O dito da vez


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A explosiva descoberta
Ainda me atordoa.
Estou cego e vejo.
Arranco os olhos e vejo

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Carlos Drummond de Andrad

3 de mar de 2009

Terras Tupiniquins em meados do séc. XX


“Se as artes são os espelhos da ética, a do nosso século não atinge a dos antigos helenos, apesar das centúrias que deles nos separam.
Exemplo frisante no-lo oferece a construção aventino, que se refere nas negras chaminés de Londres e nos grotescos raspa-céus de Nova Iorque. E melhor exemplo no-lo oferecem as construções nos bairros mais populosos das grandes urbes, nas vilas ou arraiais, onde a generalidade dos edifícios são cubículos sem ar e sem luz, ou toscos simulacros de choupanas, construído com desperdícios de madeira, de folha-de-frandes, ou com frangalhos imundos apanhado nos logradouros em que se escoam os detritos das provações.
São estas as jóias que Viena, Budapeste, Lisboa, Madri, Rio de Janeiro, Buenos Aires, etc., etc., expões ao mundo civilizado e ... para os civilizados em matéria arquitetônica.”

(Florentino de Carvalho)





“O ‘habitante’ desapareceu para dar lugar ao ‘inquilino’ moderno pária do proprietário particular ou ‘público’ ”

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JUSTIÇA

JUSTIÇA

Agora uma fabulazinha

Me falaram sobre uma floresta distante onde uma história triste aconteceu no tempo em que os pássaros falavam, os urubus bichos altivos mas sem dotes para o canto resolveram mesmo contra a natureza que havia de se tornar grandes cantores.
Abriram escolas e importaram professores, aprenderam


mi

sol

si
Encomendaram diplomas e combinaram provas entre si para escolher quais deles passariam a mandar nos demais a partir daí criaram concursos, inventaram títulos pomposos, cada urubuzinho aprendiz sonhava um dia se tornar um ilustre urubu titular afim de ser chamado por vossa excelência.
Passaram-se décadas arte que a patética harmonia dos urubus maestros foi abalada com a invasão da floresta por canários tagarelas, que faziam coro com periquitos festivos e serenatas com sabiás. Os velhos urubus encrespados entortaram o bico e convocaram canários e periquitos para um rigoroso inquérito:
cade os documentos de seus concursos?
Indagaram, e os pobres passarinhos se olharam assustados... Nunca haviam freqüentado escola de canto pois o canto nascera com eles.
Seu canto era tão natural que nunca se preocuparam em provar que sabiam cantar naturalmente cantavam
Não, não, não assim não pode, cantar sem os documentos devidos é um desrespeito a ordem, bradaram os urubus.
E em um nisoro expulsaram da floresta os inofensivos passarinhos que ousavam cantar sem alvarás...

Moral da história: em terra de urubus diplomados não se ouve os cantos dos sabiás