O dito da vez


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A explosiva descoberta
Ainda me atordoa.
Estou cego e vejo.
Arranco os olhos e vejo

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Carlos Drummond de Andrad

26 de jul de 2010

Bertolt Brecht


A privada

É um lugar onde nos sentimos bem
Tendo acima as estrelas, abaixo os excrementos
Um lugar simplesmente maravilhoso onde
Mesmo na noite de casamento é possível estar só.
Um lugar de humildade onde você descobre com clareza
Que não passa de um homem que nada pode conservar.
Um lugar de sabedoria onde você pode preparar
A barriga para prazeres novos.

15 de jul de 2010

O inferno são os outros?


Quando vou ao cinema, vejo filas, esbarro em pessoas que compram balas, que disputam lugares ou que riem na sessão que ainda não terminou. Todas elas são objetos para mim: filas, quantidades, multidão anônirna que ri, massa que briga por um lugar.
Só eu me sinto sujeito. Eu os meço, classifico, analiso.
Eu é que tenho projetos, tenho consciência. Não sou uma coisa entre as coisas.

Já sentada, esperando a próxima sessão de cinema, de repente meu olhar encontra um olhar que me observa (porque minha meia não combina com a minha roupa? Ou porque tenho uma mancha na camisa? Ou porque não sou bonita como a atriz daquele filme?). Nesse momento, como por mágica, esse olhar me transforma num objeto.
Esse olhar me escapa. Pelo olhar, seu (sua) dono (a) se recusa a tornar-se objeto do meu olhar. É como um duelo.

Tomo, assim, consciência, pelo olhar do outro, de que ele é também consciência. Tal é o cerne da vergonha e do pudor: sinto-me olhado e considerado um objeto.
Apenas minha "casca", meu corpo é olhado e não o meu ser consciente, o meu universo interior.

É por isso que muitas meninas, mesmo que estejam vestidas dos pés ao alto do pescoço, se sentem desnudadas por um olhar que as enche de vergonha. Por outro lado, pode ser que, mesmo usando o biquíni mais sumário, a jovem se sinta perfeitamente dona de seu corpo conforme o tipo do olhar que se dirige a ela.
O olhar do outro me rouba o mundo que era meu e rouba a minha intimidade.

12 de jul de 2010

Mas quem pode ter certeza?

Imagem: Paolo


Nem Ser, nem Não-ser
Nem ar, nem terra, nem espaço:
o que estava escondido? onde? sob a proteção de quem?
O que era a água, profunda, insondável?
Nem morte, nem imortalidade, dia ou noite...
mas o UNO soprado por si mesmo, sem vento.
Nada mais. Escuridão envolvendo escuridão,
água não-manifesta.

Na forma de desejo tornou-se ser
Primeira semente da mente, escondido pelo vazio
Semeadores do caos...
Revela-se, por cima, por baixo.
Mas quem pode ter certeza?

Tudo é natural sem saber porque o é!

8 de jul de 2010

6 de jul de 2010

Pegue a sua dinamite agora. Você deve ter uma guardada por aí.

Em toda tua existência você tem sido cuidadosamente monitorado e controlado. Tu és um escravo do Status Quo. Como o resto da população mundial, você é um zumbi.
Quem está te fazendo isso?
Quem está te forçando a entrar na Camisa de Força da Realidade?
Tu estás.
Sim, tu. Tu és um escravo da sua própria mente.
Sua mente diz a você o que não pode, o que não deve, o que não é permitido. E tu acreditas nisso.
Sua mente diz a você que tu não serás bem sucedido, e pronto! Você falha. Você falha, por que você acredita no que o „senso comum‟ diz a você!
Então exploda sua mente!
Caia fora do „senso comum‟. Esqueça a Realidade. As Leis da Física são apenas diretrizes de qualquer forma.

Abra
seus
olhos
e
veja
como
sua
mente
mente
pra
você.

2 de jul de 2010

O caos é anterior a todos os princípios de ordem & entropia


Imagem: Maleonn Ma
Não é nem um deus nem uma larva, seu desejos primais englobam & definem todas coreografia possível, todos éteres & flogísticos sem sentido algum: suas máscaras, como nuvens, são cristalizações da sua própria ausência de rosto.
Tudo na natureza, inclusive a consciência, é perfeitamente real: não há absolutamente nada com o que se preocupar. As correntes da Lei não foram apenas quebradas, elas nunca existiram.

JUSTIÇA

JUSTIÇA

Agora uma fabulazinha

Me falaram sobre uma floresta distante onde uma história triste aconteceu no tempo em que os pássaros falavam, os urubus bichos altivos mas sem dotes para o canto resolveram mesmo contra a natureza que havia de se tornar grandes cantores.
Abriram escolas e importaram professores, aprenderam


mi

sol

si
Encomendaram diplomas e combinaram provas entre si para escolher quais deles passariam a mandar nos demais a partir daí criaram concursos, inventaram títulos pomposos, cada urubuzinho aprendiz sonhava um dia se tornar um ilustre urubu titular afim de ser chamado por vossa excelência.
Passaram-se décadas arte que a patética harmonia dos urubus maestros foi abalada com a invasão da floresta por canários tagarelas, que faziam coro com periquitos festivos e serenatas com sabiás. Os velhos urubus encrespados entortaram o bico e convocaram canários e periquitos para um rigoroso inquérito:
cade os documentos de seus concursos?
Indagaram, e os pobres passarinhos se olharam assustados... Nunca haviam freqüentado escola de canto pois o canto nascera com eles.
Seu canto era tão natural que nunca se preocuparam em provar que sabiam cantar naturalmente cantavam
Não, não, não assim não pode, cantar sem os documentos devidos é um desrespeito a ordem, bradaram os urubus.
E em um nisoro expulsaram da floresta os inofensivos passarinhos que ousavam cantar sem alvarás...

Moral da história: em terra de urubus diplomados não se ouve os cantos dos sabiás