O dito da vez


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A explosiva descoberta
Ainda me atordoa.
Estou cego e vejo.
Arranco os olhos e vejo

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Carlos Drummond de Andrad

14 de jun de 2008

Somos todos Narcisos!



Se Narciso se encontra com Narciso e um deles finge que ao outro admira (para sentir-se admirado), o outro pela mesma razão finge também e ambos acreditam na mentira.
Para Narciso o olhar do outro, a voz do outro, o corpo é sempre o espelho em que ele a própria imagem mira. E se o outro é como ele outro Narciso, é espelho contra espelho: o olhar que mira reflete o que o admira num jogo multiplicado em que a mentira de Narciso a Narciso inventa o paraíso.
E se amam mentindo no fingimento que é necessidade e assim mais verdadeiro que a verdade. Mas exige o amor fingido, ser sincero o amor que como ele é ingimento. E fingem mais os dois com o mesmo esmero com mais e mais cuidado - e a mentira se torna desespero.
Assim amam-se agora se odiando. O espelho embaciado, já Narciso em Narciso não se mira:
se torturam
se ferem
não se largam
que o inferno de Narciso
é ver que o admiravam de mentira.
.
Esse texto é minha impressão sobre a lenda de Narciso que parece tão real que as vezes esqueço que é um mito.

2 comentários:

Anônimo disse...

kARINA
sOMOS NÓS DO sAITICA. A dúvida é: teu comentário sobre a foto do Che no nosso blog. Esta observação se refere a foto em sí, ou te referes a imagem do Che usada na mídia mundial? Pois justamente vendo teu blog, não entendemos.E o ANARQUISMO?
Teu blog é bem bacana e tem a ver com a gente, vide Mário Quintana.
Saudações
Saitica

menino do asteróide - B632 disse...

E NArcisio sempre ia ao lago vislumbrar sua beleza, então ele partiu, o lago por dias ficará triste, quando os anjos desceram, o endagaram: - POrque choras? - então que o lago respondeu - : - Porque sempre que Narciso vinha venerar sua beleza, em teus olhos eu podia ver o quanto sou lindo.

Você é linda, e não é falsaria... nem Narcisismo...

Ernani Baraldi

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JUSTIÇA

JUSTIÇA

Agora uma fabulazinha

Me falaram sobre uma floresta distante onde uma história triste aconteceu no tempo em que os pássaros falavam, os urubus bichos altivos mas sem dotes para o canto resolveram mesmo contra a natureza que havia de se tornar grandes cantores.
Abriram escolas e importaram professores, aprenderam


mi

sol

si
Encomendaram diplomas e combinaram provas entre si para escolher quais deles passariam a mandar nos demais a partir daí criaram concursos, inventaram títulos pomposos, cada urubuzinho aprendiz sonhava um dia se tornar um ilustre urubu titular afim de ser chamado por vossa excelência.
Passaram-se décadas arte que a patética harmonia dos urubus maestros foi abalada com a invasão da floresta por canários tagarelas, que faziam coro com periquitos festivos e serenatas com sabiás. Os velhos urubus encrespados entortaram o bico e convocaram canários e periquitos para um rigoroso inquérito:
cade os documentos de seus concursos?
Indagaram, e os pobres passarinhos se olharam assustados... Nunca haviam freqüentado escola de canto pois o canto nascera com eles.
Seu canto era tão natural que nunca se preocuparam em provar que sabiam cantar naturalmente cantavam
Não, não, não assim não pode, cantar sem os documentos devidos é um desrespeito a ordem, bradaram os urubus.
E em um nisoro expulsaram da floresta os inofensivos passarinhos que ousavam cantar sem alvarás...

Moral da história: em terra de urubus diplomados não se ouve os cantos dos sabiás