O dito da vez


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A explosiva descoberta
Ainda me atordoa.
Estou cego e vejo.
Arranco os olhos e vejo

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Carlos Drummond de Andrad

24 de jan de 2009

Questão de ponto de vista...

“Toda uniformização é uma forma de sadismo da autoridade”

“A leitura torna o homem completo; a conversação torna-o ágil, e o escrever dá-lhe precisão.”
Francis Bacon

Imagem:emil schildt

A prática da leitura se faz presente em nossas vidas desde o momento em que começamos a enxergar o mundo à nossa volta. No constante desejo de decifrar e interpretar o sentido das coisas que nos cercam, de perceber o mundo sob diversas perspectivas, de relacionar a realidade com as nossas vontades, no contato com um livro, na leitura do mundo, enfim, em todos estes casos estamos, de certa forma, lendo - embora, muitas vezes, não nos demos conta.
Como diz Emilia Ferreiro ler não é decodificar, mas significa, de fato, interpretar e compreender o que se lê, a leitura deve favorecer o leitor a compreensão do texto, cada um lê com os olhos que tem. E interpreta de acordo com sua realidade. Todo ponto de vista é à vista de um ponto. Para entender o que alguém lê, é necessário saber como são seus olhos e qual é a sua visão de mundo. Isto faz da leitura sempre uma releitura, sendo assim, o leitor interage com o autor, concorda ou discorda, sempre aprendendo.
O desejo do leitor tornará a leitura algo significativo em sua vida, ajudará a compreender o meio que vive suas responsabilidades e direitos, quando falta este desejo a leitura se torna um fardo, algo enfadonho.
É na escola que as crianças deveriam afinar sua leitura, alargar seus gostos, mas nem os professores são habituados à leitura prazerosa. Ficamos em um círculo vicioso, uma armadilha, pois como saber se gostamos (ou não) se não a conhecemos? Aí entra o papel do professor educador e mediador da cultura em introduzir novos conteúdos e novas experiências no mundo do aluno.
Sabemos que a escola tem um plano a cumprir e dentro dele as atividades de linguagem que devem ser realizadas e avaliadas. Ensinar a ler com prazer, a tirar proveito pessoal da leitura esbarra quase sempre na questão do número de alunos na sala para acompanhar e na dificuldade em avaliar objetivamente o aproveitamento. Mas sem paixão não avançamos. Principalmente quando pisamos na área da literatura. Ensinar as características estruturais dos gêneros, as combinações lingüísticas possíveis em um texto, a organização das palavras, a comunicação de idéias não devem matar o prazer, não podem impedir que a leitura faça sentido pessoal e íntimo na vida do aluno.
O professor deve respeitar a escolha do aluno, através da liberdade sem pressões à leitura entra na vida dos alunos, na cultura escolar e deixa de ser obrigação para se tornar gosto.
km

5 comentários:

Aura Sacra Fames disse...

Gostei, e concordo com ele, se não incentivarmos a leitura, o país não mudará, Lobato dizia um país se faz com homens e livros e como Cristovam Buarque afirma precisamos criar uma mania de leitura no Brasil. Em outubro do ano passado houve em Brasília o Primeiro Seminário de Incentivo a leitura, muito bom, mostra que ainda há políticos que trabalham em nosso favor.

Abraços
aurasacrafames.blogspot.com

Anônimo disse...

cuidado, pois tudo que esses moços do estado popular fazem tem um único sentido: as próximas eleições...

Anônimo disse...

... pois se faz necessário que tudo continue como está. Para que eles - os moços do estado popular - se façam necessários!!!

Diogo disse...

Do ponto de vista da minhoca, um prato de macarrão e uma orgia...

Mauro Sérgio disse...

O fato é que a escola que alfabetiza, mas não incute o hábito da leitura não cumpre o seu papel.

A verdadeira apreensão da informação se dá através da leitura, na medida em que esta permite a interpretação, a releitura e a livre visualização. Tudo o que a televisão, por exemplo, não permite.

Forte abraço!

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JUSTIÇA

JUSTIÇA

Agora uma fabulazinha

Me falaram sobre uma floresta distante onde uma história triste aconteceu no tempo em que os pássaros falavam, os urubus bichos altivos mas sem dotes para o canto resolveram mesmo contra a natureza que havia de se tornar grandes cantores.
Abriram escolas e importaram professores, aprenderam


mi

sol

si
Encomendaram diplomas e combinaram provas entre si para escolher quais deles passariam a mandar nos demais a partir daí criaram concursos, inventaram títulos pomposos, cada urubuzinho aprendiz sonhava um dia se tornar um ilustre urubu titular afim de ser chamado por vossa excelência.
Passaram-se décadas arte que a patética harmonia dos urubus maestros foi abalada com a invasão da floresta por canários tagarelas, que faziam coro com periquitos festivos e serenatas com sabiás. Os velhos urubus encrespados entortaram o bico e convocaram canários e periquitos para um rigoroso inquérito:
cade os documentos de seus concursos?
Indagaram, e os pobres passarinhos se olharam assustados... Nunca haviam freqüentado escola de canto pois o canto nascera com eles.
Seu canto era tão natural que nunca se preocuparam em provar que sabiam cantar naturalmente cantavam
Não, não, não assim não pode, cantar sem os documentos devidos é um desrespeito a ordem, bradaram os urubus.
E em um nisoro expulsaram da floresta os inofensivos passarinhos que ousavam cantar sem alvarás...

Moral da história: em terra de urubus diplomados não se ouve os cantos dos sabiás