O dito da vez


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A explosiva descoberta
Ainda me atordoa.
Estou cego e vejo.
Arranco os olhos e vejo

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Carlos Drummond de Andrad

24 de fev de 2009

.fragmentos.


a dignidade humana anda perdida entre o progresso da tecnologia, dos conhecimentos e informações gerais. E o que geramos nos mostra que não estávamos preparados para administrar o que criamos, pois não nos solidificamos como seres humanos para uma humanidade criadora da desumanização.
Não é tão fácil se perceber numa situação como esta, mas para que o autoconhecimento aconteça é preciso uma boa ética social em detrimento da busca de ser melhor naquilo que é construído e naquilo que nos constrói. Falamos então de princípios que nos levarão a arte de fazer versos para uma dignidade humana sendo então isso, a redimensão das relações sociais.
Quando falamos de dimensões puramente humanas, deve-se perceber a intenção de captar que a dinâmica da vivência puramente humana é poesia. Todos seremos autores e daremos mais vida se escrevermos da melhor forma os caminhos tortos a seguir. Não precisamos ser poeta para abrirmos os olhos, porém todo poeta está sempre de olhos abertos.
E um poeta nunca machuca outro poeta, assim como todo homem e mulher não deveria machucar a nenhum homem nem a nenhuma mulher.
Em procrastinação isto é esquecido e transformamos tudo em enlatados. O livro que deveria registrar as “poesias” está feito de orelhas.
km

22 de fev de 2009

Estamos sós e sem desculpas!


Fotografia: Rui Palha



Ser-se livre não é fazermos aquilo que queremos, mas querer-se aquilo que se pode.

Jean-Paul Sartre

15 de fev de 2009

O que o capitalismo nos ensina?


Todos somos suspeitos!

11 de fev de 2009

O que desejas?


O ser humano vivência a si mesmo, seus pensamentos como algo separado do resto do universo - numa espécie de ilusão de ótica de sua consciência. E essa ilusão é uma espécie de prisão que nos restringe a nossos desejos pessoais, conceitos e ao afeto por pessoas mais próximas. Nossa principal tarefa é a de nos livrarmos dessa prisão, ampliando o nosso círculo de compaixão, para que ele abranja todos os seres vivos e toda a natureza em sua beleza. Ninguém conseguirá alcançar completamente esse objetivo, mas lutar pela sua realização já é por si só parte de nossa liberação e o alicerce de nossa segurança interior.
Albert Einstein


O homem não deve ser obrigado a trabalhar para suprir as necessidades da vida numa intensidade tal que não lhe restem tempo nem forças para as atividades pessoais



A realidade se mostra através da carne viva
Fome (detudo)


"Eu te invento, ó realidade!"

9 de fev de 2009

Tempero


Gás de pimenta
Tempera a ordem
Enquanto
Progresso se instala
Nas vidas
Sem vidas
Com lutas
Travadas

Disciplina
Moral e cívica
Inculcaram
Há tempos

De tempos
Em
Tempos
Volta-se
Ao gás

km

7 de fev de 2009

revolta

Depois de tantas postagens, já é notável meus pensamentos em relação ao Estado e a atual política neoliberal, não vejo benefícios significativos ao povo! O que se percebe é uma politicagem onde a relação de poder leva o beneficio a alguns (poucos) ditos humanos onde a pobreza, a falta de educação, a falta de segurança publica, a falta de saúde e tantas outras coisas que a nós é de direito, entende-se que a falta é o que impulsiona esses ditos no poder.
Quando um pobre como eu, por exemplo, precisa de alguma ajuda policial, se escuta o seguinte: “minha cara, as coisas são assim mesmo, o melhor a fazer é você contratar uma segurança particular”.
Puta que pariu!
Pagamos impostos em demasia para nada termos, a lei só funciona quando alguém tenta ir contra o Estado à procura de seus direitos, ora tudo esta bem... Esta bem para políticos barrigudos, policiais corruptos, médicos fascista que escolhem pacientes pelo plano de saúde e para gestores escolares que roubam a merenda das crianças.
Eles comem, dormem, bebem e festejam no país do carnaval.
Todos passam por injustiça, enquanto a inércia tomar conta de todos, a sociedade de classes vai cada vez se afirmar com seu abismo, a educação vai ser sempre para oprimir a criatividade e o questionamento para as coisas da vida, seremos moldados a determinados gostos e desgostos através da mídia por dificuldade de reflexão, de questionamento sobre a própria liberdade.
Liberdade alienada intencionalmente durante séculos pela igreja, pelo Estado, por todos esses hipócritas malufianos, lulenses, bushetas, milicos e afins. Capitalismo difundido e incucado como o único meio possível de sobrevivência, tirando a religião essa é a maior mentira dos tempos, um sistema que me resume a um numero, e quando me rotula por “cidadão” este apenas de consumo, meus valores não são bem meus valores. Valores? Que valores?
Valores de um Estado capitalista!? Onde no Natal, por exemplo, é o tempo de fraternidade e depois do dia glorioso você só pense em consumo! Como podemos esperar um povo educado, respeitoso, digno, se o que este recebe é violência, violência e violência.
Violência de não poder ser o que se é, não poder ser um ser autônomo e critico sem ser deixado a margem por isso!
Vivemos em um Estado de aparências...
Mas não sou aparente!
km

2 de fev de 2009

Mini-conto

Fotografia:Maleonn Ma

Broadcast

Ele bateu na porta do banheiro.
- Mãe...
- Que foi?
- Nada não...
Estava realmente inquieto. Proibido de sair à rua para brincar, pois suas notas na escola foram um desastre, restava-lhe o fundo do quintal para se divertir. Sentou-se na porta dos fundos, olhando as pipas lá no alto, dançando ao vento. Euveni lutava ali ao lado, com um tanque de roupas que parecia não acabar nunca. Ele pegou a lata de óleo de 20 litros vazia, que servia para pegar água na cisterna e enfiou na cabeça, até os ombros. Começou a cantar uma parte da música do Agnaldo Timóteo, imitando um rádio:

"Mamãe
só pra você eu contarei agora.
Mamãe
a Euveni tá com a bunda choca..."

A irmã reagiu de pronto:
- Olha, guri, não provoca, que eu vou arrebentar a sua fuça, hem...
Então, ele entrou com o noticiário:
- Atenção, atenção: Saigon urgente. O presidente Costa e Silva é um filho da puta. Ele junto com os militares vai fuder com o Brasil...- era o que ouvia das conversas do pai, com os amigos no botequim.
A irmã ficou abismada.
- Guri dos infernos! Onde você anda aprendendo esses palavrões todos? E teu pai já não falou pra não ficar falando essas coisas, que a gente pode ir todos presos! Vai ficar de castigo. Vai ficar ali de cara pra parede, anda!
Ele então tirou a lata, levantou-se e foi ficar de pé lá no canto, com a cara virada para a parede esperando pela boa vontade da irmã. Teve então uma idéia. Começou novamente a imitar o rádio:
- Atenção, atenção! A Euveni é piranha. Ontem eu vi ela alisando o pirú do Francisco no sofá, quando não tinh...
A irmã interrompeu imediatamente:
- Garoto do céu! Nao fica falando isso! Minha mãe me mata, se souber!
- Então me tira do castigo.
- Tá bem, vai...

JUSTIÇA

JUSTIÇA

Agora uma fabulazinha

Me falaram sobre uma floresta distante onde uma história triste aconteceu no tempo em que os pássaros falavam, os urubus bichos altivos mas sem dotes para o canto resolveram mesmo contra a natureza que havia de se tornar grandes cantores.
Abriram escolas e importaram professores, aprenderam


mi

sol

si
Encomendaram diplomas e combinaram provas entre si para escolher quais deles passariam a mandar nos demais a partir daí criaram concursos, inventaram títulos pomposos, cada urubuzinho aprendiz sonhava um dia se tornar um ilustre urubu titular afim de ser chamado por vossa excelência.
Passaram-se décadas arte que a patética harmonia dos urubus maestros foi abalada com a invasão da floresta por canários tagarelas, que faziam coro com periquitos festivos e serenatas com sabiás. Os velhos urubus encrespados entortaram o bico e convocaram canários e periquitos para um rigoroso inquérito:
cade os documentos de seus concursos?
Indagaram, e os pobres passarinhos se olharam assustados... Nunca haviam freqüentado escola de canto pois o canto nascera com eles.
Seu canto era tão natural que nunca se preocuparam em provar que sabiam cantar naturalmente cantavam
Não, não, não assim não pode, cantar sem os documentos devidos é um desrespeito a ordem, bradaram os urubus.
E em um nisoro expulsaram da floresta os inofensivos passarinhos que ousavam cantar sem alvarás...

Moral da história: em terra de urubus diplomados não se ouve os cantos dos sabiás