O dito da vez


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A explosiva descoberta
Ainda me atordoa.
Estou cego e vejo.
Arranco os olhos e vejo

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Carlos Drummond de Andrad

30 de mai de 2009

Naifada


A transformação começa pela linguagem
Mansa, forte, trovões
Rajadas de ditos
Sobre axiomas, hematomas
Falemos sobre vísceras
As verdades escondidas
Por serem simples forma de expressar pensamentos
Sentimentos que vão contra a ordem moral;
Mas imoral já dita e feita!
Por entre homens
Fiquemos nus
Despidos de [pré]conceitos colônias
Acordar sem ser colônia
Pensar no “eu” presente
No meio social onde os amos se emporcalham
Entre papeis verdes e notas frias
Vivamos o hoje sem medo de fantasmas
Que venham [re]ações
E que estas sejam
[re]ativas...
Raios e trovões
Guardem o veneno
Para a digestão verborrágica!
"Que o raio o parta!"
divida-se em milhares e plorifere a mais impura poesia

Km

28 de mai de 2009

Quem és tu?


Entre seres, sais-te.
(justa)mente
Certamente, ameis sua nobre causa
sofre, luta
Certamente oprimido
Justamente corajoso!
.km.





Imagem: Yuko Shimizo

25 de mai de 2009

Receptáculos


Entre os anos 1820 e final dos anos 1900, pensadores da educação desenvolveram um conjunto de teorias pedagógicas e idéias que vieram a ser chamadas de “libertárias”. Desde lá, estas teorias tem inspirado muitos experimentos, atividades, programas e outras teorias educacionais. Porém, estas teorias, desenvolvidas sob o signo do anarquismo, têm sido negligenciadas ou até mesmo ignoradas pelos educadores; percebe-se pouca ou quase nula preocupação em devotar tempo ao estudo destas correntes nas licenciaturas.

Suas idéias encontram-se “esquecidas”, devido à falta de conhecimento, proveniente de preconceitos criados ao redor da palavra anarquismo, distorcido por conceitos do senso comum, imaginação popular e, principalmente, devido às campanhas ideológicas,”[...]um amplo processo de perseguição pelos aparelhos de Estado, que não se contentavam em acabar com as escolas, mas quiseram acabar também com sua memória [...]”(GALLO, 1995, p.14).

Aracely Mehl Gonçalves

Mesmo negando a realidade educacional livre, ela existe e sempre existirá...

23 de mai de 2009

21 de mai de 2009

A diversidade do movimento anarquista mundo afora


[Acontecerá nos próximos dias em diversas partes do mundo uma série de eventos libertários que espalham a luta, a intensidade, a vibração, a história e a diversidade do movimento anarquista atual, que, "aos trancos e barrancos", segue crescendo paulatinamente. Na seqüência uma "pequena" mostra desta vivacidade anárquica.]


Brasil:

No Rio de Janeiro, nos dias 26 e 27 de maio, acontece o “Colóquio 200 Anos de Proudhon”. De acordo com os organizadore/as, a realização deste colóquio “visa apresentar este pensador aos setores dos movimentos sociais e comunidades acadêmicas que se interessem por ter contato com a vida e a obra de Proudhon, explorando diversos temas como: “Proudhon e a Dialética”, “O mito da classe produtiva em Proudhon”, “A Contribuição de Proudhon para o Brasil”, “Crítica à Propriedade pelo Movimentos Sociais”, “Proudhon e a Franco-Maçonaria”, “Proudhon e Educação”.
Mais infos: http://www.ifcs.ufrj.br/~amorj/

Ainda no Rio de Janeiro, no Centro de Cultura Social, no dia 23 de maio, acontecerá o lançamento do livro "Anarquismo Social", feito pela Federação Anarquista do Rio de Janeiro (FARJ), “após cinco breves, mas não menos intensos anos de luta política e social”. A obra lietrária passa por diversos temas: anarquismo social; luta de classes e relações centro-periferia; breve história do anarquismo no Brasil; perda e tentativa de retomada do vetor social do anarquismo; capitalismo e Estado; a revolução social e o socialismo libertário como objetivos finalistas; os movimentos sociais e a organização popular. Na ocasião também será inaugurado o cine-clube “Tiê-Sangue”, com a exibição de filmes produzidos pelos coletivos de produção visual “Tiê-Sangue” e “Bucaneiro”. Durante o evento comes e bebes.

Mais infos:
www.farj.org


agência de notícias anarquistas-ana


Ventos exibidos,
que cantam fortes, uivantes,
também desafinam...

Leila Míccolis

19 de mai de 2009

A vida também é conseqüência!



Ele

Não consigo morrer, disse a bela dona
Mais escute
Viver a mim também é impossível
Como “viverei” nesta semi-vida
Nem viva nem morta
Arquejando a salvação?
Sentindo o cheiro do inferno?

Não

Pensando em como cheguei
Neste lampejo de semi-vida
Escolhas impensadas
“Felicidades” momentâneas
_ora! Todos são_
Então me retrato

E o que doe não são as veias estouradas
E sim a consciência
Tudo poderia ter sido diferente...

Aceitar o erro enobrece a dor
Esse ardor de impotência
Diante desta (vida!?)
Que desvanece dentro de mim
Projeto
Gente
Pessoa
Humano – perdido talvez

Na incerteza do fim
Que sempre chega
Vou puxando toda essa carcaça
Na certeza incerta da derradeira hora.

.km.

18 de mai de 2009



Pela liberdade
não só por ela, mais também dentro dela
zona livre é o que define www...



Informe-se
http://naosouumnumero.blogspot.com/

16 de mai de 2009

dilema


Viver é morrer as avessas
Revelar o sepulcro
É morrer durante o dia
E dizer que vive...

Sujeito malacabado!

Minha vó dizia:
Seja gente menina
Ué vó, eu sou que?
Só um projeto
arquejando a fome
como leito?

Vivendo como se não soubesse o que é a vida,
essa coisa que esta sendo dentro de nós
nós que sois vós
se tornando eles
que dizem eu sou!

Tanta inflamação
Deixa compulsões
Soltas no caminho

E a garganta
Essa ainda entala.
.km.

13 de mai de 2009


Hoje é dia
Hoje é dia de urubu
Por detrás
A carniça
Mais a água lava
Passa e cheira

O hoje se passa e se torna ontem
O amanhã ainda estou vendo...
.km.

9 de mai de 2009

Fizesse?


O não fazer
É algo fazer
Fazer se faz mesmo sem querer
Esse é o perigo...
Melhor querer saber
O que se quer fazer

km

JUSTIÇA

JUSTIÇA

Agora uma fabulazinha

Me falaram sobre uma floresta distante onde uma história triste aconteceu no tempo em que os pássaros falavam, os urubus bichos altivos mas sem dotes para o canto resolveram mesmo contra a natureza que havia de se tornar grandes cantores.
Abriram escolas e importaram professores, aprenderam


mi

sol

si
Encomendaram diplomas e combinaram provas entre si para escolher quais deles passariam a mandar nos demais a partir daí criaram concursos, inventaram títulos pomposos, cada urubuzinho aprendiz sonhava um dia se tornar um ilustre urubu titular afim de ser chamado por vossa excelência.
Passaram-se décadas arte que a patética harmonia dos urubus maestros foi abalada com a invasão da floresta por canários tagarelas, que faziam coro com periquitos festivos e serenatas com sabiás. Os velhos urubus encrespados entortaram o bico e convocaram canários e periquitos para um rigoroso inquérito:
cade os documentos de seus concursos?
Indagaram, e os pobres passarinhos se olharam assustados... Nunca haviam freqüentado escola de canto pois o canto nascera com eles.
Seu canto era tão natural que nunca se preocuparam em provar que sabiam cantar naturalmente cantavam
Não, não, não assim não pode, cantar sem os documentos devidos é um desrespeito a ordem, bradaram os urubus.
E em um nisoro expulsaram da floresta os inofensivos passarinhos que ousavam cantar sem alvarás...

Moral da história: em terra de urubus diplomados não se ouve os cantos dos sabiás