O dito da vez


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A explosiva descoberta
Ainda me atordoa.
Estou cego e vejo.
Arranco os olhos e vejo

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Carlos Drummond de Andrad

30 de jan de 2010

via email

Conversa entre três amigos com mais de 50 anos, já aposentados:

- O que você tá fazendo na vida, Toninho? (ex-executivo da Pirelli)
- Bem... eu montei uma recauchutadora de pneus. Não tem aquela estrutura e organização que havia quando eu trabalhava na Pirelli, mas vai indo muito bem.

- E você, José? (ex-gerente de vendas da Shell)
- Eu abri um posto de gasolina. Evidentemente também não tenho a estrutura e a organização do tempo que eu trabalhava na Shell, mas estou progredindo.

- E você Marcos? (ex-funcionário do Congresso Nacional)
- Eu montei um puteiro...
- Um puteiro???
- ÉÉÉÉÉÉ!!! Um puteiro!!! É claro que não é aquela zona toda que é o Congresso Nacional, mas já tá dando lucro!!!

26 de jan de 2010

25 de jan de 2010

Haiti: Por que a ajuda vem armada?


Mais de uma semana depois do terremoto, a ajuda finalmente começa a chegar nas cidades do interior do Haiti e os/as haitianos/as perguntam: por que a ajuda vem armada? Não há uma guerra no Haiti, por que as armas? A ONU declarou que quer primeiro cuidar da segurança no país para depois darem auxílio. Notícias divulgadas pela mídia corporativa fala de caos e assaltos nas ruas do Haiti, matérias sobre presos terem conseguido escapar da cadeia depois do terromoto e relatos de saques tomam boa parte do que vem sido divulgado pela "grande mídia".

Entretanto, relatos de meios de comunicação independentes e organizações sem fins lucrativos que estão no Haiti desmentem que exista um problema com "seguranca" no país. A jornalista independente Amy Goodman, apresentadora do programa DemocracyNow!, dos Estados Unidos, está no Haiti desde o começo desta semana. "Eles estão recebendo quase nenhuma ajuda. Passamos de uma família para outra, e eles disseram, continuamente, que suas vidas estão nas mãos de Deus. A própria ONU fez a declaração sobre a segurança. E nós queríamos saber a que eles estavam se referindo. Andamos livremente de um lugar para outro. As pessoas estão desesperadas, mas certamente pacíficas."

Ela também relata que a ajuda está centralizada no aeroporto em Porto Príncipe e que não está indo para o resto do país: "E o que fizemos ontem foi o que apenas alguns jornalistas fizeram: saímos de Porto Príncipe e fomos ao longo da costa para Carrefour e Léogâne. Este é o epicentro. Lá é onde a ONU emitiu sua declaração, dizendo que eles reconhecem que 90% dos edifícios caíram, que milhares de pessoas foram mortas. Mas, segundo eles, a menos que pudessem garantir a segurança, eles não iriam fornecer ajuda lá. Isso é tremendamente assustador.".

fonte:
CMI Brasil


....

O doutor Evan Lyon, que vem trabalhando no Hospital Geral (o maior hospital do Haiti) disse em entrevista para o DemocracyNow!:
"Eu estou vivendo num bairro com o meu amigo. Estou ficando com alguns colegas médicos haitianos. Nós estamos circulando pelas ruas entre uma e duas da manhã, movendo pacientes, movendo suprimentos, tentando fazer o nosso trabalho. Não há seguranca. A ONU não está nas ruas. Os EUA também não estão nas ruas. A policia haitiana não estão conseguindo ficar nas ruas. Mas também não há insegurança. Eu não sei se vocês estavam do lado de fora ontem a noite, mas você consegue ouvir até um pingo d'água nessa cidade. Esta cidade é um lugar pacífico. Não há uma guerra. Não há uma crise, a não ser o sofrimento que está ocorrendo."

Além disso, Amy Goodman fala sobre a extrema organizacão da populacão nos acampamentos de refugiados montados por todo o país, cada um com cerca de mil pessoas:
"... eu penso que nós estamos falando de anarquia do governo, a incrível força comunal da comunidade. Estes campos de refugiados, esses campos menores e maiores que o número chega na casa dos milhares, são comunidades organizadas. À noite, eles colocam pedras na rua. Se você não conhecesse essas comunidades, você diria: 'O que está acontecendo aqui? Certo? São estes, você sabe, os anarquistas? Eles são violentos? Eles estão ameaçando?' Eles estão protegendo suas comunidades e aqueles que estão dentro. E eles não querem que as pessoas de fora entrem, especialmente à noite. É extremamente organizado a nível local, entre bairros, as pessoas ajudando-se mutuamente."

O jornalista Kim Ives, que está viajando junto com o DemocracyNow! responde a pergunta de Amy Goodman sobre a organização das comunidades:
"Oh, e as organizacões comunitárias, nós vimos na outra noite em Mateus 25 (bairro onde há um alojamento com cerca de 600 pessoas desabrigadas), a comunidade onde nós estamos ficando. Um descarregamento... um caminhão cheio de comida veio no meio da noite sem avisar. Poderia ter ocorrido uma briga. A organização da população local foi contactada. Eles mobilizaram imediatamente os seus membros. Eles vieram. Organizaram um cordão. Enfileiraram cerca de 600 pessoas que estão ficando no campo de futebol atrás da casa, que também é um hospital, e eles distribuíram a comida de forma ordenada, em porções iguais. Eles eram totalmente auto-suficientes. Eles não precisam dos "Marines". Eles não precisam da ONU. Eles não precisavam de nenhuma dessas coisas que estão nos falando que eles precisam, ditas também pela Hillary Clinton e o ministro do exterior. Essas são coisas que as pessoas podem fazer por elas mesmas e estão fazendo por elas mesmas."

Na manhã da quarta-feira, 20 de Janeiro, houve outro tremor, e ainda não se sabe que prédios foram atigindos pelo tremor e quais foram as vítimas. Mas é lógico que isso traz pânico à populacão que teme por suas vidas. Ninguém sabe se haverão outros tremores. Por enquanto os grupos de ajuda continuam chegando e os que já estão no país estão trabalhando dia e noite construindo hospitais, atendendo as pessoas e distribuindo água e comida. Mesmo assim muita gente está morrendo por falta de cirurgia, o grupo de ajuda médica Partners in Health disse que cerca de 20.000 pessoas estão morrendo por dia que poderiam ser salvas com cirurgia.

19 de jan de 2010

Antes da Quaresma há o Carnaval.



Há uma crise nos séculos como nos homens. é quando a poesia cegou deslumbrada de fitar se no misticismo, e caiu do céu sentindo exaustas as suas asas de oiro.

O poeta acorda na terra. Demais, o poeta é homem. Homo sum, como dizia o célebre Romano. Vê, ouve, sente e, o que é mais, sonha de noite as belas visões palpáveis de acordado Tem nervos, tem fibra e tem artérias—isto é, antes e depois de ser um ente idealista, é um ente que tem corpo. E, digam o que quiserem, sem esses elementos, que sou o primeiro a reconhecer muito prosaicos, não há poesia.
...

Alvarez de Azevedo

13 de jan de 2010

In flores


HOMENS AZUIS

homens azuis
costuram a cidade
tecem fios elétricos
cobrindo com manto de luz
as casas escuras


homens azuis
com dedos mecânicos
e unhas metálicas
manuseando agulhas de prata
tricotam a linha telefônica

homens azuis
sobrevoam a cidade
controlando os raios
e as ondas de rádio,
energizam o crepúsculo
todo fim de tarde


homens azuis
máquinas amarelas
cavam os rios
revolvem a terra

depois
moscas azuis
limpam a cidade
matam os bichos
devoram as larvas
lavam as ruas, recolhem os lixos


desentopem esgotos limpam fossa
com mangueiras grossas
que saem dos seus rostos
À tarde da noite

(as máquinas datilográficas
não escrevem nada
estão cegas as fotográficas
os gravadores
mais nenhum ouve
os rádios estào calados
os homens dormindo
nenhum computador
se lembra de mim
aproveito essa hora calada da noite
onde so a luz de um poste me denuncia
e me incendeio).


k
m
.

JUSTIÇA

JUSTIÇA

Agora uma fabulazinha

Me falaram sobre uma floresta distante onde uma história triste aconteceu no tempo em que os pássaros falavam, os urubus bichos altivos mas sem dotes para o canto resolveram mesmo contra a natureza que havia de se tornar grandes cantores.
Abriram escolas e importaram professores, aprenderam


mi

sol

si
Encomendaram diplomas e combinaram provas entre si para escolher quais deles passariam a mandar nos demais a partir daí criaram concursos, inventaram títulos pomposos, cada urubuzinho aprendiz sonhava um dia se tornar um ilustre urubu titular afim de ser chamado por vossa excelência.
Passaram-se décadas arte que a patética harmonia dos urubus maestros foi abalada com a invasão da floresta por canários tagarelas, que faziam coro com periquitos festivos e serenatas com sabiás. Os velhos urubus encrespados entortaram o bico e convocaram canários e periquitos para um rigoroso inquérito:
cade os documentos de seus concursos?
Indagaram, e os pobres passarinhos se olharam assustados... Nunca haviam freqüentado escola de canto pois o canto nascera com eles.
Seu canto era tão natural que nunca se preocuparam em provar que sabiam cantar naturalmente cantavam
Não, não, não assim não pode, cantar sem os documentos devidos é um desrespeito a ordem, bradaram os urubus.
E em um nisoro expulsaram da floresta os inofensivos passarinhos que ousavam cantar sem alvarás...

Moral da história: em terra de urubus diplomados não se ouve os cantos dos sabiás