O dito da vez


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A explosiva descoberta
Ainda me atordoa.
Estou cego e vejo.
Arranco os olhos e vejo

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Carlos Drummond de Andrad

13 de set de 2009


Um dia escutei que
“O livre arbítrio era um presente de Deus ao homem!”
, segundo determinado pensamento cristão apesar da liberdade que Deus nos permite através do livre-arbítrio. Uma coisa é ter o livre-arbítrio, outra é usar ele para seu bel-prazer e não para o prazer daquele que o concede.
Essa afirmativa pela concepção de uma religião cristã me fez observar a questão de uma forma diferente (minha reação). Pude perceber que esta “dádiva” seria cobrada até o fim de nossas vidas, ou a eterna servidão, ou o inferno, por este temido motivo de não agradar a este “certo Deus de nossas vontades”, já destinadas por ele, nas quais são moldadas, no que é certo e no que é errado na sua definição como se a verdade estivesse declarada.

Não posso querer? Não posso querer questionar isso? Pois se considerarmos esse pensamento como verdadeiro a vontade de outro sempre será minha vontade me anulando como “sujeito” criativo que constrói minha própria historia. E o que seria da liberdade sem o questionamento sem ao menos pensarmos a respeito dos motivos, das causas de tais situações? É tudo simplesmente a vontade de Deus ou a fraqueza do pecador? Essa banalização do ser em servo, do cidadão ao consumo, da educação a pura técnica nos leva a pensar sobre a idéia de livre arbítrio e liberdade.
km

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JUSTIÇA

JUSTIÇA

Agora uma fabulazinha

Me falaram sobre uma floresta distante onde uma história triste aconteceu no tempo em que os pássaros falavam, os urubus bichos altivos mas sem dotes para o canto resolveram mesmo contra a natureza que havia de se tornar grandes cantores.
Abriram escolas e importaram professores, aprenderam


mi

sol

si
Encomendaram diplomas e combinaram provas entre si para escolher quais deles passariam a mandar nos demais a partir daí criaram concursos, inventaram títulos pomposos, cada urubuzinho aprendiz sonhava um dia se tornar um ilustre urubu titular afim de ser chamado por vossa excelência.
Passaram-se décadas arte que a patética harmonia dos urubus maestros foi abalada com a invasão da floresta por canários tagarelas, que faziam coro com periquitos festivos e serenatas com sabiás. Os velhos urubus encrespados entortaram o bico e convocaram canários e periquitos para um rigoroso inquérito:
cade os documentos de seus concursos?
Indagaram, e os pobres passarinhos se olharam assustados... Nunca haviam freqüentado escola de canto pois o canto nascera com eles.
Seu canto era tão natural que nunca se preocuparam em provar que sabiam cantar naturalmente cantavam
Não, não, não assim não pode, cantar sem os documentos devidos é um desrespeito a ordem, bradaram os urubus.
E em um nisoro expulsaram da floresta os inofensivos passarinhos que ousavam cantar sem alvarás...

Moral da história: em terra de urubus diplomados não se ouve os cantos dos sabiás