O dito da vez


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A explosiva descoberta
Ainda me atordoa.
Estou cego e vejo.
Arranco os olhos e vejo

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Carlos Drummond de Andrad

8 de dez de 2009

Dinamarca reforça o seu poder de polícia contra manifestantes “radicais”


[Na Dinamarca, foi aprovada uma nova legislação que aumenta as penas de prisão por atos de desobediência civil e dá amplos poderes de detenção à polícia. Anarquistas e ecologistas radicais estão na “lista negra” das forças da ordem e não são bem-vindos na Conferência sobre Mudanças Climáticas das Nações Unidas (COP 15) de Copenhague, que começou na manhã de ontem.]


Dias atrás o parlamento dinamarquês, dominado por liberais e conservadores, com o apoio de partidos de direita, aprovou uma nova legislação que reforça os poderes da polícia em manifestações públicas. Esta lei, proposta pelo Ministério da Justiça, visa estabelecer sanções judiciais para evitar “excessos” durante as duas semanas da conferência da ONU sobre mudanças climáticas. O ponto alto das mobilizações será o evento internacional de 12 de dezembro.

A nova lei dá amplos poderes à polícia, permitindo a prisão preventiva de ativistas e elevando as penas contra as ações de desobediência civil. A polícia dinamarquesa poderá prender manifestantes durante um período de doze horas (contra seis anteriormente), se eles suspeitarem que estes desejem “quebrar a lei”.

Se a polícia considerar que os manifestantes têm perturbado o bom andamento do seu trabalho, poderá prendê-los por até 40 dias, após a decisão de um promotor de justiça. Também multas por atos de desobediência civil (agrupamentos após a dispersão de uma manifestação, por exemplo) aumentaram drasticamente. Podia chegar a 403 €, agora pode chegar a € 603.

O ministro da Justiça dinamarquês, Brian Mikkelsen, membro do Partido Conservador, disse a um jornal local que o governo tem a responsabilidade de tomar medidas contra aqueles que desejam sabotar o trabalho da polícia e da democracia. "Nós sabemos recentemente, através da internet, que os ativistas anarquistas estão planejando ações violentas durante a conferência. E nós queremos ter ao nosso dispor um quadro legal sólido e coerente diante da agitação civil".

“Lista negra” da polícia

Anarquistas e ecologistas radicais, e mesmo pacifistas, do exterior devem se preparar para ser rejeitados na fronteira dinamarquesa durante a cúpula do clima. O risco é especialmente alto se ele estiver no “lista negra” da polícia.

"O problema é que [os anarquistas] se escondem entre os manifestantes pacíficos. Então eu não vou negar que pode haver várias pessoas [pacíficas] presas por engano. Mas temos que correr esse risco se queremos evitar problemas", disse um funcionário de alto escalão em matéria de controle das fronteiras da Dinamarca a um jornal local.

A polícia acredita que “na maioria dos casos será capaz de distinguir entre ativistas pela paz e desordeiros, simplesmente porque os guardas de fronteira sabem apontar se ele ou ela se assemelha a um ativista criminoso”, contou o funcionário, acrescentando: "Nós não julgamos as pessoas pela sua aparência, mas consideramos outros fatores também. O controle não é dirigido contra as pessoas comuns, mas contra aqueles que apenas querem promover a violência e o vandalismo".

A polícia dinamarquesa não tem claras as características definitivas dos tipos de ativistas que estão em sua “lista negra”, mas alguns pontos listados são:

"Se você vier com a adesão de um grupo que não reconhece as regras democráticas em nossa sociedade, como anarquistas, vamos dizer não, obrigado pela visita. Não há nenhuma razão para perguntar sobre violência e vandalismo”.

"Trabalhamos em conjunto com outras polícias, e se os ativistas são conhecidos nos registros internacionais, como alguns que participaram de motins, eles também não estão autorizados a entrar”.

“Também vão ser recusado o acesso de ativistas com armas, máscaras de gás, ou qualquer coisa que indique que você irá participar de uma manifestação”.

agência de notícias anarquistas-ana




Nos bambus já escuros,
morcegos, daqui, dali,
também sem destinos.
Alexei Bueno

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JUSTIÇA

JUSTIÇA

Agora uma fabulazinha

Me falaram sobre uma floresta distante onde uma história triste aconteceu no tempo em que os pássaros falavam, os urubus bichos altivos mas sem dotes para o canto resolveram mesmo contra a natureza que havia de se tornar grandes cantores.
Abriram escolas e importaram professores, aprenderam


mi

sol

si
Encomendaram diplomas e combinaram provas entre si para escolher quais deles passariam a mandar nos demais a partir daí criaram concursos, inventaram títulos pomposos, cada urubuzinho aprendiz sonhava um dia se tornar um ilustre urubu titular afim de ser chamado por vossa excelência.
Passaram-se décadas arte que a patética harmonia dos urubus maestros foi abalada com a invasão da floresta por canários tagarelas, que faziam coro com periquitos festivos e serenatas com sabiás. Os velhos urubus encrespados entortaram o bico e convocaram canários e periquitos para um rigoroso inquérito:
cade os documentos de seus concursos?
Indagaram, e os pobres passarinhos se olharam assustados... Nunca haviam freqüentado escola de canto pois o canto nascera com eles.
Seu canto era tão natural que nunca se preocuparam em provar que sabiam cantar naturalmente cantavam
Não, não, não assim não pode, cantar sem os documentos devidos é um desrespeito a ordem, bradaram os urubus.
E em um nisoro expulsaram da floresta os inofensivos passarinhos que ousavam cantar sem alvarás...

Moral da história: em terra de urubus diplomados não se ouve os cantos dos sabiás