O dito da vez


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A explosiva descoberta
Ainda me atordoa.
Estou cego e vejo.
Arranco os olhos e vejo

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Carlos Drummond de Andrad

31 de ago de 2009

Sec. XXI


[Turquia] Convite: Aguardamos ver você na fogueira da resistência!

Porta vozes e burocratas de corporações multinacionais capitalistas estarão em Istambul, Turquia, nos dias 6 e 7 de outubro para o Encontro Anual dos “Chefões” de governos, do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional (FMI), onde eles vão tomar decisões que podem afetar e destruir vidas de bilhões de pessoas.

Sem dúvida, isso será mais uma reunião para defender as regalias e benefícios dos governantes capitalistas, eles discutirão pacotes econômicos, políticas de austeridade e protecionistas, assim como acordos constitucionais onde somente adicionarão mais um elo dentro da cadeia de exploração para o futuro dos pobres e do planeta em que vivemos.

Experimentos de primeira viagem na Argentina, Jamaica, Nigéria, Quênia e qualquer outro lugar provaram há muito tempo que as políticas do Banco Mundial e do FMI não trouxeram nenhum beneficio além da otimização da exploração. O FMI e o Banco Mundial, cabeças da arquitetura capitalista global, são instrumentos primordiais na exclusão dos pobres de suas origens e lares, centralizando toda economia nas grandes metrópoles, comercializando e monopolizando, e até mesmo privatizando os recursos naturais, como água, petróleo e minérios a algumas corporações internacionais. Tais políticas também prejudicam a agricultura local com as políticas de agricultura neoliberal, de monocultura industrial, subdividindo e conseqüentemente desunindo as classes de trabalhadores com a criação de novas leis trabalhistas.

13.000 agentes do governo e possivelmente mais patrulhas policiais estão destacadas para protegê-los, estarão andando entre nós durante os dias do encontro. Esses dias provavelmente serão um inferno. Buscas policiais, controles de identidade, bloqueio nas ruas, cerceamentos e por aí vai.

Vamos mostrar a eles o que realmente é um inferno. Nosso fogo será o terror deles!

Convocamos todos para uma semana de protestos, resistência global e ações contra o FMI e o Banco Mundial entre os dias 1 e 8 de outubro. Em Istambul estamos planejando organizar oficinas, exibição de filmes, palestras e atividades contra o FMI e o Banco Mundial. Teremos acomodações para aqueles que vêm de outras cidades e de outros países. Se você quer participar das preparações e do processo de mobilização, por favor, entre em contato conosco pelo endereço: direnistanbul@gmail.com.

Para receber informações regulares e atualizações sobre as preparações visitem o nosso sítio eletrônico:

http://resistanbul.wordpress.com/ (Inglês)

http://direnistanbul.wordpress.com/ (Turco)

Nos dias de Resistência, nós todos esperamos aumentar a solidariedade internacional, esperamos a cooperação de pessoas de outros países!

Autonomia do povo contra o capitalismo global!

Acrescente sua voz no grito contra o capitalismo nacional e internacional!

Tradução > Marcelo Yokoi




agência de notícias anarquistas-ana


galho partido

depois da tempestade

caminho de formigas

Alexandre Brito

28 de ago de 2009

Wiki


Cherge: Simon

Século XX
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.


O século XX representou um gigante salto na história da humanidade

O século XX foi o período de cem anos iniciado em 1 de janeiro de 1901 e terminado em 31 de dezembro de 2000 que se notabilizou pelos inúmeros avanços tecnológicos, conquistas da civilização e reviravoltas em relação ao poder. No entanto, esses anos podem ser descritos como a "época dos grandes massacres", já que nunca se matou tanto como nos conflitos ocorridos no período. Em muitos países da Europa e da Ásia, o século XX também foi largamente apelidado de "Século Sangrento". O historiador Eric Hobsbawn considera, de maneira figurada, o século XX como o período entre a eclosão da Primeira Guerra Mundial, em 1914, e o colapso da URSS, em 1991. Hobsbawn chama esse período de Era dos Extremos.

27 de ago de 2009

Agência de noticias anarquistas - ANA


Enquanto a economia global fica moribunda, uma série de grandes projetos de desenvolvimento capitalista, como a construção de apartamentos de luxo e complexos comerciais, que estavam ameaçando as nossas casas e bairros, são colocados em stand-by.

Mas, ao mesmo tempo, este novo ciclo de "crise" do capitalismo, gera milhares de desempregados, sufocados por dívidas e sob um risco iminente de serem expulsos de suas casas. Em vez de abrigar os pobres, em muitos espaços vazios ou cancelar as suas dívidas, os governos socorrem os bancos para salvar este sistema podre e reprimir aqueles que resistem.

Enquanto resistência ficamos na defensiva por muito tempo, e é a hora de conduzir a luta, atacando o capitalismo onde ele está frágil e quebrando as correntes, para ocupar casas e criar espaços em que podemos rejeitar relações de mercado, partilhando conhecimentos adquiridos através da luta, numa dinâmica ofensiva.

De Dijon a Berlim, em dezenas de locais onde as atividades ocorreram em defesa dos squatters e espaços autônomos, em abril de 2008, novos grupos foram formados, as redes têm se intensificado, mais e mais pessoas estão envolvidas em lutas.

Enquanto movimento, acreditamos que o poder e a dominação devem ser combatidos de várias maneiras - apelamos a ações descentralizadas, coordenadas e de confronto em 18 e 19 de setembro de 2009.

Organizemos a nossa revolta!

Ocupemos, resistamos, criemos!

Apelo lançado após o encontro inter-squatter britânico que teve lugar em Bristol, nos dias 14 e 15 março de 2009.

http://squatmeet09.wordpress.com/

24 de ago de 2009

UM PEIXE




Um pedaço de trapo que fosse
Atirado numa estrada
Em que todos pisam
Um pouco de brisa
Uma gota de chuva
Uma lágrima
Um pedaço de livro
Uma letra ou um número
Um nada, pelo menos
Desesperadamente nada.


Pagu

21 de ago de 2009

Pronunciamento libertário sobre os acontecimentos na Amazônia




Pretendem que a gente viva uma farsa. O poder opressor (Capital, Estado etc.) não somente utiliza da violência física para nos controlar, mas também cria uma jaula invisível chamada “normalidade” para se apoderar do pensamento e das aspirações dos dominados, impedindo-os de ver a possibilidade de sua própria libertação. Quem desobedecer será sancionado socialmente como sonhador ou subversivo. Os meios de comunicação também são armas: disparam cortinas de fumaça para desviar a nossa atenção, e assim esquecemos as injustiças cotidianas. A imprensa maquia os fatos, os transforma em mercadoria, banaliza a morte. Por isso, enquanto as pessoas eram assassinadas em Bagua, rapidamente o sistema tratou, em primeiro plano, de fazer um teatro, exaltando novas glórias esportivas, com manchetes repletas de fervor patriótico: o vermelho da bandeira peruana se sobrepondo ao vermelho do sangue dos mortos no conflito ainda não resolvido na Amazônia.

O regime pretende ocultar que ainda existem centenas de desaparecidos, dezenas de presos, famílias desconsoladas, comunidades incompletas, pois, no ataque policial, muitos daqueles que fugiram ainda não voltaram. As arbitrariedades nas prisões são as coisas mais comuns. Pretendem provocar a desmoralização das pessoas para acabar com anos de luta e organização, mas, apesar da repressão, os povos amazônicos seguem dispostos a lutar.

Não, não defendemos a soberania nacional, se isto significa propriedade do Estado e domínio de sua burguesia local. Somos partidários da administração direta das comunidades, de sua capacidade de autogestão. Somos contra o desenvolvimento cego e a indústria depredadora, é o momento de formular formas radicalmente distintas de convivência, sem exploração do homem e da natureza. Não atacamos a empresa transnacional por ser estrangeira, mas sim por ser exploradora, capitalista. A luta amazônica não foi provocada pelo chavismo ou outros supostos agitadores. Estas são mentiras do governo que quer encontrar falsos culpados e negar a capacidade das comunidades de atuarem por si mesmas. Defendemos a autonomia dos povos e desejamos espaços livres de contaminação não somente no Peru, mas em todo o mundo. Este conflito não é uma guerra de “Estados imperialistas” contra suas Neo-colônias, o Capital usa qualquer bandeira (o inimigo também se veste de vermelho e branco) por isso compreendemos que, para nos liberar, é inútil falar de “pátria”.

Não se trata de manter espaços para o turismo ou de uma saudade cafona do bom selvagem. As comunidades indígenas possuem seus próprios conflitos. Não idealizamos, simplesmente somos solidários contra o inimigo comum. O poder opressor tem atacado sem dó, tem matado, continua matando e pretende que a gente olhe para outro lado para que possa prosseguir impunemente. Esta luta é a luta de todos, e se hoje são os indígenas amazônicos, amanhã pode ser qualquer um o “desaparecido”, pois o Estado e o Capital são o mundo da não-troca, da homogeneidade repressiva que cospe em nós se tivermos a ousadia de questioná-los. Para este mundo, somente existimos como objetos, como mercadoria, somos descartáveis.

Lutemos. Vamos opor a essa normalidade homogeneizante a nossa diversidade crítica. Sejamos a negação dessa farsa. Como dizem os zapatistas no México: Se neste mundo não cabemos, então outro mundo terá que ser feito.

Anarquistas em Lima

Sábado,15 de agosto de 2009.

Tradução > Marcelo Yokoi

agência de notícias anarquistas-ana


Deitado de costas
o besouro agita as pernas
Parece nadar


Eunice Arruda

9 de ago de 2009

Não fiques entre os preceitos da ordem

Uma caneca de vinho
Um pernil de cordeiro
E vós
Ao meu lado
Bagunçando nas
Trevas

“Surrealismo objetiva a transformação
total da mente e tudo que se liga a ela”.
-Breton

6 de ago de 2009

Ficarás tão adiantado agora, meu leitor, como se não lesses essas palavras, destinadas a não ser lidas.





UM CADÁVER DE POETA

Levem ao túmulo aquele que parece um cadáver! Tu não pesaste sobre a ferra: a terra te seja leve!

L. UHLAND


I

De tanta inspiração e tanta vida
Que os nervos convulsivos inflamava
E ardia sem conforto.. .
O que resta? uma sombra esvaecida,
Um triste que sem mãe agonizava . .
Resta um poeta morto!


O DESCONHECIDO

—Obrigado. Guardai as vossas jóias.
Tancredo o trovador morreu de fome;
Passaram lhe no corpo frio e morto,
Salpicaram de lodo a face dele,

Talvez cuspissem nesta fronte santa
Cheia outrora de eternas fantasias,
De idéias a valer um mundo inteiro!...
Por que lançar esmolas ao cadáver?
Leva as, fidalga—tuas jóias belas!

O orgulho do plebeu as vê sorrindo.
Missas... bem sabe Deus se neste mundo
Gemeu alma tão pura como a dele!
Foi um anjo, e murchou se como as flores,
Morreu sorrindo como as virgens morrem!
Alma doce que os homens enjeitaram,
Lírio que profanou a turba imunda,
Oh! não te mancharei nem a lembrança
Com o óbolo dos ricos! Pobre corpo,
És o templo deserto, onde habitava
O Deus que em ti sofreu por um momento!
Dorme, pobre Tancredo! eu tenho braços:
Na cova negra dormirás tranqüilo. . .
Tu repousas ao menos!. . . —

No entanto sofreando a custo a raiva,
Mordendo os lábios de soberba e fúria,
Solfier da bainha arranca a espada,
Avança ao moço e brada lhe:

"Insolente!
Cala te, doudo! Cala te, mendigo!
Não vês quem te falou? Curva o joelho,
Tira o gorro, vilão!"

Alvares de Azevedo in Poemas Malditos

3 de ago de 2009

Sem querer fazer literatura



Seja[mos] menos puritanos e vamos ser mais honestos, (essa é a vida comum) qualidade de nuvens traz as falhas, exibem um -- eles não sabem, mas são os gurus da rodada. É necessário aos seres animados pagar toda sua vida por momento único de efervescência? O que fez com que o livre arbítrio se desfizesse?
Re-som conceitos, descargas para trapaceiros e hipócritas, nada mais. Por objetivo
privar-se para regulamentar o que tem escapado de tantos séculos de opressão? Vamos, pois, uma vez por todas, sentir-se homem para além de qualquer regulamentação de liberdade e o que for necessário para permitir a mais completa expansão.
O mais estranho é como aqueles que passam por aqui, parecendo atacados por uma paralisia inconsciente, fecham seus sentidos e ignoram tudo isso. Diante dessa sordidez unânime que de um lado se baseia no sórdido e de outro na missa, outros ritos psíquicos, não há delírio em passear à noite com um chapéu coroado por doze velas para pintar uma paisagem natural;
Quanto à mão assada, trata-se de heroísmo puro e simples; quanto à orelha cortada, pura lógica direta, e repito, um mundo que, cada vez mais, noite e dia, come o incomível para fazer sua maléfica vontade de alcançar seus objetivos não tem outra alternativa nessa questão a não ser calar a boca, ou então, viveremos no avesso e esse então será nosso verdadeiro lugar.

. 03-07-09

JUSTIÇA

JUSTIÇA

Agora uma fabulazinha

Me falaram sobre uma floresta distante onde uma história triste aconteceu no tempo em que os pássaros falavam, os urubus bichos altivos mas sem dotes para o canto resolveram mesmo contra a natureza que havia de se tornar grandes cantores.
Abriram escolas e importaram professores, aprenderam


mi

sol

si
Encomendaram diplomas e combinaram provas entre si para escolher quais deles passariam a mandar nos demais a partir daí criaram concursos, inventaram títulos pomposos, cada urubuzinho aprendiz sonhava um dia se tornar um ilustre urubu titular afim de ser chamado por vossa excelência.
Passaram-se décadas arte que a patética harmonia dos urubus maestros foi abalada com a invasão da floresta por canários tagarelas, que faziam coro com periquitos festivos e serenatas com sabiás. Os velhos urubus encrespados entortaram o bico e convocaram canários e periquitos para um rigoroso inquérito:
cade os documentos de seus concursos?
Indagaram, e os pobres passarinhos se olharam assustados... Nunca haviam freqüentado escola de canto pois o canto nascera com eles.
Seu canto era tão natural que nunca se preocuparam em provar que sabiam cantar naturalmente cantavam
Não, não, não assim não pode, cantar sem os documentos devidos é um desrespeito a ordem, bradaram os urubus.
E em um nisoro expulsaram da floresta os inofensivos passarinhos que ousavam cantar sem alvarás...

Moral da história: em terra de urubus diplomados não se ouve os cantos dos sabiás