O dito da vez


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A explosiva descoberta
Ainda me atordoa.
Estou cego e vejo.
Arranco os olhos e vejo

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Carlos Drummond de Andrad

29 de jan de 2009

somos/sou



O gosto pela leitura das letras e do mundo nos faz perceber a realidade a nossa volta. Conhecer essa continuidade de como a moral e os bons costumes se perpetua nesse corriqueiro cotidiano no qual estamos imersos, “em torno da herança apodrecida do passado reúnem-se as águias do amanhã” (STIRNER, 1979).

É interessante compreendermos esta continuidade, para nos conhecermos como sujeitos, aceitar o que somos/sou. Todos esses seres que por ai, nos tira o ar impedindo o ser de ser humano, sentir o que somos para enxergar nossas vantagens e desvantagens, para saber interagir com o meio percebido da melhor forma possível (não apenas para mim). Ter ciencia de ser individual, único, “eu”, onde beiramos egocentrismo e confundimo-nos individualistamente, se a vida nos prega peças, somos os atores, escritores e leitores dessa historia. Sem a nossa participação, essa historia nunca será justa.


Imagem:Latuff


Isso significa educar-se incansavelmente; adquirir uma capacidade crítica pessoal e uma capacidade de pensar por si; aprender a ver, habituando o olho no repouso e na paciência; dominar o "instinto do saber a qualquer preço", utilizando este princípio seletivo: só aprender aquilo que puder viver e abominar tudo aquilo que instrui sem aumentar ou estimular a atividade; manter uma postura artística diante da existência, trabalhando como artista a obra cotidiana; "dar à vida o valor de um instrumento e de um meio de conhecimento", procedendo de modo que os falsos caminhos, os erros, as ilusões, as paixões, as esperanças possam conduzir a um único objetivo – a educação de si próprio.
km

4 comentários:

Moacy Cirne disse...

Oi, um texto seguro, límpido, bem escrito. E já que você transformou o Gentileza (que conheci, mas sem maiores contatos), fiz com que ele se transformasse num dos profetas da "minha" Bíblia, no capítulo editado ontem pelo Balaio.

Um beijo.

Moacy Cirne disse...

Corrigindo: "E já que você trasnformou o gentileza (...) numa das ligações de seu blogue, fiz com que (...)".

Um abraço.

Moacy Cirne disse...

Menina, eu não conhecia "O jumento santo" não... Econtrei fácil no Youtube. Acabei de ver: sensacional! Valeu, viu?!? Decerto você conhece "Deus é pai", que também é ótimo. Só pra complementar: segunda tem a continuação da Bíblia revisitada.

Um beijo.

Jean Baptiste disse...

Como dizem, a História se escreve com a retórica dos vencedores e o sangue dos vencidos.

Tudo a ver com essa charge.

Saudações,

Muito me alegram suas visitas

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dizeres

JUSTIÇA

JUSTIÇA

Agora uma fabulazinha

Me falaram sobre uma floresta distante onde uma história triste aconteceu no tempo em que os pássaros falavam, os urubus bichos altivos mas sem dotes para o canto resolveram mesmo contra a natureza que havia de se tornar grandes cantores.
Abriram escolas e importaram professores, aprenderam


mi

sol

si
Encomendaram diplomas e combinaram provas entre si para escolher quais deles passariam a mandar nos demais a partir daí criaram concursos, inventaram títulos pomposos, cada urubuzinho aprendiz sonhava um dia se tornar um ilustre urubu titular afim de ser chamado por vossa excelência.
Passaram-se décadas arte que a patética harmonia dos urubus maestros foi abalada com a invasão da floresta por canários tagarelas, que faziam coro com periquitos festivos e serenatas com sabiás. Os velhos urubus encrespados entortaram o bico e convocaram canários e periquitos para um rigoroso inquérito:
cade os documentos de seus concursos?
Indagaram, e os pobres passarinhos se olharam assustados... Nunca haviam freqüentado escola de canto pois o canto nascera com eles.
Seu canto era tão natural que nunca se preocuparam em provar que sabiam cantar naturalmente cantavam
Não, não, não assim não pode, cantar sem os documentos devidos é um desrespeito a ordem, bradaram os urubus.
E em um nisoro expulsaram da floresta os inofensivos passarinhos que ousavam cantar sem alvarás...

Moral da história: em terra de urubus diplomados não se ouve os cantos dos sabiás