O dito da vez


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A explosiva descoberta
Ainda me atordoa.
Estou cego e vejo.
Arranco os olhos e vejo

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Carlos Drummond de Andrad

19 de jun de 2008

O uni-verso de minha (i) (n) certeza



A minha guerra eu travo todos os dias
não tem o mesmo sangue correndo nas veias
e nem as fortes barricadas
de Durruti, Ascaso e Makhno
Nem os delírios libertários e libertinos
dos sitús dos 60

Minha guerra começa cotidianamente
quando me olho no espelho
Meu corpo, meus medos, minhas intenções
Não há como fugir das paixões

Queria pegar em armas
mas logo chego à conclusão que não há arma mais eficiente
que minha própria emancipação
dos ditames e ditos vigentes

Panfletário, banal, patético?!
E daí?!
O mapeamento reduz as possibilidades
e garante que o poder neutralize meus desejos
e impulsos guerreiros e propriamente terroristas

Ninguém quer assumir a própria condição
ou abandonar os confortos corriqueiros
Do céu só ouço o silêncio
próprio de sua materialidade
Nada!!!

Desterritorializar para sonhar
sonhar para seguir
e seguir para não estagnar
e morrer sendo contado

Quais as peças ideais?!
Quais os dias certos?!
Quem são os malditos perfeitos?!

Amaldiçoadas máquinas de matar
se mata ao limitar
a vida só existe ao se expandir
e não seria essa a característica primordial de nossos corações?!

E onde entram nossas mentes domesticadas
neste absurdo quadro cartesiano?!

O reto - O plano - O calculado

O tangível - A base - A massa

Em quem quer que eu me espelhe
não poderia deixar de assumir a imbecilidade narcísica
e me afogaria em vinho

Em quem quer eu me apaixone
não deveria deitar e sumir no pranto latente
Eu me afogaria em saliva ácida

Onde quer que eu me fixe
Flutuaria em um plasma da não certeza
e da relegada ânsia por liberdade

Permanentemente...


Por soaC Gyngo

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JUSTIÇA

JUSTIÇA

Agora uma fabulazinha

Me falaram sobre uma floresta distante onde uma história triste aconteceu no tempo em que os pássaros falavam, os urubus bichos altivos mas sem dotes para o canto resolveram mesmo contra a natureza que havia de se tornar grandes cantores.
Abriram escolas e importaram professores, aprenderam


mi

sol

si
Encomendaram diplomas e combinaram provas entre si para escolher quais deles passariam a mandar nos demais a partir daí criaram concursos, inventaram títulos pomposos, cada urubuzinho aprendiz sonhava um dia se tornar um ilustre urubu titular afim de ser chamado por vossa excelência.
Passaram-se décadas arte que a patética harmonia dos urubus maestros foi abalada com a invasão da floresta por canários tagarelas, que faziam coro com periquitos festivos e serenatas com sabiás. Os velhos urubus encrespados entortaram o bico e convocaram canários e periquitos para um rigoroso inquérito:
cade os documentos de seus concursos?
Indagaram, e os pobres passarinhos se olharam assustados... Nunca haviam freqüentado escola de canto pois o canto nascera com eles.
Seu canto era tão natural que nunca se preocuparam em provar que sabiam cantar naturalmente cantavam
Não, não, não assim não pode, cantar sem os documentos devidos é um desrespeito a ordem, bradaram os urubus.
E em um nisoro expulsaram da floresta os inofensivos passarinhos que ousavam cantar sem alvarás...

Moral da história: em terra de urubus diplomados não se ouve os cantos dos sabiás