O dito da vez


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A explosiva descoberta
Ainda me atordoa.
Estou cego e vejo.
Arranco os olhos e vejo

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Carlos Drummond de Andrad

19 de dez de 2008

.De outro modo.

O anarquismo não se resume a ação de violência, porém essas ações são necessárias de acordo com o contexto político, cultural e social que por deveras oprime os homens e mulheres no decorrer dos tempos. Como anarquista minha preocupação não se limita apenas a ações de violência, abrange-se a informação que atualmente de forma imoral e moral molda gostos e desgostos de um povo que se fez e se faz cego perante a realidade em que se encontra.

O que queremos?

A resposta para essa pergunta pode ser variada de acordo com o ponto de vista de cada um, contudo o que à em comum no desejo de todos até inconscientemente, é a vontade de ser livre para viver uma vida digna, justa e humana, sem guerras e disputas por poder, onde a vontade do outro é alienada e manipulada pelo Estado, pela Igreja, pela Mídia e tantos outros poderes que se faz presente em nosso meio. Algo que salta aos olhos, mas que a maioria não consegue perceber, por que não quer e por que a os que não querem.

Se o que queremos é liberdade, temos que conquistá-la, porém a várias maneiras de se trilhar o caminho para o que desejamos tão complexos e variáveis como a sociedade em que vivemos. A informação é algo importante para abrir caminhos que há tempos estão bloqueados, essa informação deve almejar a formação de conceitos e atitudes outrora esquecidos para o bem estar de uma minoria que se julga capaz de decidir pela maioria, levando em consideração seu conforto econômico-egocêntrico.

Neste aspecto percebemos a importância de uma educação para liberdade, dando aos estudantes uma oportunidade de decidirem seu próprio caminho, sem amarras impostas pelo Estado através do currículo que hoje está implantado nas escolas, perpetuando o sistema capitalista e toda a exploração que o mesmo dispõe. A educação libertária é um dos meio que possibilita a quebra dessa “tradição”, para uma nova ordem social.

Paulo FREIRE:
“Não há nem jamais houve prática educativa em espaço-tempo nenhum de tal maneira neutra, comprometida apenas com idéias preponderantemente abstratas e intocáveis. Insistir nisso e convencer ou tentar convencer os incautos de que essa é a verdade é uma prática política indiscutível com que se pretende amaciar a possível rebeldia dos injustiçados. Tão política quanto à outra, a que não esconde, pelo contrário, proclama sua politicidade”.

A partir da compreensão da escola como espaço político, percebemos que a formação cognitiva e intelectual deve permitir a participação ativa dos que fazem à escola na sociedade em que vivem. Construindo uma ligação entre os valores e ações, entre escolhas e conseqüências. Tendo como preocupação dar oportunidade aos que estão a margem desta sociedade moldada por um sistema excludente, proporcionando autogestão, pela democratização da escola num sentido radical, isto é, envolvendo professores, alunos e funcionários nas decisões sobre os rumos da educação e consequentemente da sociedade que esses atores estão inseridos.

karina m.

5 comentários:

Jorge Borges disse...

Uma análise profunda de como o sistema se pode perpetuar através das condicionantes mentalidade-escola. Tem de haver um ponto em que seja possível quebrar este círculo vicioso que perpetua o sistema neoliberal. Este é o caminho que os contestatários buscam como alternativa.

Um abraço

BêbÉT/Ocica's disse...

manda fuego menina!

quero ver a leitura?
escritura?
poder?
quem rege?

um país sem educação.

Anônimo disse...

é sempre bom esperar que algo de novo venha a substituir este marasmo ideológico, que permeia todos os espaços público ou privado.......

simone beauvoir:

“a dimensão dos empreendimentos humanos não é o finito nem o infinito, mas o indefinido;

essa palavra não se deixa encerrar em nenhum limite fixo”

Filipe Mantovan disse...

Emenda barrada por um pequeno prazo pela câmara dos deputados!rs

Voltando aqui!
Um certo antropólogo disse: O mundo está doente.
Um certo sábio disse: O mundo é doente.

Mauro Sérgio disse...

Isso remonta a uma discussão travada em minha última aula de Sociologia da Educação sobre a Educação e o Marxismo.

O papel do professor é fundamental no combate à alienação, na medida em que ele pode ajudar seus alunos a descobrir o valor de seu trabalho.

Mas ele deve ser o primeiro a fazer essa descoberta, ao mesmo tempo em que busca, junto aos seus pares, se reconhecer como classe.

beijos

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dizeres

JUSTIÇA

JUSTIÇA

Agora uma fabulazinha

Me falaram sobre uma floresta distante onde uma história triste aconteceu no tempo em que os pássaros falavam, os urubus bichos altivos mas sem dotes para o canto resolveram mesmo contra a natureza que havia de se tornar grandes cantores.
Abriram escolas e importaram professores, aprenderam


mi

sol

si
Encomendaram diplomas e combinaram provas entre si para escolher quais deles passariam a mandar nos demais a partir daí criaram concursos, inventaram títulos pomposos, cada urubuzinho aprendiz sonhava um dia se tornar um ilustre urubu titular afim de ser chamado por vossa excelência.
Passaram-se décadas arte que a patética harmonia dos urubus maestros foi abalada com a invasão da floresta por canários tagarelas, que faziam coro com periquitos festivos e serenatas com sabiás. Os velhos urubus encrespados entortaram o bico e convocaram canários e periquitos para um rigoroso inquérito:
cade os documentos de seus concursos?
Indagaram, e os pobres passarinhos se olharam assustados... Nunca haviam freqüentado escola de canto pois o canto nascera com eles.
Seu canto era tão natural que nunca se preocuparam em provar que sabiam cantar naturalmente cantavam
Não, não, não assim não pode, cantar sem os documentos devidos é um desrespeito a ordem, bradaram os urubus.
E em um nisoro expulsaram da floresta os inofensivos passarinhos que ousavam cantar sem alvarás...

Moral da história: em terra de urubus diplomados não se ouve os cantos dos sabiás