O dito da vez


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A explosiva descoberta
Ainda me atordoa.
Estou cego e vejo.
Arranco os olhos e vejo

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Carlos Drummond de Andrad

23 de jul de 2009

Sexualidade


Para nossa sexualidade tornar-se algo normal em nossa vida, da maneira natural que ele é, é preciso primeiramente vencer a barreira da linguagem carregada de preconceitos, para assim modificar velhos hábitos que muitas vezes não são saudáveis para o nosso desenvolvimento psicossexual. “O pudor moderno obteria que não se falasse dele, exclusivamente por intermédio de proibições que se completam mutuamente: mutismo que, de tanto calar-se, impõe silencio, censura” (FOUCAULT, 1999, p.21).

Essa modificação na linguagem ou até mesmo coragem perdida de falar-se sobre sexualidade nos traz conseqüências sociais graves no decorrer dos séculos que esta cultura do silencio nos impõe.

O que vemos hoje são nossas crianças perdendo a infância por conseqüência de séculos de historia de imposições perpetuada pelos mais velhos as crianças, as impedindo de conhecer-se completamente por questões preconceituosas e muitas vezes mal resolvidas, nossos jovens perdendo a juventude tornando-se “adultos” por conseqüência de gravidez precoce, por exemplo, sem falar nas doenças sexualmente transmissíveis e dos possíveis distúrbios psicológicos que toda essa castração e aceleração sem sentido pode proporcionar. A relevância de abordar na escola de maneira pedagógica a sexualidade se torna visível diante desta realidade social, levando em consideração que a escola é vida não um recorte dela.

No decorrer da história da humanidade alguns sentimentos como vergonha, até mesmo preconceito e também por conseqüência da repressão quando o assunto é sexo e sexualidade ficaram marcados em nossa cultura.

Quando os adultos são abordados pela curiosidade natural das crianças sobre sexualidade a vergonha logo aparece, nos mostrando quanto precisamos re-aprender a conversar sobre este assunto, inventamos historias de fadas e cegonhas e damos o assunto por resolvido. Mas, estamos muito longe da solução se não tivermos atitudes verdadeiras com nossas crianças, pois a verdade é muito mais interessante.

Falar que as crianças são feitas por adultos é um começo, ora “gente pequena é feita por gente grande”, mostrar a crianças as semelhança e particularidades do corpo feminino e masculino ajudará em sua compreensão, assim teremos um ponto de partida real para os anseios e curiosidades infantis.

Respeitar a idade e a idéia da criança sobre este assunto é importante, é necessário aos meninos e meninas saber que conforme elas vão crescendo seu corpo também cresce e passa por mudanças, fazendo-se necessário aos pais, educadores e todos os adultos que cercam o cotidiano das crianças serem verdadeiros e ajudar o desenvolvimento infantil também na compreensão de sua sexualidade já que está parte é indissociável de nós seres humanos.

O prazer é umas das coisas que nos motivam a viver e construir nossas vidas, negar isso é impedir um desenvolvimento saudável para nossas crianças.
karina meireles

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JUSTIÇA

JUSTIÇA

Agora uma fabulazinha

Me falaram sobre uma floresta distante onde uma história triste aconteceu no tempo em que os pássaros falavam, os urubus bichos altivos mas sem dotes para o canto resolveram mesmo contra a natureza que havia de se tornar grandes cantores.
Abriram escolas e importaram professores, aprenderam


mi

sol

si
Encomendaram diplomas e combinaram provas entre si para escolher quais deles passariam a mandar nos demais a partir daí criaram concursos, inventaram títulos pomposos, cada urubuzinho aprendiz sonhava um dia se tornar um ilustre urubu titular afim de ser chamado por vossa excelência.
Passaram-se décadas arte que a patética harmonia dos urubus maestros foi abalada com a invasão da floresta por canários tagarelas, que faziam coro com periquitos festivos e serenatas com sabiás. Os velhos urubus encrespados entortaram o bico e convocaram canários e periquitos para um rigoroso inquérito:
cade os documentos de seus concursos?
Indagaram, e os pobres passarinhos se olharam assustados... Nunca haviam freqüentado escola de canto pois o canto nascera com eles.
Seu canto era tão natural que nunca se preocuparam em provar que sabiam cantar naturalmente cantavam
Não, não, não assim não pode, cantar sem os documentos devidos é um desrespeito a ordem, bradaram os urubus.
E em um nisoro expulsaram da floresta os inofensivos passarinhos que ousavam cantar sem alvarás...

Moral da história: em terra de urubus diplomados não se ouve os cantos dos sabiás