O dito da vez


Cquote1.svg

A explosiva descoberta
Ainda me atordoa.
Estou cego e vejo.
Arranco os olhos e vejo

Cquote2.svg
Carlos Drummond de Andrad

29 de dez de 2010

Perguntando ao Lobão

Uma reflexão para nossas cabeças!!!
[Re]ative-se

.

28 de dez de 2010

Para 2011 muita coragem...

[Itália] Chamado de solidariedade e coordenação do portal italiano uniriot entre os movimentos estudantis emergentes na Europa


Não é necessário ser o “homem do tempo” para saber como sopra o vento: ocupações de universidades em toda a Europa, bloqueios de cidades, manis furiosas, raiva. Esta é a resposta de uma geração a qual querem cortar o futuro com dívidas para estudar, cortando o estado de bem-estar e aumentar as matrículas.

A determinação de milhares de estudantes em Londres; a fúria daqueles que invadiram o prédio do Senado italiano, contra a austeridade e os cortes na educação, abriram o tempo atual: acontece porque o futuro é algo que se ganha na rua e começa quando se decide, coletivamente, enfrentar o risco e lutar.

As lutas extraordinárias que estamos vivendo têm a capacidade de mostrarmos um presente com uma intensidade que excede a linha do tempo, que rejeita nossa condição precária: é um assalto ao futuro!

Não queremos cair em dívidas; não queremos pagar mais taxas pra estudar em Londres ou em Paris, Viena, Roma, Atenas, Madri, Dublin, Lisboa... Este movimento europeu rejeita as políticas econômicas, recusando-se a entrar em dívida com estes políticos miseráveis. Que se vayan todos!

O que está acontecendo hoje em Roma, surge de Atenas e Paris, seguido de Dublin e Londres: é o surgimento de um movimento que fala uma língua comum, uma mesma geração de jovens revoltados, que habitam diferentes cidades, mas que partilham da mesma determinação para lutar, flutuar como uma borboleta e picar como uma abelha.

Temos que nos reunir e inventar uma nova “gramática política” contra a fraqueza do Estado-nação e sua estratégia para encarar a crise: sua receita é somente a austeridade, cortes e dívida.

Na Itália, não só temos ocupado universidades como também bloqueado auto-estradas e a mobilidade dentro do país para estender a luta além das fronteiras nacionais e chegar à Europa e além. A agitação das lutas está viva no Book Bloc e nas furiosas manifestações de Londres, Paris e Roma.

Neste outono estamos vivendo um movimento estudantil verdadeiramente europeu, que é diferente, radical e realmente heterogêneo. Suas reivindicações comuns vêm de uma forma de protesto que nasceu em meio a crise, e que representa a forma de resposta mais corajosa. É uma luta composta de diferentes lutas, épocas heterogêneas que reivindica mais cadeiras para estudantes e uma universidade pública para todos.

No Book Bloc, uma nova geração tem sido reconhecida e encontrou-se a si mesma no protesto. Hoje, em muitas cidades, o movimento estudantil italiano está demonstrando mais que solidariedade: é porque sua luta é nossa luta, e os estudantes de toda a Europa estão contra o aumento das taxas, da privatização da universidade e os cortes na educação. Você nas está sozinho no Reino Unido: um marco europeu, uma nova geração que não quer parar. Temos a força para mudar o mundo e temos a inteligência para fazê-lo. Este é só o começo!

Propomos aos estudantes, pesquisadores, trabalhadores precários e os estudantes de pós-graduação trabalharmos juntos em um encontro europeu no início de 2011, para continuar a luta e transformar este vento em uma tempestade!

Uniriot Roma

Mais infos: http://www.uniriot.org/

agência de notícias anarquistas-ana

sombras pelo muro:
a borboleta passa
seguindo a anciã...

Rosa Clement

16 de dez de 2010

Pior que tá, FICA, cada vez mais!!


Em votação relâmpago, deputados e senadores aprovam aumento de R$ 10 mil em seus salários.
Segue o link da lista da bagaça parlamentaresca que votaram por salarios surreais a ralidade brasileira, onde uma grande parcela da população necessita de uma bolsa esmola para sobreviver A Lista

8 de dez de 2010

Pensava-se que o cotidiano...


Pensava-se que o cotidiano só era expresso por poetas, artistas, pintores romancistas... Contudo, viu-se o verdadeiro interesse sobre o cotidiano, através da atenção do estado e da produção capitalista de bens de consumo gerindo o cotidiano, detendo o controle da informação, conduzindo nossa liberdade.
...
Levando o homem ao “sedentarismo intelectual”, transformando-o num robô, com capacidade voraz para o consumismo, e eficiência produtiva, se esquecendo de sua condição de sujeito cidadão. Deixando-se levar por este cotidiano alienante perdemos nossa identidade cultural e social, vê-se a importância de um estudo sobre o cotidiano, numa visão política, não apenas social e cultural, sendo um campo vasto para exploração.
Visto que o real poder na modernidade são as relações sociais, sendo assim, a revolução terá que ser vivida no cotidiano pelas classes oprimidas.

30 de nov de 2010

Tudo já foi dito uma vez, mas como ninguém escuta é preciso dizer de novo.


A desigualdade social acontece quando a distribuição de renda é feita de forma diferente sendo que a maior parte fica nas mãos de poucos. No Brasil a desigualdade social é uma das maiores do mundo. Por esses acontecimentos existem jovens vulneráveis hoje principalmente na classe de baixa renda, pois a exclusão social os torna cada vez mais supérfluos e incapazes de ter uma vida digna. Muitos jovens de baixa renda crescem sem ter estrutura na família devido a uma série de conseqüências causadas pela falta de dinheiro sendo: briga entre pais, discussões diárias, falta de estudo, ambiente familiar precário, educação precária, más instalações, alimentação ruim, entre outros.

O fato é que, as autoridades são as principais causadoras desse processo de desigualdade que causa exclusão e que gera violência. É preciso que pessoas de alto escalão projetem uma vida mais digna e com oportunidades de conhecimento para pessoas com baixa renda para que possam trabalhar e ter o sustento do lar entre outros.

22 de nov de 2010

8 de nov de 2010

DEFINIÇÃO DE ANARQUIA - Erico Malatesta


Anarquia é uma palavra grega que significa literalmente "sem governo", isto é, o estado de um povo sem uma autoridade constituída.


Antes que tal organização começasse a ser cogitada e desejada por toda uma classe de pensadores, ou se tornasse a meta de um movimento, que hoje é um dos fatores mais importantes do atual conflito social, a palavra "anarquia" foi usada universalmente para designar desordem e confusão. Ainda hoje, é adotada nesse sentido pelos ignorantes e pelos adversários interessados em distorcer a verdade.


Não vamos entrar em discussões filológicas, porque a questão é histórica e não filológica. A interpretação usual da palavra não exprime o verdadeiro significado etimológico, mas deriva dele. Tal interpretação se deve ao preconceito de que o governo é uma necessidade na organização da vida social.


O homem, como todos os seres vivos, se adapta às condições em que vive e transmite , através de herança cultural, seus hábitos adquiridos. Portanto, por nascer e viver na escravidão, por ser descendente de escravos, quando começou a pensar, o homem acreditava que a escravidão era uma condição essencial à vida. A liberdade parecia impossível. Assim também o trabalhador foi forçado, por séculos, a depender da boa vontade do patrão para trabalhar, isto é, para obter pão. Acostumou-se a ter sua própria vida à disposição daqueles que possuíssem a terra e o capital. Passou a acreditar que seu senhor era aquele que lhe dava pão, e perguntava ingenuamente como viveria se não tivesse um patrão.


Da mesma forma, um homem cujos membros foram atados desde o nascimento, mas que mesmo assim aprendeu a mancar, atribui a essas ataduras sua habilidade para se mover. Na verdade, elas diminuem e paralisam a energia muscular de seus membros.


Se acrescentarmos ao efeito natural do hábito a educação dada pelo seu patrão, pelo padre, pelo professor, que ensinam que o patrão e o governo são necessários; se acrescentarmos o juiz e o policial para pressionar aqueles que pensam de outra forma, e tentam difundir suas opiniões, entenderemos como o preconceito da utilidade e da necessidade do patrão e do governo são estabelecidos. Suponho que um médico apresente uma teoria completa, com mil ilustrações inventadas, para persuadir o homem com membros atados, que se libertar suas pernas não poderá caminhar, ou mesmo viver. O homem defenderia suas ataduras furiosamente e consideraria todos que tentassem tirá-las inimigo.


Portanto, se considerarmos que o governo é necessário e que sem o governo haveria desordem e confusão, é natural e lógico, que a anarquia, que significa ausência de governo, também signifique ausência de ordem.
Existem fatos paralelos na história da palavra. Em épocas e países onde se considerava o governo de um homem (monarquia) necessário, a palavra "república" (governo de muitos) era usada exatamente como "anarquia", implicando desordem e confusão. Traços deste significado ainda são encontrados na linguagem popular de quase todos os países. Quando essa opinião mudar, e o público estiver convencido de que o governo é desnecessário e extremamente prejudicial, a palavra "anarquia", justamente por significar "sem governo" será o mesmo que dizer "ordem natural, harmonia de necessidades e interesses de todos, liberdade total com solidariedade total".

Portanto, estão errados aqueles que dizem que os anarquistas escolheram mal o nome, por ser esse mal compreendido pelas massas e levar a uma falsa interpretação. O erro vem disso e não da palavra. A dificuldade que os anarquistas encontram para difundir suas idéias não depende do nome que deram a si mesmos. Depende do fato de que suas concepções se chocam com os preconceitos que as pessoas têm sobre as funções do governo, ou o "Estado” com é chamado.

-Errico Malatesta in anarquia, 1907.

5 de nov de 2010

mal, bom, feio ou belo... pura estética?!


No frio intenso desta noite sem luar
Vê-se uma velha a maldizer:
o homem é mal!
Que palavra dura a se generalizar...
Palavra assim prefere não usar, pois não tem nada a dizer.
Bom, mau, bonito...
Qual o sentido chamar de feio um besouro?

24 de out de 2010

O TRABALHO COMO ILUSÃO E COMO PERVERSÃO



"A cada porcaria que sai de minha boca
eu me sinto mais limpo"
Pierre Louys


O desemprego, longe de caracterizar um problema social, bem que poderia ser o sinal ou o signo de que, finalmente, a humanidade caminha para sua emancipação. Mas não.
Os próprios desempregados, manipulados e mobilizados pela TV, pelos sindicatos, associações e igrejas de todos os matizes, vão às ruas exigir nada mais nada menos do que trabalho.Queremos trabalhar! Queremos trabalhar! Queremos trabalhar!!!Já os que trabalham, quando fazem greve, a intenção não é a conquista do lazer, mas pelo contrário, o fortalecimento dos vínculos com o trabalho e a solidificação das garantias de que estarão empregado por toda a vida. A grande maioria, para o cúmulo da perversidade, faz de tudo para permanecer trabalhando depois de aposentada, dando a impressão de que a própria escravidão se torna vício, de que o ócio sufoca e, por fim, de que o homem faz de tudo para e com os outros, no intuíto de jamais deparar-se consigo mesmo.De tudo o que os gregos e romanos escreveram, o que mais fascina ee exatamente o desprezo que (de Heródoto e Xenofonte a Cícero) sempre expressaram pelo trabalho. Para eles, que haviam herdado esse saber dos egípcios, o trabalho pertencia por direito aos escravos, e eram tão rigorosos nisto, que não permitiam nem mesmo que suas mulheres costurassem, ou tecessem, para não rebaixar sua nobreza.Em sua famosa «Econômica», Xenofonte afirma que as pessoas que se entregam ao trabalho manual não alcançam jamais uma boa posição. Cícero, por sua vez, falando dos ofícios, estava seguro que aqueles que ofereciam seu trabalho em troca de dinheiro, além de vender a si mesmos como prostitutos, se colocavam na categoria de párias.Na obra de Marx (desse homem que recopilou sutilmente os gregos), o que existe de mais interessante é o projeto que prevê não apenas uma melhora nas relações de trabalho (como entendem os sectários), mas a possibilidade de suprimi-lo e de riscá-lo definitivamente do mapa. Nesse particular, por mais ridículo que pareça, é necessário reconhecer que grande parte da elite e da aristocracia mundial, sem necessariamente ser marxista, parece ter conquistado o que ele tanto teorizava, já que não trabalha há mil anos. Já que não fazem nada. Conquistaram o direito de permanecer afastados do trabalho para sempre, mergulahos no ócio, na preguiça, nas banheiras e nas pilhas de dólares. Quando fazem alguma coisa, é mais para exercer o poder ou para desatrofiar a memória. Investem em relojoarias, em lojinhas, em clínicas, em criações de vacas, em garimpos, em frotas de caminhões, em bazares, jóias, fábricas, fazendas, imóveis e outras porcarias que o populacho necessita. Investem sem sair de suas mansões e ficam de longe computando os dividendos, privatizando os mais variados bens do planeta, jogando baralho e vivenciando na prática, o marxismo utópico. Para esses barões do ócio, as duas instituições que na contemporaneidade são o símbolo máximo de toda filosofia greco-romana se chamam: Bolsa de valores e Club Mediterrané.Oito, sete, seis, cinco horas da manhã!


O mundo proletário acorda o mais cedo possível para ligar as turbinas de sua servidão, preso e iludido pelos antigos dogmas e pelo antigo moralismo de que só o trabalho enobrece e dignifica. Mas enobrece como, se a própria nobreza nunca trabalhou? Dignifica como, se na imensidão da turba trabalhadora só se pode perceber humilhação e escravismo?É imensamente doloroso passar pelos fundos das construções, lá pelas três horas da tarde, na hora em que o sol derrete o cérebro, e ver a dedicação e o martírio desses homens que dão suas vidas em troca de uns grãos de arroz e da promessa falsa de que o trabalho eleva.

No Conjunto Nacional, apesar do tipo dos trabalhadores ser outro, o drama é o mesmo: chefetes, subalternos, autônomos e outros gêneros de escravos , com roupas de mórmons, que correm em alta velocidade, que desfilam de lá para cá como se fossem donos de alguma coisa ou como se o planeta estivesse em chamas. As calças suadas no traseiro, olheiras de abatimento e uma falsa serenidade na fala enquanto lá na calçada, um carro forte espera, para transportar ao banco os lucros do dia...Nos ministérios o tédio e a solidão tornam a jornada de oito horas ainda mais vil. O relógio, o calendário, a folha de ponto, a cumplicidade com os governos de turno que, de tão tenebrosos, nem sequer permanecem na história... E a tudo isto se costuma chamar trabalho. Os ônibus chegam de longe trazendo homens e mulheres sonolentos que exibem um crachá no peito e que entram monotonamente nos prédios, em filas, marchando, como se estivessem a caminho do matadouro, e que vão consagrar seu tempo e sua vida na edificação de um mundo absurdo que não lhes diz respeito em nada...E é impressionante observar que praticamente todas as sociedades ditas modernas, padecem desse mal. Do mal de trabalhar e de fazer trabalhar.

Hoje são oito horas, mas ontem chegaram a ser vinte. As correntes foram substituídas pelos relógios e a náusea trabalhista pela ilusão ingênua de que o trabalho, além de tudo é também um truque terapêutico.Para isto, lógico, existem os sociólogos, os psicólogos, os administradores e os vigias que garantem o condicionamento e a ordem, para que o teatro produtivo não se degenere em «vagabundagem».
No lugar da paixão a produção.

E depois, por mais sutil que seja seu funcionamento, a ordem repressiva tem no trabalho e nas regras que o regulamentam o melhor de seus instrumentos. Para quem aceita servil o peso das 44 horas semanais, alguém sem rosto e sem identidade lhe concederá um título de cidadania. Aos outros, aos que, pela razão que for, descambarem para a preguiça e para o ócio, a mesma entidade se apressará em sufocá-los.Ah, o trabalho, o suor e a fadiga!

No campo de Concentração Nazi de Theresienstadt, na Bohème, os prisioneiros podiam ler: Le travail c¹est la liberté.

Mentira. Quem trabalha o faz sempre para um patrão, seja ele pessoa física ou jurídica. Num extremo o antigo opressor feudal, no outro o santo Estado moderno. Apesar dos disfarces, o discurso é o mesmo.

Entre os antigos regimes com campos de trabalho forçado e os governos neo-liberais da atualidade não há nada que seja verdadeiramente diferente. Confúcio, Nero, Mao-Tsé-Tung, Kennedy, a Encíclica Papal, o Fugimore e o Fernando Henrique, todos são sal de um mesmo saco, continuadores da mesma política e da mesma idiossincracia escravocrata. Para todos eles, de Poncio Pilatos a Strossner, o trabalho entra no cotidiano da existência invariavelmente como uma necessidade primordial. Mas todo mundo percebe que por debaixo de suas idéias e de seus discursos diplomáticos subjace sempre e sempre tanto a neurose da produção como a apologia da fadiga,Na essência, o trabalhador, por mais bronco que seja, intui que nada é mais abjeto e mais vil do que o trabalho... mas, estranhamente, permanece nele e em sua jaula, como se estivesse perdido num transe hipnótico. Precisa comer! E esta compulsão pela comida faz do estômago o precursor de todas as escravidões. É por isso que a passagem dos alimentos, da natureza para os armazéns, foi o golpe definitico contra todas as possibilidades de autogestão.

E assim, século após século o inferno do trabalho não cessa, fazendo com que o circo da honradez laboral permaneça intacto, mesmo quando os sujeitos já não possuem mais nem sequer um nome, onde o tempo é tudo e onde cada um só vale pelos músculos que tem. Como não existem mais parâmetros éticos, ficam reduzidos a tolos alienados e cansados que sentem-se extremamente felizes com os sábados e com os domingos, quando podem, finalmente, repousar e esconder-se de um mundo que, sempre que pode, os degusta e os cospe...

Daí a importância de lembrar ­entre uma jornada e outra-, que o trabalho é a raíz de um mundo desenraizado; o crack do povo e o espírito capitalista de uma época decapitada, cujo paradoxo mais cínico é a tentativa de enriquecer toda a humanidade pauperizando todos os seus elementos.

Texto de: Ezio Flavio Bazzo

(Publicado em 1996, no jornal Fogo Cerrado, Brasília DF)

22 de out de 2010

Lapso

Imagem: Portinari (Retirantes)

“A era que virá há de nos mostrar o caos por detrás da lei.”
J. A. WHEELER


A MAIOR CONTRIBUIÇÃO de conhecimento do século XX foi o conhecimento dos limites do conhecimento. A maior certeza que nos foi dada é a da indestrutibilidade das incertezas, não somente na ação, mas também no conhecimento. “Um único ponto quase certo no naufrágio (das antigas certezas absolutas): o ponto de interrogação”, diz o poeta Salah Stétié.

19 de out de 2010

O que temos agora?


Imagem: Sandy Skoglund


Temos que despertar e viver, no exercício de uma autonomia que todo o passado nos obstaculizou...

Esse tal de Brasil novo!
De novidades tão antigas...


ps.
Coisa estranha de ver é como o ser humano se mostra tão ignorante de suas próprias coisas!

14 de out de 2010

A Teatralidade da Vida Amorosa

imagem: Sophie Delaporte


por Ezio Flavio Bazzo

O que se conhece por «relacionamento aberto» não é em sí nem melhor nem pior do que os relacionamentos tradicionais e monogâmicos, já que a questão fundamental de uma vida amorosa prazeirosa não passa pela forma, mas pelo conteúdo das relações. O que observamos na escuta clínica, é que as pessoas que conseguem relacionar-se bem com seu desejo, com seu corpo e com sua própria sexualidade, têm sempre maiores possibilidades de construir com o outro um relacionamento amoroso satisfatório, seja ele da forma que for.

É importante notar que o que muitas vezes está subjacente em relacionamentos abertos, é a incapacidade de separar-se. Quase sempre são relações que não têm mais nada de «amorosas», onde o casal de amantes transformou-se numa «sociedade»: sócios da casa, dos filhos, do carro, etc., e que acham mais cômodo não desfazer a parceria. Outras vezes, essa necessidade de ter relacionamentos paralelos, está ancorada na incapacidade de um ou outro parceiro (ou dos dois) de desfrutar prazeirosamente da própria sexualidade, ou por frigidez ou por impotência, por disputa sexual entre os parceiros, pela intromissão de fantasîas pré-genitais conflitivas durante o ato, por raiva inconsciente do desejo e do prazer do outro, etc. etc. Já que às vezes, as espectativas ou as exigências sexuais de um dos parceiros com quem se co-habita vão se transformando em formas insuportáveis de controle e de repressão sexual.

Considerando que o gozo feminino, ainda hoje, em pleno ano 2000, é ainda um tabu, e que a maioria absoluta das mulheres ainda não consegue gozar sem sentir-se culpada, degenerada e puta, a nível de discussão, poderia-se perguntar: até onde o «relacionamento aberto», ao invés de uma alternativa ao «casamento tradicional», não é mais um truque do mundo masculino para «remediar» a incompatibilidade amorosa doméstica?

Ezio Flávio Bazzo:
Escritor e Doutor em Psicologia Clínica. Autor de Vagabundo na China , Dymphne: a santa protetora dos loucos ; Ecce Bestia , Blasfematório , A Arte de Cuspir ou A Dialética dos Porcos , entre outros


http://home.yawl.com.br/hp/eziob/obras.html


* Publicado na Revista Classe A, 2000.

13 de out de 2010

[Brasil] Em novembro Porto Alegre será palco de uma feira do livro anarquista



Grupos como a editora Deriva, Imaginário, Imprensa Marginal, Antena Negra, Ação Antisexista, Federação Anarquista Gaúcha, entre outros coletivos e editoras, estarão participando e organizando a 1ª Feira do Livro Anarquista de Porto Alegre, nos dias 5, 6 e 7 de novembro, no Espaço Libertário Moinho Negro, rua Marcilio Dias, 1463. Na programação conversas em torno dos temas como "Anarquismo e Geografia", "Anarcologia e Protopia", "Feminismo e Anarquismo", lançamento de livros, filmes, exposições, oficinas, comida, confraternização...

A programação completa pode vista aqui: http://flapoa.deriva.com.br/

agência de notícias anarquistas-ana


No rio poluído
Uma grande surpresa -
Família de capivara.

Aline Moreira Silva, 14 anos

7 de out de 2010

In flores


Foto: Elisa Lazo de Valdez



Entre panelas
ele chega
pela porta
da cozinha
sussurrando delícia-malícia
entre pratos e panelas

mamãe
do fundo quente
do quarto de costura
diz para colocá-lo em
uma camisa de força

mas eu
entre pratos, pernas e panelas
e visto-lhe
uma camisa de vênus

não vamos nos afundar nas mesmisces estéries dos dicursos teóricos já conhecidos...


Imagem: Sophie Delaporte


A construção social das gerações se concretiza através do estabelecimento de valores morais e expectativas de conduta para cada uma delas, em diferentes etapas da história. Novas relações, por sua vez, determinam novos comportamentos das gerações, num movimento dialético e de retroalimentação permanente. É através dos séculos que nossa sociedade modela-se, logo, asa idéias do cristianismo ditavam a moral e os bons costumes de uma sociedade patriarcal, onde a mulher era considerada um adjetivo do homem.

Haverá sempre possibilidade para uma prática libertadora e realmente educativa, “si la liberdad es la esencia de la naturaleza humana y debe ser la base de todas las relaciones sociales, lógicamente debe estar presente como objetivo fundamental del proceso educativo (Ferrer y Guardia)”.

27 de set de 2010

Nem mesmo andando a pé...

O tempo não flui
Antes se amontoa
Em mantas de carne seca
Ajustando-se ao varejo...

Se meu querer vale a pena ao menos a mim
Por esse instante nego toda a inércia
A não percepção
O que meu olho sujo enxerga em baixo do balcão:

Querosene!
.km.


Foto: Ewa Brzozowska

14 de set de 2010

Existe política além do voto!


Para qualquer lado que nos voltemos, a época atual apresenta o espetáculo mais caóticos dos tumultos partidários, e os grandes homens do momento se reúnem, tais como abutres, ao redor da herança caduca do passado
Max Stirner

10 de set de 2010

Loucura



Perguntais-me como me tornei louco.

Aconteceu assim:

um dia, muito tempo antes
de muitos deuses terem nascido,
despertei de um sono profundo

e notei que todas as minhas máscaras tinham sido roubadas – as sete máscaras que eu havia confeccionado e usado em sete vidas – e corri sem máscara pelas ruas cheias de gente, gritando:

"Ladrões, ladrões, malditos ladrões!"

Homens e mulheres riram de mim

e alguns correram para casa, com medo de mim e quando cheguei à praça do mercado, um garoto trepado no telhado de uma casa gritou:

"É um louco!".

Olhei para cima, pra vê-lo.
O sol beijou pela primeira vez minha face nua.

Pela primeira vez, o sol beijava minha face nua, e minha alma inflamou-se de amor pelo sol, e não desejei mais minhas máscaras.

E, como num transe, gritei:

"Benditos, bendito os ladrões
que roubaram minhas máscaras!"
Assim me tornei louco.

E encontrei tanto liberdade como segurança em minha loucura: e a segurança de não ser compreendido, pois aquele desigual que nos compreende escraviza alguma coisa em nós.


(Khalil Gibran)

7 de set de 2010

[EUA] Entrevista com Mumia Abu-Jamal: “Sou um jornalista fora da lei”


[O jornalista Mumia Abu-Jamal continua preso no corredor da morte há quase 30 anos. Em 29 de agosto de 2010, a representante dos Repórteres sem Fronteiras em Washington DC, Clothilde Le Coz, o entrevistou no locutório número 17 da prisão da Pensilvânia, em Waynesburg, Condado de Greene.]


Pergunta > Como jornalista preso, de que tratam suas últimas observações e investigações?

Mumia Abu-Jamal < A população prisional estadunidense é a mais importante no mundo. Este ano, pela primeira vez em 38 anos, se reduziu. Algumas prisões como na Califórnia ou Michigan aceitam menos presos dado que estão super povoadas. Os financiamentos dos Estados são limitados e se libera alguns presos em função da situação econômica. Nos Estados Unidos, as prisões são grandes e o número de presos é imenso.

É impressionante ver quanto dinheiro o governo estadunidense gasta com tudo isto e até que ponto somos invisíveis. Ninguém o sabe. A maioria da população não se interessa pelo tema. Quando ocorre qualquer drama na prisão, alguns jornalistas dizem e acreditam que sabem de quem estão falando. Mas não é fiel a realidade: é puro sensacionalismo. Podem ser encontrados bons artigos, mas não refletem o que ocorre realmente. O que escrevo é o que tenho visto com meus próprios olhos e o que tem me sido dito. É verídico.

Meus artigos falam da realidade. Fundamentalmente, tratam todos do corredor da morte e da prisão. Eu gostaria que não fosse assim. Faz um ano e meio que estão ocorrendo uma série de suicídios entre os condenados a morte. Dei a informação com exclusividade sobre um suicídio porque ocorreu em meu bloco. Mas segue sendo invisível. Necessito escrever. Há milhões de histórias para contar e personagens excepcionais aqui. Entre as que decidi contar, elejo as mais importantes, comovedoras, frágeis… Decido escrevê-las, mas deve-se ter certa responsabilidade quando se conta este tipo de histórias. Espero que possam mudar o curso das coisas para as pessoas das quais eu falo.

Pergunta > Acredita que o fato de ser jornalista tem influenciado o curso de seu caso?

Mumia < Ser “A Voz dos sem voz” influiu de forma considerável. Na realidade, esta expressão foi tirada de um artigo do Philadelphia Inquirer publicado depois de minha detenção em 1981. Quando era adolescente, era um jornalista radical que trabalhava para a edição nacional do jornal dos Black Panthers. O FBI vigiava minhas publicações desde que tinha 14 anos. Ser jornalista foi meu primeiro trabalho. Sou muito mais famoso que outros detidos nos Estados Unidos pelo que escrevo. Se a situação fosse distinta, o tribunal federal de apelações quem sabe não haveria criado uma lei especial que influísse diretamente sobre minha condenação.

A maioria dos homens e das mulheres que se encontram no corredor da morte não são famosos. O fato de que siga escrevendo deve de ser algo que os juízes levaram em consideração e pelo qual mudaram a lei para que não me pudessem julgar novamente. Creio que pensavam: “Tu és um falador, não terás outro julgamento”. Se espera algo mais de um tribunal federal. E agora, por culpa de meu caso, outros doze podem ser prejudicados.

Pergunta > O que pensas da cobertura midiática de seu caso?

Mumia < Um dia li que já não estava no corredor da morte. Enquanto o lia, estava sentado aqui. Não saí nunca deste corredor, nem um segundo. Como sou do mesmo âmbito, muitos jornalistas não queriam cobrir meu caso por medo de que os criticassem. Tinham que se enfrentar das críticas segundo as que haviam sido parciais e às vezes seus redatores chefes os proibiam de cobrir o caso. Desde o princípio do mesmo, aos mais suscetíveis de cobri-lo, foi se proibido de fazê-lo. A maioria dos jornalistas com os que trabalhei já não exercem a profissão. Estes estão aposentados e ninguém os dá a mínima importância. Mas a imprensa teria que ter certa influência neste assunto. Milhões de pessoas viram o que ocorreu na prisão de Abu Ghraib. Seu diretor, que sorria nas fotos que foram publicadas, trabalhava aqui antes de ir para lá.

No corredor da morte, existem indivíduos sem nenhuma qualificação que podem decidir sobre a vida ou a morte de um detido. Por não sei que motivo, tem o poder de decidir a seu bel prazer se alguém come ou não. E ninguém questiona este poder. Há regras informais. Esses indivíduos podem converter a vida de alguém em um inferno com um simples gesto. Quando escolho as histórias que vou contar, não me falta inspiração nunca. Para um escritor, este é um ambiente rico. Não importa o que dizem meus detratores, sou jornalista. Este país seria muito pior sem jornalistas. Mas para muitos deles, sou um jornalista fora da lei. Antes da prisão, quando trabalhava para várias emissoras de rádio, conheci gente que vinha de todas as partes e apesar dos conflitos com alguns redatores chefes, exercia a profissão mais bonita.

Pergunta > O apoio que lhe tem sido dado na Europa é diferente do que tem nos Estados Unidos. Como explicas e acreditas que a mobilização internacional possa seguir te ajudando?

Mumia < Sim, segue sendo útil. No que diz respeito à pena de morte, a mobilização européia pode ter um impacto nos Estados Unidos. Os países estrangeiros, Europa em particular, estão marcados por uma história peculiar quanto a repressão. Sabem mais profundamente eles o que é a prisão. Sabem o que são a prisão, o corredor da morte e os campos de concentração. Nos Estados Unidos, pouca gente viveu esta experiência. Explica como as diferentes culturas aprendem o mundo. Na Europa, a idéia da pena de morte é um anátema.

O 11 de setembro de 2001 mudou muitas coisas nos Estados Unidos. Os opositores ao poder, os que discutiam sua legitimidade já não tem mais importância. Também mudou a imprensa. O que era aceitável chegou a ser inadmissível. Creio que o 11 de setembro modificou as formas de pensar na opinião pública e também os limites de tolerância dos meios de comunicação. Por exemplo, quando estavam ocorrendo os fatos do 11 de setembro em Manhattan e em Washington DC, a prisão fechou durante o dia inteiro aqui, na Pensilvânia. E estávamos totalmente isolados.

Pergunta > Para obter apoio, seria útil ter uma foto sua, atualmente, neste corredor da morte. O que você acha?

Mumia < Ter uma imagem pública só ajuda em parte. A essência de uma imagem é a propaganda. Assim que as fotos não são tão importantes. O que conta é a personalidade. E faço tudo o que posso. Em 1986, as autoridades penitenciarias confiscaram os gravadores dos jornalistas e só podiam ter um papel e uma caneta na mão. Agora que um artigo é o único vetor para lhe dar algum sentido à situação, o seu autor pode convertê-lo em um monstro ou em um modelo.

Pergunta > Se a Corte Suprema aceitar em lhe conceder um novo julgamento, só se revisaria sua pena e não sua condenação. Como imagina o fato de seguir em prisão perpétua se não lhe executarem?

Mumia < Na Pensilvânia, a prisão perpétua é uma execução em fogo lento. Segundo a lei do Estado, existem três graus de assassinatos. O primeiro se castiga com prisão perpétua ou pena de morte. O segundo e o terceiro grau com prisão perpétua. Não se sai daqui. E nesta prisão, temos a taxa de condenação juvenil à prisão perpétua mais elevada dos Estados Unidos. Mas eu gostaria de acrescentar que na Filadélfia, ocorreram dois casos na mesma época que o meu nos quais as pessoas foram julgadas pelo assassinato de um policial. A do primeiro caso foi absolvida. A segunda, ainda que tenha sido gravada com uma câmara de vigilância, não foi condenada a morte.

Pergunta > E como consegue “fugir” deste lugar?

Mumia < Eu escrevi sobre História, uma das minhas paixões. Eu gostaria muito de escrever a respeito de outras coisas. Meus últimos trabalhos tratam da guerra, mas também escrevo sobre cultura e música. Tenho um tempo interior que tento manter através da poesia e da percussão. Poucas coisas podem ser comparadas com o prazer que sinto aprendendo música. É como aprender um novo idioma. E constantemente eu me desafio a escrever em outro idioma! Uma professora de música vem aqui a cada semana e me ensina. Um mundo novo se oferece a mim e agora o conheço um pouco mais. A música é uma das coisas mais bonitas que o ser humano já criou. O melhor de nossas vidas.

• Para apoiar Mumia Abu-Jamal entrar em contato com Law Offices of Robert R. Bryan 2088 Union Street, Suite 4, San Francisco, CA 94123-4117 http://www.MumiaLegalDefense.org ou http://es.rsf.org/petition-mumia-abu-jamal,37071.html

Tradução > Juvei


agência de notícias anarquistas-ana

Ruídos nas ramas.
Trêmulo, meu coração detem-se
e chora na noite...

Matsuo Bashô

4 de set de 2010

O sentido da vida é amar?


Imagem: Cardines



[...]A construção social das gerações se concretiza através do estabelecimento de valores morais e expectativas de conduta para cada uma delas, em diferentes etapas da história. Novas relações, por sua vez, determinam novos comportamentos das gerações, num movimento dialético e de retroalimentação permanente. É através dos séculos que nossa sociedade modela-se, logo, as idéias do cristianismo ditavam a moral e os bons costumes de uma sociedade patriarcal, onde a mulher era considerada um adjetivo do homem. O que prejudicou a liberdade das mulheres ao conhecimento científico, ao trabalho enfim a educação[...]

KM
....


Retrato Pensado
Os Novos Baianos


Todas as músicas e poemas foram em vão
Porque não viste o meu coração em tuas mãos

O tempo nos mostra os laços de amizade resistindo aos momentos
Por tê-lo tecido de sentimentos

O tempo é a fonte do amor
Infinito registro bem maior que o finito intermédio ao alcance nosso

Na tua ausência faltou-me arte para retratar-te
Falta-me o traço de um Da Vinci, de um Picasso

Fechei os olhos e o teu olhar e o teu sorriso
Do azul do azul foram achados

E o teu rosto veio na tela
Dos meus olhos fechados

28 de ago de 2010

Morte de animais no litoral de SP foi normal, diz Ibama

Os números são assustadores. Nos últimos oito meses quase mil animais marinhos foram encontrados mortos ou gravemente debilitados nas praias da Baixada Santista. Um número maior do que os registrados nos anos anteriores. Muitos animais - pingüins, tartarugas, golfinhos, atobás, albatrozes do mar, fragatas e outras aves oceânicas - já chegam mortos, com muita poluição dentro do estômago e em estado avançado de decomposição.

Em depoimentos à imprensa, alguns biólogos da região afirmaram que a causa do número elevado de mortes são várias, desde animais que foram arrastados pelas correntes marinhas, que colidiram com alguma embarcação ou foram abatidos por algum navio pesqueiro e descartados, que morreram de fome ou por ingestão de resíduos tóxicos.

Mas a declaração mais absurda que eu li na imprensa foi a da chefe do Ibama na Baixada Santista, Ingrid Maria Furlan Oberg, que achou “normal” todas estas mortandades. Abaixo eu deixo a matéria que ela “explica” esta “normalidade”.

Aliás, nesta matéria me chamou a atenção o fato das declarações da senhora Ingrid terem sido feitas no Cepema de Cubatão, inclusive com a presença de “ambientalistas”. Quais? Este órgão foi instalado no município em 2006 através de um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) envolvendo a Petrobras. As principais áreas de atuação em pesquisa do Cepema, segundo seu site, são a avaliação de emissões atmosféricas, reuso de água e minimização de efluentes líquidos e gerenciamento e tratamento de resíduos sólidos, e não em biodiversidade marinha. Um dos principais patrocinadores do Cepema é a Petrobras.

Por outro lado, me surpreende que ninguém tenha ao menos indagado que estas mortes possam estar relacionadas também com as atividades da Petrobras em alto mar, que está impactando a vida marinha, ou a construção do novo emissário submarino pela Sabesp na Praia Grande, cidade onde houve uma mortandade alta de animais.

Também não podemos nos esquecer que em 2007 e 2008 dezenas de baleias encalharam nas praias da Baixada Santista; e o Ibama, mais uma vez, tergiversou em suas declarações públicas, não relacionando os constantes encalhes com as perfurações sísmicas realizadas pela Petrobras e outras multinacionais petrolíferas para pesquisa e prospecção de petróleo e gás natural na Bacia de Santos.

Por que as autoridades, imprensa e muitos “ambientalistas” abafam, escondem e têm medo de falar das agressões da Petrobras à natureza, tanto do Brasil como dos outros países aonde ela atua?

Não é à toa que a Petrobras é a empresa brasileira que mais gasta dinheiro em “marketing verde” (propaganda “verde” para “limpar” a sua imagem em jornais, revistas, tevês, rádios, internet, patrocínio de eventos ou de ONGs ambientalistas, distribuição de materiais de educação ambiental ou até a criação de fundações, associações supostamente ecologistas etc.).

Sem trocadilho, mas, no fundo, estamos destruindo um dos mais importantes ecossistemas do Planeta, por ignorância, ganância, egoísmo, arrogância...

Oh, personalidade humana...

Viva o Pré-Sal!

Moésio Rebouças
..



Agencia do Estado:

A grande quantidade de animais marinhos, a maioria pinguins, encontrados mortos nas praias da Baixada Santista na última semana está dentro da normalidade da época e não aconteceu devido há algum fato específico. A conclusão foi divulgada hoje pela chefe do escritório regional do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Ingrid Maria Furlan Oberg, depois de mais de três horas de reunião com veterinários, biólogos, pesquisadores e ambientalistas no Centro de Capacitação e Pesquisa em Meio Ambiente (Cepema), centro ligado à Universidade de São Paulo (USP) em Cubatão.

De acordo com Ingrid, o grupo que monitora o encalhe de animais marinhos não encontrou nenhuma condição além da normal nos testes e exames realizados até agora. "Os exames detalhados, as análises patológicas, só saem daqui uns 30 dias, mas não há nada que indique uma causa diferente nessas mortes", disse Ingrid, que acredita que a grande repercussão do fato - inclusive na imprensa internacional - aconteceu porque os animais apareceram em um curto período e concentrados em poucas praias.

"Mas acreditamos que isso aconteceu por causa da frente fria, que acabou trazendo todos de uma vez", disse Ingrid, que no começo da semana já havia divulgado que umas das prováveis causas era mesmo o clima - uma mudança meteorológica brusca ocorrida no litoral gaúcho durante o último fim de semana.

Ingrid revela, entretanto, que o número de animais que apareceram - pelo menos 535 pinguins, 28 tartarugas, seis golfinhos e algumas aves oceânicas, como atobás, fragatas, albatrozes e andorinhas-do-mar - está dentro da normalidade para o período do inverno, quando eles migram da Patagônia em direção as águas mais quentes do norte.

Em relação ao lixo e poluição ter causado a morte dos animais - conforme divulgou o Aquário de Santos na última terça-feira - esses foram casos específicos ocorridos com tartarugas, segundo Ingrid, e que também são comuns. "Isso não deveria ser normal, mas encontrar plástico dentro das tartarugas é algo que sempre acontece, pois elas confundem plástico com água-vivas e acabam ingerindo esse lixo, que não deveria estar no meio do oceano, mas infelizmente está", completa.

Fonte: Agência Estado

21 de ago de 2010

9 de ago de 2010

O testamento de Sartre.


Nosso planeta é habitado hoje pelos pobres, de um lado - os extremamente pobres, que morrem de fome - e uma pequena porção de ricos, do outro - ricos que começam a se tornar menos ricos, mas que, ainda assim, ainda vivem muitíssimo bem.

Com essa terceira guerra mundial que pode estourar a qualquer dia desses, com esse conjunto miserável que é o nosso planeta, o desespero recomeça a me tentar: a idéia que não acabaremos jamais com isso, que há finalidade, mas apenas pequenos fins pelos quais combatemos...

Fazemos pequenas revoluções, mas não existe um fim humano, não há algo que interesse ao homem, só há desordem.

Pode-se chegar a pensar assim.

É uma idéia que volta a nos tentar incessantemente, sobretudo quando já estamos velhos podemos pensar: "Pois é, em cinco anos, no máximo, estarei morto". Na verdade penso dez, mas poderão ser cinco. Em todo o caso, o mundo parece feio, mau e sem esperança. Esse seria o desespero de um velho que já morreu por dentro. Mas eu resisto, e sei que morrerei na esperança, dentro da esperança - mas essa esperança, teremos de fundá-la.

É preciso tentar explicar por que é que o mundo de agora, que é horrível, não passa de um momento no longo desenvolvimento histórico, e que a esperança sempre foi uma das forças dominantes das revoluções e das insurreições - e como sinto, ainda, a esperança como minha concepção do futuro.

26 de jul de 2010

Bertolt Brecht


A privada

É um lugar onde nos sentimos bem
Tendo acima as estrelas, abaixo os excrementos
Um lugar simplesmente maravilhoso onde
Mesmo na noite de casamento é possível estar só.
Um lugar de humildade onde você descobre com clareza
Que não passa de um homem que nada pode conservar.
Um lugar de sabedoria onde você pode preparar
A barriga para prazeres novos.

15 de jul de 2010

O inferno são os outros?


Quando vou ao cinema, vejo filas, esbarro em pessoas que compram balas, que disputam lugares ou que riem na sessão que ainda não terminou. Todas elas são objetos para mim: filas, quantidades, multidão anônirna que ri, massa que briga por um lugar.
Só eu me sinto sujeito. Eu os meço, classifico, analiso.
Eu é que tenho projetos, tenho consciência. Não sou uma coisa entre as coisas.

Já sentada, esperando a próxima sessão de cinema, de repente meu olhar encontra um olhar que me observa (porque minha meia não combina com a minha roupa? Ou porque tenho uma mancha na camisa? Ou porque não sou bonita como a atriz daquele filme?). Nesse momento, como por mágica, esse olhar me transforma num objeto.
Esse olhar me escapa. Pelo olhar, seu (sua) dono (a) se recusa a tornar-se objeto do meu olhar. É como um duelo.

Tomo, assim, consciência, pelo olhar do outro, de que ele é também consciência. Tal é o cerne da vergonha e do pudor: sinto-me olhado e considerado um objeto.
Apenas minha "casca", meu corpo é olhado e não o meu ser consciente, o meu universo interior.

É por isso que muitas meninas, mesmo que estejam vestidas dos pés ao alto do pescoço, se sentem desnudadas por um olhar que as enche de vergonha. Por outro lado, pode ser que, mesmo usando o biquíni mais sumário, a jovem se sinta perfeitamente dona de seu corpo conforme o tipo do olhar que se dirige a ela.
O olhar do outro me rouba o mundo que era meu e rouba a minha intimidade.

12 de jul de 2010

Mas quem pode ter certeza?

Imagem: Paolo


Nem Ser, nem Não-ser
Nem ar, nem terra, nem espaço:
o que estava escondido? onde? sob a proteção de quem?
O que era a água, profunda, insondável?
Nem morte, nem imortalidade, dia ou noite...
mas o UNO soprado por si mesmo, sem vento.
Nada mais. Escuridão envolvendo escuridão,
água não-manifesta.

Na forma de desejo tornou-se ser
Primeira semente da mente, escondido pelo vazio
Semeadores do caos...
Revela-se, por cima, por baixo.
Mas quem pode ter certeza?

Tudo é natural sem saber porque o é!

8 de jul de 2010

6 de jul de 2010

Pegue a sua dinamite agora. Você deve ter uma guardada por aí.

Em toda tua existência você tem sido cuidadosamente monitorado e controlado. Tu és um escravo do Status Quo. Como o resto da população mundial, você é um zumbi.
Quem está te fazendo isso?
Quem está te forçando a entrar na Camisa de Força da Realidade?
Tu estás.
Sim, tu. Tu és um escravo da sua própria mente.
Sua mente diz a você o que não pode, o que não deve, o que não é permitido. E tu acreditas nisso.
Sua mente diz a você que tu não serás bem sucedido, e pronto! Você falha. Você falha, por que você acredita no que o „senso comum‟ diz a você!
Então exploda sua mente!
Caia fora do „senso comum‟. Esqueça a Realidade. As Leis da Física são apenas diretrizes de qualquer forma.

Abra
seus
olhos
e
veja
como
sua
mente
mente
pra
você.

2 de jul de 2010

O caos é anterior a todos os princípios de ordem & entropia


Imagem: Maleonn Ma
Não é nem um deus nem uma larva, seu desejos primais englobam & definem todas coreografia possível, todos éteres & flogísticos sem sentido algum: suas máscaras, como nuvens, são cristalizações da sua própria ausência de rosto.
Tudo na natureza, inclusive a consciência, é perfeitamente real: não há absolutamente nada com o que se preocupar. As correntes da Lei não foram apenas quebradas, elas nunca existiram.

30 de jun de 2010

Dunga e o jornalismo anti-ético da Globo


- O que Dunga está fazendo de errado na África do Sul para merecer tantas críticas?

Se você, leitor, responder essa pergunta falando de futebol, posso até concordar com algumas afirmações, como por exemplo: Dunga não convocou tal jogador; preferiu escalar fulano de tal na mesma função de outro que considero melhor; optou por um profissional com características diferente das que eu acredito serem as melhores; mandou o centroavante – como fez o técnico de Camarões – jogar de lateral direita; ou até qualquer outra observação nesse sentido. Isso até posso aceitar. Mas não é isso o que está acontecendo.

Dunga está sendo duramente criticado por não permitir privilégios a um veículo de comunicação em detrimento de outros.

Dunga não deixou, não está deixando e não deixará a Rede Globo tomar conta dos jogadores e de toda a comissão técnica da seleção brasileira.

A Rede Globo não pretende fazer reportagens com a seleção brasileira na Copa do Mundo de Futebol, o que ela deseja é entrevistar com exclusividade jogadores e todos os integrantes da comissão técnica, quando desejar e a hora que pretender. E, para isso, utiliza de todos os artifícios de que dispõe.

No último domingo, após a vitória do Brasil, enquanto festejávamos e Maradona reclamava do golaço de Luiz Fabiano com o auxílio do braço esquerdo, a Rede Globo tramava nos bastidores contra o técnico Dunga e tentava alterar as regras propostas pelo treinador brasileiro.

Diretores da emissora carioca, no Brasil e na África do Sul, ao telefone, exigiam entrevistas exclusivas com os protagonistas da partida – Kaká e Luiz Fabiano – para o Fantástico, programa dominical da Rede Globo que agoniza em audiência há anos.

Diante da negativa de Dunga, que segue sem alterar suas determinações de não privilegiar ninguém, a Rede Globo apelou. Sem nenhuma ética jornalística, os diretores da emissora telefonaram para o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, e exigiram sua interferência contra as orientações de seu funcionário e técnico da seleção brasileira.

Teixeira nada conseguiu como principal pauteiro e produtor da Rede Globo. Dunga manteve-se irredutível. E o resultado foi transmitido em rede nacional. Dunga perdeu o controle. Acabou sobrando para um jornalista da Rede Globo, durante a entrevista coletiva, que foi ofendido. No Fantástico a emissora carioca fez um editorial mentiroso culpando apenas Dunga pelos acontecimentos. Em nenhum momento relatou a sua participação e a sua falta de ética no episódio.

O que a Rede Globo deseja de Dunga não é jornalismo. É tráfico de influência.

Mal acostumada pelo regime militar, a Globo e seus funcionários ainda acreditam que o tráfico de influência facilita o trabalho jornalístico. Esse método não ajuda e sim compromete. Em troca de favores, a Rede Globo une o seu jornalismo a amorais, como o seu Ricardo Teixeira. Além disso, como a Globo gastou milhões para comprar os direitos de transmissão da Copa, acredita que pode tudo e com todos.

Esse episódio, acreditem, decretou o fim da era Dunga na seleção brasileira. Ganhando ou não o campeonato, Dunga não será o técnico em 2014 na Copa do Mundo no Brasil. A Rede Globo não deixará. A pouca visibilidade que os patrocinadores da seleção e da emissora tiveram nessa Copa da África em razão das regras de Dunga será fatal. Isso sem falar na falta de moral do presidente da CBF.

Dunga foi, está sendo e será até o final da Copa da África muito mais firme, coerente e seguro em suas determinações, do que a Rede Globo em cumprir princípios básicos da ética jornalística.

Prova ainda maior do autoritarismo, prepotência, arrogância e incoerência da emissora carioca é o que se seguiu. Solicitada por vários veículos de comunicação, para liberar o seu principal locutor esportivo, Galvão Bueno, para uma entrevista sobre a febre do twitter “Cala a boca Galvão” a Rede Globo negou e alegou que o locutor precisava de concentração para poder transmitir as partidas.

Se para falar tanta besteira e para cometer tantos erros na transmissão dos jogos Galvão ainda precisa de concentração, imagine você leitor, o que não será necessário fazer com os jogadores que estão disputando a Copa. Certo está Dunga. A Rede Globo com sua postura provou que Dunga sempre esteve certo. A coerência do treinador da seleção brasileira deixou uma lição para todos nós, com pequena modificação de “Che”Guevara: “Hay que endurecer-se, a pesar de perder la razón”.

(*)Alberto Luchetti é jornalista. Artigo publicado originalmente no AdNews
via Fazendo Media

27 de jun de 2010

#Diasemglobo, e como grande mídia foi capaz de manipular Twitter, Tendência, Tópicos?


#Diasemglobo era para ser apenas isso: um dia sem a TV Globo, conglomerado de mídia do Brasil acima de tudo. Como muitos brasileiros, eu estava infeliz com o tratamento da Globo com o treinador de futebol brasileiro, Dunga, e decidi que a mudança do canal no dia em que o Brasil jogou contra Portugal na Copa do Mundo foi uma forma clara de fazer o meu ponto. O que realmente aconteceu foi muito mais interessante: a mídia social pitted contra um gigante da mídia.

Em três dias, a conta tinha milhares de seguidores. O #diasemglobo estava aparecendo nos tópicos Tendência nacional que eventualmente se espalhou, sendo apresentado nos tópicos do Twitter em todo o mundo. Ela desapareceu de repente. Embora tenha havido esforços para derrubar o assunto no Twitter, as pessoas já tinham começado a agir. Brasileiros produzidos cartazes e impressos, restaurantes convencido a mudar de canal, tive uma conversa com a família e amigos, tirou o dia para ler livros. Milhões de pessoas discutiam se iriam ou não participar e suas razões. Foi um diálogo pacífico.

Rede Globo é o mesmo canal de TV que foi apresentado no documentário da BBC de 1992 "Beyond Citizen Kane", que aborda a influência do grupo, poder e conexões políticas. Este documentário foi e ainda é censurada no Brasil. A internet está tornando possível para os brasileiros saberem mais sobre isso hoje.
Eu suspeito que muitos Worldwide Tendência Tópicos foram manipulados nestes últimos dias, assim, como "Ana Maria Braga", em um esforço para censurar #diasemglobo no Twitter.

Após o jogo, a Globo anunciou a audiência da TV, em um esforço para convencer o público que o movimento foi um fracasso. O problema era que eles usaram números classificação emitido pelo Instituto IBOPE com base em um sistema de medição arcaico chamado peoplemeter. Para avaliar o comportamento humano, os usuários selecionados aleatoriamente precisa de um "log" sua presença através de um controle remoto extra toda vez que quiser assistir TV. Ah, e não esqueça de apertar o botão toda vez que alguém sai do quarto. Se você também considera que o tamanho da amostra é de 750 medidas para São Paulo, a cidade mais povoada, isto dificilmente passa em um teste de significância estatística.

#Diasemglobo não era contra a TV Globo. Foi um passo tímido longe das garras da mídia de massa e sua história de controle e manipulação da população brasileira. Espero que sirva como inspiração para causas maiores, faz com que as pessoas se afastam da TV e para um Brasil melhor. Twitter nos deu a voz que precisávamos. @Diasemglobo é um jogo de xadrez, que anunciou a vitória após o primeiro movimento.

link
2010/06/25 | O primeiro # diasemglobo na história.
Atenciosamente,
@ Diasemglobo
Tradução: KM

16 de jun de 2010

África do Sul: Copa do Mundo... dinheiro sujo!

Cartão vermelho e preto para a Copa do Mundo


A Copa do Mundo de 2010 deve ser exposta publicamente como a grande farsa que é. A Frente Anarquista Comunista Zalabaza (ZACF), da África do Sul, condena veementemente o cinismo e a hipocrisia do governo sul-africano que apresenta este momento como uma oportunidade única "apenas uma vez na vida" para a melhoria da situação econômica e social das pessoas que vivem no país (assim como no resto do continente).

Isto é afirmado claramente - a tal ponto que se torna impressionante - visto que esta “oportunidade” tem sido e continua sendo a ganância desenfreada da elite dirigente sul-africana assim como a do capital, nacional ou internacional. Na verdade, a Copa do Mundo, se tiver algumas conseqüências é provável que estas sejam devastadoras - para os pobres da África do Sul e para a classe trabalhadora - já em pleno andamento.

Na preparação da Copa do Mundo, o governo gastou mais de 8,2 bilhões de rands (cerca de R$ 2 bilhões), por exemplo, mais de 1 bilhão para o desenvolvimento das infra-estruturas e 3 bilhões para reformas e construções de estádios que depois da Copa do Mundo jamais estarão lotados. Isto é um tapa na cara de todos aqueles que vivem num país marcado por uma pobreza extrema e com uma taxa de desemprego que gira em torno de 40%.

Nos últimos cinco anos, os trabalhadores pobres têm vindo a manifestar a sua indignação e decepção face à incapacidade do governo para corrigir as enormes desigualdades sociais, organizando, em todo o país, mais de 8 mil manifestações para exigir serviços básicos (água, eletricidade, saúde...) e habitações dignas.

Esta distribuição dos custos, pelo Estado, é mais uma prova dos equívocos do modelo neoliberal capitalista e das suas políticas econômicas de “racionamento”[1], que só serviram para aprofundar as desigualdades e a pobreza.

Apesar das afirmações anteriores, no sentido contrário, o governo acabou por reconhecer, recentemente que "nunca foi a sua intenção" que este projeto chamado Copa do Mundo fosse beneficiário em termos sociais[2].

A África do Sul precisa desesperadamente de infra-estruturas públicas em grande escala, especialmente na área dos transportes públicos que estão quase totalmente ausentes em algumas cidades, incluindo Johanesburgo. O Gautrain (uma espécie de trem bala), lançado em 8 de junho (na véspera da Copa do Mundo), é provavelmente a grande ironia disto: num país onde a grande maioria das pessoas depende, cotidianamente, para percursos de longa distância, de táxis e lotações, sem condições mínimas de segurança, o Gautrain oferece rapidez, transporte de luxo para turistas e para aqueles que viajam entre Johanesburgo e Pretória (distante apenas 54 km).

O mesmo panorama aparece em toda parte: o Airports Company South Africa (ACSA) gastou mais de 1,6 bilhões rans para a modernização dos aeroportos. Já a Agência Nacional de Estradas Sul-Africanas (SANRAL), privatizada, gastou mais de 2,3 bilhões de rans para uma nova rede de rodovias.

Tudo isso explicará a implementação de medidas de austeridade drásticas para recuperar os bilhões gastos nas infra-estruturas, a maioria dos quais são de interesse nulo para os africanos pobres, a esmagadora maioria do país.

Em toda a África do Sul os municípios estão envolvidos em “esquemas” de revitalização urbana, acompanhados pelos seus inseparáveis programas de gentrificação, com o governo tentado, apressadamente, esconder debaixo do tapete a crua realidade deste país.

Em Johanesburgo, mais de 15 mil sem-teto e crianças de rua foram apanhadas e “despejadas” em "abrigos"; em Cape Town, autoridades do município expulsaram milhares de pessoas das zonas pobres e das favelas no âmbito do projeto "World Cup Vanity" (tornar a cidade agradável para a Copa do Mundo). Em Cape Town tentou-se - em vão - expulsar de suas casas 10 mil moradores da favela Joe Slovo com o objetivo de esconder a população dos olhos dos turistas que viajam ao longo da rodovia N2.

Em outros lugares, populares foram despejados para dar lugar aos estádios, estacionamentos para turistas, ou estações[3]. No Soweto, as estradas foram embelezadas ao longo das rotas turísticas e da sede da FIFA, enquanto as escolas ao redor continuam com as janelas quebradas e as instalações em ruínas.

Apesar de muitos sul-africanos não terem caído neste "canto de sereia", outros são inundados e arrastados pela enxurrada de propaganda nacionalista que visa desviar a atenção do circo que é a Copa do Mundo.

Cada sexta-feira no país foi declarada “Dia do Futebol", onde a “nação” é incentivada (e os alunos forçados) a vestir camisas dos Bafana-Bafana (seleção nacional da África do Sul).

Os carros são enfeitados com bandeiras, as pessoas aprendem a "diski dance", que é constantentemente demonstrado em todos os restaurantes turísticos. Já é praxe comprar a mascote Zakumi. E quem se atrever a manifestar dúvidas sobre a Copa é maculado como antipatriota. O exemplo mais significativo disso tudo foi o apelo das autoridades aos grevistas do Sindicato dos Transportes (SATAWU), para que abandonassem as suas reivindicações pelo “interesse nacional"[4].

Num contexto em que quase um milhão de empregos desapareceram, só no ano passado, as declarações do governo, sobre a criação de mais de 400 mil postos de trabalho devido à Copa do Mundo, são descontextualizadas e ofensivas. Os empregos que foram criados, nesta euforia futebolística, são muitas vezes precários ou CDD (contratos com duração determinada), por trabalhadores que não são sindicalizados e recebem salários muito abaixo do salário mínimo.

Para além da repressão contra os sindicatos, os movimentos sociais têm sentido a mesma hostilidade do Estado, traduzida oficialmente pela proibição geral de todos os protestos durante a Copa do Mundo. Jane Duncan (do Instituto para a Liberdade de Expressão) refere-se, com abundância de provas, que essa política foi colocada em prática a partir do começo de março.

Um inquérito as cidades sede da Copa do Mundo, revelou que uma proibição geral de qualquer reunião está em curso. Assim, no município de Rustenberg, “as concentrações estão proibidas durante a Copa do Mundo”.

O município de Mbombela recebeu a informação, da polícia nacional, de que não seriam permitidos “encontros” durante a Copa. O conselho municipal da Cidade do Cabo informou que não continuaria a receber pedidos para organização de marchas, que “isso poderia ser um problema” durante a realização da Copa. Nos municípios de Nelson Mandela Bay e de Ethekwini, a polícia proibiu manifestações durante o período da Copa do Munde[5].

A Constituição da África do Sul, muitas vezes elogiada pelo seu caráter "progressista", está longe de ser a garantia de liberdade e de igualdade. Esta nova forma de repressão entra claramente em contradição com o direito constitucional à liberdade de expressão e de reunião.

No entanto, os movimentos sociais, em Johanesburgo, incluindo o Fórum Anti-Privatização e vários outros não desistiram, e obtiveram uma autorização para uma marcha e manifestação no dia da abertura da Copa, com a ajuda do Instituto para a Liberdade de Expressão. Porém, a marcha deverá ser confinada a três quilômetros do estádio, onde não atrairá a atenção da mídia.

Não foi apenas o Estado sul-africano que realizou uma repressão severa sobre os pobres e sobre qualquer atividade ou manifestação anti-Copa do Mundo, sob um disfarce que representa a África do Sul como um polvo que estende os seus tentáculos em convite a todos e a todas, para que afluam em rebanhos aos seus hotéis de luxo, os quartos de hóspedes e salões de coquetéis, mas também o império criminal legal a que Josepp Blatter e seus amigos chamam FIFA (admiravelmente nomeada THIEFA (clube dos ladrões em inglês) pelo Fórum Social em Durban).

Prevendo com a Copa 2010 um lucro de aproximadamente 1,5 bilhões de euros, a FIFA já arrecadou mais de 1 bilhão apenas com os direitos de transmissão televisiva. Os estádios e as zonas circudantes foram entregues à FIFA durante o período do torneio (como “casulos livres de impostos”, áreas controladas e vigiadas pela FIFA e isentas do imposto normal e outras leis estaduais sul-africanas), incluindo estradas e pontos de acesso. Dessas regiões serão excluídas as pessoas que vendem produtos não licenciados da FIFA. Assim, os que acreditaram que, durante a Copa do Mundo, iriam aumentar a sua renda de sobreviventes, serão deixados de fora no frio "racionamento" neoliberal.

Mais: a FIFA, como proprietária exclusiva da marca Copa do Mundo e dos seus produtos derivados, dispõe de uma equipe com centenas de advogados e funcionários que percorrem o país para rastrear qualquer venda não autorizada e para fazer marketing da sua própria marca. Os produtos ilegais são apreendidos e os vendedores são presos, apesar do fato da maioria na África do Sul e do continente comprarem os seus produtos no setor do comércio informal. Porque muito poucos sul-africanos têm 400 rand (40 euros) para pagar pelas camisas das seleções e outras “engenhocas” da Copa.

Os jornalistas também foram efetivamente amordaçados neste evento, na hora de se credenciarem, a FIFA incluia a aprovação formal de uma cláusula que impede as organizações de mídia de criticá-la, comprometendo claramente a liberdade de imprensa[6].

A ironia maior desta história toda é que o futebol era originalmente o esporte da classe trabalhadora. Ir assistir aos jogos nos estádios era uma atividade de baixo custo e de fácil acesso para as pessoas que escolhessem passar 90 minutos das suas vidas esquecendo o cotidiano sob a bota do patrão e do Estado.

Hoje, o futebol negócio e a Copa do Mundo trarão lucros exorbitantes para um pequeno grupo da elite mundial e nacional (com milhões de gastos desnecessários, especialmente em um momento de crise capitalista mundial), que cobram aos seus clientes-torcedores- espectadores milhares de rands, dólares, libras, euros, etc., para assistirem futebolistas caindo em excesso e mergulhando em campos super bem tratados e que discutem, através de agentes parasitários, se são ou não dignos de seus salários mirabolantes (Kaká recebe mais de 10 milhões de euros por ano no Real Madri).

O jogo em si, que em muitos aspectos, mantém a sua beleza estética, perdeu a sua alma trabalhadora e foi reduzido a uma série de produtos destinados a serem explorados e consumidos.

Bakunin disse que "as pessoas vão a igreja pelos mesmos motivos que vão a um bar: para hostilizar, para esquecer a sua miséria, para imaginar serem, por alguns minutos, também, livres e felizes”. Talvez possamos dizer o mesmo do futebol negócio, com estas bandeiras nacionalistas agitadas e a sua cegueira, com as estridentes vuvuzelas. Deste modo parece mais fácil de se esquecer do dia a dia, de tomar parte na luta contra a injustiça e a desigualdade.

Mas numerosos também são os que continuam o combate, e a classe trabalhadora, os pobres e as suas organizações não são assim tão maleáveis às ilusões quanto o governo gostaria de crer. Construiremos acampamentos temporários junto aos portões dos estádios onde tiver aglomerações, ações de greve geral - autorizadas ou não.

E apesar dos insultos, das zombarias e os rótulos de "antipatrióticos" e a supressão da liberdade de expressão, vamos fazer ouvir as nossas vozes para denunciar publicamente as desigualdades terríveis que caracterizam a nossa sociedade e os jogos mundiais que se disputam em detrimento da vida daqueles sobre os quais se construíram os impérios que, no fim das contas, serão destruídos.

Abaixo a Copa do Mundo!

Notas:

[1] See Star Business Report, Monday 7th June, 2010.

[2] http://antieviction.org.za/2010/03/25/telling-the-world-that-neither-this-city-nor-the-world-cup-works-for-us/

[3] http://www.politicsweb.co.za/politicsweb/view/politicsweb/en/page71654?oid=178399&sn=Detail

[4] http://www.sacsis.org.za/site/article/489.1

[5] http://www.sportsjournalists.co.uk/blog/?p=2336

Tradução > Liberdade à Solta

agência de notícias anarquistas-ana

29 de mai de 2010

A rebeldia é a penúltima doença inventada


O medo induzido e seus efeitos colaterais são conhecidos de longe. Nestes dias comprovamos com o “pânico global”, pela difusão da gripe que de início foi noticiada como suína, e agora é tipo A. Durante os últimos anos os laboratórios farmacêuticos estão dedicando grandes esforços para expandir enfermidades que não são, ou que não tem a importância que deve. Esse fenômeno é conhecido como disease mongering, tráfico ou venda de doenças. O objetivo é deixar o mundo todo medicado para algo: o conceito de doença está sendo a cada dia modificado, para com isso abarcar a maior quantidade de pessoas que sejam catalogadas como “doentes”, mesmo que não estejam, obviamente. Algumas doenças inventadas são absurdas, mas hoje vamos falar da mais pitoresca dentre as “novas enfermidades”: a rebeldia. Sim, a rebeldia também é uma doença!

Um dos laboratórios interessados em vender um remédio - metilfenidato (Concerta)- para esta gravíssima patologia explica na web, criada expressamente para promover o Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), que entre os transtornos presentes junto ao TDAH, está o Transtorno Oposicionista Desafiante (TOD). O que na realidade, nos parece uma embromação. O TOD foi incluído pela primeira vez no manual DSM III-R. Este é o livro que atua como uma “Bíblia” da psiquiatria. Segundo a farmacêutica citada, o Transtorno Oposicionista Desafiante:

“Consiste em um padrão de condutas negativistas (sic), hostis e desafiantes presente de forma persistente durante pelo menos 6 meses. Estas condutas incluem discussões com adultos (sintoma especialmente pensado para adolescentes e crianças), raiva, aborrecimento, negação em cumprir as normas estabelecidas ou ordens de adultos, mentiras, culpar outros por sua má conduta e ressentimento”.

Acredito que não é exagerado dizer que quase qualquer pessoa que esteja lendo isto encontrará parte de sua vida ou infância exibida neste catálogo de “horrores patológicos”, que nos adverte com tão preocupada boa intenção Janssen-Cilag. Para entender, aí sim, este doentio paroxismo dos laboratórios, é muito útil pensarmos no contra-argumento, se é que podemos aqui chamá-lo de retaliação não-científica. Existem pessoas que ao menos durante uma época de suas vidas não tenha discutido com adultos ou não tenham sentido raiva ou aborrecimentos? Existem pessoas que praticamente sempre, durante sua infância ou adolescência tenham cumprido todas as normas estabelecidas ou ordens de seus “superiores” adultos? Realmente, acho dificílimo de uma situação dessas existir.

O que define o laboratório Janssen-Cilag como uma perigosa enfermidade é a rebeldia. Quem sabe, não seja casualidade que uma sociedade das menos rebeldes que a Humanidade já experimentou (me refiro a atual, claro), coincida com a era de “todos doentes” que vivemos. Quem sabe alguns governos e indústrias tenham grande interesse em “patologizar” aos jovens desde o berço. Porque, quem sabe, o autoritarismo democrático e industrial está semeando no ocidente os ventos da desobediência que colherão estas e as gerações próximas.

Ao catalogar a rebeldia como uma doença, a indústria farmacêutica, um dos setores estratégicos básicos do atual capitalismo, em conivência com os governos, que têm suas campanhas eleitorais patrocinadas por estas indústrias para gerar dependência [1], consegue dois objetivos: estender mercados até o infinito e manter o controle social, fomentando atitudes submissas e oferecendo pílulas “sócio-calmantes”, à todos aqueles que se mostrem “diferentes”. E os médicos que não colaboram com este propósito que tenham muito cuidado, pois correm o risco de também serem considerados rebeldes!

O escritos Juan Gelman descreve muito bem a situação em seu artigo “A dominação dos jovens bravos”:

“Existe uma verdadeira parafernália para conseguir dobrar os jovens nos EUA, e o remédio é bem simples: consiste em criminalizar, e mais, patologizar os jovens norte-americanos rebeldes, inconformados com o autoritarismo e que o desafiam. É só considerarmos todos, com transtornos mentais, e dermos tranqüilizantes, anfetaminas e outras substâncias psicotrópicas. A Associação Estadunidense de Psiquiatria batizou a suposta patologia em 1980: é denominada de desordem de oposição desafiante (ODD, sua sigla em inglês) e não se aplica aos delinqüentes juvenis. Mas sim aqueles que não recorrem a atividades ilegais, mas demonstram “um comportamento negativo, hostil e desafiante”.


Como em tantas ocasiões, a busca pelas origens, causas, destes problemas, se é que são problemas, se estende até o infinito. Como podemos comprovar, nestes “transtornos mentais” se destacam apenas os aspectos negativos, que levam a paroxismos para difundir temor, o que pode ocultar os aspectos positivos da personalidade. Cada pessoa é diferente e acredito que é mais construtivo perguntarmos em que está pensando uma criança quando está distraída, do que simplesmente achar que representa um sintoma do que denominamos hiperatividade. Porque, talvez, essas atitudes que qualificamos de patológicas são a manifestação de uma inteligência acima da média ou de uma personalidade criativa, ou de uma vocação artística. Se considerarmos estas condições como sintomas de doenças e medicamos a todos, há somente artificialidade com a química – podemos estar assistindo a uma nova queima de livros, que ao invés de desenvolver-se durante a negra noite nazi na Bebelplatz de Berlim, estaria sendo levada a cabo todos os dias em qualquer parte do mundo que consideramos civilizado.

por Miguel Jara

[1] O capítulo "O lobby farmacêutico" entra em política, do livro “Traficantes de salud: Cómo nos venden medicamentos peligrosos y juegan con la enfermedad“, de Miguel Jara, (Icaria Editorial, 2007) pp. 266-285, que aborda esta questão.

Tradução > Palomilla Negra

agência de notícias anarquistas-ana


dos ramos altos no rio
caem suavemente
farrapos do sol poente


Rogério Martins

18 de mai de 2010

Currículo e transformação (parte II)


Entender o significado de trabalho coletivo na perspectiva da Teoria Histórico-Cultural faz a diferença quando se pretende ser um educador que articula sua prática pedagógica. Levando em consideração que a educação se reflete e se constrói ao longo da história por influência da situação econômica vigente, entendemos que, há imposição cultural para fortalecer estes fins econômicos, o que caracteriza nossa sociedade, pois, “a globalização envolve uma interação entre fatores econômicos e culturais, causando mudanças nos padrões de produção e consumo, as quais por sua vez, produzem identidades novas e globalizadas” (WOODWARD, 2000, p.20), esta constante transformação torna necessário o constante questionamento para a tentativa de entendimento dos educadores e educandos, o sujeito se transforma.

O autor Stuart Hall em seu livro a identidade cultural na pós-modernidade nos coloca uma reflexão relevante para a compreensão dos processos de mudança, que tomados em conjunto, representam um processo de transformação tão fundamental e abrangente que somos compelidos a perguntar se não é a própria modernidade que está sendo transformada. Este livro acrescenta uma nova dimensão a esse argumento: a afirmação de que naquilo que é descrito, algumas vezes, como nosso mundo pós-moderno, nós somos também "pós" relativamente a qualquer concepção essencialista ou fixa de identidade - algo que, desde o Iluminismo, se supõe definir o próprio núcleo ou essência de nosso ser e fundamentar nossa existência como sujeitos humanos.

A fim de empreender essa afirmação, devemos observar primeiramente as definições de identidade e o caráter da mudança na modernidade tardia. Primeiramente surge o sujeito do Iluminismo, que estava baseado numa concepção da pessoa humana como um indivíduo totalmente centrado, unificado, Na segunda metade do século XX com as transformações da economia moderna os estudos sociais ganham vez e voz, dando espaço à idéia de um sujeito que não era autônomo e auto-suficiente, mas era formado na relação com "outras pessoas importantes para ele", que mediavam para o sujeito os valores, sentidos e símbolos - a cultura - dos mundos que ele/ela habitava.

O próprio processo de identificação, através do qual nos projetamos em nossas identidades culturais, tornou-se mais provisório e variável, esse processo produz o sujeito pós-moderno, compreendido e conceituado como não tendo uma identidade fixa. A identidade torna-se uma celebração móvel, “assim, a identidade é realmente algo formado, ao longo do tempo, através de processos inconscientes, e não algo inato, existente na consciência no momento do nascimento” (HALL, 2006, p.38). É definida historicamente, e não biologicamente. O sujeito assume identidades diferentes em diferentes momentos, identidades que não são unificadas ao redor de um "eu".

Este novo cenário que se forma no ensino de nosso país, nos obriga como educadores(as) a repensar o pensado (re)criando possibilidades educativas, relacionando-as com os anseios das crianças e adolescentes imersos em um mundo complexo aonde as identidades segundo Woodward são marcadas pela diferença, em um sistema classificatório, competitivo, ao mesmo tempo a escola se posiciona construindo sim, currículo, afirmando e reafirmando saberes estabelecidos pela necessidade deste sistema, que é baseado na exclusão, “um sistema classificatório aplica um principio de diferença a uma população de uma forma tal que seja capaz de dividi-la” (WOODWARD, 2000, p.40).

Daí a necessidade de uma nova postura dos educadores, percebendo no currículo um espaço em que se reescreve o conhecimento escolar “o que estamos desejando, [...] é que os interesses ocultados sejam identificados, evidenciados e subvertidos, para que possamos, então, reescrever os conhecimentos” (MOREIRA & CANDAL, 2008, p. MOREIRA & CANDAL, 2008, p. 32). Isto significa que a criação de diferentes formas de construir o conhecimento deve se torna um habito em nosso cotidiano em sala de aula, para que a educação ganhe o significado ativo na vida dos educandos.

O desafio deve ser nosso condutor enfrente a curiosidade e a transformação dos sujeitos que estamos ajudando a formar em nossa pratica pedagógica, ter consciência que o currículo como também a organização dos conhecimentos escolares transformam a cultura e nossa realidade, nos mostra o poder que temos nas mãos, é através desta ação consciente e reflexiva sobre nossa realidade e os conhecimentos tanto produzidos quanto repassados que podemos interagir e por que não transforma o ambiente escolar.
Karina Meireles

Referências
ARROYO, Miguel G. Indagações sobre currículo: educandos e educadores. Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Básica, 2008.

BRASIL, Ministério da Educação, Secretaria de Educação Básica. Diretrizes Curriculares para o Ensino Fundamental. Disponível em: http://www.zinder.com.br/legislacao/dcn.htm#ceb498. Acesso em 09 de dez 2009.

HALL, Stuart. A Identidade Cultural na Pós-Modernidade. Trad. Tomaz Tadeu da
Silva, Guaracira Lopes Louro. 11 ed. Rio de Janeiro: DP& A, 2006.

MOREIRA, Antônio Flávio Barbosa; CANDAU, Vera Maria. Indagações sobre currículo: currículo, conhecimento e cultura. Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Básica, 2008.

MOREIRA, A. F. e SILVA, T. T. Currículo, cultura e sociedade. São Paulo: Cortez, 1995.

WOODWARD, Katryn; HALL; Stuart. Identidade e diferença: a perspectiva dos estudos culturais. SILVA, Tomaz T. da (org.). Petrópolis: Vozes, 2000.

16 de mai de 2010

Currículo e transformação (parte I)


A educação é um processo feito de gente e por gente. E não é preciso insistir que gente é diversa, é inconclusa (como afirma Paulo Freire). E gente tem história... Tem também um processo de desenvolvimento pessoal, um histórico de aprendizagens e de escolarização: um “Currículum Vitae”, que precisa ser considerado.

A perspectiva é da construção de condições para a cidadania que se expressa, primeiramente, nas ações do cotidiano mais próximo, no caso de nossas crianças e adolescentes, a escola, e é este espírito que se pode encontrar nas orientações que fazem em seu artigo terceiro, Inciso V, as Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Fundamental: [...] os alunos, ao aprenderem os conhecimentos e valores da base nacional comum e da parte diversificada, estarão também construindo sua identidade como cidadãos, capazes de serem protagonistas de ações responsáveis, solidárias e autônomas em relação a si próprios, às suas famílias e às comunidades.

O currículo repercute na vida dos educandos e educadores que se envolvem na busca de conhecimentos, onde todos/as aprendem e ensinam, já que a aprendizagem é uma característica humana que se realiza nas relações de troca e encontra fundamento no inacabamento de homens e mulheres – humanos – que, exatamente por isso, são educáveis. Assim como os humanos, o currículo não é algo pronto e acabado, algo dado, mas é processo de vários significados e envolve diversas visões, temas e interpretações nem sempre concordantes.

A discussão em torno do currículo tem focado principalmente temas controversos relacionados à: Ideologia; Cultura; Poder; Interdisciplinaridade; Tecnologias; seus aspectos implícitos, o que chamamos de currículo oculto. Diante a tudo isto se pode concluir que o Currículo é território de disputa, como afirma Moreira (1995).
O debate em torno do currículo tem assumido maior importância nos dias atuais, especialmente em virtude de recentes discussões acerca dos conteúdos ministrados na escola básica e da qualidade da educação no Brasil. Há um grande número de pessoas com opinião a respeito da educação e do que se deve fazer para melhorar. Desde pessoas com menor escolaridade até os/as formados/as em nível superior opinam sobre a educação.


Percebendo a importância significativa do profissional da educação para o desenvolvimento dos saberes selecionados aos educandos, nos perguntamos, será nosso trabalho condicionado pelas hierarquias, carga horária, etc.? Compreendendo que somos sujeitos que constroem história o prestigio dado ou não a nossa atuação docente e ao currículo ao qual nos baseamos vai depender do nosso comprometimento não apenas com os educando, como também, nossa própria consciência de educador.
Segundo Arroyo,

o currículo é o pólo estruturante de nosso trabalho. As formas em que trabalhamos, a autonomia ou falta de autonomia, as cargas horárias, o isolamento em que trabalhos... dependem ou estão estreitamente condicionados às lógicas em que se estruturam os conhecimentos, os conteúdos, matérias e disciplinas nos currículos (2008, p.18).


O condicionamento que sofremos tem haver não apenas com a hierarquização do ambiente educativo mais também em como se organiza a própria escola o que não pode ocorrer sem a organização do currículo. Logo, deve-se ressaltar a importância do trabalho coletivo dos profissionais da educação na construção de parâmetros de sua atividade, para que isso ocorra além da vontade dos educadores necessitamos de refletir a criança, quem é este educando que encontramos hoje em nossas salas de aulas?
Se libertar de conceitos estabelecidos sobre a infância de outras décadas é um dos passos para a mudança de nossa práxis, salientando que acredito no currículo como algo inacabado podemos assim interagir com o que ele estabelece, o recriando de acordo com as necessidades reais de nossos educandos. É preciso afirmar que nem a cultura, nem a educação e o currículo, como seu organizador básico, pode ser visto como algo neutro. O próprio entendimento de cultura é terreno de disputa, o que impossibilita falar de uma cultura universal e unitária aceita por todos/as a ser transmitida para crianças e adolescentes.

Reconhecendo as varias interpretações e conceitos dados ao currículo, neste texto vamos concebê-lo de acordo com a conceituação que Moreira e Candau o faz no texto Currículo, conhecimento e cultura - produzido para o MEC, como proposta de reflexão e debate as escolas de nosso país.

Estamos entendendo currículo como as experiências escolares que se desdobram em torno do conhecimento, em meio as relações sociais, e que contribuem para a construção das indenidades de nossos/as estudantes. Currículo associa-se, assim, ao conjunto de esforços pedagógicos desenvolvidos com intenções educativas (2008, p.18).


Na escola, quando as necessidades individuais são transferidas para o grupo, os profissionais não só tomam consciência da dimensão dos problemas existentes nos diferentes sujeitos que constituem os segmentos existentes, como passam a definir objetivos comuns a todos e propor ações planejadas. O trabalho pedagógico, neste caso, ajuda na compreensão dos eixos organizadores para que se tenha visão de totalidade da instituição.

Karina Meireles

JUSTIÇA

JUSTIÇA

Agora uma fabulazinha

Me falaram sobre uma floresta distante onde uma história triste aconteceu no tempo em que os pássaros falavam, os urubus bichos altivos mas sem dotes para o canto resolveram mesmo contra a natureza que havia de se tornar grandes cantores.
Abriram escolas e importaram professores, aprenderam


mi

sol

si
Encomendaram diplomas e combinaram provas entre si para escolher quais deles passariam a mandar nos demais a partir daí criaram concursos, inventaram títulos pomposos, cada urubuzinho aprendiz sonhava um dia se tornar um ilustre urubu titular afim de ser chamado por vossa excelência.
Passaram-se décadas arte que a patética harmonia dos urubus maestros foi abalada com a invasão da floresta por canários tagarelas, que faziam coro com periquitos festivos e serenatas com sabiás. Os velhos urubus encrespados entortaram o bico e convocaram canários e periquitos para um rigoroso inquérito:
cade os documentos de seus concursos?
Indagaram, e os pobres passarinhos se olharam assustados... Nunca haviam freqüentado escola de canto pois o canto nascera com eles.
Seu canto era tão natural que nunca se preocuparam em provar que sabiam cantar naturalmente cantavam
Não, não, não assim não pode, cantar sem os documentos devidos é um desrespeito a ordem, bradaram os urubus.
E em um nisoro expulsaram da floresta os inofensivos passarinhos que ousavam cantar sem alvarás...

Moral da história: em terra de urubus diplomados não se ouve os cantos dos sabiás