O dito da vez


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A explosiva descoberta
Ainda me atordoa.
Estou cego e vejo.
Arranco os olhos e vejo

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Carlos Drummond de Andrad

28 de ago de 2010

Morte de animais no litoral de SP foi normal, diz Ibama

Os números são assustadores. Nos últimos oito meses quase mil animais marinhos foram encontrados mortos ou gravemente debilitados nas praias da Baixada Santista. Um número maior do que os registrados nos anos anteriores. Muitos animais - pingüins, tartarugas, golfinhos, atobás, albatrozes do mar, fragatas e outras aves oceânicas - já chegam mortos, com muita poluição dentro do estômago e em estado avançado de decomposição.

Em depoimentos à imprensa, alguns biólogos da região afirmaram que a causa do número elevado de mortes são várias, desde animais que foram arrastados pelas correntes marinhas, que colidiram com alguma embarcação ou foram abatidos por algum navio pesqueiro e descartados, que morreram de fome ou por ingestão de resíduos tóxicos.

Mas a declaração mais absurda que eu li na imprensa foi a da chefe do Ibama na Baixada Santista, Ingrid Maria Furlan Oberg, que achou “normal” todas estas mortandades. Abaixo eu deixo a matéria que ela “explica” esta “normalidade”.

Aliás, nesta matéria me chamou a atenção o fato das declarações da senhora Ingrid terem sido feitas no Cepema de Cubatão, inclusive com a presença de “ambientalistas”. Quais? Este órgão foi instalado no município em 2006 através de um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) envolvendo a Petrobras. As principais áreas de atuação em pesquisa do Cepema, segundo seu site, são a avaliação de emissões atmosféricas, reuso de água e minimização de efluentes líquidos e gerenciamento e tratamento de resíduos sólidos, e não em biodiversidade marinha. Um dos principais patrocinadores do Cepema é a Petrobras.

Por outro lado, me surpreende que ninguém tenha ao menos indagado que estas mortes possam estar relacionadas também com as atividades da Petrobras em alto mar, que está impactando a vida marinha, ou a construção do novo emissário submarino pela Sabesp na Praia Grande, cidade onde houve uma mortandade alta de animais.

Também não podemos nos esquecer que em 2007 e 2008 dezenas de baleias encalharam nas praias da Baixada Santista; e o Ibama, mais uma vez, tergiversou em suas declarações públicas, não relacionando os constantes encalhes com as perfurações sísmicas realizadas pela Petrobras e outras multinacionais petrolíferas para pesquisa e prospecção de petróleo e gás natural na Bacia de Santos.

Por que as autoridades, imprensa e muitos “ambientalistas” abafam, escondem e têm medo de falar das agressões da Petrobras à natureza, tanto do Brasil como dos outros países aonde ela atua?

Não é à toa que a Petrobras é a empresa brasileira que mais gasta dinheiro em “marketing verde” (propaganda “verde” para “limpar” a sua imagem em jornais, revistas, tevês, rádios, internet, patrocínio de eventos ou de ONGs ambientalistas, distribuição de materiais de educação ambiental ou até a criação de fundações, associações supostamente ecologistas etc.).

Sem trocadilho, mas, no fundo, estamos destruindo um dos mais importantes ecossistemas do Planeta, por ignorância, ganância, egoísmo, arrogância...

Oh, personalidade humana...

Viva o Pré-Sal!

Moésio Rebouças
..



Agencia do Estado:

A grande quantidade de animais marinhos, a maioria pinguins, encontrados mortos nas praias da Baixada Santista na última semana está dentro da normalidade da época e não aconteceu devido há algum fato específico. A conclusão foi divulgada hoje pela chefe do escritório regional do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Ingrid Maria Furlan Oberg, depois de mais de três horas de reunião com veterinários, biólogos, pesquisadores e ambientalistas no Centro de Capacitação e Pesquisa em Meio Ambiente (Cepema), centro ligado à Universidade de São Paulo (USP) em Cubatão.

De acordo com Ingrid, o grupo que monitora o encalhe de animais marinhos não encontrou nenhuma condição além da normal nos testes e exames realizados até agora. "Os exames detalhados, as análises patológicas, só saem daqui uns 30 dias, mas não há nada que indique uma causa diferente nessas mortes", disse Ingrid, que acredita que a grande repercussão do fato - inclusive na imprensa internacional - aconteceu porque os animais apareceram em um curto período e concentrados em poucas praias.

"Mas acreditamos que isso aconteceu por causa da frente fria, que acabou trazendo todos de uma vez", disse Ingrid, que no começo da semana já havia divulgado que umas das prováveis causas era mesmo o clima - uma mudança meteorológica brusca ocorrida no litoral gaúcho durante o último fim de semana.

Ingrid revela, entretanto, que o número de animais que apareceram - pelo menos 535 pinguins, 28 tartarugas, seis golfinhos e algumas aves oceânicas, como atobás, fragatas, albatrozes e andorinhas-do-mar - está dentro da normalidade para o período do inverno, quando eles migram da Patagônia em direção as águas mais quentes do norte.

Em relação ao lixo e poluição ter causado a morte dos animais - conforme divulgou o Aquário de Santos na última terça-feira - esses foram casos específicos ocorridos com tartarugas, segundo Ingrid, e que também são comuns. "Isso não deveria ser normal, mas encontrar plástico dentro das tartarugas é algo que sempre acontece, pois elas confundem plástico com água-vivas e acabam ingerindo esse lixo, que não deveria estar no meio do oceano, mas infelizmente está", completa.

Fonte: Agência Estado

21 de ago de 2010

9 de ago de 2010

O testamento de Sartre.


Nosso planeta é habitado hoje pelos pobres, de um lado - os extremamente pobres, que morrem de fome - e uma pequena porção de ricos, do outro - ricos que começam a se tornar menos ricos, mas que, ainda assim, ainda vivem muitíssimo bem.

Com essa terceira guerra mundial que pode estourar a qualquer dia desses, com esse conjunto miserável que é o nosso planeta, o desespero recomeça a me tentar: a idéia que não acabaremos jamais com isso, que há finalidade, mas apenas pequenos fins pelos quais combatemos...

Fazemos pequenas revoluções, mas não existe um fim humano, não há algo que interesse ao homem, só há desordem.

Pode-se chegar a pensar assim.

É uma idéia que volta a nos tentar incessantemente, sobretudo quando já estamos velhos podemos pensar: "Pois é, em cinco anos, no máximo, estarei morto". Na verdade penso dez, mas poderão ser cinco. Em todo o caso, o mundo parece feio, mau e sem esperança. Esse seria o desespero de um velho que já morreu por dentro. Mas eu resisto, e sei que morrerei na esperança, dentro da esperança - mas essa esperança, teremos de fundá-la.

É preciso tentar explicar por que é que o mundo de agora, que é horrível, não passa de um momento no longo desenvolvimento histórico, e que a esperança sempre foi uma das forças dominantes das revoluções e das insurreições - e como sinto, ainda, a esperança como minha concepção do futuro.

JUSTIÇA

JUSTIÇA

Agora uma fabulazinha

Me falaram sobre uma floresta distante onde uma história triste aconteceu no tempo em que os pássaros falavam, os urubus bichos altivos mas sem dotes para o canto resolveram mesmo contra a natureza que havia de se tornar grandes cantores.
Abriram escolas e importaram professores, aprenderam


mi

sol

si
Encomendaram diplomas e combinaram provas entre si para escolher quais deles passariam a mandar nos demais a partir daí criaram concursos, inventaram títulos pomposos, cada urubuzinho aprendiz sonhava um dia se tornar um ilustre urubu titular afim de ser chamado por vossa excelência.
Passaram-se décadas arte que a patética harmonia dos urubus maestros foi abalada com a invasão da floresta por canários tagarelas, que faziam coro com periquitos festivos e serenatas com sabiás. Os velhos urubus encrespados entortaram o bico e convocaram canários e periquitos para um rigoroso inquérito:
cade os documentos de seus concursos?
Indagaram, e os pobres passarinhos se olharam assustados... Nunca haviam freqüentado escola de canto pois o canto nascera com eles.
Seu canto era tão natural que nunca se preocuparam em provar que sabiam cantar naturalmente cantavam
Não, não, não assim não pode, cantar sem os documentos devidos é um desrespeito a ordem, bradaram os urubus.
E em um nisoro expulsaram da floresta os inofensivos passarinhos que ousavam cantar sem alvarás...

Moral da história: em terra de urubus diplomados não se ouve os cantos dos sabiás