O dito da vez


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A explosiva descoberta
Ainda me atordoa.
Estou cego e vejo.
Arranco os olhos e vejo

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Carlos Drummond de Andrad

14 de jul de 2008

II



Acredito que o ser tem um potencial inerente a ele, permitindo que se encontre, mais o que acontece a uma espécie magnífica e tão nociva como a nossa, padecer em meio a tanta informação a ponto de banalizar tudo e todos. Esta banalização do ser e do meio causa a maioria dos males existentes atualmente, perceber isso é fundamental para uma verdadeira mudança individual e coletiva.
Logo, percebe-se que isso não é tão fácil, já que este tipo de comportamento cotidiano é a nós passados de geração em geração. O começo disso tudo nestas linhas não é tão importante quanto o despertar para isso. Este “despertar” acontece quando o povo se encontra em uma sociedade justa, onde educação é para vida e não para perpetuação de um sistema falido humanamente como o capitalista, pensar assim incomoda aos detentores da riqueza de todos. Incomoda porque os valores cultuados foram desvirtuados historicamente, o que importa hoje para uma minoria egocêntrica que dita o modo de vida de um povo, é o lucro, dinheiro, poder, sentimentos como estes condenam os seres humanos, tudo e todos a nossa volta.
A mudança inevitavelmente inicia-se nos indivíduos!

Anirak


Foto: Ernani Baraldi - projeto fotógrafo urbano - série centro de São Paulo

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JUSTIÇA

JUSTIÇA

Agora uma fabulazinha

Me falaram sobre uma floresta distante onde uma história triste aconteceu no tempo em que os pássaros falavam, os urubus bichos altivos mas sem dotes para o canto resolveram mesmo contra a natureza que havia de se tornar grandes cantores.
Abriram escolas e importaram professores, aprenderam


mi

sol

si
Encomendaram diplomas e combinaram provas entre si para escolher quais deles passariam a mandar nos demais a partir daí criaram concursos, inventaram títulos pomposos, cada urubuzinho aprendiz sonhava um dia se tornar um ilustre urubu titular afim de ser chamado por vossa excelência.
Passaram-se décadas arte que a patética harmonia dos urubus maestros foi abalada com a invasão da floresta por canários tagarelas, que faziam coro com periquitos festivos e serenatas com sabiás. Os velhos urubus encrespados entortaram o bico e convocaram canários e periquitos para um rigoroso inquérito:
cade os documentos de seus concursos?
Indagaram, e os pobres passarinhos se olharam assustados... Nunca haviam freqüentado escola de canto pois o canto nascera com eles.
Seu canto era tão natural que nunca se preocuparam em provar que sabiam cantar naturalmente cantavam
Não, não, não assim não pode, cantar sem os documentos devidos é um desrespeito a ordem, bradaram os urubus.
E em um nisoro expulsaram da floresta os inofensivos passarinhos que ousavam cantar sem alvarás...

Moral da história: em terra de urubus diplomados não se ouve os cantos dos sabiás