O dito da vez


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A explosiva descoberta
Ainda me atordoa.
Estou cego e vejo.
Arranco os olhos e vejo

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Carlos Drummond de Andrad

29 de nov de 2008

28 de nov de 2008

...


A existência, porque humana, não pode ser muda, silêncios, nem tampouco pode nutrir-se de falsas palavras, mas de palavras verdadeiras, com que os homens transformam o mundo. Existir, humanamente, é pronunciar o mundo, é modificá-lo. O mundo pronunciado, por sua vez, se volta problematizado aos sujeitos pronuciantes, a exigir deles novo pronunciar.
Paulo Freire


O pensar criador gera movimento, aquilo que se apresenta como verdade passa pelo questionamento, o naturalizado vira objeto de problematização e conhecer se apresenta como uma arte exigente, possível para todos e todas, que nos instiga sempre. O pensar criador acorda o conhecimento, planta uma semente de interrogação onde antes morava a arrogância das certezas e que por vezes nos imobiliza ou adormece.
km

15 de nov de 2008

Primazia


“Neste meio século não parece que os governos tenham feito pelos direitos humanos tudo aquilo que moralmente estavam obrigados. As injustiças multiplicaram-se, as desigualdades agravaram-se, a ignorância cresce, a miséria alastra. A mesma esquizofrênica humanidade que foi capaz de enviar instrumentos a um planeta para estudar a composição de suas rochas assiste a morte de milhões de pessoas pela fome. Chega-se mais facilmente a Marte do que ao nosso próprio semelhante.
Alguém não anda cumprindo seu dever. Não anda a cumpri-lo os governos, porque não sabem, porque não podem, ou porque não querem. Ou porque não lho permitem aqueles que efetivamente governam o mundo, as empresas multinacionais cujo poder, absolutamente não democrático, reduziu a quase nada o que ainda restava do ideal de democracia.
Mas também não estão a cumprir o seu dever os cidadãos que somos. Pensamos que nenhuns direitos humanos poderão subsistir sem a simétrica dos deveres que lhes correspondem e que não é de se esperar que os governos façam nos próximos 50 anos o que não fizeram nestes que comemoramos. Tomemos então, nós, cidadãos comuns, a palavra. Com a mesma veemência que reivindicamos direitos, reivindiquemos também o dever dos nossos deveres. Talvez o mundo possa tornar-se um pouco melhor.”
(Fragmentos do discurso de José Saramago, no dia que recebeu o Prêmio Nobel da Paz de Literatura em 1998)


Vivemos em uma sociedade hipócrita, porque clamamos incessantemente por direitos sociais sem compreender que eles só podem ser contemplados numa sociedade em que todos, em todos os níveis, têm consciência de seus deveres, e histérica, pois passamos nossa existência buscando uma satisfação, mas, sua desorganização coletiva, estrutural e individual, a impede de obter.
Autonomia, esta conquista rara de um ser, é essencial para uma mudança no mínimo interessante, mais esse ato de assumir-se, ainda assombra a muitos, se anularem, perder a coragem de ser é o resultado de nossa realidade social, a coragem foi desacreditada, o sonho foi banalizado, por nós, porque assim nos deixamos impor, o medo de construir uma história diferente é o interesse de quem domina, mais o interesse coletivo ainda pode quebrar a mesa!
km

12 de nov de 2008

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Oh! Desmundo cru(El)
Como se não bastasse, esta mulher a tossir dentro de casa!
Como se não bastasse o pouco dinheiro e a lâmpada queimada,
Sem velas e todos esses trapos
Todos esses topordeamentos
Os fascistas
Comunistas
Colunistas
E muito querosene, com uma pitada de tiroteio (não teria graça)
Oh! [des]Graça...
Poderia te dar tantos nomes:
Flor
Aurora (esta perdida)
Já não importa (era vida a explodir por todos os cantos da cidades)nomes?
Quando ti cubro de flor e sangue!
Por minha cidade azul
Pelo Brasil, salve! Salve!
Pelo homem morto no mercado e pelos legumes cobertos de sangue...
Mundo sem voz, vez e nem ao menos cor
Essa coisa opaca que faz sangue, carne e pensamento,
Te faz mentira em verdade
Os carinhos mais doces, mais sacanas
Mais sentidos
Como bate esse coração por causa[s]
Debaixo da pele, com todos estes ossos
Combatente clandestino aliados aos sem voz
A margem deste capetalismo
Claro! Mais que claro, raro!

km

6 de nov de 2008

Quem são essas pessoas que procuram por sobrevivência aos olhos de todos, percorrendo as veias da cidade, construindo espaços reais num mundo ilusório

?



PÚBLICO E PRIVADO

Fomos condicionados a entender espaços fechados, a ser protegidos dentro de mundos isolados, a compreender de uma maneira unilateral o que é fora e o que é dentro. Estamos cada vez mais edificando espaços ilusórios artificiais (shopping centers, praças de alimentação), que são sem dúvida, atualmente, os espaços públicos das cidades. As praças, os parques, estão sendo enclausurados com grades, "pendurados" como obras de museu, inatingíveis, fictícias. As noções de espaço do morador de rua podem atingir um grau enorme de experimentação, no qual o público e o privado se mesclam aos nossos olhos, e as bricolagens e sobreposições de materiais são utilizadas para fomentar uma noção diferenciada de espaço. Este se torna, ao primeiro impacto, um muro, quase que esquizofrênico, incompreensível para os modos de vida burgueses de nossa sociedade. Mas, atravessando as sombras desse muro, entramos num oceano de criatividade e de vislumbres construtivos inigualáveis. Espaços autônomos, mutáveis de acordo com as necessidades do cotidiano, interações entre sobrevivência, moradia e corpo, que vão, ao mesmo tempo, sendo constituídas ininterruptamente. O lixo de consumo da sociedade torna-se a pedra fundamental para a vida na rua. Sob essa óptica, o mais importante seriam então as soluções encontradas para a relação entre o corpo/mente e os espaços das cidades. Retornamos para a importância dos espaços públicos e para o real significado de morar, de habitar e de ter o prazer de se sentir em casa, mesmo no âmbito dos espaços públicos. Esses espaços e a habitação devem caminhar novamente juntos, e essa caminhada precisa se transformar numa meta política e numa obrigação para o Estado. Soluções podem ser encontradas tentando-se conceber espaços "abertos", autônomos e reguláveis para os habitantes, e não enclausurados em edifícios seriados e sem vida...

JUSTIÇA

JUSTIÇA

Agora uma fabulazinha

Me falaram sobre uma floresta distante onde uma história triste aconteceu no tempo em que os pássaros falavam, os urubus bichos altivos mas sem dotes para o canto resolveram mesmo contra a natureza que havia de se tornar grandes cantores.
Abriram escolas e importaram professores, aprenderam


mi

sol

si
Encomendaram diplomas e combinaram provas entre si para escolher quais deles passariam a mandar nos demais a partir daí criaram concursos, inventaram títulos pomposos, cada urubuzinho aprendiz sonhava um dia se tornar um ilustre urubu titular afim de ser chamado por vossa excelência.
Passaram-se décadas arte que a patética harmonia dos urubus maestros foi abalada com a invasão da floresta por canários tagarelas, que faziam coro com periquitos festivos e serenatas com sabiás. Os velhos urubus encrespados entortaram o bico e convocaram canários e periquitos para um rigoroso inquérito:
cade os documentos de seus concursos?
Indagaram, e os pobres passarinhos se olharam assustados... Nunca haviam freqüentado escola de canto pois o canto nascera com eles.
Seu canto era tão natural que nunca se preocuparam em provar que sabiam cantar naturalmente cantavam
Não, não, não assim não pode, cantar sem os documentos devidos é um desrespeito a ordem, bradaram os urubus.
E em um nisoro expulsaram da floresta os inofensivos passarinhos que ousavam cantar sem alvarás...

Moral da história: em terra de urubus diplomados não se ouve os cantos dos sabiás