O dito da vez


Cquote1.svg

A explosiva descoberta
Ainda me atordoa.
Estou cego e vejo.
Arranco os olhos e vejo

Cquote2.svg
Carlos Drummond de Andrad

23 de jan de 2011

Indicação

A odiosa máscara caiu, e o homem permanece sem cetro, livre, sem restrições, mas homem igual, sem castas, tribos ou nações, isento de medo, respeito, hierarquias. Rei de si mesmo; apenas gentil, sábio, mas homemsem paixões? — não, entretanto livre de culpa ou [sofrimento que por sua vontade tivesse criado ou sofrido ainda não isento da sorte, da morte e da inconstância embora ordenando-as como se escravas fossem. Os obstáculos daquilo que, de outra maneira, poderia voar demasiado alto como a mais sublime estrela do firmamento elevando-se acima do vazio intenso. Shelley

Fonte:
HISTÓRIA DAS IDÉIAS E MOVIMENTOS ANARQUISTAS

22 de jan de 2011

Enquanto o sol não se põe

consideraremos todas as cores, enquanto
existir
existirem
existirmos


Às vezes quando a noite é calma demais, tenho a impressão que o tempo não passa, petrifica-se... De repente o ente, aquele que existe ou julgamos existente, escorre o dia, e como escorre o dia! É quando se acorda e já estão acordados os mundos, as buzinas, as minas, e toda aquela gritaria de um dia truculento, é como se o tempo durante a noite ficasse parado junto com a escuridão e o pó nos cantos da casa por baixo dos móveis, “como um guarda-roupa com o tempo pendurado nos cabides”.
A noite escura e proletária se torna clara quando acordamos com o barulho das panelas da cozinha, assim nos tornamos mais vivos...

À noite nos faz crer que o tempo é uma coisa auditiva
Km 2011.

21 de jan de 2011

Se ao menos de rosas falasse,




Mas com tanto frio que rosa sobrevive?

Disseram-me que sou uma ilha,
Respondi: todos são, mais a minha ilha esta cercada de cais, e enquanto houver vento e coragem a ilha não será sinônimo de solidão.


Resolvidas questões de alterego?



Karina,
nome singular, pouco poético,
para uma mulher entrelaçada
em movimentos patéticos.
Brilha o sol, brilha a favela.
O barraco, teto de zinco, uma porta velha.
De um canto sai uma mulher molhada.
Pingando, permanece. Parada.

Quando me olharam com olhares negros,
Eu ri, mas só eu achei graça!

14 de jan de 2011

Repressão brutal da PM contra estudantes em SP

Ordem para o povo
Progresso para a burguesia



Uma mulher sem princípios!!! Palavras de M L M


Um programa?

Declaração de princípios?...

“Maria Lacerda de Moura ainda não se encontrou aa si mesma”.
“Desconfio que Maria Lacerda de Moura não sabe exatamente o que quer...”
“Pertence a algum partido? Qual é esse partido?”
[...]

E como tais perguntas e tais conceitos se multiplicam no meu caminho, respondo,
de maneira geral, aos meus contendores, quiçá obscurecendo ainda mais a sua má
vontade de compreensão ou a sua impotência de chegar a outra harmonia diversa
da sua harmonia.
[...]

Que não me encontrei a mim mesma? Quem é que já se encontrou a si mesmo sob o Sól?
[...]

O “individualista da vontade de harmonia” não faz programa nem para si nem para os outros.
Com relação à minha vida interior, sei o que desejo, sei o que quero.
Com relação à vida social, sou anti-social, nem sei, nem me interessa saber. Destaco os indivíduos
do blóco social. Em relação à sociedade, sei o que não quero.
A minha etica repele os partidos, os programas, toda a moral social.
[...]

Procuro a minha harmonia interior: é o unico programa que me cabe formular.
Mas, tão vasto é esse programa, tão profundo, tão complexo, tão alto, tão nobre, que deixa de se
pontificar em um programa para se desdobrar pelo infinito e pela eternidade, além do tempo
e para além do espaço.

“a sociedade cristã, piedosa, caridosa, é o Anti-Cristo do Apocalipse...”

“tudo é anti-Cristo na sociedade Cristã”

MARIA LACERDA DE MOURA - 1933


Via: Link

JUSTIÇA

JUSTIÇA

Agora uma fabulazinha

Me falaram sobre uma floresta distante onde uma história triste aconteceu no tempo em que os pássaros falavam, os urubus bichos altivos mas sem dotes para o canto resolveram mesmo contra a natureza que havia de se tornar grandes cantores.
Abriram escolas e importaram professores, aprenderam


mi

sol

si
Encomendaram diplomas e combinaram provas entre si para escolher quais deles passariam a mandar nos demais a partir daí criaram concursos, inventaram títulos pomposos, cada urubuzinho aprendiz sonhava um dia se tornar um ilustre urubu titular afim de ser chamado por vossa excelência.
Passaram-se décadas arte que a patética harmonia dos urubus maestros foi abalada com a invasão da floresta por canários tagarelas, que faziam coro com periquitos festivos e serenatas com sabiás. Os velhos urubus encrespados entortaram o bico e convocaram canários e periquitos para um rigoroso inquérito:
cade os documentos de seus concursos?
Indagaram, e os pobres passarinhos se olharam assustados... Nunca haviam freqüentado escola de canto pois o canto nascera com eles.
Seu canto era tão natural que nunca se preocuparam em provar que sabiam cantar naturalmente cantavam
Não, não, não assim não pode, cantar sem os documentos devidos é um desrespeito a ordem, bradaram os urubus.
E em um nisoro expulsaram da floresta os inofensivos passarinhos que ousavam cantar sem alvarás...

Moral da história: em terra de urubus diplomados não se ouve os cantos dos sabiás