O dito da vez


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A explosiva descoberta
Ainda me atordoa.
Estou cego e vejo.
Arranco os olhos e vejo

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Carlos Drummond de Andrad

30 de set de 2009

Ai de mim, que não pude aguentar tanto amor


Arte: Paolo


Como pode destino tão cruel
A vida se mostra como um dejavú
Escolhida, colhida e assombrada,
Por vontades enterradas
Negadas.

Quanto de culpa tenho nisso?

[Dês]Cortez
A nossa nova onda considerada moderna nestes tempos pós-modernos
É a comilança; que de nada nos uni...

“Obesos!” Vamos caminhando até onde podemos
(dane-se)

Agora o que vejo é a falta de tato para as “coisas humanas”
Essa obesidade ociosa da cultura do “para um bom entendedor meia palavra basta”, me soa cheia de hipocrisia vestindo roupas da enfadada liberdade.

Gostaríamos de criar novos conceitos, mas a modernidade nos sufoca de tal maneira que nos achamos o dono da razão

Tolos!
(ainda desmiusados)
Nossa cultura definitivamente exala covardia?!

.km.

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JUSTIÇA

JUSTIÇA

Agora uma fabulazinha

Me falaram sobre uma floresta distante onde uma história triste aconteceu no tempo em que os pássaros falavam, os urubus bichos altivos mas sem dotes para o canto resolveram mesmo contra a natureza que havia de se tornar grandes cantores.
Abriram escolas e importaram professores, aprenderam


mi

sol

si
Encomendaram diplomas e combinaram provas entre si para escolher quais deles passariam a mandar nos demais a partir daí criaram concursos, inventaram títulos pomposos, cada urubuzinho aprendiz sonhava um dia se tornar um ilustre urubu titular afim de ser chamado por vossa excelência.
Passaram-se décadas arte que a patética harmonia dos urubus maestros foi abalada com a invasão da floresta por canários tagarelas, que faziam coro com periquitos festivos e serenatas com sabiás. Os velhos urubus encrespados entortaram o bico e convocaram canários e periquitos para um rigoroso inquérito:
cade os documentos de seus concursos?
Indagaram, e os pobres passarinhos se olharam assustados... Nunca haviam freqüentado escola de canto pois o canto nascera com eles.
Seu canto era tão natural que nunca se preocuparam em provar que sabiam cantar naturalmente cantavam
Não, não, não assim não pode, cantar sem os documentos devidos é um desrespeito a ordem, bradaram os urubus.
E em um nisoro expulsaram da floresta os inofensivos passarinhos que ousavam cantar sem alvarás...

Moral da história: em terra de urubus diplomados não se ouve os cantos dos sabiás