O dito da vez


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A explosiva descoberta
Ainda me atordoa.
Estou cego e vejo.
Arranco os olhos e vejo

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Carlos Drummond de Andrad

21 de jan de 2009

O laboratório humano de Israel

Foto: Anderson Barbosa

Israel não conseguiu esconder o fato de ter utilizado uma série de armas não-convencionais, experimentais e até proibidas, segundo a Lei Internacional, contra alvos civis em Gaza. O que nos primeiros dias da invasão surgiu como simples especulação, logo se confirmou quando civis passaram a encher os hospitais de Gaza com ferimentos nunca antes vistos pelos médicos locais, já acostumados a tratar de pacientes com lesões derivadas das armas habituais de Israel.

A confirmação partiu da própria ONU, que teve um de seus edifícios atacados com cápsulas de fósforo branco na quinta-feira (dia 15). Porta-vozes da Agência de Ajuda aos Refugiados Palestinos (UNWRA, na sigla em inglês), órgão da ONU que trabalha sob
ameaça de Israel há meses em Gaza, descreveram o crime: “Nós não podíamos usar extintores convencionais porque para apagar o fósforo branco é necessário usar areia”, disse Chris Gunness, um dos porta-vozes da Agência, enquanto a arma química israelense queimava mantimentos indispensáveis, enviados de dezenas de países, entre eles o Brasil, ao povo de Gaza. O fósforo branco é uma substância incendiária, cujo uso em armas é proibido pela Lei Internacional. Apesar disso, os Estados Unidos fizeram uso da substância contra os civis de Fallujah, no Iraque, em 2004, e Israel
foi duramente criticado por ter usado a arma contra os civis do Líbano em 2006.

Enquanto a mídia internacional foi banida de Gaza por Israel, em um ato de censura típico da “única democracia do Oriente Médio”,outras armas experimentais foram testadas contra o povo palestino longe dos olhos do mundo de fora. Uma dessas é o Dime (sigla em inglês para explosivo metal denso e inerte), uma arma recentemente desenvolvida pelos Estados Unidos, ainda em testes e não regulada pela Lei Internacional, que ocasiona uma explosão interna de alto grau, mas não espalha fragmentos. Quem confirma o uso da nova arma são os médicos voluntários estrangeiros da ONU trabalhando em Gaza. “Os ferimentos dessa arma são particulares. As vítimas têm severos danos internos, especialmente em tecidos macios, como no abdômen, mas nada aparente pelo lado de fora. Todos os casos levaram à morte”, disse o médico norueguês Mads Gilbert, no Hospital Al-Shifa, na cidade de Gaza. Outro médico estrangeiro, o britânico David Halpin, também descreveu o que viu: “Estamos vendo Gaza como um laboratório humano para testes do que eu chamo de armas do inferno”, disse ele à rede de notícias britânica BBC. de fragmentação, banidas pela Lei Internacional, e bombas carregadas de urânio, deixando amplas áreas de Gaza com elevado teor de radiação. Sarit Michaeli, porta-voz da organização, afirmou que “as negações de Israel não podem ser confiadas”.

De fato, não existe mais questionamento de que a entidade sionista fez uso dos civis de Gaza como ratos de laboratório para as armas de futuras guerras. Mais perigoso do que isso: relatórios da ONU indicam que
há dois meses enormes encomendas de armamentos chegaram a Israel dos Estados Unidos, e outras estariam a caminho. Não será fácil para a mídia ocidental esconder tantos crimes – a face de Israel está clara.


Edição especial - Oriente Médio Vivo

6 comentários:

Moacy Cirne disse...

Um texto pertinente, minha cara. E eu fico a me perguntar: o que fazer para eliminar o imperialismo americano-israelita, sem que percamos a esperança na Humanidade? Um abraço.

Moacy Cirne disse...

Puxa, só agora percebi no seu Perfil: você é de Campina Grande? Nos anos 50 e primeira metade dos 60 eu ia muito a Campina. (Sou do Seridó potiguar; hoje resido no Rio.) Mas você mudou o Perfil, não? Outro abraço.

Mauro Sérgio disse...

Outro dia, uma jornalista aqui do Globo, a Cora Ronai, se referiu aos países árabes como "países em estágios variados de civilização".

Em que estágio de civilização está um país que bombardeia civis e seus escassos mantimentos com bombas de fósforo?

Toon disse...

muito bom o seu texto. uma coisa que diz-respeito a todos, mas que muitos não estão nem aí.

voltarei mais vezes

Moacy Cirne disse...

Não podemos esquecer de Gaza. Jamais. Quanto a Cora Ronai citada por um de zeus leitores), seu pai foi um grande homem, já ela...

superior disse...

huangzong487
delu963
nuojiya8210
jianchihu
mengmashou

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JUSTIÇA

JUSTIÇA

Agora uma fabulazinha

Me falaram sobre uma floresta distante onde uma história triste aconteceu no tempo em que os pássaros falavam, os urubus bichos altivos mas sem dotes para o canto resolveram mesmo contra a natureza que havia de se tornar grandes cantores.
Abriram escolas e importaram professores, aprenderam


mi

sol

si
Encomendaram diplomas e combinaram provas entre si para escolher quais deles passariam a mandar nos demais a partir daí criaram concursos, inventaram títulos pomposos, cada urubuzinho aprendiz sonhava um dia se tornar um ilustre urubu titular afim de ser chamado por vossa excelência.
Passaram-se décadas arte que a patética harmonia dos urubus maestros foi abalada com a invasão da floresta por canários tagarelas, que faziam coro com periquitos festivos e serenatas com sabiás. Os velhos urubus encrespados entortaram o bico e convocaram canários e periquitos para um rigoroso inquérito:
cade os documentos de seus concursos?
Indagaram, e os pobres passarinhos se olharam assustados... Nunca haviam freqüentado escola de canto pois o canto nascera com eles.
Seu canto era tão natural que nunca se preocuparam em provar que sabiam cantar naturalmente cantavam
Não, não, não assim não pode, cantar sem os documentos devidos é um desrespeito a ordem, bradaram os urubus.
E em um nisoro expulsaram da floresta os inofensivos passarinhos que ousavam cantar sem alvarás...

Moral da história: em terra de urubus diplomados não se ouve os cantos dos sabiás