O dito da vez


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A explosiva descoberta
Ainda me atordoa.
Estou cego e vejo.
Arranco os olhos e vejo

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Carlos Drummond de Andrad

9 de ago de 2010

O testamento de Sartre.


Nosso planeta é habitado hoje pelos pobres, de um lado - os extremamente pobres, que morrem de fome - e uma pequena porção de ricos, do outro - ricos que começam a se tornar menos ricos, mas que, ainda assim, ainda vivem muitíssimo bem.

Com essa terceira guerra mundial que pode estourar a qualquer dia desses, com esse conjunto miserável que é o nosso planeta, o desespero recomeça a me tentar: a idéia que não acabaremos jamais com isso, que há finalidade, mas apenas pequenos fins pelos quais combatemos...

Fazemos pequenas revoluções, mas não existe um fim humano, não há algo que interesse ao homem, só há desordem.

Pode-se chegar a pensar assim.

É uma idéia que volta a nos tentar incessantemente, sobretudo quando já estamos velhos podemos pensar: "Pois é, em cinco anos, no máximo, estarei morto". Na verdade penso dez, mas poderão ser cinco. Em todo o caso, o mundo parece feio, mau e sem esperança. Esse seria o desespero de um velho que já morreu por dentro. Mas eu resisto, e sei que morrerei na esperança, dentro da esperança - mas essa esperança, teremos de fundá-la.

É preciso tentar explicar por que é que o mundo de agora, que é horrível, não passa de um momento no longo desenvolvimento histórico, e que a esperança sempre foi uma das forças dominantes das revoluções e das insurreições - e como sinto, ainda, a esperança como minha concepção do futuro.

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JUSTIÇA

JUSTIÇA

Agora uma fabulazinha

Me falaram sobre uma floresta distante onde uma história triste aconteceu no tempo em que os pássaros falavam, os urubus bichos altivos mas sem dotes para o canto resolveram mesmo contra a natureza que havia de se tornar grandes cantores.
Abriram escolas e importaram professores, aprenderam


mi

sol

si
Encomendaram diplomas e combinaram provas entre si para escolher quais deles passariam a mandar nos demais a partir daí criaram concursos, inventaram títulos pomposos, cada urubuzinho aprendiz sonhava um dia se tornar um ilustre urubu titular afim de ser chamado por vossa excelência.
Passaram-se décadas arte que a patética harmonia dos urubus maestros foi abalada com a invasão da floresta por canários tagarelas, que faziam coro com periquitos festivos e serenatas com sabiás. Os velhos urubus encrespados entortaram o bico e convocaram canários e periquitos para um rigoroso inquérito:
cade os documentos de seus concursos?
Indagaram, e os pobres passarinhos se olharam assustados... Nunca haviam freqüentado escola de canto pois o canto nascera com eles.
Seu canto era tão natural que nunca se preocuparam em provar que sabiam cantar naturalmente cantavam
Não, não, não assim não pode, cantar sem os documentos devidos é um desrespeito a ordem, bradaram os urubus.
E em um nisoro expulsaram da floresta os inofensivos passarinhos que ousavam cantar sem alvarás...

Moral da história: em terra de urubus diplomados não se ouve os cantos dos sabiás