O dito da vez


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A explosiva descoberta
Ainda me atordoa.
Estou cego e vejo.
Arranco os olhos e vejo

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Carlos Drummond de Andrad

1 de abr de 2010

COMO VOTAM OS ANARQUISTAS?



Evandro Couto, militante da FAG.

Quando em todo Brasil as eleições nacionais vem chegando e agitam de novo a cena da política somos provocados a escrever sobre este tema que, sem dúvidas, será um acontecimento de atração.

Para discutir aqui de um outro modo, para além da oferta de candidatos da campanha.

Os velhos socialistas já nos deixaram ferramentas de análise crítica, que tem vigência em muitos aspectos, a respeito de como opera o mecanismo eleitoral na conservação e reprodução das estruturas do poder.

A esquerda brasileira nos últimos 20 anos fez uma experiência política de obrigatória referência jogando suas forças nos pleitos, conquistando bancadas e administrando instituições da democracia formal.

Que as eleições, na escala que sejam feitas, nos dão uma medida relativa da formação das opiniões entre os eleitores, indicam tendências, conformação de interesses, valores e esperanças na sociedade, é bom ter presente.

Mas reconhecer indicadores não é o mesmo que validar os seus resultados para uma estratégia de mudança social. O voto não dá necessariamente uma medida da organização dos de baixo, da consciência política e capacidade de luta por objetivos de classe.

Muita energia da esquerda já virou fumaça na história por causa desse engano.

Votar para os anarquistas é um assunto mal explicado, por responsabilidade de uma linha de propaganda que fez a abstenção ou o voto nulo aparecer como uma questão de princípios.

Os anarquistas não formam um partido da democracia burguesa e respondem na conjuntura eleitoral pela tática do voto nulo ou da abstenção por uma atitude política que pretende guardar relações de coerência com uma estratégia de poder popular.

Chamar a anular sem fazer prioridade ao trabalho de organização popular é pedir o voto como fazem os partidos integrados no sistema. Não é o voto em si, como mecanismo decisório da sociedade, que é o problema, o problema é para qual estrutura de poder ele funciona.

As eleições burguesas não mudam a sociedade, trocam os políticos de turno, mas o poder continua o mesmo, operando nas desigualdades sociais e reproduzindo dominação de classe.

O problema fundamental da democracia no sistema capitalista, como foi criticada pela corrente libertária, é que a igualdade política do direito liberal burguês fica negada pela desigualdades sociais e econômicas da realidade. A democracia burguesa é um regime de direitos onde o poder e a riqueza das classes dominantes são sempre mais decisivos.

Qual é a liberdade de escolha de um sujeito que sofre a pressão concreta da pobreza e todas as privações econômicas e culturais desta condição, perguntava Bakunin.


O anarquista da velha guarda concluía que o voto, “enquanto seja exercido em uma sociedade em que o povo, a massa dos trabalhadores, esteja economicamente dominado por uma minoria detentora da propriedade e do capital, por independente que seja por outra parte ou que o pareça desde o ponto de vista político, não poderá nunca produzir mais que eleições ilusórias, antidemocráticas e absolutamente opostas as necessidades, aos instintos e a vontade real dos povos.”

O regime democrático nunca teve lugar seguro na carta de princípios do capitalismo. Na história recente da América Latina quando o poder esteve a ponto de escapar das mãos das classes dominantes e do imperialismo eles preferiram a ditadura dos militares para proteger seus interesses do que jogar sua sorte pelos direitos democráticos.

O cenário da abertura deu nova circulação para ideologia liberal burguesa e fez seus conceitos penetrarem nas lutas políticas da esquerda. As liberdades públicas peleadas contra a ditadura se confundiram no programa dos partidos de base operária e popular com a defesa da democracia burguesa e das suas regras como único terreno para buscar mudanças na política.

Começa uma história que bem conhecemos no Brasil e em países vizinhos.

fonte:
http://www.vermelhoenegro.co.cc/2010/03/como-votam-os-anarquistas.html

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JUSTIÇA

JUSTIÇA

Agora uma fabulazinha

Me falaram sobre uma floresta distante onde uma história triste aconteceu no tempo em que os pássaros falavam, os urubus bichos altivos mas sem dotes para o canto resolveram mesmo contra a natureza que havia de se tornar grandes cantores.
Abriram escolas e importaram professores, aprenderam


mi

sol

si
Encomendaram diplomas e combinaram provas entre si para escolher quais deles passariam a mandar nos demais a partir daí criaram concursos, inventaram títulos pomposos, cada urubuzinho aprendiz sonhava um dia se tornar um ilustre urubu titular afim de ser chamado por vossa excelência.
Passaram-se décadas arte que a patética harmonia dos urubus maestros foi abalada com a invasão da floresta por canários tagarelas, que faziam coro com periquitos festivos e serenatas com sabiás. Os velhos urubus encrespados entortaram o bico e convocaram canários e periquitos para um rigoroso inquérito:
cade os documentos de seus concursos?
Indagaram, e os pobres passarinhos se olharam assustados... Nunca haviam freqüentado escola de canto pois o canto nascera com eles.
Seu canto era tão natural que nunca se preocuparam em provar que sabiam cantar naturalmente cantavam
Não, não, não assim não pode, cantar sem os documentos devidos é um desrespeito a ordem, bradaram os urubus.
E em um nisoro expulsaram da floresta os inofensivos passarinhos que ousavam cantar sem alvarás...

Moral da história: em terra de urubus diplomados não se ouve os cantos dos sabiás