O dito da vez


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A explosiva descoberta
Ainda me atordoa.
Estou cego e vejo.
Arranco os olhos e vejo

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Carlos Drummond de Andrad

24 de abr de 2008

A Cultura Marginal

HIP HOP
Do povo para o povo


(Arte: Shiko Leite)


Vem ardendo, sangrando e machucando. É o berro que emana dos morros, guetos e favelas. Vem dos locais mais pobres, o grito desesperado que vem da periferia. Chega ao asfalto carregado de protesto, indignação, carência, vontade, luta e marginalidade.
A força que vem do lado negro, pobre e inferiorizado e atinge toda sociedade com sua forma, sua arte e sua cor. O nome dela é hip hop e está aí para fazer barulho, debater as questões controversas de uma sociedade que se finge de surda para este grito de protesto.
Hip hop é um terno que vai além. Significa cultura, mas também significa movimento, arte, expressão, paz, amor, soluções, lutas e igualdade de direitos.
O hip hop é ilustrado por personagens sobreviventes de guerra. Uma guerra diária pela vida. Ele acolhe e tenta proteger os que já nascem condenados à morte. Personagens reais, cercados pela miséria, fome, desinformação, violência, crueldade, desemprego, drogas, descaso, desabrigo, armas de fogo, tráfico e desrespeito. Em meio a tantas armas que eles podem escolher no jogo real do “matar ou morrer”, o hip hop escolhe a maior de todas as armas: a cultura. Uma cultura marginal, mas que não é propriedade dos grandes, não é da elite nem da burguesia. É a cultura de quem foi capaz de criá-la e levá-la adiante. É a cultura das ruas, do povo.
O hip hop não foi inventado, ele nasceu naturalmente no gueto, recebeu a forma dos negros e excluídos e hoje auxilia o povo a encontrar uma identidade.Esta cultura marginal traz de volta os sonhos daqueles que carregam o sofrimento como estilo de vida. Ela eleva a auto-estima daqueles que antes eram forjados de estorvo pela sociedade.
Através de expressões artísticas intensas, o povo da periferia encontrou no hip hop a vontade de viver, a motivação e a consciência de cidadania. O mínimo que o hip hop propõe com suas manifestações e expressões que mudam e desenvolvem-se a cada dia é um olhar livre de preconceitos.

7 de abr de 2008

De Saco Cheio!



Desculpem o modo um tanto descortês, mas, é essa sensação (mesmo não tendo um "saco físico") que tenho muitas vezes diante de várias situações da vida...

Uma delas é o desrespeito com seus semelhantes, tão acintoso, que parece ter virado até uma questão de "honra" ver quem desrespeita mais...

Outra delas é diante do vazio que o ser humano parece ter adotado como modo de vida...

Não é NIILISMO, pois o NIILISMO é uma ótima oportunidade para repensarmos nossas crenças, fés, "certezas absolutas" e, CONVICÇÕES, PRINCIPALMENTE
O vazio das pessoas, do qual falo, é algo pleno de superficialidades em todos os aspectos; entendo que devemos levar a vida com uma certa leveza, mas, quando a leveza se transforma em vulgaridade e leviandade, o ser humano torna-se tão vulgar quanto...
E o que me admira é o fato de as pessoas assumirem e adotarem rótulos de coisas que NUNCA FORAM E JAMAIS SERÃO, POR NÃO TEREM COMPETÊNCIA PARA TANTO...
Todos os discursos parecem repetitivos, iguais, sempre com uma certa "maquiagem cultural", mas "plenos de nadismos"
Desculpem se não consigo expressar-me direito, mas é uma sensação de angústia, de impotência de saber que muitas vezes, nosso tempo, nossa dedicação foi perdido com pessoas erradas, que na verdade, queriam apenas se divertir, jogar, para prencher o vazio e a nulidade de suas vidas...
Mas, como a Filosofia é um vício, para quem a abraça e a respeita, sei que outras pessoas estarão interessadas em dividir o pouco conhecimento que tenho, ou me passar coisas úteis, com as quais eu possa tentar entender os enigmas do mundo...
km

4 de abr de 2008

JUSTIÇA

JUSTIÇA

Agora uma fabulazinha

Me falaram sobre uma floresta distante onde uma história triste aconteceu no tempo em que os pássaros falavam, os urubus bichos altivos mas sem dotes para o canto resolveram mesmo contra a natureza que havia de se tornar grandes cantores.
Abriram escolas e importaram professores, aprenderam


mi

sol

si
Encomendaram diplomas e combinaram provas entre si para escolher quais deles passariam a mandar nos demais a partir daí criaram concursos, inventaram títulos pomposos, cada urubuzinho aprendiz sonhava um dia se tornar um ilustre urubu titular afim de ser chamado por vossa excelência.
Passaram-se décadas arte que a patética harmonia dos urubus maestros foi abalada com a invasão da floresta por canários tagarelas, que faziam coro com periquitos festivos e serenatas com sabiás. Os velhos urubus encrespados entortaram o bico e convocaram canários e periquitos para um rigoroso inquérito:
cade os documentos de seus concursos?
Indagaram, e os pobres passarinhos se olharam assustados... Nunca haviam freqüentado escola de canto pois o canto nascera com eles.
Seu canto era tão natural que nunca se preocuparam em provar que sabiam cantar naturalmente cantavam
Não, não, não assim não pode, cantar sem os documentos devidos é um desrespeito a ordem, bradaram os urubus.
E em um nisoro expulsaram da floresta os inofensivos passarinhos que ousavam cantar sem alvarás...

Moral da história: em terra de urubus diplomados não se ouve os cantos dos sabiás