O dito da vez


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A explosiva descoberta
Ainda me atordoa.
Estou cego e vejo.
Arranco os olhos e vejo

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Carlos Drummond de Andrad

19 de mai de 2009

A vida também é conseqüência!



Ele

Não consigo morrer, disse a bela dona
Mais escute
Viver a mim também é impossível
Como “viverei” nesta semi-vida
Nem viva nem morta
Arquejando a salvação?
Sentindo o cheiro do inferno?

Não

Pensando em como cheguei
Neste lampejo de semi-vida
Escolhas impensadas
“Felicidades” momentâneas
_ora! Todos são_
Então me retrato

E o que doe não são as veias estouradas
E sim a consciência
Tudo poderia ter sido diferente...

Aceitar o erro enobrece a dor
Esse ardor de impotência
Diante desta (vida!?)
Que desvanece dentro de mim
Projeto
Gente
Pessoa
Humano – perdido talvez

Na incerteza do fim
Que sempre chega
Vou puxando toda essa carcaça
Na certeza incerta da derradeira hora.

.km.

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JUSTIÇA

JUSTIÇA

Agora uma fabulazinha

Me falaram sobre uma floresta distante onde uma história triste aconteceu no tempo em que os pássaros falavam, os urubus bichos altivos mas sem dotes para o canto resolveram mesmo contra a natureza que havia de se tornar grandes cantores.
Abriram escolas e importaram professores, aprenderam


mi

sol

si
Encomendaram diplomas e combinaram provas entre si para escolher quais deles passariam a mandar nos demais a partir daí criaram concursos, inventaram títulos pomposos, cada urubuzinho aprendiz sonhava um dia se tornar um ilustre urubu titular afim de ser chamado por vossa excelência.
Passaram-se décadas arte que a patética harmonia dos urubus maestros foi abalada com a invasão da floresta por canários tagarelas, que faziam coro com periquitos festivos e serenatas com sabiás. Os velhos urubus encrespados entortaram o bico e convocaram canários e periquitos para um rigoroso inquérito:
cade os documentos de seus concursos?
Indagaram, e os pobres passarinhos se olharam assustados... Nunca haviam freqüentado escola de canto pois o canto nascera com eles.
Seu canto era tão natural que nunca se preocuparam em provar que sabiam cantar naturalmente cantavam
Não, não, não assim não pode, cantar sem os documentos devidos é um desrespeito a ordem, bradaram os urubus.
E em um nisoro expulsaram da floresta os inofensivos passarinhos que ousavam cantar sem alvarás...

Moral da história: em terra de urubus diplomados não se ouve os cantos dos sabiás