O dito da vez


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A explosiva descoberta
Ainda me atordoa.
Estou cego e vejo.
Arranco os olhos e vejo

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Carlos Drummond de Andrad

5 de set de 2008

Lisos e malditos


Em ternos corsos comícios
Com seus pornosorrisos
Com seus pornofuxicos
Mudam de cara, cabelos, corpos e risos.
E quem se importa com a febre do país dos enigmas?

Mais a quem importa homens encharcados de lama
Lisos e malditos
Para os [bem]ditos, nada mais é
A não ser seus sermões ilusórios
Vão conviver entre Armani’s e ratos
Seus [bem]ditos hipócritas!

E os pratos e trapos
Estão jogados nos quintais da vida
Modelados pelo desejo de ser
Voando pelos relampejos
E rastejando pelas noites clandestinas

Entre lençóis de noite e fulgor
Se erguerá da vontade obsoleta
Os malditos perfumados do passado
Depois de tanto ardor
Espero a vida colorida
Coroada pela aurora perdida.

KM

2 comentários:

Paulo Afonso disse...

ótimo!

consegui captar a idéia facim...

hehe, ótimo, muito bom mesmo!

BêbÉT/Ocica's disse...

"Para os [bem]ditos, nada mais é
A não ser seus sermões ilusórios
Vão conviver entre Armani’s e ratos
Seus [bem]ditos hipócritas!"

paulada na muringa hein moça!

bem mais além é a visão da mulher dentro da atitude, sem que faça o mal.

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JUSTIÇA

JUSTIÇA

Agora uma fabulazinha

Me falaram sobre uma floresta distante onde uma história triste aconteceu no tempo em que os pássaros falavam, os urubus bichos altivos mas sem dotes para o canto resolveram mesmo contra a natureza que havia de se tornar grandes cantores.
Abriram escolas e importaram professores, aprenderam


mi

sol

si
Encomendaram diplomas e combinaram provas entre si para escolher quais deles passariam a mandar nos demais a partir daí criaram concursos, inventaram títulos pomposos, cada urubuzinho aprendiz sonhava um dia se tornar um ilustre urubu titular afim de ser chamado por vossa excelência.
Passaram-se décadas arte que a patética harmonia dos urubus maestros foi abalada com a invasão da floresta por canários tagarelas, que faziam coro com periquitos festivos e serenatas com sabiás. Os velhos urubus encrespados entortaram o bico e convocaram canários e periquitos para um rigoroso inquérito:
cade os documentos de seus concursos?
Indagaram, e os pobres passarinhos se olharam assustados... Nunca haviam freqüentado escola de canto pois o canto nascera com eles.
Seu canto era tão natural que nunca se preocuparam em provar que sabiam cantar naturalmente cantavam
Não, não, não assim não pode, cantar sem os documentos devidos é um desrespeito a ordem, bradaram os urubus.
E em um nisoro expulsaram da floresta os inofensivos passarinhos que ousavam cantar sem alvarás...

Moral da história: em terra de urubus diplomados não se ouve os cantos dos sabiás