O dito da vez


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A explosiva descoberta
Ainda me atordoa.
Estou cego e vejo.
Arranco os olhos e vejo

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Carlos Drummond de Andrad

3 de ago de 2009

Sem querer fazer literatura



Seja[mos] menos puritanos e vamos ser mais honestos, (essa é a vida comum) qualidade de nuvens traz as falhas, exibem um -- eles não sabem, mas são os gurus da rodada. É necessário aos seres animados pagar toda sua vida por momento único de efervescência? O que fez com que o livre arbítrio se desfizesse?
Re-som conceitos, descargas para trapaceiros e hipócritas, nada mais. Por objetivo
privar-se para regulamentar o que tem escapado de tantos séculos de opressão? Vamos, pois, uma vez por todas, sentir-se homem para além de qualquer regulamentação de liberdade e o que for necessário para permitir a mais completa expansão.
O mais estranho é como aqueles que passam por aqui, parecendo atacados por uma paralisia inconsciente, fecham seus sentidos e ignoram tudo isso. Diante dessa sordidez unânime que de um lado se baseia no sórdido e de outro na missa, outros ritos psíquicos, não há delírio em passear à noite com um chapéu coroado por doze velas para pintar uma paisagem natural;
Quanto à mão assada, trata-se de heroísmo puro e simples; quanto à orelha cortada, pura lógica direta, e repito, um mundo que, cada vez mais, noite e dia, come o incomível para fazer sua maléfica vontade de alcançar seus objetivos não tem outra alternativa nessa questão a não ser calar a boca, ou então, viveremos no avesso e esse então será nosso verdadeiro lugar.

. 03-07-09

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JUSTIÇA

JUSTIÇA

Agora uma fabulazinha

Me falaram sobre uma floresta distante onde uma história triste aconteceu no tempo em que os pássaros falavam, os urubus bichos altivos mas sem dotes para o canto resolveram mesmo contra a natureza que havia de se tornar grandes cantores.
Abriram escolas e importaram professores, aprenderam


mi

sol

si
Encomendaram diplomas e combinaram provas entre si para escolher quais deles passariam a mandar nos demais a partir daí criaram concursos, inventaram títulos pomposos, cada urubuzinho aprendiz sonhava um dia se tornar um ilustre urubu titular afim de ser chamado por vossa excelência.
Passaram-se décadas arte que a patética harmonia dos urubus maestros foi abalada com a invasão da floresta por canários tagarelas, que faziam coro com periquitos festivos e serenatas com sabiás. Os velhos urubus encrespados entortaram o bico e convocaram canários e periquitos para um rigoroso inquérito:
cade os documentos de seus concursos?
Indagaram, e os pobres passarinhos se olharam assustados... Nunca haviam freqüentado escola de canto pois o canto nascera com eles.
Seu canto era tão natural que nunca se preocuparam em provar que sabiam cantar naturalmente cantavam
Não, não, não assim não pode, cantar sem os documentos devidos é um desrespeito a ordem, bradaram os urubus.
E em um nisoro expulsaram da floresta os inofensivos passarinhos que ousavam cantar sem alvarás...

Moral da história: em terra de urubus diplomados não se ouve os cantos dos sabiás