O dito da vez


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A explosiva descoberta
Ainda me atordoa.
Estou cego e vejo.
Arranco os olhos e vejo

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Carlos Drummond de Andrad

15 de nov de 2008

Primazia


“Neste meio século não parece que os governos tenham feito pelos direitos humanos tudo aquilo que moralmente estavam obrigados. As injustiças multiplicaram-se, as desigualdades agravaram-se, a ignorância cresce, a miséria alastra. A mesma esquizofrênica humanidade que foi capaz de enviar instrumentos a um planeta para estudar a composição de suas rochas assiste a morte de milhões de pessoas pela fome. Chega-se mais facilmente a Marte do que ao nosso próprio semelhante.
Alguém não anda cumprindo seu dever. Não anda a cumpri-lo os governos, porque não sabem, porque não podem, ou porque não querem. Ou porque não lho permitem aqueles que efetivamente governam o mundo, as empresas multinacionais cujo poder, absolutamente não democrático, reduziu a quase nada o que ainda restava do ideal de democracia.
Mas também não estão a cumprir o seu dever os cidadãos que somos. Pensamos que nenhuns direitos humanos poderão subsistir sem a simétrica dos deveres que lhes correspondem e que não é de se esperar que os governos façam nos próximos 50 anos o que não fizeram nestes que comemoramos. Tomemos então, nós, cidadãos comuns, a palavra. Com a mesma veemência que reivindicamos direitos, reivindiquemos também o dever dos nossos deveres. Talvez o mundo possa tornar-se um pouco melhor.”
(Fragmentos do discurso de José Saramago, no dia que recebeu o Prêmio Nobel da Paz de Literatura em 1998)


Vivemos em uma sociedade hipócrita, porque clamamos incessantemente por direitos sociais sem compreender que eles só podem ser contemplados numa sociedade em que todos, em todos os níveis, têm consciência de seus deveres, e histérica, pois passamos nossa existência buscando uma satisfação, mas, sua desorganização coletiva, estrutural e individual, a impede de obter.
Autonomia, esta conquista rara de um ser, é essencial para uma mudança no mínimo interessante, mais esse ato de assumir-se, ainda assombra a muitos, se anularem, perder a coragem de ser é o resultado de nossa realidade social, a coragem foi desacreditada, o sonho foi banalizado, por nós, porque assim nos deixamos impor, o medo de construir uma história diferente é o interesse de quem domina, mais o interesse coletivo ainda pode quebrar a mesa!
km

2 comentários:

autor desconhecido disse...

se forçarmos uma saída pela esquerda, podemos passar batido pelos direitos; mas bonito de-ver é não só estender a mão, é levantar a mão, bater a mão, botar a mão no fogo; uma mão leva a outra; em marte morte ir-mão

Mauro Sérgio disse...

Sempre existe o risco de a saída pela esquerda passar batida pelos direitos, pode ser. A saída pela direita, sabemos por experiência própria, vai solapar os direitos definitivamente.

Quanto a essa satisfação que buscamos eternamente, é fato que nunca a encontraremos, pois há atores poderosos que lucram com a nossa busca.

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dizeres

JUSTIÇA

JUSTIÇA

Agora uma fabulazinha

Me falaram sobre uma floresta distante onde uma história triste aconteceu no tempo em que os pássaros falavam, os urubus bichos altivos mas sem dotes para o canto resolveram mesmo contra a natureza que havia de se tornar grandes cantores.
Abriram escolas e importaram professores, aprenderam


mi

sol

si
Encomendaram diplomas e combinaram provas entre si para escolher quais deles passariam a mandar nos demais a partir daí criaram concursos, inventaram títulos pomposos, cada urubuzinho aprendiz sonhava um dia se tornar um ilustre urubu titular afim de ser chamado por vossa excelência.
Passaram-se décadas arte que a patética harmonia dos urubus maestros foi abalada com a invasão da floresta por canários tagarelas, que faziam coro com periquitos festivos e serenatas com sabiás. Os velhos urubus encrespados entortaram o bico e convocaram canários e periquitos para um rigoroso inquérito:
cade os documentos de seus concursos?
Indagaram, e os pobres passarinhos se olharam assustados... Nunca haviam freqüentado escola de canto pois o canto nascera com eles.
Seu canto era tão natural que nunca se preocuparam em provar que sabiam cantar naturalmente cantavam
Não, não, não assim não pode, cantar sem os documentos devidos é um desrespeito a ordem, bradaram os urubus.
E em um nisoro expulsaram da floresta os inofensivos passarinhos que ousavam cantar sem alvarás...

Moral da história: em terra de urubus diplomados não se ouve os cantos dos sabiás