ocorre desde 2002 no Rio de Janeiro e este ano vem se somar de vez às festividades anuais de nossa cidade. O clima será bem descontraído, com concurso de fantasias, prêmios, gincana, distribuição de material informativo e espaço para manifestação da arte popular espontânea da nossa cultura.

A manifestação visa a mostrar que os apreciadores e defensores da cannabis sativa são cidadãos de bem que zelam por suas famílias, trabalham e pagam os impostos. Existe um forte preconceito e intolerância contra os consumidores de maconha, e uma sociedade que se pretende pluralista e democrática não pode tolerar isso.

A Marcha da Maconha visa também a chamar atenção para a futilidade e inutilidade da proibição desta planta e da decorrente repressão policial armada, uma política que só tem contribuído para gerar mais violência e morte. Uma medida possível para reduzir os lucros do mercado ilícito de drogas e, conseqüentemente, a violência seria a descriminalização do cultivo de alguns pés de cannabis para consumo próprio, como já ocorre em outros países. Isso também protegeria os consumidores, e especialmente os mais jovens, do contato com o crime.

O consumo de maconha é uma realidade em todas as camadas da sociedade, e essa população reclama pelo direito à informação e educação sem manipulação e mentiras. É ilusão achar que a maconha vai ser extirpada da face da terra ou que seu consumo vai diminuir por imposição da lei. Não seria melhor, portanto, aprendermos a conviver em paz com esta planta e sua cultura milenar?

Como todas as coisas, o consumo de maconha pode não ser saudável. Existem pessoas que passam mal quando fumam. Outras que fumam em excesso. Mas será que isso justifica sua proibição? Não é essa política uma intromissão indevida na esfera dos direitos individuais? Já não está claro que é ilusão achar que a maconha vai ser extirpada da face da terra ou que seu consumo vai diminuir por imposição da lei?


Organização da Marcha da Maconha

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JUSTIÇA

JUSTIÇA

Agora uma fabulazinha

Me falaram sobre uma floresta distante onde uma história triste aconteceu no tempo em que os pássaros falavam, os urubus bichos altivos mas sem dotes para o canto resolveram mesmo contra a natureza que havia de se tornar grandes cantores.
Abriram escolas e importaram professores, aprenderam


mi

sol

si
Encomendaram diplomas e combinaram provas entre si para escolher quais deles passariam a mandar nos demais a partir daí criaram concursos, inventaram títulos pomposos, cada urubuzinho aprendiz sonhava um dia se tornar um ilustre urubu titular afim de ser chamado por vossa excelência.
Passaram-se décadas arte que a patética harmonia dos urubus maestros foi abalada com a invasão da floresta por canários tagarelas, que faziam coro com periquitos festivos e serenatas com sabiás. Os velhos urubus encrespados entortaram o bico e convocaram canários e periquitos para um rigoroso inquérito:
cade os documentos de seus concursos?
Indagaram, e os pobres passarinhos se olharam assustados... Nunca haviam freqüentado escola de canto pois o canto nascera com eles.
Seu canto era tão natural que nunca se preocuparam em provar que sabiam cantar naturalmente cantavam
Não, não, não assim não pode, cantar sem os documentos devidos é um desrespeito a ordem, bradaram os urubus.
E em um nisoro expulsaram da floresta os inofensivos passarinhos que ousavam cantar sem alvarás...

Moral da história: em terra de urubus diplomados não se ouve os cantos dos sabiás