O dito da vez


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A explosiva descoberta
Ainda me atordoa.
Estou cego e vejo.
Arranco os olhos e vejo

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Carlos Drummond de Andrad

4 de mar de 2009

Peleja



“Eu queria apenas passar na rua em paz”

Ser o “eu” de minhas vontades
Levadas por vontades alheias
Alheias a tudo que se diz luz
Miséria miserente
Imposta
Deposta
Apostas?
Não sei se apostando virarei o que desejo
Mais é só no risco que arisca
Os goles de vida
Limpa, pura, justa
Suja nas vielas da noite sem luar
Pois com luar, a coisa muda
Justa posta
E não impostas?
Modelamos? Somos modelados?
Vivemos ou somos comidos?
Se pelo menos toda essa comilança fosse antropofágica!
Ah! Digestão nefasta...
Infesta a mão-de-obra
Mas a mão faz festa
Manifesta-se, na intensa sensatez incessante.
De
Ser
Ter
e
Ser visto!
Sujeito de sua vida
.
km
.

Um comentário:

Shlomit Or * Luciana Gama disse...

Km

Kilometros e Kilometros em poética.

Pernas em festa também.

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dizeres

JUSTIÇA

JUSTIÇA

Agora uma fabulazinha

Me falaram sobre uma floresta distante onde uma história triste aconteceu no tempo em que os pássaros falavam, os urubus bichos altivos mas sem dotes para o canto resolveram mesmo contra a natureza que havia de se tornar grandes cantores.
Abriram escolas e importaram professores, aprenderam


mi

sol

si
Encomendaram diplomas e combinaram provas entre si para escolher quais deles passariam a mandar nos demais a partir daí criaram concursos, inventaram títulos pomposos, cada urubuzinho aprendiz sonhava um dia se tornar um ilustre urubu titular afim de ser chamado por vossa excelência.
Passaram-se décadas arte que a patética harmonia dos urubus maestros foi abalada com a invasão da floresta por canários tagarelas, que faziam coro com periquitos festivos e serenatas com sabiás. Os velhos urubus encrespados entortaram o bico e convocaram canários e periquitos para um rigoroso inquérito:
cade os documentos de seus concursos?
Indagaram, e os pobres passarinhos se olharam assustados... Nunca haviam freqüentado escola de canto pois o canto nascera com eles.
Seu canto era tão natural que nunca se preocuparam em provar que sabiam cantar naturalmente cantavam
Não, não, não assim não pode, cantar sem os documentos devidos é um desrespeito a ordem, bradaram os urubus.
E em um nisoro expulsaram da floresta os inofensivos passarinhos que ousavam cantar sem alvarás...

Moral da história: em terra de urubus diplomados não se ouve os cantos dos sabiás