O dito da vez


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A explosiva descoberta
Ainda me atordoa.
Estou cego e vejo.
Arranco os olhos e vejo

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Carlos Drummond de Andrad

28 de dez de 2010

Para 2011 muita coragem...

[Itália] Chamado de solidariedade e coordenação do portal italiano uniriot entre os movimentos estudantis emergentes na Europa


Não é necessário ser o “homem do tempo” para saber como sopra o vento: ocupações de universidades em toda a Europa, bloqueios de cidades, manis furiosas, raiva. Esta é a resposta de uma geração a qual querem cortar o futuro com dívidas para estudar, cortando o estado de bem-estar e aumentar as matrículas.

A determinação de milhares de estudantes em Londres; a fúria daqueles que invadiram o prédio do Senado italiano, contra a austeridade e os cortes na educação, abriram o tempo atual: acontece porque o futuro é algo que se ganha na rua e começa quando se decide, coletivamente, enfrentar o risco e lutar.

As lutas extraordinárias que estamos vivendo têm a capacidade de mostrarmos um presente com uma intensidade que excede a linha do tempo, que rejeita nossa condição precária: é um assalto ao futuro!

Não queremos cair em dívidas; não queremos pagar mais taxas pra estudar em Londres ou em Paris, Viena, Roma, Atenas, Madri, Dublin, Lisboa... Este movimento europeu rejeita as políticas econômicas, recusando-se a entrar em dívida com estes políticos miseráveis. Que se vayan todos!

O que está acontecendo hoje em Roma, surge de Atenas e Paris, seguido de Dublin e Londres: é o surgimento de um movimento que fala uma língua comum, uma mesma geração de jovens revoltados, que habitam diferentes cidades, mas que partilham da mesma determinação para lutar, flutuar como uma borboleta e picar como uma abelha.

Temos que nos reunir e inventar uma nova “gramática política” contra a fraqueza do Estado-nação e sua estratégia para encarar a crise: sua receita é somente a austeridade, cortes e dívida.

Na Itália, não só temos ocupado universidades como também bloqueado auto-estradas e a mobilidade dentro do país para estender a luta além das fronteiras nacionais e chegar à Europa e além. A agitação das lutas está viva no Book Bloc e nas furiosas manifestações de Londres, Paris e Roma.

Neste outono estamos vivendo um movimento estudantil verdadeiramente europeu, que é diferente, radical e realmente heterogêneo. Suas reivindicações comuns vêm de uma forma de protesto que nasceu em meio a crise, e que representa a forma de resposta mais corajosa. É uma luta composta de diferentes lutas, épocas heterogêneas que reivindica mais cadeiras para estudantes e uma universidade pública para todos.

No Book Bloc, uma nova geração tem sido reconhecida e encontrou-se a si mesma no protesto. Hoje, em muitas cidades, o movimento estudantil italiano está demonstrando mais que solidariedade: é porque sua luta é nossa luta, e os estudantes de toda a Europa estão contra o aumento das taxas, da privatização da universidade e os cortes na educação. Você nas está sozinho no Reino Unido: um marco europeu, uma nova geração que não quer parar. Temos a força para mudar o mundo e temos a inteligência para fazê-lo. Este é só o começo!

Propomos aos estudantes, pesquisadores, trabalhadores precários e os estudantes de pós-graduação trabalharmos juntos em um encontro europeu no início de 2011, para continuar a luta e transformar este vento em uma tempestade!

Uniriot Roma

Mais infos: http://www.uniriot.org/

agência de notícias anarquistas-ana

sombras pelo muro:
a borboleta passa
seguindo a anciã...

Rosa Clement

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JUSTIÇA

JUSTIÇA

Agora uma fabulazinha

Me falaram sobre uma floresta distante onde uma história triste aconteceu no tempo em que os pássaros falavam, os urubus bichos altivos mas sem dotes para o canto resolveram mesmo contra a natureza que havia de se tornar grandes cantores.
Abriram escolas e importaram professores, aprenderam


mi

sol

si
Encomendaram diplomas e combinaram provas entre si para escolher quais deles passariam a mandar nos demais a partir daí criaram concursos, inventaram títulos pomposos, cada urubuzinho aprendiz sonhava um dia se tornar um ilustre urubu titular afim de ser chamado por vossa excelência.
Passaram-se décadas arte que a patética harmonia dos urubus maestros foi abalada com a invasão da floresta por canários tagarelas, que faziam coro com periquitos festivos e serenatas com sabiás. Os velhos urubus encrespados entortaram o bico e convocaram canários e periquitos para um rigoroso inquérito:
cade os documentos de seus concursos?
Indagaram, e os pobres passarinhos se olharam assustados... Nunca haviam freqüentado escola de canto pois o canto nascera com eles.
Seu canto era tão natural que nunca se preocuparam em provar que sabiam cantar naturalmente cantavam
Não, não, não assim não pode, cantar sem os documentos devidos é um desrespeito a ordem, bradaram os urubus.
E em um nisoro expulsaram da floresta os inofensivos passarinhos que ousavam cantar sem alvarás...

Moral da história: em terra de urubus diplomados não se ouve os cantos dos sabiás