O dito da vez


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A explosiva descoberta
Ainda me atordoa.
Estou cego e vejo.
Arranco os olhos e vejo

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Carlos Drummond de Andrad

18 de abr de 2009


Na existência de hábitos conscientes e a reflexão constante de si para o mundo e sobre o mundo, constituindo-se em virtudes, observamos que o ser humano se vê diante de várias obrigações e direitos quando se encontra no campo da ética. Sempre em busca do bem para si e do bem para os outros.
Porém uma coisa importante a observar é que esta idéia de ética não existe na maior parte da sociedade e principalmente na minoria que rege todo o resto, quando observamos isso adentrando na perspectiva do sistema capitalista globalizado contemporâneo.
A minoria dominante promove a moral domesticadora da sociedade para que não seja assim perceptiva a falta de compromisso daqueles que deveriam dar o exemplo. O exemplo da realização dos deveres em detrimento dos direitos. Excluindo a ética das relações sociais, para dominar a liberdade.
Quando internalizado no indivíduo a idéia de que todos os sujeitos agentes de uma sociedade são responsáveis por tudo dentro dela, quando se vive em comunidade, compartilhando todas as coisas do mundo, em seguida já se procede à consciência do dever de cada um e de que a individualidade egoísta fica fora de cogitação para o crescimento social.
O ser humano não é de todo bom, nem de todo mal, contudo deve enxergar-se como agente julgador da melhor maneira de gerar as melhores das atitudes nas situações do dinâmico cotidiano das relações sociais.
Não estamos isentos de atingir os outros com nossas ações e opiniões, por vezes tudo pode se tornar um reflexo do que realmente somos e procuramos ser. Como nos diz Fernando Pessoa (1888-1935), “O Universo não é uma idéia minha; a minha idéia do Universo é que é uma idéia minha”. Porém a minha idéia, digo já, não será inteiramente minha, pois quando exposta, vivida, presente em tudo meu, será vista por todos que me rodeiam.
O problema se encontra na alienação dos fatos históricos. Alguns resultados de acontecimentos passados ainda predominam na sociedade em sua atuação dinâmica e mecânica, pelo conformismo de muitos em virtude da preguiça em ser cidadão dos deveres. E tudo converge para que não exista a consciência do povo, tudo favorece a reafirmação de sempre subestimá-lo, fazendo com que estes comprovem a sua própria subestimação, repetindo e concretizando bordões imperialistas.
Podemos nos perguntar até quando e não saberíamos responder, pois todas as respostas de certeza não têm nada em função de solucionar a crise ética. Uma sociedade que não percebe sua liberdade através da ética, nunca olhará para si mesma como estando em uma crise ética ...
.km.

Um comentário:

Aura Sacra Fames disse...

Onde esta a ética? Substituiu-se a solidariedade pelo lucro, esquecemos de conhecer a nós mesmos.

Abraços
aurasacrafames.blogspot.com
Por uma sociedade diferente!

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JUSTIÇA

JUSTIÇA

Agora uma fabulazinha

Me falaram sobre uma floresta distante onde uma história triste aconteceu no tempo em que os pássaros falavam, os urubus bichos altivos mas sem dotes para o canto resolveram mesmo contra a natureza que havia de se tornar grandes cantores.
Abriram escolas e importaram professores, aprenderam


mi

sol

si
Encomendaram diplomas e combinaram provas entre si para escolher quais deles passariam a mandar nos demais a partir daí criaram concursos, inventaram títulos pomposos, cada urubuzinho aprendiz sonhava um dia se tornar um ilustre urubu titular afim de ser chamado por vossa excelência.
Passaram-se décadas arte que a patética harmonia dos urubus maestros foi abalada com a invasão da floresta por canários tagarelas, que faziam coro com periquitos festivos e serenatas com sabiás. Os velhos urubus encrespados entortaram o bico e convocaram canários e periquitos para um rigoroso inquérito:
cade os documentos de seus concursos?
Indagaram, e os pobres passarinhos se olharam assustados... Nunca haviam freqüentado escola de canto pois o canto nascera com eles.
Seu canto era tão natural que nunca se preocuparam em provar que sabiam cantar naturalmente cantavam
Não, não, não assim não pode, cantar sem os documentos devidos é um desrespeito a ordem, bradaram os urubus.
E em um nisoro expulsaram da floresta os inofensivos passarinhos que ousavam cantar sem alvarás...

Moral da história: em terra de urubus diplomados não se ouve os cantos dos sabiás