O dito da vez


Cquote1.svg

A explosiva descoberta
Ainda me atordoa.
Estou cego e vejo.
Arranco os olhos e vejo

Cquote2.svg
Carlos Drummond de Andrad

9 de jul de 2008

AS FALSAS DESCULPAS DOS EUA & BRASIL



O aumento do poder aquisitivo em países como a China e a Índia "não levou a aumentos na procura de grãos a nível global", tal como explicou claramente Alejandro Nadal ( Adiós al factor China , La Jornada, 11/06/2008). Este é um dos argumentos favoritos dos Estados Unidos e do Brasil para justificar a crise alimentar e desculpar-se pela agressiva promoção dos agrocombustíveis. Mitchell conclui, entretanto, que o impacto do etanol brasileiro não teve o mesmo peso da derrocada internacional de preços. Claro que, para o Banco Mundial, o facto de o etanol brasileiro ser subsidiado com trabalho semi-escravo e devastação de ecosistemas único não é um custo.

Segundo dados do Financial Times (30/10/07), o subsídio anual dos países da OCDE aos combustíveis agro-industriais é de 15 mil milhões de dólares por ano. David King, anteriormente chefe de assessores científicos do governo britânico, declarou a The Guardian "(com os biocombustíveis) estamos a subsidiar o aumento do preço dos alimentos ao passo que nada fazemos para enfrentar realmente a alteração climática".

Não é a primeira vez que o Banco Mundial critica os agrocombustíveis, mas este relatório é muito mais pormenorizado e preciso que os anteriores. Contudo, a proposta "alternativa" do Banco, igual à das empresas de agronegócios, é que se aumente a ajuda alimentar (assim subsidia-se às próprias empresas de agronegócios, que ganham tanto com alimentos caros como com agrocombustíveis, e além disso vendem os grãos como "ajuda" alimentar), enquanto se reforça o apoio às próximas gerações de agrocombustíveis, que implicam cultivos e árvores transgénicas ou coisas piores, como vida artificial – com o que competem na mesma por terras e por água.

Neste cenário, é absurdo e criminoso que o governo mexicano continue a insistir na produção de agrocombustíveis que só beneficiarão (em grande) as grandes transnacionais dos agronegócios que dominam o comércio de grãos no México e no mundo, como a Cargill e a ADM, e as que controlam as sementes de milho ou outras culturas dedicadas a essa finalidade, como a Monsanto, Syngenta e Dupont, os barões dos transgénicos.

Qualquer investimento em agrocombustíveis, seja qual for o tipo, despoletará a escassez e a carestia dos alimentos. Se além disso se autorizasse o milho transgénico, como pretende o governo para satisfazer as transnacionais, será aumentada a dependência das empresas estrangeiras, ao mesmo tempo que a contaminação transgénica danificará as culturas convencionais e tradicionais, património histórico do México que, nas mãos dos seus camponeses, são a verdadeira solução para a produção de alimentos e a soberania alimentar.

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

Um comentário:

disse...

é engraçado. é mesmo engraçado.
(O aumento do poder aquisitivo em países como a China e a Índia "não levou a aumentos na procura de grãos a nível global", tal como explicou claramente Alejandro Nadal ( Adiós al factor China , La Jornada, 11/06/2008). Este é um dos argumentos favoritos dos Estados Unidos e do Brasil para justificar a crise alimentar e desculpar-se pela agressiva promoção dos agrocombustíveis.)
HAHAHA
to rindo até agora.
quem ganha dineiro não enche a barriga de grãos. quem come grãos tem cada vez menos dinheiro.
mas cada um tem que salvar o seu, né?
comida não dá lucro mesmo.

o que voce dia é central pra mim.
enquanto alguém temer que seu filho morra de fome, a exploração continuará.
enquanto vivermos empilhados nas cidades, o caos continuará.

saudações!

Postar um comentário

dizeres

JUSTIÇA

JUSTIÇA

Agora uma fabulazinha

Me falaram sobre uma floresta distante onde uma história triste aconteceu no tempo em que os pássaros falavam, os urubus bichos altivos mas sem dotes para o canto resolveram mesmo contra a natureza que havia de se tornar grandes cantores.
Abriram escolas e importaram professores, aprenderam


mi

sol

si
Encomendaram diplomas e combinaram provas entre si para escolher quais deles passariam a mandar nos demais a partir daí criaram concursos, inventaram títulos pomposos, cada urubuzinho aprendiz sonhava um dia se tornar um ilustre urubu titular afim de ser chamado por vossa excelência.
Passaram-se décadas arte que a patética harmonia dos urubus maestros foi abalada com a invasão da floresta por canários tagarelas, que faziam coro com periquitos festivos e serenatas com sabiás. Os velhos urubus encrespados entortaram o bico e convocaram canários e periquitos para um rigoroso inquérito:
cade os documentos de seus concursos?
Indagaram, e os pobres passarinhos se olharam assustados... Nunca haviam freqüentado escola de canto pois o canto nascera com eles.
Seu canto era tão natural que nunca se preocuparam em provar que sabiam cantar naturalmente cantavam
Não, não, não assim não pode, cantar sem os documentos devidos é um desrespeito a ordem, bradaram os urubus.
E em um nisoro expulsaram da floresta os inofensivos passarinhos que ousavam cantar sem alvarás...

Moral da história: em terra de urubus diplomados não se ouve os cantos dos sabiás