O dito da vez


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A explosiva descoberta
Ainda me atordoa.
Estou cego e vejo.
Arranco os olhos e vejo

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Carlos Drummond de Andrad

30 de mai de 2008

Somos?


Para sermos livres devemos ser responsáveis, a responsabilidade pessoal coloca em jogo o próprio sentido da ação humana enquanto esta consciente, voluntária e livre.
Construímos-nos (política, social, cultural...) assumindo nossa responsabilidade de construir o mundo, se modelando na ação pela qual transforma constante e criativamente a realidade histórico-social, em que vivemos.
Isto nos leva a reflexão de nossas ações para sermos senhores de si.
Tomando consciência de que a educação existe para domesticar o homem (somos animais domesticados pelo sistema!?)
Nossa condição de humanidade está na consciência de responsabilidade que a liberdade nos proporciona através de nossas vontades (conscientemente éticas).

29 de mai de 2008

Progresso!? (a todo custo)


Heróis?! Que que é isso Presidente? Alegria, alegria? "

Lula acha que pode ir ao inferno e voltar com pele, barba, cabelo e bigode, só porque Bush, que é da casa, o acompanha. Tendo andado por todo o país desde a Caravana da Cidadania (ainda lembra, Presidente??) Lula deve ter visto como é feita a colheita da cana, onde o primeiro rito para a abertura dos portais do inferno é a queimada do canavial, de onde, em meio às chamas e às toneladas de carbono, enxofre e gases bushianos lançadas na atmosfera, sai lá do meio uma horda de príncipes usineiros das trevas, que só têm feito crescer em número e em maldade.

"Segundo a Pastoral do Migrante, entre as safras 2004/2005 e 2005/2006 morreram 10 cortadores de cana na Região Canavieira de São Paulo. Eram trabalhadores jovens, com idades variando entre 24 e 50 anos;[...] Os atestados (de óbito) dizem apenas que morreram por parada cardíaca.

[...]entre as décadas de 50 e 80. Cresceu também a produtividade do trabalho no corte de cana, medida em toneladas de cana cortadas por dia por homem ocupado. Se na década de 60 a produtividade do trabalho era, em média, de 3 toneladas de cana por dia de trabalho, na década de 80 a produtividade média passa para 6 toneladas de cana por dia por homem ocupado e no final da década de 90 e início da presente década, atinge 12 toneladas de cana por dia.[...] (O peão é o mesmo, com o mesmo facão, mas é exigido dele 4 vezes mais toneladas de cana cortada por dia - nota minha.)

[...]Um trabalhador que corta hoje 12 toneladas de cana em média por dia de trabalho realiza as seguintes atividades no dia:

· Caminha 8.800 metros;

· Despende 366.300 golpes de podão;

· Carrega 12 toneladas de cana em montes de 15 kg em média cada um, portanto, ele faz 800 trajetos levando 15 Kg nos braços por uma distância de 1,5 a 3 metros;

· Faz aproximadamente 36.630 flexões de perna para golpear a cana;

· Perde, em média 8 litros de água por dia, por realizar toda esta atividade sob sol forte do interior de São Paulo, sob os efeitos da poeira, da fuligem expelida pela cana queimada, trajando uma indumentária que o protege, da cana, mas aumenta a temperatura corporal."
(Sombra?! Não há nem sombra de sombra num canavial queimado. Já ouviram a expressão "trabalhar de sol a sol" - pois é... Só que em cima do solo quente da queimada.Água fresca?! Duvido.)

O Professor diz ainda que o setor sucro-alcooleiro utiliza tratores e máquinas agrícolas de última geração, agricultura de precisão, controlada por geo-processamento via satélite etc., mas mantém relações de trabalho já combatidas e banidas do mundo desde o século XVIII e que os 10 que morreram são uma amostra insignificante do total que deve morrer todas as safras clandestinamente.

Qual é a fortuna que ganham os trabalhadores que empenham suas vidas diante dos portais do inferno? Em Ribeirão Preto, São Paulo (onde o valor deve ser maior que no nordeste, por exemplo) eles ganham R$400 por mês mais R$2,40 (dois reais e quarenta centavos) por TONELADA de cana cortada (e notem mais dois detalhes perversos: eles sequer presenciam a pesagem, que é feita na usina pelos que usam os tridentes, os mesmos que "não toleram" produções diárias menores que 10 toneladas - caso isso ocorra o trabalhador é demitido).

"O que sindicalistas e trabalhadores colocam é que a vida útil do cortador de cana é de 15 anos. Depois de 15 anos, se estiver vivo, é inválido. A gente não vê ninguém se aposentar como cortador de cana", afirmou um procurador do Ministério Público do Trabalho, aqui.

"Infeliz do país que precisa de heróis", principalmente os do tipo usineiros.

25 de mai de 2008

Ao acaso

O homem não nasce livre como também não vive completamente escravizado, nascemos dependentes de outros e ao longo do desenvolvimento encontramo-nos... Nos construímos!
Construção essa que é livre, se o próprio humano assim decidir, pois esta construção é continua e progressiva. Em nossa educação formal (a dada pelo sistema) somos moldados, construídos e destruídos.
Essa responsabilidade de construir o homem (ideal para o sistema) é confiada pelo Estado à escola, visto isso, percebe-se a importância e a preocupação do Estado para uma certa qualidade de ensino (Salve-se quem puder!).
Na educação existem dois caminhos, ou você se liberta ou reproduz!
Segundo Paulo Freire a educação tem que ser libertadora, para a vida (se não a mesma não terá sentido algum) construindo assim Seres Humanos responsáveis por suas ações, levando a possibilidade da liberdade não como utopia, como algo concreto, pois se o Educador fizer seu papel o autoritarismo e a mediocridade das escolas serão rompidas. Como Pedagoga aprendo que a sala de aula é um mundo no qual ao entrar posso transcender e elevar meus alunos, torná-los conscientes!
Para isso acontecer de fato o educador tem que está consciente de seu papel, viver em eterna reflexão... jamais parar!
km

22 de mai de 2008

A Política Não é Para os Políticos!


Por Federação Anarquista do Rio de Janeiro (FARJ)

Estamos em tempos de eleição: o circo está armado de novo. Variações de um tema já há muito conhecido por nós: promessas, discursos vazios e as mentiras de sempre.

Reivindicamos que a política não é para os políticos. Para nós, a democracia representativa é mais uma forma de alienação da sociedade capitalista. Quando votamos, entregamos o nosso direito de fazer política aos políticos que, como comprovamos a cada ano, a partir do momento que entram no governo, rendem-se à lógica do poder e do dinheiro. Do poder, pois não há político que não coloque como primeiro de seus objetivos permanecer no poder; do dinheiro, pois não há possibilidade de política partidária relevante sem muito dinheiro para propaganda e acordos de “governabilidade”.

Afirmamos que a política, no sentido que a defendemos, não tem sentido partidário, mas sim sentido de gestão daquilo que é público, de todos. A política que é feita pelo povo, devidamente organizado, decidindo efetivamente sobre tudo o que lhe diz respeito. A política que defendemos é aquela que se coloca hoje como uma luta dos trabalhadores, organizada de baixo para cima, contra a exploração e a opressão de que somos vítimas. É nas mobilizações sociais que enxergamos alguma perspectiva de mudança política significativa na sociedade.

Nenhum governo resolverá os problemas da exploração do capitalismo e da alienação política da democracia representativa. Nenhum governo conseguirá trazer à ordem do dia uma sociedade livre, em que nossas faculdades e potencialidades possam desenvolver-se completamente. Também não será capaz de promover a real democracia, na concepção bakuninista do termo sendo ela “o governo do povo pelo povo e para o povo”, e não de uma classe política em benefício dos privilégios da burguesia.

É assim que reivindicamos os argumentos dos companheiros mexicanos da Aliança Magonista Zapatista (AMZ) que, de Oaxaca, escreveram no início deste ano sobre sua adesão à Outra Campanha zapatista que: “Nenhum dos partidos construirá o país democrático, justo e livre que queremos, que necessitamos para viver uma vida digna. Nenhum vai nos tirar da pobreza. Somente o povo organizado poderá mudar esta situação. Por isso, [...] convocamos ‘A OUTRA CAMPANHA’, a campanha política do povo independente, sem partidos, sem donos, sem amos. [...] Já é hora de despertarmos, que desde baixo construamos outro país, pratiquemos outra forma de fazer política, defendamos o que é nosso, contra os poderosos [...] que constroem muros, não somente muros de metal, mas muros de repressão e miséria!”

Não delegaremos nosso direito de fazer política! Por isso afirmamos que a política não é para os políticos, é para o povo organizado, em combate ao capitalismo e ao Estado!

17 de mai de 2008

Muita guerra, muita tecnologia: cadê a humanidade?




"Que sujeito é este que domina as distâncias e se comunica em segundos e tem poder de explodir várias vezes este planeta e, contudo, não se conhece?".

Então tornou-se clara a mentira da promessa feita por Augusto Comte (1798-1857) de que uma era da ciência corresponderia a um grande avanço e ao amadurecimento definitivo da humanidade.
"Ordem e progresso!" foi a proclamação de um Comte cheio de esperança. Mas que nada! Ordem: em que direção? Progresso: para quantos? O mundo (salvo umas privilegiadas exceções que tentavam impor-se como regras) caminhava para o caos, para o agravamento da dominação e do extermínio.
Poucas nações, poucos grupos dominavam quase toda a riqueza, os bens culturais e o poder político do mundo. Após as duas guerras mundiais, a fé do homem em si mesmo e na sua obra era decepcionante! A guerra destruira em pouco tempo agrupamentos humanos, realizações materiais e tesouros de arte que demoraram séculos para se constituir.

Vamos repetir ou Criar?
A mudança começa no individuo para transformar o coletivo!

10 de mai de 2008

Alienação



O alienado, seja profissional ou não, pouco importa, não distingue o ano do calendário do ano histórico. Não percebe que existe uma não-contemporaneidade do coetâneo. Todas estas manifestações da alienação e outras mais, cuja análise detalhada não nos cabe aqui fazer, explicam a inibição da criatividade no período da alienação. Esta, geralmente, produz uma timidez, uma insegurança, um medo de correr o risco da aventura de criar, sem o qual não há criação. No lugar deste risco que deve ser corrido (a existência humana é risco) e que também caracteriza a coragem do compromisso, a alienação estimula o formalismo que funciona como uma espécie de cinto de segurança. Daí o homem alienado, inseguro e frustrado, ficar mais na forma que no conteúdo; ver as coisas mais na superfície que em seu interior.

Seu “pensamento” não tem força instrumental porque nasce de seu contexto para voltar a ele. Constitui-se na nostalgia de mundos alheios e distantes. Seu “pensamento”, finalmente, não tem força, nem para o seu mundo, porque dele não nasceu, nem para o outro, o mundo imaginário da sua nostalgia.

Desta forma, como comprometer-se?

6 de mai de 2008

Para começar...

PARE!
pense
[RE]AjA



Texto sobre a loucura.
Edward Bond

Nós não podemos falar nada sobre nós e a nossa época, sem começarmos por definir a loucura.
Como é que se explica que nós sejamos seres dotados de razão, enquanto a nossa sociedade é tão ligada à loucura?
Como as pessoas que tem toda a sua razão podem agir como se estivessem loucas e acreditar nas idéias loucas que a sociedade lhe impõe?
Nós podemos encontrar uma resposta com aqueles que perderam a razão.
O que é que os deixou loucos?
As pessoas ficam assim quando não chegam a criar uma relação funcional e prática com a sociedade e com a realidade.
O que eles fazem?
Eles criam uma sociedade que é uma realidade para eles.
Eles ficam loucos para não perder a sua razão.
A sua loucura é a explicação que eles dão para a loucura que eles encontram no mundo.

1 de mai de 2008

Aqui jaz Democracia!


Atualmente costuma-se considerar o Brasil como sendo um Estado Democrático de Direito. Mas diante dos recentes fatos envolvendo o Coletivo Marcha da Maconha Brasil e indivíduos e instituições que buscam reprimir essa iniciativa devemos nos questionar se essa condição anunciada publicamente na Constituição do país se aplica de forma igualitária para todos os cidadãos e os seus direitos [...]



... Não é a Marcha da Maconha o que atinge de forma nefasta a Democracia Brasileira, e sim comportamentos de censura, autoritarismo e abuso de poder.

JUSTIÇA

JUSTIÇA

Agora uma fabulazinha

Me falaram sobre uma floresta distante onde uma história triste aconteceu no tempo em que os pássaros falavam, os urubus bichos altivos mas sem dotes para o canto resolveram mesmo contra a natureza que havia de se tornar grandes cantores.
Abriram escolas e importaram professores, aprenderam


mi

sol

si
Encomendaram diplomas e combinaram provas entre si para escolher quais deles passariam a mandar nos demais a partir daí criaram concursos, inventaram títulos pomposos, cada urubuzinho aprendiz sonhava um dia se tornar um ilustre urubu titular afim de ser chamado por vossa excelência.
Passaram-se décadas arte que a patética harmonia dos urubus maestros foi abalada com a invasão da floresta por canários tagarelas, que faziam coro com periquitos festivos e serenatas com sabiás. Os velhos urubus encrespados entortaram o bico e convocaram canários e periquitos para um rigoroso inquérito:
cade os documentos de seus concursos?
Indagaram, e os pobres passarinhos se olharam assustados... Nunca haviam freqüentado escola de canto pois o canto nascera com eles.
Seu canto era tão natural que nunca se preocuparam em provar que sabiam cantar naturalmente cantavam
Não, não, não assim não pode, cantar sem os documentos devidos é um desrespeito a ordem, bradaram os urubus.
E em um nisoro expulsaram da floresta os inofensivos passarinhos que ousavam cantar sem alvarás...

Moral da história: em terra de urubus diplomados não se ouve os cantos dos sabiás