O dito da vez


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A explosiva descoberta
Ainda me atordoa.
Estou cego e vejo.
Arranco os olhos e vejo

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Carlos Drummond de Andrad

21 de mar de 2011

De Piratas e Pirataria






De início, a pirataria é vista como um problema que necessita de soluções militares, se não globais!

“Alguns politiqueiros correm a seus microfones para dizer que os piratas são “meliantes”, "criminosos”, ou em último ataque “terroristas contra o Ocidente”.

Tais pronunciamentos quase sempre me deixam pasmo, ou em melhor dos casos, em dúvida, porque detrás destes eventos, existe uma história que clama por explicação.

Se a pirataria é um crime quando quem os faz são indivíduos, o que é quando quem os faz são os Estados?

Quem vai negar que os Estados Unidos roubam e dão calote nas populações nativas deste continente? Ou que milhões de pessoas foram roubadas na África para trabalharem por séculos aos brancos norte-americanos?

Isso é pirataria? Ou simplesmente “política”?

A pirataria ocorreu nos séculos XVII e XVIII, graças a conflitos entre poderes coloniais (com os “corsários” britânicos, por exemplo, que roubavam navios espanhóis com a proteção da Coroa), ou simplesmente à procura de dinheiro.

Como nada se tinha comentado em relação ao governo somaliano por uma geração, então: o que mais é a pirataria de hoje, senão uma forma de ganhar a vida, quando não um modo muito perigoso?

Há alguns anos, a administração Bush armou e incitou a Etiópia a invadir a Somália. Isto não é pirataria de Estado?

Quando os Estados Unidos invadiram o Iraque em 2003 removendo seu governo, impondo sua forma de governar, bombardeando indiscriminadamente a população e forçando ao exílio um terço da população do país, tudo fundamentado em mentiras – isso não foi pirataria, sob o signo da “segurança Nacional”?

Os piratas fazem negócio por menos, as nações por muito mais!

Quem são os “meliantes”, os “criminosos”, os verdadeiros piratas?

Pelo que se sabe nenhuma quadrilha de piratas jamais roubou uma nação.

Adivinhem quem faz isso?

Mumia Abu-Jamal - há mais de 25 anos no corredor da morte.

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JUSTIÇA

JUSTIÇA

Agora uma fabulazinha

Me falaram sobre uma floresta distante onde uma história triste aconteceu no tempo em que os pássaros falavam, os urubus bichos altivos mas sem dotes para o canto resolveram mesmo contra a natureza que havia de se tornar grandes cantores.
Abriram escolas e importaram professores, aprenderam


mi

sol

si
Encomendaram diplomas e combinaram provas entre si para escolher quais deles passariam a mandar nos demais a partir daí criaram concursos, inventaram títulos pomposos, cada urubuzinho aprendiz sonhava um dia se tornar um ilustre urubu titular afim de ser chamado por vossa excelência.
Passaram-se décadas arte que a patética harmonia dos urubus maestros foi abalada com a invasão da floresta por canários tagarelas, que faziam coro com periquitos festivos e serenatas com sabiás. Os velhos urubus encrespados entortaram o bico e convocaram canários e periquitos para um rigoroso inquérito:
cade os documentos de seus concursos?
Indagaram, e os pobres passarinhos se olharam assustados... Nunca haviam freqüentado escola de canto pois o canto nascera com eles.
Seu canto era tão natural que nunca se preocuparam em provar que sabiam cantar naturalmente cantavam
Não, não, não assim não pode, cantar sem os documentos devidos é um desrespeito a ordem, bradaram os urubus.
E em um nisoro expulsaram da floresta os inofensivos passarinhos que ousavam cantar sem alvarás...

Moral da história: em terra de urubus diplomados não se ouve os cantos dos sabiás