O dito da vez


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A explosiva descoberta
Ainda me atordoa.
Estou cego e vejo.
Arranco os olhos e vejo

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Carlos Drummond de Andrad

29 de set de 2008

A escola dos valores humanos


A escola não proporciona a investigação não atiça a curiosidade e o fascínio dos estudantes pelos valores fundamentais do humano, não oferece conceitos importantes à construção do ser individual e coletivo, nem ao menos revela sua importância na vida dos alunos, virtudes que nos ajudarão a viver melhor como, por exemplo, a justiça, que segundo Aristóteles é uma virtude completa já que sem ela outros valores e virtudes podem deixar de sê-los, se almejamos um mundo justo dever-se-ia a escola analisar tais conceitos, não considerar as ditas virtudes cardeais, a coragem, prudência, sabedoria e temperança por achar que um ensinamento “coisificado” é bastante para uma vida em sociedade, somos humanos não coisas, é a partir de tais reflexões que se pode construir uma sociedade solidária.
A escola tem a responsabilidade de fazer os alunos perceber que tais virtudes nos constroem como seres sociais e autônomos.
Karina Meireles

27 de set de 2008

Se eu me confirmar e me considerar verdadeira, estarei perdida porque não saberei onde engastar meu novo modo de ser - se eu for adiante nas minhas visões fragmentárias, o mundo inteiro terá que se transformar para eu caber nele.
Clarice Lispector



A vontade
Essa potência
de ser
estar
ou ter
traz medo
superável
não se sabe até
ousar
ser
potência
perder tudo isso
encontrar-se diferente
a razão do medo
é ter medo de se ver
de não ver o que acha

querer/não querer
superar

aceitar o caminho
ter ciência
de ser...
km

25 de set de 2008

A poucos passos


O que entala a garganta além de soluços,
É ver que a vida era espalhada pelos verdes campos
Que existia vida ali sem mim
Aquelas árvores todas...
Agora vale-quem-tem
Passamos por tocas, cabanas e garimpos
Vale quem tem
Pois quem não tem
Nada não vale
Pois nada vale quem nada tem
Neste jogo de “vales”.
Muitos, muitos dias
Em um dia só
Dias outros há
Sempre haverá
Dentro e fora de nós
Porque definir limites é impossível
A cada um desses dias
Que passa por nós
Com fronteiras impalpáveis
O que nos resta
Por sobre nós?
Urubus talvez!?
km

23 de set de 2008

Sobrou um corpo...



sobrou um copo sobre a mesa
quem o deixou lá?

beatriz, teresa?
talvez lilian?
ou a nilza?

eu por certo não fui
pois ocupava meus momentos
trocando de camisa
22-Julho-1982.

Nicolau Flores
Poeta morto, seus textos foram entregues por sua mãe, e depois, inseridos neste "mundo".


ILUMINAR-SE
É
SABER-SE ILUMINADO

22 de set de 2008

Tarso Genro e suas coloc(ações)..

“O país precisa de uma profunda reforma política”
-Tarso Genro

“ACHO que para tratar desta questão (dos torturadores) não precisaria de mudanças na legislação porque a LEI de Anistia é política, índice sobre crimes políticos. A tortura não pode ser considerada um crime político.”
- Tarso Genro, Ministro da Justiça, na audiência da caravana da justiça, Rio de Janeiro, em 15 de maio do decorrente ano.

...
Depois dizem que vivemos em uma “DemocraZia”!
km

19 de set de 2008

Retrocesso


Percebes?
Percebemos sim... retrocesso
Manifestado, repassado, perpetuado e mais todos os “ados” que possa aparecer por ai.
Por nós?
Por aqueles que não se julgam donos de si,
Pois se julgam dono dos outros...
Nós
Vós
Eles
...

KM

11 de set de 2008

Soluço seco

Enquanto as hordas circundam a montanha
A dor frenética em gestos desumanos,
Que vertem o frio e a ambição tamanha.
Regem cânticos de guerra - Canta
Aqueles negros olhos de pavor.
E de novo revolvem, com ardor,
Os roucos gritos que emergem da garganta.
Vão-se sonhos, renascem outros,
No gesto que perfaz a destra mão,
No corpo que se esvai estertorado.
Perguntamos pelos homens - onde estão?
Vendo bestas trucidadas, lado a lado.

km

8 de set de 2008

Manifestação



“...essa prática política, essa presença de uma voz, a voz de um povo que luta contra o silêncio a ele imposto em todos esses anos de regime discricionário, autoritário, não terá sido também um momento extraordinário de pedagogia no dinamismo, na intimidade de um processo político? E lógico que não foi uma educação sistematizada, com uma pauta preestabelecida para discutir a luta de classes...”

Que democracia “conquistada” foi essa?


Pelo que se luta hoje e sempre...
Liberdade
Seja pela arte
Ou pela guerra
Seja está suja ou limpa
O homem a deseja.

KM

5 de set de 2008

Lisos e malditos


Em ternos corsos comícios
Com seus pornosorrisos
Com seus pornofuxicos
Mudam de cara, cabelos, corpos e risos.
E quem se importa com a febre do país dos enigmas?

Mais a quem importa homens encharcados de lama
Lisos e malditos
Para os [bem]ditos, nada mais é
A não ser seus sermões ilusórios
Vão conviver entre Armani’s e ratos
Seus [bem]ditos hipócritas!

E os pratos e trapos
Estão jogados nos quintais da vida
Modelados pelo desejo de ser
Voando pelos relampejos
E rastejando pelas noites clandestinas

Entre lençóis de noite e fulgor
Se erguerá da vontade obsoleta
Os malditos perfumados do passado
Depois de tanto ardor
Espero a vida colorida
Coroada pela aurora perdida.

KM

JUSTIÇA

JUSTIÇA

Agora uma fabulazinha

Me falaram sobre uma floresta distante onde uma história triste aconteceu no tempo em que os pássaros falavam, os urubus bichos altivos mas sem dotes para o canto resolveram mesmo contra a natureza que havia de se tornar grandes cantores.
Abriram escolas e importaram professores, aprenderam


mi

sol

si
Encomendaram diplomas e combinaram provas entre si para escolher quais deles passariam a mandar nos demais a partir daí criaram concursos, inventaram títulos pomposos, cada urubuzinho aprendiz sonhava um dia se tornar um ilustre urubu titular afim de ser chamado por vossa excelência.
Passaram-se décadas arte que a patética harmonia dos urubus maestros foi abalada com a invasão da floresta por canários tagarelas, que faziam coro com periquitos festivos e serenatas com sabiás. Os velhos urubus encrespados entortaram o bico e convocaram canários e periquitos para um rigoroso inquérito:
cade os documentos de seus concursos?
Indagaram, e os pobres passarinhos se olharam assustados... Nunca haviam freqüentado escola de canto pois o canto nascera com eles.
Seu canto era tão natural que nunca se preocuparam em provar que sabiam cantar naturalmente cantavam
Não, não, não assim não pode, cantar sem os documentos devidos é um desrespeito a ordem, bradaram os urubus.
E em um nisoro expulsaram da floresta os inofensivos passarinhos que ousavam cantar sem alvarás...

Moral da história: em terra de urubus diplomados não se ouve os cantos dos sabiás