O dito da vez


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A explosiva descoberta
Ainda me atordoa.
Estou cego e vejo.
Arranco os olhos e vejo

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Carlos Drummond de Andrad

19 de out de 2008

Mas tem uma coisa



O perfume ordinário, o amor "escasso", as goteiras no inverno, as agonias do verão.
E as formigas brotando aos milhões... (Como se elas fossem à essência da casa).
E todas buscavam
Num sorriso amarelo
Nas encostas dos dizeres
No coito em pé na calçada escura
E nas esquinas
No roubo
Nas dores de Dolores...
Compreender seus enigmas.

Que faço entre coisas?
Como me defendo (de quem me defendo)?

Num canto do quintal cresce flores da lama (como pode o perfume nascer assim?),
Terra preta regada a esgoto... Crescem os mais belos tomateiros (ou o fogo dos teus olhos)
-karina meireles-


Mais tem outra coisa:

Se para ti, "anarquia" é sinônimo de caos, desordem, confusão, desorganização e distúrbio, aperta bem esse cinto...

Anarquia não é confusão;
Anarquia não é desorganização;
Anarquia, do grego: an (sem) e arché (poder).

Anarquista não é sinônimo de desordeiro.

Anarquismo: movimento que luta por uma sociedade onde ninguém tenha poder sobre ninguém. Também podem ser chamados de ácratas, defensores da Acracia, do grego: an (sem) e kratos (governo). Os ácratas, ou anarquistas, querem uma sociedade em que ninguém governe ninguém. Pela ênfase que dão à liberdade e à negação de qualquer autoridade, são também conhecidos como libertários.

Anarquismo = Organização sem Autoridade.

...em volta do pescoço e ata-o bem alto.

(deixa estar que eu puxo a cadeira)

2 comentários:

Mauro Sérgio disse...

É bastante curiosa essa sinonímia já arraigada no senso comum, equiparando anarquia a baderna ou bagunça.

Afinal, muitas sociedades conheceram a desorganização e a completa barbárie sob a égide de governos centralizados e autoritários.

Acho que o termo "libertário" deveria ser mais divulgado, nem que seja para driblar qualquer confusão semântica.

Saudações.

Ari Almeida disse...

Tô ligado que tu anda frequentando aquele meu muquifo mal frequentado (Ops!). Prometo vir aqui com mais frequencia, só não prometo ler seus poemas, franqueza é necessária nessas horas, hehe. Brincadeira, tenho medo de adoecer de novo. Brincadeira de novo. É que a poesia está a morta e necrofilia, cê sabe, só curto quando estou bêbado. O que não significa que não exista a possibilidade de eu estar redondamente enganado com relação a isso tudo. Respeitemos a alteridade.

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JUSTIÇA

JUSTIÇA

Agora uma fabulazinha

Me falaram sobre uma floresta distante onde uma história triste aconteceu no tempo em que os pássaros falavam, os urubus bichos altivos mas sem dotes para o canto resolveram mesmo contra a natureza que havia de se tornar grandes cantores.
Abriram escolas e importaram professores, aprenderam


mi

sol

si
Encomendaram diplomas e combinaram provas entre si para escolher quais deles passariam a mandar nos demais a partir daí criaram concursos, inventaram títulos pomposos, cada urubuzinho aprendiz sonhava um dia se tornar um ilustre urubu titular afim de ser chamado por vossa excelência.
Passaram-se décadas arte que a patética harmonia dos urubus maestros foi abalada com a invasão da floresta por canários tagarelas, que faziam coro com periquitos festivos e serenatas com sabiás. Os velhos urubus encrespados entortaram o bico e convocaram canários e periquitos para um rigoroso inquérito:
cade os documentos de seus concursos?
Indagaram, e os pobres passarinhos se olharam assustados... Nunca haviam freqüentado escola de canto pois o canto nascera com eles.
Seu canto era tão natural que nunca se preocuparam em provar que sabiam cantar naturalmente cantavam
Não, não, não assim não pode, cantar sem os documentos devidos é um desrespeito a ordem, bradaram os urubus.
E em um nisoro expulsaram da floresta os inofensivos passarinhos que ousavam cantar sem alvarás...

Moral da história: em terra de urubus diplomados não se ouve os cantos dos sabiás