O dito da vez


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A explosiva descoberta
Ainda me atordoa.
Estou cego e vejo.
Arranco os olhos e vejo

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Carlos Drummond de Andrad

12 de nov de 2008

.



Oh! Desmundo cru(El)
Como se não bastasse, esta mulher a tossir dentro de casa!
Como se não bastasse o pouco dinheiro e a lâmpada queimada,
Sem velas e todos esses trapos
Todos esses topordeamentos
Os fascistas
Comunistas
Colunistas
E muito querosene, com uma pitada de tiroteio (não teria graça)
Oh! [des]Graça...
Poderia te dar tantos nomes:
Flor
Aurora (esta perdida)
Já não importa (era vida a explodir por todos os cantos da cidades)nomes?
Quando ti cubro de flor e sangue!
Por minha cidade azul
Pelo Brasil, salve! Salve!
Pelo homem morto no mercado e pelos legumes cobertos de sangue...
Mundo sem voz, vez e nem ao menos cor
Essa coisa opaca que faz sangue, carne e pensamento,
Te faz mentira em verdade
Os carinhos mais doces, mais sacanas
Mais sentidos
Como bate esse coração por causa[s]
Debaixo da pele, com todos estes ossos
Combatente clandestino aliados aos sem voz
A margem deste capetalismo
Claro! Mais que claro, raro!

km

2 comentários:

autor desconhecido disse...

lampadaflorazulcoraçao

Mauro Sérgio disse...

Infelizmente ainda há muitos corações batendo sem causa(s).

Morte o capetalismo e aos colunistas fascistas.

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JUSTIÇA

JUSTIÇA

Agora uma fabulazinha

Me falaram sobre uma floresta distante onde uma história triste aconteceu no tempo em que os pássaros falavam, os urubus bichos altivos mas sem dotes para o canto resolveram mesmo contra a natureza que havia de se tornar grandes cantores.
Abriram escolas e importaram professores, aprenderam


mi

sol

si
Encomendaram diplomas e combinaram provas entre si para escolher quais deles passariam a mandar nos demais a partir daí criaram concursos, inventaram títulos pomposos, cada urubuzinho aprendiz sonhava um dia se tornar um ilustre urubu titular afim de ser chamado por vossa excelência.
Passaram-se décadas arte que a patética harmonia dos urubus maestros foi abalada com a invasão da floresta por canários tagarelas, que faziam coro com periquitos festivos e serenatas com sabiás. Os velhos urubus encrespados entortaram o bico e convocaram canários e periquitos para um rigoroso inquérito:
cade os documentos de seus concursos?
Indagaram, e os pobres passarinhos se olharam assustados... Nunca haviam freqüentado escola de canto pois o canto nascera com eles.
Seu canto era tão natural que nunca se preocuparam em provar que sabiam cantar naturalmente cantavam
Não, não, não assim não pode, cantar sem os documentos devidos é um desrespeito a ordem, bradaram os urubus.
E em um nisoro expulsaram da floresta os inofensivos passarinhos que ousavam cantar sem alvarás...

Moral da história: em terra de urubus diplomados não se ouve os cantos dos sabiás