O dito da vez


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A explosiva descoberta
Ainda me atordoa.
Estou cego e vejo.
Arranco os olhos e vejo

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Carlos Drummond de Andrad

28 de out de 2008

Por livre espontânea pressão...


A certa poesia ou será fantasia em viver em um tempo em que as armas asseguram a paz, a liberdade e essa tal democracia, tudo dominado por vícios midiáticos, personalizados, individualizados e expandidos neste ciclo vicioso que se tornou este estilo de viver... por livre espontânea pressão, vamos caminhando com passos de caranguejo, pois não vejo horizonte quando percebo a idéia de confronto por poder, por lucro, por saber poder manipular os horizontes para encostas e sobrados, tirando todo direito da vontade de ser. Ser o fato, a história, a poesia, a ação, ser você, pois vai ser sempre a mesma coisa até que o sujeito gente DECIDA que tudo pode ser diferente, afinal a grande merda da coisa toda.
A certa poesia em conseguir mudar, ou nunca conseguir mudar, o bom mesmo é viver, mais nunca de vida feita sob medida, empurrada guela abaixo como se não fossemos seres distintos, pensantes (apesar dos pesares)... quem dita o que quero? O que você quer? São muitos ditos, ditas e duras vidas, quem sabe o que é melhor para mim é eu!
Será difícil perceber?
Mais difícil é saber-se percebido?!

km

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JUSTIÇA

JUSTIÇA

Agora uma fabulazinha

Me falaram sobre uma floresta distante onde uma história triste aconteceu no tempo em que os pássaros falavam, os urubus bichos altivos mas sem dotes para o canto resolveram mesmo contra a natureza que havia de se tornar grandes cantores.
Abriram escolas e importaram professores, aprenderam


mi

sol

si
Encomendaram diplomas e combinaram provas entre si para escolher quais deles passariam a mandar nos demais a partir daí criaram concursos, inventaram títulos pomposos, cada urubuzinho aprendiz sonhava um dia se tornar um ilustre urubu titular afim de ser chamado por vossa excelência.
Passaram-se décadas arte que a patética harmonia dos urubus maestros foi abalada com a invasão da floresta por canários tagarelas, que faziam coro com periquitos festivos e serenatas com sabiás. Os velhos urubus encrespados entortaram o bico e convocaram canários e periquitos para um rigoroso inquérito:
cade os documentos de seus concursos?
Indagaram, e os pobres passarinhos se olharam assustados... Nunca haviam freqüentado escola de canto pois o canto nascera com eles.
Seu canto era tão natural que nunca se preocuparam em provar que sabiam cantar naturalmente cantavam
Não, não, não assim não pode, cantar sem os documentos devidos é um desrespeito a ordem, bradaram os urubus.
E em um nisoro expulsaram da floresta os inofensivos passarinhos que ousavam cantar sem alvarás...

Moral da história: em terra de urubus diplomados não se ouve os cantos dos sabiás