O dito da vez


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A explosiva descoberta
Ainda me atordoa.
Estou cego e vejo.
Arranco os olhos e vejo

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Carlos Drummond de Andrad

22 de jan de 2011

Enquanto o sol não se põe

consideraremos todas as cores, enquanto
existir
existirem
existirmos


Às vezes quando a noite é calma demais, tenho a impressão que o tempo não passa, petrifica-se... De repente o ente, aquele que existe ou julgamos existente, escorre o dia, e como escorre o dia! É quando se acorda e já estão acordados os mundos, as buzinas, as minas, e toda aquela gritaria de um dia truculento, é como se o tempo durante a noite ficasse parado junto com a escuridão e o pó nos cantos da casa por baixo dos móveis, “como um guarda-roupa com o tempo pendurado nos cabides”.
A noite escura e proletária se torna clara quando acordamos com o barulho das panelas da cozinha, assim nos tornamos mais vivos...

À noite nos faz crer que o tempo é uma coisa auditiva
Km 2011.

Um comentário:

BêbÉT/Ocica's disse...

por jesuis!
que coisa linda!

poesia de canto, negrume, silênciao...

__ alguem batuca a panela?

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dizeres

JUSTIÇA

JUSTIÇA

Agora uma fabulazinha

Me falaram sobre uma floresta distante onde uma história triste aconteceu no tempo em que os pássaros falavam, os urubus bichos altivos mas sem dotes para o canto resolveram mesmo contra a natureza que havia de se tornar grandes cantores.
Abriram escolas e importaram professores, aprenderam


mi

sol

si
Encomendaram diplomas e combinaram provas entre si para escolher quais deles passariam a mandar nos demais a partir daí criaram concursos, inventaram títulos pomposos, cada urubuzinho aprendiz sonhava um dia se tornar um ilustre urubu titular afim de ser chamado por vossa excelência.
Passaram-se décadas arte que a patética harmonia dos urubus maestros foi abalada com a invasão da floresta por canários tagarelas, que faziam coro com periquitos festivos e serenatas com sabiás. Os velhos urubus encrespados entortaram o bico e convocaram canários e periquitos para um rigoroso inquérito:
cade os documentos de seus concursos?
Indagaram, e os pobres passarinhos se olharam assustados... Nunca haviam freqüentado escola de canto pois o canto nascera com eles.
Seu canto era tão natural que nunca se preocuparam em provar que sabiam cantar naturalmente cantavam
Não, não, não assim não pode, cantar sem os documentos devidos é um desrespeito a ordem, bradaram os urubus.
E em um nisoro expulsaram da floresta os inofensivos passarinhos que ousavam cantar sem alvarás...

Moral da história: em terra de urubus diplomados não se ouve os cantos dos sabiás