O dito da vez


Cquote1.svg

A explosiva descoberta
Ainda me atordoa.
Estou cego e vejo.
Arranco os olhos e vejo

Cquote2.svg
Carlos Drummond de Andrad

31 de dez de 2011

um final; um começo


Corre, sacode, socorre

Que seja!
Passaremos entre nós
o que nos resta?
Estar no mundo
ávido por seu EU
intima diferença
Meu corpo, meus medos, minhas intenções –
Não há como fugir das paixões


travamos nossa guerra no cotidiano
entrelaçamos nossas vontades
entre os delírios libertários e libertinos
sem Durruti nos perdemos.

Encontra, contrapeso
quais textos ideais?
Quais idéias validas?
Quem são os malditos certos?
Panfletário, banal, patético?!
E daí?!


Onde quer que eu me fixe
Flutuaria em um plasma da não certeza
e da relegada ânsia por liberdade
km 

30 de dez de 2011

Abrindo a porta da rua



Passando pensando, no que fiz da vida
tecendo a idéia em versos chulos
quebrando a cabeça com questões sinuosas
deixando não deixando
adentrar na vida
minha nossa!

Verdade bem queria
pura, cristalina
dobrar a esquina
no estante inesperado
um suspiro concordado.

Acordado
ato falho
“esperar não é viver”
parando de suspirar
para conhecer.

(Direitos, defeitos, efeitos e bordas
a vida deveres)

Sorrisos de dentes desejados
agora,
Independência ou marte!

km


21 de dez de 2011

Sol do meio dia


Inteiramente incompetente com a vida;
Este corpo amorfo com sua tosse mofa
para no meio
entre a faixa e o semáforo
este vermelho como coração ensangüentado,
motoristas atentos aceleram os motores
com risos amarelos
onde numa boca escorria um riso
na outra vazava um rio.
E eu continuei carregando a certeza das latas...
km ..


15 de dez de 2011

O que é Normal?


O poder surpreendente da imaginação política.

Estamos vivendo uma separação dramática e cada vez maior entre a política do estado normal e poder. Muitos cidadãos ainda acreditam que a política estadual tem o poder. Eles acreditam que os governos, eleitos através de um sistema parlamentar, representam os interesses daqueles que os elegem e que os governos têm o poder de criar a mudança, efetiva e progressiva. Mas eles não fazem e não podem.

Nós não vivemos em democracias. Habitamos plutocracias: governo pelos ricos. As elites empresariais têm poder econômico esmagador sem responsabilidade política. Nas últimas décadas, com a cumplicidade e conivência da classe política, o mundo ocidental tornou-se uma espécie de colégio de empresas ligadas entre si por dinheiro e que serve apenas os interesses de seus líderes de negócios e acionistas.

Esta situação levou ao abismo repugnante e cada vez maior que separa os super-ricos do resto de nós. A  Política de Estado no Ocidente nas últimas quatro décadas tornou-se uma máquina para a criação de grande desigualdade, cuja pátina é uma ideologia de narcisismo cada vez mais insípida. Como a crise da Zona Euro eloquentemente mostra, a política estadual no Ocidente simplesmente existe para servir os interesses do capital na forma de financiamento internacional, a qual exerce um custo humano que Marx nunca poderia ter imaginado em seus sonhos mais selvagens. Não importa o quanto as pessoas sofrem e protestam na rua, é dito, não devemos perturbar os banqueiros. Quem sabe, nossa classificação de crédito pode cair.

É hora de levar a política de volta da classe política através da confrontação com o poder do capital financeiro. O que é tão inspirador sobre os vários movimentos sociais que todos nós muito levianamente chamam de Primavera árabe, é a sua determinação corajosa para recuperar a autonomia e autodeterminação política. As exigências dos manifestantes na Praça Tahrir e em outros lugares são realmente muito clássica: eles se recusam a viver em ditaduras autoritárias apoiado para servir os interesses do capital ocidental, corporações e elites locais corruptas. Eles querem recuperar a propriedade dos meios de produção, por exemplo através da nacionalização de indústrias estatais importantes.

Os vários movimentos no norte da África e do Oriente Médio - é simplesmente cheio de admiração pela sua coragem individual e coletiva e persistência pacífica - visam uma coisa: a autonomia. Eles exigem a propriedade coletiva dos lugares onde se vive, trabalha, pensa e joga. Vamos ser claros: não é só a democracia que está sendo exigida em todo o mundo árabe, é o socialismo. E as táticas que têm sido desenvolvidas para realizá-la são anarquistas.

Há uma visão profundamente paternalista desses protestos - comum entre os políticos ocidentais e os seus epígonos intelectual - ou seja, que eles querem o que temos: a democracia liberal e a economia neoliberal dos nossos regimes . Pelo contrário, os movimentos no norte da África e no Oriente Médio deve ser apresentado como um exemplo brilhante para europeus e as sociedades norte-americanas do que de repente não parece apenas possível, mas cada vez mais provável: que outra forma de conceber e praticar relações sociais não é apenas possível, é viável.

Políticos do Ocidente devem ter medo, muito medo. O relógio está correndo. O que vemos nas nossas sociedades emergentes com coragem, coerência e clareza são movimentos que se recusam a separação da política e do poder e que querem tomar o poder de volta através da invenção de novas formas de ativismo político.

É com este espírito que eu gostaria de comemorar e felicitar os manifestantes nas ocupações de Wall Street e seus seguidores em todo o mundo.

Não devemos prever o futuro, mas acho que estamos entrando em um período de, cada vez maiores deslocamentos sociais e da desordem, que abriga dentro de si inúmeros riscos, inversões dialéticas, derrotas, perigos, falsas partidas e falso derrotas. Mas eu acho que todos nós estamos chegando à conclusão de poderosa e simples de que os seres humanos agindo pacificamente juntos em concerto pode fazer qualquer coisa - e nada pode detê-los.

Algo está acontecendo. Algo está a mudar nas relações entre política e poder. Nós não sabemos onde ele vai levar, mas o consenso de quatro década ideológica que tem apenas permitiu a criação de desigualdade grotesca foi quebrada, e tudo e tudo de repente é possível. O que exigem agora é a solidariedade, a persistência e o poder infinitamente surpreendente do imaginário político.

Texto Original de Simon Critchley, professor de filosofia na New School for Social Research, em Nova York.
Traduzido por Karina Meireles

12 de dez de 2011

Lançamento: Pedagogia e Revolução



Faure, Reclus e outros são abordados por Grégory Chambat em Pedagogia e Revolução, questões de classe e (re)leituras pedagógicas, publicado pela Edições Libertalia.

Confinado somente a questão dos meios ou preso à querela artificial que opõe re(aça)publicanos e pedagogos, o debate sobre a escola é ainda hoje um impasse.

Propor uma releitura dos “clássicos” da pedagogia e questionar sua atualidade à luz das questões do presente é uma maneira de reativar essa inspiração revolucionária que guiou os educadores de ontem.

De Francisco Ferrer a Jacques Rancière, passando por Celestin Freinet, Paulo Freire ou Ivan Illich, se recolhem as crônicas publicadas na revista N”Autre École e se esboça os resultados de um século de práticas e de lutas para uma educação realmente emancipadora.

Esse percurso pedagógico alcança igualmente os caminhos esquecidos ou mais inacessíveis: o aporte do sindicalismo revolucionário, de Fernand Pelloutier a Albert Thierry ou a obra educativa da revolução libertária espanhola. Por que, se a posteridade conservou o traço de quaisquer das figuras invocadas aqui, ela não deve nos fazer esquecer que o combate para uma escola de liberdade e de igualdade foi sempre uma prática coletiva e social. No domínio da pedagogia, como dentro da ação militante, quem sabe o que está falando é aquele que fez parte...

Montaigne afirmou: “Educar, não é encher um vaso, mas acender um fogo”... é tempo de assoprar sobre as brasas!

O autor

No ensino desde 1995, Grégory Chambat trabalha com os alunos não francófonos num colégio de Mantes-la-Ville (78). Militante da CNT- educação, ele participa do comitê de redação da revista N'Autre école. Ele publicou Instruir para Revoltar, Fernand Pelloutier e a educação [N.T.: publicado no Brasil pela editora Faísca], sobre uma pedagogia de ação direta, e coordenou o livro de entrevistas École: une revolution necessaire (edições CNT).

Sumário

• Introdução

• Sobre uma pedagogia socialmente crítica...

• Um mito que tem a vida dura: a escola de Ferry segundo Jean Foucambert

• Às fontes do sindicalismo: nem curas, nem patrões, nem Estado

• “Instruir para revoltar”, Pelloutier ou a pedagogia da ação direta

• Albert Thierry, o homem presa de crianças

• Francisco Ferrer: uma escola para o Social?

• Espanha 1936: a escola faz sua revolução

• Korczak: a outra insurreição de Varsóvia

• “Uma sociedade sem escola?” Ivan Illich

• A pedagogia dos oprimidos de Paulo Freire

• Bourdieu e a escola

• Jacques Rancière: a escola ou a democracia?

• Freinet... longe?

Edições Libertalia: http://editionslibertalia.com/

Tradução > Tio TAZ

agência de notícias anarquistas-ana

8 de dez de 2011

Algumas das lutas sociais mais inspiradoras de 2011 colocaram a democracia no topo da agenda.



Mesmo emergindo de condições muito diferentes, estes movimentos - desde as insurreições da Primavera dos árabes à luta sindical no Wisconsin, desde os protestos estudantis no Chile para aqueles que dos EUA e Europa, desde os motins do Reino Unido para as ocupações do indignados Espanhol e os gregos na Praça Syntagma, e de Wall Street Ocupar a inumeráveis formas locais de preferência em todo o mundo - partes, antes de tudo, uma demanda negativa: Chega com as estruturas do neoliberalismo! Este grito comum é não só o protesto econômico, mas também de imediato, uma decisão política, contra as falsas alegações da representação. Nem Mubarak e Ben Ali, nem banqueiros de Wall Street, as elites, nem da mídia nem mesmo presidentes, governadores, parlamentares e outros funcionários eleitos - nenhum deles nos representa. A força extraordinária de recusa é muito importante, é claro, mas devemos ter cuidado para não perder no tumulto das manifestações e conflitos de um elemento central que vai além do protesto e resistência. Esses movimentos também compartilham a aspiração de um novo tipo de democracia, expresso em vozes provisória e incerta em alguns casos, mas de forma explícita e com força em outros. O desenvolvimento dessa aspiração é um dos tópicos que estamos mais ansiosos para seguir em 2012.

Uma fonte de antagonismo que todos estes movimentos terão de enfrentar, mesmo aqueles que acabaram derrubando os ditadores, é a insuficiência das modernas constituições democráticas, particularmente os seus regimes de trabalho, a representação da propriedade. E nestas constituições, antes de tudo, o trabalho assalariado é a chave para ter acesso a renda e os direitos básicos de cidadania, uma relação que há muito tempo funcionou mal para aqueles que estão fora do mercado de trabalho regular, incluindo os pobres, os desempregados, trabalhadores do sexo feminino não remunerado, imigrantes, e outros, mas hoje todas as formas de trabalho são cada vez mais precárias e inseguras. O trabalho continua a ser a fonte de riqueza na sociedade capitalista, é claro, mas cada vez mais fora da relação com o capital e, muitas vezes fora da relação salarial estável. Como resultado, a nossa constituição social continua a exigir o trabalho assalariado para os direitos de acesso completo, e em uma sociedade onde o trabalho seja cada vez menos disponível.

A propriedade privada é um segundo pilar fundamental das constituições democráticas, e contestam hoje os movimentos sociais não somente os regimes nacionais e globais de governança neoliberal, mas também a regra de propriedade em geral. Propriedade não só mantém as divisões sociais e hierarquias, mas também gera alguns dos títulos mais poderosos (muitas vezes as conexões perversas) que partilhamos uns com os outros na nossa sociedade. E ainda a produção social e econômica contemporânea tem um caráter cada vez mais comum, que desafia e excede os limites da propriedade. Capacidade do capital para gerar o lucro está em declínio, uma vez que está perdendo a sua capacidade empresarial e seu poder de administrar a disciplina social e cooperação. Em vez do capital gerar cada vez mais riqueza acumula principalmente através de formulários de renda, na maioria das vezes organizada através de instrumentos financeiros, através do qual se capta o valor que é produzido socialmente e relativamente independente do seu poder. Mas todos os casos de acumulação privada reduz o poder e produtividade do comum. A propriedade privada é, portanto, cada vez mais não só um parasita, mas também um obstáculo para a produção social e bem-estar social.

Finalmente, um terceiro pilar das constituições democráticas, e objeto de antagonismo crescente, como dissemos anteriormente, repousa sobre os sistemas de representação e suas falsas alegações para estabelecer a governança democrática. Pondo fim ao poder de representantes políticos profissionais é um dos poucos slogans da tradição socialista que podemos afirmar de coração em nossa condição contemporânea. Políticos profissionais, juntamente com líderes empresariais e da elite da mídia, operam apenas uma espécie a mais fraca de função representativa. O problema não é tanto que os políticos são corruptos (embora em muitos casos, isso também é verdade), mas sim que a estrutura constitucional isola os mecanismos de tomada de decisão política das potências e desejos da multidão. Um verdadeiro processo de democratização das nossas sociedades tem de atacar a falta de representação e os falsos pretextos de representação no cerne da constituição.

Reconhecendo a racionalidade e necessidade de revolta ao longo destes três eixos e muitos outros, que animam muitas lutas hoje, é, no entanto, realmente só o primeiro passo, o ponto de partida. O calor da indignação e da espontaneidade de revolta tem que ser organizado para durar ao longo do tempo e construir novas formas de vida alternativa, formações sociais.

Os segredos para o próximo passo são tão raros como eles são preciosos.

No terreno econômico, precisamos descobrir novas tecnologias sociais para produzir livremente em comum e para distribuir equitativamente a riqueza compartilhada. Como podem as nossas energias produtivas e desejos ser contratado e aumentou em uma economia não fundada na propriedade privada? Como pode o bem-estar e recursos sociais básicos ser fornecida a todos em uma estrutura social não regulado e dominado pela propriedade estatal? Devemos construir relações de produção e de troca, bem como as estruturas de bem-estar social que são compostos de e adequada para o comum.

Os desafios no terreno político são igualmente espinhoso. Alguns dos eventos mais inspiradores e inovadores e revoltas na última década têm radicalizado pensamento democrático e a prática de ocupação e organização de um espaço, como uma praça pública, abertas as estruturas de participação ou conjuntos, mantendo estas novas formas democráticas durante semanas ou meses . Na verdade, a organização interna dos próprios movimentos tem sido constantemente submetidas a processos de democratização, que se esforça para criar estruturas de rede horizontal participativa. As revoltas contra o sistema político dominante, os políticos profissionais, e as suas estruturas ilegítimas de representação não são, portanto destinadas a restabelecer algum sistema de representação legítima imaginado do passado, mas sim na experimentação de novas formas democráticas de expressão: Democracia reais. Como podemos transformar a indignação e revolta em um processo constituinte e duradoura? Como pode experiências de democracia tornar-se um poder constituinte, não só democratizar uma praça pública ou um bairro, mas também inventando uma sociedade alternativa que é realmente democrática?

Para enfrentar essas questões, nós, juntamente com muitos outros, propuseram possíveis passos iniciais, como a criação de uma renda garantida, o direito à cidadania global, e um processo de reapropriação democrática do comum. Mas estamos sob nenhuma ilusão de que temos todas as respostas. Em vez disso, somos incentivados pelo fato de que não estamos sozinhos fazendo as perguntas. Estamos confiantes, de fato, que aqueles que estão insatisfeitos com a vida proporcionada por nossa sociedade contemporânea neoliberal, indignado com suas injustiças, rebeldes contra os seus poderes de comando e exploração, e anseio por uma forma alternativa de vida democrático baseado na riqueza comum nós compartilhamos - eles, colocando essas questões e buscando os seus desejos, vai inventar novas soluções ainda não podemos sequer imaginar. Esses são alguns dos nossos melhores desejos para 2012.


Texto de Michael Hardt e Antonio Negri
Tradução: Karina Meireles

7 de dez de 2011

[Grécia] 6 de dezembro de 2011: Três anos depois, as manifestações dos estudantes enviam múltiplas mensagens para a sociedade


6 de dezembro de 2011: três anos após o assassinato do adolescente Alexandros Grigoropoulos por dois policiais, guardas do Regime, a Democracia nos quer fazer esquecer, quer impor a sua normalidade, através da repressão, do terrorismo e da desinformação. Quer espalhar o medo, acabar com as manifestações contra a sua Soberania. Hoje, no entanto, recebeu uma resposta de milhares de alunos e estudantes, que enviaram várias e múltiplas mensagens a sociedade grega e aos oprimidos de todo o mundo.

Desde a manhã desta terça-feira, se espalhou por todo o centro de Atenas uma atmosfera de terror. Agentes de segurança, secretas e policiais à paisana estavam espalhados por todas as partes. Detiveram fotógrafos e tiraram as suas câmeras, intimidaram as pessoas que iam para o centro para participar das manifestações, fecharam as estações de metrô e bombardearam os passageiros com publicidade constante, aterrorizando-os com a TV e o rádio.

Pela manhã, em vários pontos dos bairros nos arredores de Atenas foram realizadas concentrações massivas, com bloqueios de ruas, cercos de delegacias de polícia e confrontos com as forças da guarda pretoriana da ditadura parlamentar. Muitas delas tornaram-se passeatas pelos bairros e depois se dirigiram para o centro da cidade, onde havia sido convocada a manifestação estudantil de toda Atenas.

A manifestação dos estudantes do ensino secundário começou por volta do meio-dia. Mais de 5.000 pessoas marcharam até o Parlamento. Ali começaram os conflitos entre alunos e policiais da chamada tropa de choque, armados até os dentes. Os alunos estiveram jogando pedras, objetos e coquetéis molotov ao pé do Parlamento, onde fica o Monumento do Soldado Desconhecido. Os policiais responderam com granadas de barulho, gás lacrimogêneo e outras substâncias químicas. Os conflitos continuaram por muito tempo. Em seguida, os policiais cercaram e evacuaram a Praça do Parlamento (Syntagma). Os manifestantes foram evacuados e espalhados, no início para os arredores da praça, e depois foram dispersados pela polícia para várias direções.

Houve vários feridos e detidos. Os policiais não hesitaram em lançar gases e granadas de barulho até o centro de primeiros socorros que tinha sido montado no centro da praça. Da mesma forma eles fizeram dentro da estação de metrô, onde estavam sendo transportados os feridos para o consultório da estação. Além disso, vários dos lesionados, incluindo um gravemente ferido, tiveram que ficar mais de duas horas esperando para serem recolhidos por uma ambulância.

Poucos minutos antes da manifestação, grupos da chamada tropa de choque e policiais à paisana invadiram o edifício do espaço social livre "Nosotros", que fica a poucos minutos do Propyleos da velha Universidade, onde ia começar a marcha dos estudantes. O ataque durou menos de meia hora. Durante este tempo as pessoas que se reuniram em frente do prédio do espaço "Nosotros” foram fortemente evacuadas pelos policiais. Mais uma vez o Regime da Democracia não esconde as aparências, nem sequer respeita suas próprias leis: o ataque foi conduzido sem nenhum mandado judicial, porque o espaço “Nosotros" está abrigado em um prédio alugado.

Note-se que pouco antes do início da manifestação, os estudantes e outros jovens identificaram um policial disfarçado dentro da manifestação e lhes deram uma surra. Esta é outra das muitas mensagens que enviaram os estudantes de Atenas para a sociedade.

Além disso, na cidade de Agrinio, muitos manifestantes entraram em confronto com as forças repressivas do Regime e depois dos conflitos ocuparam a Prefeitura Municipal¹. Em Tessalônica, muitos estudantes atacaram o pelotão de policiais, delegacias de polícia e ministérios. Durante a manifestação, não hesitaram em envolver-se em conversas ou discussões com pessoas que falaram com desprezo deles. "Vocês também nos destruíram a vida" foi um dos comentários dirigidos aos eleitores dóceis e obedientes dos partidos políticos governantes, que foram encontrados em seu caminho. Houve também incidentes semelhantes em várias outras cidades.

Às 18h (horário grego), haverá uma manifestação no centro de Atenas, organizada por vários grupos.

[1] Fotos: http://leguilotine.blogspot.com/2011/12/6122011.html


agência de notícias anarquistas-ana


Olhar esquivo


corpo ondulante


sonho vivo


Eugénia Tabosa

4 de dez de 2011

E agora...



Acordando,
Somos todos transparentes
E agora que sejamos
Corajosos,
Revelando em cada ato
O desfiar dos pecados.
km


1 de dez de 2011

Mais um pouco de anarquismo...

 
“A liberdade a qual o anarquismo busca, propõe e luta não é a liberdade irresponsável e fantasiosa onde se tem o direito de se fazer o que quiser, no momento que desejar e na forma que for conveniente como imaginam os leigos. Também não é a liberdade pregada pela ideologia burguesa que se limita ao direito de ir e vir, de expressão e de escolher seu governante ou explorador muito menos o anarquismo propõe a supremacia da liberdade do indivíduo sobre o da coletividade como falsamente afirmam os socialistas autoritários (estadistas) com o propósito óbvio de deturpar o anarquismo. Tanto a ideologia burguesa como os socialistas autoritários insistem em dizer que a liberdade plena é impossível de ser realizada, no entanto utilizam-se de argumentos diferentes para tentar justificar seu desejo pelo poder. Os socialistas autoritários se apegam à falsa idéia de que a liberdade proposta pelo anarquismo pressupõe uma supervalorização e uma supremacia da liberdade individual sobre a coletiva, insistindo na idéia de que o interesse da coletividade deve estar em primeira ordem estando o indivíduo subordinado a coletividade, ou seja, ao Estado (ditadura do proletariado), onde somente a partir dele provem o seu direito e a sua vida. Já os burgueses propõem uma forma de liberdade limitada, condicional e vigiada, se utilizando sempre de chavões do tipo “a liberdade de um homem termina onde a liberdade do outro começa”... Ora companheiros, nada mais falso! O que estes ardorosos defensores da autoridade e do poder não sabem ou fingem não saber, e que nós anarquistas estamos aqui para lembrar é que a verdadeira liberdade não tem fim nem limites, tampouco uma forma de liberdade tem supremacia ou privilégio em relação à outra. Liberdade e anarquismo não têm final, apenas um começo que vai até onde a liberdade de todos e de cada um sonhar em alcançar e até, talvez, vá um pouco mais além. Liberdade significa viver numa sociedade de iguais.” – Errico Malatesta.

Estamos prontos?!

30 de nov de 2011

Alan Moore fala das máscaras de Guy Fawkes


Hoje em dia ver na rua uma máscara de Guy Fawkes é um símbolo da dissidência e da Internet, de novas rebeliões e tecnologia - algo que seu criador Alan Moore provavelmente não imaginava quando criou ‘V for Vendetta’ (V de Vingança). Neste contexto, o The Guardian¹ obteve a opinião do escritor de novelas gráficas, anarquista e mago do caos; opinião imperdível, por tão lúcida:


Suponho que quando estava escrevendo ‘V de Vingança’ pensei do fundo do meu coração: não seria ótimo se essas idéias tivessem impacto? Então, quando você começa a ver que essa fantasia ociosa entra no mundo normal... É curioso. Se sente como um personagem que, criado há 30 anos, escapou de alguma maneira do reino da ficção.


A máscara converte os protestos em performances... cria uma sensação de romance e drama, como em uma ópera. Isto é, manifestar, marchar em protesto, pode ser exigente, muito estressante... muito triste. São coisas que devem ser feitas, mas não significa que sejam extremamente agradáveis, quando na realidade deveriam ser...

Sobre a grande ironia referente à Warner ganhar enormes quantias de dinheiro com a venda de máscaras, Moore diz:


Considero cômica a tentativa da Time Warner de caminhar nesta corda bamba... É embaraçoso ser uma empresa que obtém dinheiro com protestos anticorporativos. Não é nada com o que eles queiram ser relacionados. Mas o fato é que eles não gostam de perder dinheiro: vai contra todos os seus instintos... Acho mais divertido do que irritante.

A internet é uma rede projetada para ser descentralizada, mas não de modo a não ser apagada (como Egito), censurada ou controlada de alguma maneira. Esta idéia essencial é colocada no centro do ‘V de Vingança’, apesar do limitado conhecimento técnico de Moore:

A razão pela qual a cruzada de V contra o Estado acaba por ser bem sucedida é que, em ‘V de Vingança’, o Estado encontra-se sobre uma rede de computador centralizada, em que V é capaz de hackear. Não é uma idéia óbvia em 1981, mas me pareceu interessante para uma história de aventuras. Trinta anos se passaram e você está vivendo-a.

Moore vê o que está acontecendo com o Anonymous na rede e os protestos de rua desde uma perspectiva histórica, instrutiva e, não obstante, seu espírito anarquista, com algum grau de esperança:

Provavelmente seria melhor se as autoridades aceitassem que esta é uma situação nova, que isso é a história acontecendo. A história é algo que acontece em ondas. Geralmente é melhor ir [em harmonia] com essas ondas, não fazer com que volte... Espero que os líderes mundiais entendam isso.

Se Alan Moore não foi o criador de máscara alguma, muito menos da vida e obra de Fawkes o conspirador, certamente soube elaborar um imaginário poderoso, profundo e universal, que perdurará por eras.

[1] http://www.guardian.co.uk/books/2011/nov/27/alan-moore-v-vendetta-mask-protest

29 de nov de 2011

Documentários Malditos da Meia-noite

O POVO EM ARMAS






Tradução foi minha, mais a edição foi do Bud..

25 de nov de 2011

[EUA] O que eles querem?



por Mumia Abu-Jamal

Com poucas exceções, a maioria da mídia corporativa, cadeias de televisão, jornais nacionais, etc. têm tratado os protestos do Okupa Wall Street do mês passado como algo semelhante a um OVNI: curioso, estranho e inescrutável.

Desde os microfones de todo o país ouvimos as mesmas perguntas: O que eles querem? Quais são as suas exigências? ou Por que fazem isso?

Ao fazer isso, a mídia tem difundido mais confusão do que informação e tem prejudicado seus ouvintes, telespectadores e leitores. Tornaram-se provedores de desinformação e, para dizer o mínimo, não são muito honestos.

O movimento okupa não poderia ter sido mais claro sobre as suas metas e objetivos. De fato, apenas alguns dias após o início de sua ocupação, publicaram um jornal de 4 páginas a cores chamado Wall Street Jornal Ocupado. Traz uma declaração na 3ª página, anunciando exatamente o que os uniu e por quê. É intitulado “A Declaração da Ocupação” e em sua linguagem e tom, é muito semelhante à Declaração da Independência.

Fala da “solidariedade” com os outros e busca acabar com a “injustiça massiva” enfrentada por milhões de americanos e outras pessoas que “se sentem ofendidas pelas forças corporativas do mundo”.

Em suma, levantam a voz contra a ganância corporativa, as execuções hipotecárias, os resgates financeiros de Wall Street, a discriminação, os empréstimos estudantis a taxas exorbitantes, a corrupção política, a degradação ambiental, as guerras no exterior, e o controle corporativo dos meios de comunicação que “mantém as pessoas desinformadas e com medo”.

Aha. Aí está.

Não é ciência nuclear. Não poderia ser mais clara.

O jornal é doado.

Se os jornalistas não puderam ter tempo para ir ao centro de Manhattan, ou ao centro de sua cidade, para encontrar uma cópia, poderão ver em seu computador em: occupywallst.org.

Sério.

Note que eu não tenho acesso a um computador. Isso não é permitido no corredor da morte. E não só isso. Não é permitido em qualquer prisão do estado da Pensilvânia.

Mas um contato me enviou uma cópia do Wall Street Jornal Ocupado por correio e eu li. Por que não poderiam ter feito o mesmo os jornalistas da grande mídia? A menos que queriam “manter as pessoas desinformadas”.

Do corredor da morte, sou Mumia Abu-Jamal.

Quarta-feira, 2 de novembro de 2011

[Mumia livre já! No dia 9 de dezembro de 2011 completa 30 anos de detenção e prisão do jornalista revolucionário Mumia Abu-Jamal. Mumia é um prisioneiro político condenado à morte NÃO por assassinar o policial Daniel Faulkner na Filadélfia, em 9 de dezembro de 1981, como alegam seus inimigos liderados pela Ordem Fraternal da Polícia (FOP) e a Promotoria daquela cidade, mas por seu ativismo com os Panteras Negras, a sua proximidade com a organização MOVE e seu jornalismo honesto e combativo. Sua sentença vingativa só reflete o medo dos ricos e poderosos ao seu exemplo de luta que poderia ser seguido pela juventude de hoje. Mumia livre já!]

agência de notícias anarquistas-ana



pica-pau pinica

na fenda da amendoeira

o suco da vida

Wagner Marim

21 de nov de 2011

[Espanha] “O espírito de resistência contra os ataques do capital é hoje tão necessário quanto em 36”


[Antonio Altarriba (Zaragoza, 1952) dedicou uma vida inteira a escrever. Em um gênero normalmente associado aos super-heróis, sua novela gráfica El Arte de Volar (A Arte de Voar), feita junto com o cartunista Kim, é uma história emocionante, melancólica e muito real, da guerra civil.]

M. Cobo / Jornal CNT


Pergunta: Por que decidiu escrever a história em primeira pessoa?

Resposta: Comecei referindo-me a meu pai em terceira pessoa. Mas não me senti bem e a história não fluía. Sentia uma grande separação entre meu pai e eu. Arroguei o papel de narrador e ele se converteu em personagem, de alguma forma em um objeto diferente e distante de mim. Então tive a ideia de me tornar em meu pai, de formar com ele uma só pessoa. Quando eu não havia nascido, estava nele como potencial genético. Agora que ele morreu, seu sangue corre em minhas veias. Além disso, assim a história me parecia mais autêntica. A voz que conta a história não fala como meu pai. Mas tão pouco como eu. É uma entidade mista, inserida entre a atualidade dos fatos descritos, os percentuais de ficção que dão realismo e, sem dúvida, a identificação do leitor.

Pergunta: Como tem sido a recepção de “A arte de Voar” na França?

Resposta: O livro foi lançado na França em abril. E está funcionando muito bem. Se não me engano, já vai para a quarta edição. Para mim era muito importante que o livro fosse publicado na França. Uma parte da história acontece lá. E lá vivem muitos dos descendentes daqueles que, como meu pai, abandonaram a Espanha pela guerra civil ou pela repressão franquista. Além disso, queria que os franceses se confrontassem com aquele episódio vergonhoso de sua história, que foi o acolhimento dado a exilados, amontoando-os e deixando-os morrer em verdadeiros campos de concentração. O objetivo parece cumprido.

Pergunta: Outros autores fizeram comics com a guerra civil como protagonista ou pano de fundo: Carlos Giménez e sua saga ‘Paracuellos’, Jorge García com ‘Cuerda de presas’, Ángel de la Calle e sua biografia de Tina Modotti... Tem surgido, depois de fazer ‘A arte de Voar’, mais histórias para contar semelhantes ou paralelas as que seu pai viveu, enquadradas na Guerra Civil ou no pós-guerra?

Resposta: O livro provoca muitas memórias. E uma grande quantidade de leitores me escreve ou vem para as apresentações e me contam sua história ou de sua família. Estou me tornando um repositório de uma memória histórica especialmente esquecida e profundamente dilacerada. É uma autêntica mina de relatos. Não descarto, portanto, voltar ao tema ou período. Mas a escrita deste roteiro era tão absorvente e tão dolorosa que agora quero mudar. Na verdade estou preparando um roteiro fantasioso, colorido e bem-humorado. Veremos mais adiante.

Pergunta: Você vê correlação entre a situação política em que viveu seu pai em 36 e a atual?

Resposta: Bem, tal como vemos, cada vez se assemelham mais. De qualquer forma, passamos por um momento que exige uma visão crítica, fornecendo evidências ostensivas sobre a correlação entre poder e corrupção, que incentiva ataques sistemáticos contra as posições dos trabalhadores e setores desfavorecidos... São outros tempos, outras circunstâncias e outras mentalidades, diferentes da guerra civil. Mas o espírito de resistência, o desmascaramento dos mecanismos de opressão, a solidariedade contra os ataques do capital são tão necessários hoje como então. Há tempos que não deixavam tão expostos os mecanismos injustos em que nossa sociedade se baseia.

Pergunta: Recentemente foi apresentado no Festival de Cinema de São Sebastião o filme de animação Arrugas, baseado no comic homônimo de Paco Roca e que recebeu o Prêmio Nacional de Comic em 2008. Kim e você receberam o prêmio em 2010. Fizeram ofertas para adaptar ‘A arte de Voar’ para outro formato?

Resposta: Sim, estamos recebendo algumas propostas. E uma delas, que seria para fazer um filme de animação, é uma opção muito tentadora. Estamos esperando que se definam mais projetos para tomar uma decisão.


Jornal “CNT” Nº 383 – novembro de 2011

agência de notícias anarquistas-ana



tocar sobre teu corpo

ao silêncio das estrelas

um acorde de guitarra

Lisa Carducci

15 de nov de 2011

Documentário: "Paideia, escola livre. 15 anos de educação antiautoritária"‏

Vídeo produzido pela Escola Livre Paideia, em 1993, em que celebra seu 15º aniversário e narra suas experiências e métodos de ensino durante seus primeiros anos. 

Desde 1978 até o presente, Paideia mantém a mesma ideologia e o mesmo propósito. Na sua página (link abaixo) é possível encontrar a origem do projeto, seu funcionamento, as suas idéias sobre pedagogia libertária e uma extensa bibliografia existente sobre ela, um álbum de fotos da escola e de algumas atividades que são desenvolvidas, uma cyber-livraria para poder comprar livros e vídeos, boletins produzidos pelos alunos e alunas da escola e muito mais. 

Mais infos:
http://www.paideiaescuelalibre.org/  


Documentário:




Branca borboleta
Revoando tão baixinho
Sorri margaridas

Paula Cury

31 de out de 2011

Novembro Negro


Esforçamo-nos para adquirir, dentro dos limites de nossas possibilidades, esta educação integral que deve ser generalizada; estudamos os escritores que falaram dela, procuramos informar-nos sobre as novas tentativas, com maior ou menor êxito, relativa à educação particular e coletiva; muitas discussões com pensadores honestos nos ajudam a considerar o problema sob suas diversas facetas.
Paul Robin

A fim de dar sequência a esse esforço acontecerá o Novembro Negro, evento de divulgação e debate de ideias anarquistas, dando ênfase à educação libertária. O evento acontece de 3 a 25 de Novembro e contará com debates, filmes e shows. Todas as atividades acontecerão na Faculdade de Educação da USP (campus Butantã – pegar qualquer ônibus para a USP e descer no 1º ponto da Cid. Universitária).

Debates19h30Sala 124
Filmes18hCentro Acadêmico Professor Paulo Freire
Shows22h – você saberá onde é

03/11 – Debate 1 – Pedagogia Libertária, algumas experiências

Raisa Guimarães -Graduanda de Pedagogia – UNIFESP
O anarquismo apresenta-se principalmente como um movimento político que nasceu das classes menos favorecidas, econômica e politicamente, na Europa do século XVIII. E a representação máxima contra os aparelhos estatais e a Igreja visto por eles como alienantes das massas e que por isso devem ser destruídos. Contudo para conseguirem alcançar a revolução social com base na igualdade e liberdade, os anarquistas expressam de formar enfática numa transformação do ensino para as crianças das classes populares, uma educação que não seja para formar mão-de-obra barata, mas uma educação revolucionária, emancipadora baseada no apoio mútuo, na co-educação de gêneros, na autogestão. Para aqueles que pensam que essas idéias e ideais são apenas utopias não realizáveis, venho mostra-lhes algumas experiências estrangeiras e brasileiras de educação libertária.

04/11 – Filme 1 – A estratégia do caracol (1993 – Colômbia)

Moradores da Casa Uribe, propriedade de Dr. Holguín, um jovem magnata, lutam contra as ameaças de desalojo. Defendendo o edifício contra juízes e policiais, planejam uma original estratégia, proposta por Dom Jacinto, um velho anarquista espanhol. A luta contra os especuladores parece estar perdida antes de começar, mas os vizinhos estão dispostos a fazer todo o possível para defender sua dignidade.

09/11 – Debate 2 – Espaços Autônomos

Biblioteca Terra Livre e Ativismo ABC
Os espaços autônomos se constituem desde o início do movimento anarquista como espaços de encontro. Historicamente grupos anarcosindicalistas, centros de cultura e escolas libertárias se organizavam no mesmo espaço físico. Na história recente do anarquismo brasileiro os espaços autônomos anarquistas tem desempenhado um importante papel para o encontro e difusão de anarquistas.
A Biblioteca Terra Livre (São Paulo) e o Coletivo Ativismo ABC (Santo André) trarão a experiência da vivência, da construção e manutenção destes espaços ao longo dos últimos dez anos. Buscando debater sobre o caráter educativo que tais iniciativas podem adquirir a partir da prática e experiência da manutenção de um local físico e permanente, de gestão e uso coletivo.

10/11 – Debate 3 – Autonomia Operária como pedagogia

Paulo V. Marques Dias – Doutorando em Estado, Sociedade e Educação pela FEUSP.
Através de uma visita a teóricos heréticos dentro do marxismo, que se posicionavam contra o estatismo e a burocracia, podemos vislumbrar todo um universo teórico e conceitual muito útil às lutas sociais. No caso, trata-se da abordagem sobre a formação dos sujeitos feita dentro da perspectiva autonomista, que vai desde uma crítica da burocracia, do estado, da organização do trabalho na empresa e da estrutura hierarquica e fabril escolar, até uma crítica ampla da indústria cultural e dos lazeres programados como forma educativa do capital estabelecer seu controle social. Igualmente, esta análise não olha apenas para os mecanismos de dominação, mas considera a resistência espontânea e autônoma engendrada pelos trabalhadores dentro do processo, criando alternativas sociais de organização nova. Assim, a luta autônoma se transforma na pedagogia da geração da consciência através da luta social e no processo, dispensando formas de direção de consciência e adestramento dos indivíduos

11/11 – Filme 2 – Patagônia Rebelde (1974 – Argentina)

A trama começa quando frente a situação econômica as sociedadas trabalhadoras de Puerto San Julián e Río Gallegos, afiliadas a chamada “FORA comunista”, dominada pelos anarcossindicalistas para distinguir-la da “FORA do 9º Congresso”, dominada pelos sindicalistas revolucionários, começam uma campanha de sindicalização de peões, esquiladores e outros assalariados, mas a resposta dos estancieros foi extremadamente dura: despedidos, violência, ameaças, a simples elaboração de petições por parte dos peões podia dar lugar a represalias. Esta conduta de intensificação do conflito que traria a rebelião dos trabalhadores contra os patrões e as instituições estatais.

17/11 – Debate 4 – Educação-Cultura e Anarquismo

Doris Accioly – Professora da FEUSP
A inseparabilidade educação-cultura na experiência anarquista, tendo como referência o movimento anarquista na Espanha e no Brasil, entre finais do século XIX e a década de 1930. O modo como os anarquistas fizeram sempre da cultura um ato pedagógico, educativo. Algumas concepções estéticas anarquistas , sublinhando sua singularidade frente a outras , inclusive relativamente ao campo político-social do que em geral se denomina esquerda.

18/11 – Filme 3 – Libertárias (1996 – Itália, Espanha e Bélgica)

Em 18 de julho de 1936 o exército espanhol se rebela contra o Governo da República. Seis mulheres de origens e classes sociais diferentes se organizam em um grupo de anarquistas para lutar, de igual para igual com os homens, contra as tropas nacionais. Uma freira que descobre a solidariedade fora da fé, prostitutas, operárias, etc., unidas para defender seus ideais políticos e, ao mesmo tempo, fazer entender a seus companheiros as mudanças ideológicas e sociais pelas quais elas também almejam conquistar.

23/11 – Debate 5 – Autonomia e Conhecimento Livre

Biblioteca Terra Livre
A Biblioteca Terra Livre e Grupo de Estudos Educação e Anarquismo promoverão um debate sobre a experiência dos Grupos de Estudos e a importância da Autonomia para a construção de um conhecimento livre e libertador. A intenção deste debate é compartilhar esta experiência de educação libertária que já vem ocorrendo a um ano, na sede da Biblioteca, quinzenalmente. As leituras do grupo já passaram por textos clássicos do pensamento anarquista bem como pelas experiências de escolas anarquistas realizadas no Brasil e no mundo. O debate será aberto a todos.

24/11 – Debate 6 – Pedagogia Libertária e construção da liberdade

Silvio Gallo – Professor da FE/UNICAMP
Quando falamos em pedagogia libertária, pensamos logo em liberdade. A pedagogia libertária, sem dúvida, é uma prática de educação para a liberdade. Mas a questão é saber o que é liberdade. Não são poucos os conceitos de liberdade, mas podemos agrupá-los em duas grandes linhas: aqueles que consideram a liberdade uma característica natural do indivíduo; e aqueles que pensam a liberdade como uma construção social, coletiva.

No primeiro grupo, temos os filósofos liberais, como John Locke, Jean-Jacques Rousseau, por exemplo, que pensam a liberdade desde uma perspectiva individual. O caso de Rousseau é emblemático para a educação, uma vez que ele escreveu um tratado sobre como educar um indivíduo em liberdade, desde seu nascimento (Emílio, ou da Educação, publicado em 1762). Essa visão de liberdade está articulada com uma concepção individualista de sociedade.

No outro grupo, podemos colocar filósofos anarquistas, como Pierre-Joseph Proudhon ou Mikhail Bakunin, que se esforçaram por pensar a liberdade em uma outra direção, coletivista e não individualista. Eles defenderam que não faz o menor sentido pensar a liberdade como atributo do indivíduo, pois não faz sentido dizer que alguém é livre quando vive sozinho. Só podemos falar que somos livres quando vivemos com outros, em meio a outros e a liberdade deles não é um impedimento para minha própria liberdade, mas sua confirmação. Em sua concepção, a liberdade é uma coisa que se constrói coletivamente, em sociedade. Algo que não nasce conosco, mas que precisamos aprender, conquistar e construir.

Há escolas libertárias que se basearam nas ideias de Rousseau e sua proposta era a de educar a criança partindo do princípio de que ela é livre desde que nasce. Mas outras escolas libertárias, notadamente aquelas criadas por Paul Robin, por Sébastien Faure, por exemplo, esforçaram-se por pensar e praticar uma pedagogia que não parte da liberdade da criança como um dado, mas como algo que precisa ser construído. Essas escolas desenvolveram a ideia de uma educação integral do indivíduo, na qual a construção da liberdade é uma espécie de aprendizado coletivo, que se faz no cotidiano das atividades na escola.

25/11 – Debate 7 – Ferrer y Guardia: Pedagogo e Anarquista

Laboratório de Estudos e Práticas da Autogestão (L.A.P.A.)
Francisco Ferrer y Guardia acreditava que uma proposta educativa deveria possibilitar a criticidade e criatividade dos educandos, por isso a educação não deveria estar presa a dogmas e a um Estado que pretende manter o sistema de dominação do homem pelo homem. Sendo assim, se fez necessário criar uma escola, que possibilitasse a educação integral para todas as crianças, independente de gênero, raça e classe social, pois todos os humanos devem conviver entre si como iguais, sendo capazes de como iguais, respeitar as diferenças, por isso Ferrer era contrário ao ensino ministrado pelo Estado e pela Igreja, pois o mesmo não tinha a devida preocupação com a formação do sujeito histórico critico, e sim cumpria a função social de formatar seres aptos a assumirem seus papeis previamente delimitados por sua classe social dentro do sistema social vigente.

29 de out de 2011

Carta de Foz do Iguaçu | 1º Encontro Mundial de Blogueiros

O 1º Encontro Mundial de Blogueiros, realizado em Foz do Iguaçu (Paraná, Brasil), nos dias 27, 28 e 29 de outubro, confirmou a força crescente das chamadas novas mídias, com seus sítios, blogs e redes sociais. Com a presença de 468 ativistas digitais, jornalistas, acadêmicos e estudantes, de 23 países e 17 estados brasileiros, o evento serviu como uma rica troca de experiências e evidenciou que as novas mídias podem ser um instrumento essencial para o fortalecimento e aperfeiçoamento da democracia.
Como principais consensos do encontro – que buscou pontos de unidade, mas preservando e valorizando a diversidade –, os participantes reafirmaram como prioridades:
- A luta pela liberdade de expressão, que não se confunde com a liberdade propalada pelos monopólios midiáticos, que castram a pluralidade informativa. O direito humano à comunicação é hoje uma questão estratégica;
- A luta contra qualquer tipo de censura ou perseguição política dos poderes públicos e das corporações do setor. Neste sentido, os participantes condenam o processo de judicialização da censura e se solidarizam com os atingidos. Na atualidade, o WikiLeaks é um caso exemplar da perseguição imposta pelo governo dos EUA e pelas corporações financeiras e empresariais;
- A luta por novos marcos regulatórios da comunicação, que incentivem os meios públicos e comunitários; impulsionem a diversidade e os veículos alternativos; coíbam os monopólios, a propriedade cruzada e o uso indevido de concessões públicas; e garantam o acesso da sociedade à comunicação democrática e plural. Com estes mesmos objetivos, os Estados nacionais devem ter o papel indutor com suas políticas públicas.
- A luta pelo acesso universal à banda larga de qualidade. A internet é estratégica para o desenvolvimento econômico, para enfrentar os problemas sociais e para a democratização da informação. O Estado deve garantir a universalização deste direito. A internet não pode ficar ao sabor dos monopólios privados.
- A luta contra qualquer tentativa de cerceamento e censura na internet. Pela neutralidade na rede e pelo incentivo aos telecentros e outras mecanismos de inclusão digital. Pelo desenvolvimento independente de tecnologias de informação e incentivo ao software livre. Contra qualquer restrição no acesso à internet, como os impostos hoje pelos EUA no seu processo de bloqueio à Cuba.
Com o objetivo de aprofundar estas reflexões, reforçar o intercâmbio de experiências e fortalecer as novas mídias sociais, os participantes também aprovaram a realização do II Encontro Mundial de Blogueiros, em novembro de 2012, na cidade de Foz do Iguaçu. Para isso, foi constituída uma comissão internacional para enraizar ainda mais este movimento, preservando sua diversidade, e para organizar o próximo encontro.


Carta de Foz do Iguaçu | 1º Encontro Mundial de Blogueiros

28 de out de 2011

Ao vivo | 1º Encontro Mundial de Blogueiros

Ao vivo | 1º Encontro Mundial de Blogueiros

programação para hoje apartir das 14:00

14 horas – Painel: “As experiências no Brasil”

- Leandro Fortes – jornalista da revista CartaCapital, blogueiro e da comissão nacional do BlogProg;
- Esmael Moraes – criador do blog do Esmael.
- Conceição Oliveira – criadora do blog Maria Frô e tuiteira.
- Bob Fernandes – editor do sitio Terra Magazine [*];
* Mesa dirigida por Maria Inês Nassif (Carta Maior) e Daniel Bezerra (blogueiro do Ceará);

16 horas – Debate: A luta pela liberdade de expressão e pela democratização da comunicação.

– Paulo Bernardo – ministro das Comunicações do Brasil [*];
- Jesse Chacón – ex-ministro das Comunicações da Venezuela;
- Damian Loreti – integrante da comissão que elaborou a Ley de Medios na Argentina;
- Blanca Josales – ministra das Comunicações do Peru;
* Mesa dirigida por Julieta Palmeira (associação de novas mídias da Bahia) e Tica Moreno (blogueiras feministas);

18 horas – Ato de encerramento.

1º Encontro Mundial de Blogueiros



http://blogueirosdomundo.com.br/

27 de out de 2011

Educari


O ser humano forma seu caráter, seus gostos e desgostos cotidianamente, sendo a educação nossa principal formadora, tornando assim este desenvolvimento sobre uma educação que supra nossas necessidades de uma maneira saudável, o ar livre, à luz, a alimentação.


Ao desejar uma sociedade livre de opressores pensamos sobre a educação da maneira mais justa possível. Entendendo a palavra educação a partir do seu significado latino, composto por é e educari, sendo a educação do exterior para o interior. Logo a educação depende de todos e tudo, aprendemos uns com os outros e com o meio que nos cerca seja este natural ou social.


O que podemos esperar de uma sociedade que impede esta educação livre, rica e dinâmica, natural como à própria vida? O que deve aprender o homem? A viver.


Viver significa desenvolver todas as nossas faculdades, realizar todas as aptidões colocando em prática o conhecimento assim adquirindo-o, não somente para si, mas também para os demais, por isso é necessário saber, adquirir consciência, sobre o que significa: “ser humano”.


Para conseguirmos sermos humanos, homens e mulheres completos necessitamos de livre estudo e livre exercício de todos os nossos membros. Em nossa realidade o homem civil nasce, vive e morre em escravidão, “nossos pais pensam deste modo, devemos pensar como eles”, tal pensamento perpetua este servilismo construindo moldes, não seres humanos. Moldados por uma moral baseada na perpetuação desta sociedade nociva a liberdade do nosso desenvolvimento constante, pois tanto nós como nosso meio se modifica indefinidamente.


Estas modificações vitais a nós seres humanos e também a todo o ambiente que nos cerca tem como conseqüência a realidade, por isso pensar nelas de uma maneira justa baseando-se na liberdade para construir uma educação antiautoritária é necessário, preocupando-se com a construção do ser completo, sem segmentá-lo a operário ou intelectual.


Levando em consideração a educação como meio de transformação percebemos à escola como um campo politico-social onde podemos escolher perpetuar os costumes sociais vigentes ou transforma-los. Quando tomamos consciência desta politicidade, desta realidade sofrida que a educação oficial nos proporciona, torna-se possivel a partir de tais reflexões ocorrer mudanças significativas em nossa prática educativa, buscando alternativas entre nossos ideias e a realidade compreendendo que a educação é inseparavel da revolução.


A partir do principio de liberdade nosso ideal não pode força a realidade tornando este ideal uma norma, todavia não podemos nos acomodar com esta realidade educativa nada romântica. 
karina meireles

25 de out de 2011

19 de out de 2011

“Direita precisou ressuscitar cabo Anselmo”

publicada segunda-feira, 17/10/2011 às 23:27 e atualizada terça-feira, 18/10/2011 às 13:20
“Direita precisou ressuscitar cabo Anselmo depois da criação da Comissão da Verdade”
Por Bia Barbosa,  na Carta Maior

Na noite desta segunda-feira (17), a TV Cultura volta a transmitir ao vivo o programa Roda Viva, sob o comando agora do jornalista Mario Sergio Conti, diretor de redação da revista “piauí” e ex-diretor da “Veja”. O entrevistado é o ex-militar José Anselmo dos Santos – o cabo Anselmo – que, expulso da Marinha após um motim, nos anos 60, foi preso pela ditadura militar. Em troca da liberdade, delatou perseguidos políticos ao delegado Sérgio Paranhos Fleury, do Dops, incluindo sua namorada, Soledad Viedma, que acabou morta pela tortura. Cooptado pelos órgãos de segurança, tornou-se agente duplo. E sua atuação foi decisiva para desmontar grupos de resistência armada urbana à ditadura.
 
Entre os entrevistadores de hoje estão os jornalistas Fernando de Barros e Silva e Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo; Fausto Macedo, do Estadão; e Jorge Serrão, autor do livro “O Homem que não existe – o Cabo Anselmo abre seus Arquivos”, escrito em parceria com o entrevistado.
 
Segundo jornalistas da TV Cultura ouvidos pela Carta Maior, Cabo Anselmo pleiteia, com a entrevista, reivindicar uma identidade, já que até hoje vive “perseguido e como clandestino”. Oficialmente, ele não possui nenhum documento de identificação (como RG ou CPF) emitido pelo Estado brasileiro. Mas, segundo a equipe da Cultura, a bancada do Roda Viva, em teoria, terá liberdade para perguntar o que quiser ao ex-militar. A produção do programa recebeu um novo livro do cabo Anselmo, ainda não publicado, onde ele revela mais nomes e fatos sobre o período da ditadura.
 
O advogado Aton Fon Filho, da Rede Social de Justiça e Direitos Humanos, no entanto, não apenas tem poucas expectativas em relação à entrevista como acredita que o programa será uma expressão das vozes militares. Membro do Comitê Nacional pelo Direito à Memória, à Verdade e à Justiça – que tem feito diversas mobilizações pelo país pedindo alterações no projeto de lei de criação da Comissão da Verdade aprovado na Câmara dos Deputados – Fon acredita que a participação do Cabo Anselmo no Roda Viva desta noite é mais uma ação da direita.
“Em função de todo o debate sobre a Comissão da Verdade no país, a direita está reagindo. Podemos achar que é impossível mudar a correlação de forças para alterar o projeto da Comissão da Verdade e avançar rumo à Justiça. Mas estamos obrigando a direita a desenterrar pessoas como o Cabo Anselmo e figuras como Jorge Serrão e Mario Sergio Conti para dar uma resposta. Essa bancada de entrevistadores é de extrema-direita”, criticou. “Podem perguntar o que quiserem, mas um indivíduo como o Cabo Anselmo sempre terá uma justificativa para tudo. Não é igual filme americano, em que uma boa pergunta pode desbaratar uma testemunha plantada”, acrescentou.
 
Para familiares de mortos e desaparecidos políticos e militantes de defesa dos direitos humanos, dar espaço para um discurso como o de Cabo Anselmo na TV brasileira neste momento revela que os setores reacionários continuam contando com o apoio da grande mídia para evitar que se faça justiça no Brasil em torno das violações praticadas pelo regime militar. E se os aparelhos de repressão continuam funcionando a todo vapor – como revelou a reportagem de Leandro Fortes na última edição de Carta Capital – o colaboracionismo de parcela da imprensa com os militares também pode não ter se dissipado nos últimos 30 anos.
 
“Não nos esqueçamos que a Escola Superior de Guerra está aí, dando cursos para jornalistas frequentemente”, lembrou Fon.

--
"O resto da espécie humana
Já não quer pensar
Vê o mundo em cifras
Come e não quer plantar
Usurfruem da sorte
De um planeta gentil
Olho pra essas amebas
Como gado sem direção
Sem direção!
"
 
Cólera - "Quem é você?"
 
via email
 
 
 arte: banksy

JUSTIÇA

JUSTIÇA

Agora uma fabulazinha

Me falaram sobre uma floresta distante onde uma história triste aconteceu no tempo em que os pássaros falavam, os urubus bichos altivos mas sem dotes para o canto resolveram mesmo contra a natureza que havia de se tornar grandes cantores.
Abriram escolas e importaram professores, aprenderam


mi

sol

si
Encomendaram diplomas e combinaram provas entre si para escolher quais deles passariam a mandar nos demais a partir daí criaram concursos, inventaram títulos pomposos, cada urubuzinho aprendiz sonhava um dia se tornar um ilustre urubu titular afim de ser chamado por vossa excelência.
Passaram-se décadas arte que a patética harmonia dos urubus maestros foi abalada com a invasão da floresta por canários tagarelas, que faziam coro com periquitos festivos e serenatas com sabiás. Os velhos urubus encrespados entortaram o bico e convocaram canários e periquitos para um rigoroso inquérito:
cade os documentos de seus concursos?
Indagaram, e os pobres passarinhos se olharam assustados... Nunca haviam freqüentado escola de canto pois o canto nascera com eles.
Seu canto era tão natural que nunca se preocuparam em provar que sabiam cantar naturalmente cantavam
Não, não, não assim não pode, cantar sem os documentos devidos é um desrespeito a ordem, bradaram os urubus.
E em um nisoro expulsaram da floresta os inofensivos passarinhos que ousavam cantar sem alvarás...

Moral da história: em terra de urubus diplomados não se ouve os cantos dos sabiás