O dito da vez


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A explosiva descoberta
Ainda me atordoa.
Estou cego e vejo.
Arranco os olhos e vejo

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Carlos Drummond de Andrad

22 de mai de 2008

A Política Não é Para os Políticos!


Por Federação Anarquista do Rio de Janeiro (FARJ)

Estamos em tempos de eleição: o circo está armado de novo. Variações de um tema já há muito conhecido por nós: promessas, discursos vazios e as mentiras de sempre.

Reivindicamos que a política não é para os políticos. Para nós, a democracia representativa é mais uma forma de alienação da sociedade capitalista. Quando votamos, entregamos o nosso direito de fazer política aos políticos que, como comprovamos a cada ano, a partir do momento que entram no governo, rendem-se à lógica do poder e do dinheiro. Do poder, pois não há político que não coloque como primeiro de seus objetivos permanecer no poder; do dinheiro, pois não há possibilidade de política partidária relevante sem muito dinheiro para propaganda e acordos de “governabilidade”.

Afirmamos que a política, no sentido que a defendemos, não tem sentido partidário, mas sim sentido de gestão daquilo que é público, de todos. A política que é feita pelo povo, devidamente organizado, decidindo efetivamente sobre tudo o que lhe diz respeito. A política que defendemos é aquela que se coloca hoje como uma luta dos trabalhadores, organizada de baixo para cima, contra a exploração e a opressão de que somos vítimas. É nas mobilizações sociais que enxergamos alguma perspectiva de mudança política significativa na sociedade.

Nenhum governo resolverá os problemas da exploração do capitalismo e da alienação política da democracia representativa. Nenhum governo conseguirá trazer à ordem do dia uma sociedade livre, em que nossas faculdades e potencialidades possam desenvolver-se completamente. Também não será capaz de promover a real democracia, na concepção bakuninista do termo sendo ela “o governo do povo pelo povo e para o povo”, e não de uma classe política em benefício dos privilégios da burguesia.

É assim que reivindicamos os argumentos dos companheiros mexicanos da Aliança Magonista Zapatista (AMZ) que, de Oaxaca, escreveram no início deste ano sobre sua adesão à Outra Campanha zapatista que: “Nenhum dos partidos construirá o país democrático, justo e livre que queremos, que necessitamos para viver uma vida digna. Nenhum vai nos tirar da pobreza. Somente o povo organizado poderá mudar esta situação. Por isso, [...] convocamos ‘A OUTRA CAMPANHA’, a campanha política do povo independente, sem partidos, sem donos, sem amos. [...] Já é hora de despertarmos, que desde baixo construamos outro país, pratiquemos outra forma de fazer política, defendamos o que é nosso, contra os poderosos [...] que constroem muros, não somente muros de metal, mas muros de repressão e miséria!”

Não delegaremos nosso direito de fazer política! Por isso afirmamos que a política não é para os políticos, é para o povo organizado, em combate ao capitalismo e ao Estado!

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JUSTIÇA

JUSTIÇA

Agora uma fabulazinha

Me falaram sobre uma floresta distante onde uma história triste aconteceu no tempo em que os pássaros falavam, os urubus bichos altivos mas sem dotes para o canto resolveram mesmo contra a natureza que havia de se tornar grandes cantores.
Abriram escolas e importaram professores, aprenderam


mi

sol

si
Encomendaram diplomas e combinaram provas entre si para escolher quais deles passariam a mandar nos demais a partir daí criaram concursos, inventaram títulos pomposos, cada urubuzinho aprendiz sonhava um dia se tornar um ilustre urubu titular afim de ser chamado por vossa excelência.
Passaram-se décadas arte que a patética harmonia dos urubus maestros foi abalada com a invasão da floresta por canários tagarelas, que faziam coro com periquitos festivos e serenatas com sabiás. Os velhos urubus encrespados entortaram o bico e convocaram canários e periquitos para um rigoroso inquérito:
cade os documentos de seus concursos?
Indagaram, e os pobres passarinhos se olharam assustados... Nunca haviam freqüentado escola de canto pois o canto nascera com eles.
Seu canto era tão natural que nunca se preocuparam em provar que sabiam cantar naturalmente cantavam
Não, não, não assim não pode, cantar sem os documentos devidos é um desrespeito a ordem, bradaram os urubus.
E em um nisoro expulsaram da floresta os inofensivos passarinhos que ousavam cantar sem alvarás...

Moral da história: em terra de urubus diplomados não se ouve os cantos dos sabiás