O dito da vez


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A explosiva descoberta
Ainda me atordoa.
Estou cego e vejo.
Arranco os olhos e vejo

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Carlos Drummond de Andrad

17 de mar de 2011

"O Sol caminha para a constelação do Aquário" nem governos, nem sacerdotes...


Maria Lacerda de Moura - 1933


Duas fórmulas de ética abrangem todos os problemas humanos. E quando a humanidade as realizar, terá encontrado a chave da palavra perdida e o caminho do paraíso terrestre.

Mas, só no dia em que os homens, em vez de querer dominar os outros, sentirem que têm de dominar a si mesmos – porque o inimigo está dentro e não fora de nós...

A primeira fórmula de ética vem da sabedoria antiga, do Templo de Delfos. A sabedoria moderna acrescentou-lhe um poema de beleza e harmonia:

“Conhece-te a ti mesmo” – “para aprenderes a amar”.

A segunda é conseqüência da primeira:

“Unir ao individualismo dos espíritos o comunismo das mãos” – liberdade e auxilio mÚtuo. Pensamento livre, livre consciência e trabalho manual para todos.

É para a realização dessas duas fórmulas de ética que a humanidade caminha no meio do desmoronamento fragoroso da civilização de partidos autoritários e ambições desenfreadas de poder e riqueza, no meio da queda caótica de um mundo envilecido de crimes bárbaros e de erros sanguinários. E há de caminhar, apesar do desencantamento das paixões, no despertar dos instintos de animalidade baixa e na cultura sistemática da Ignorância das massas, escravizadas no servilismo e na domesticidade dos aplausos incondicionais a todos os donos e déspotas do gênero humano.

De novo o homem se sente, petrificado na sua inconsciência, diante da esfinge simbólica:

“Decifra-me ou eu te devoro...”

Quem será capaz de prever o caminho que vai tomar a sociedade – nesse caos de confusão, bestialidade, servilismo e ignorância?

Mas, os problemas sem solução, solucionam-se de surpresa.

Por sobre as nossas cabeças pairam as flamas das “idéias forças”. Não as vemos, mas, não é menos verdade que todas as crises humanas têm sido resolvidas – apesar dos homens – através de energias latentes, canalizando – sempre para uma evolução mais alta, individual, e uma consciência mais brilhante – os destinos dos seres colocados, como pontos de luz, na vanguarda dos povos, no mundo dos sonhos de fraternismo, no ciclo intelectual dos forjadores do porvir.

Acima de nós mesmo, acima de todos os despotismos, acima de todas as torturas – há uma força latente no homem – que o conduz a mais altos destinos, através do ideal de evolução e perfectibilidade.

É essa chama sagrada que perpetuou o espírito novo da raça judaica nesse povo de heróis que ressurgiu das fogueiras de todas as Inquisições, que se libertou da crueldade de todos os Torquemadas da política e da religião – para legar ao mundo – Freud e Einstein – os dois mais altos expoentes do pensamento cientifico moderno.

Havemos de decifrar o segredo simbólico da Esfinge.

E, um dia, todos os homens e mulheres da terra, sem distinção de raça, de casta, de cor, de sexo ou de nacionalidade, serão irmãos no auxilio mútuo e no respeito mútuo à dignidade da consciência livre – para mais alta evolução, através do tempo e para além do espaço...

Só nesse dia, só no dia da festa da realização interior de cada ser humano, só no dia da consagração do culto à Liberdade do semelhante (porque, hoje, todos sabem reivindicar a sua Liberdade, mas pisando por sobre a liberdade do que está mais próximo...) só no dia em que cada ser realizado sentir e gozar a alegria no coração dos outros seres, na comunhão dos sonhos e do labor, só nesse dia saberemos cantar a Paz e a Liberdade, e, por sobre as ruínas bárbaras dos troféus do direito da força – plantaremos a bandeira universal do Direito Humano.

FIM

Um comentário:

Humberto Fonseca disse...

é o novo pelo novo.
é o velho pelo velho.
é sim Karina, o real pelo irreal.

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JUSTIÇA

JUSTIÇA

Agora uma fabulazinha

Me falaram sobre uma floresta distante onde uma história triste aconteceu no tempo em que os pássaros falavam, os urubus bichos altivos mas sem dotes para o canto resolveram mesmo contra a natureza que havia de se tornar grandes cantores.
Abriram escolas e importaram professores, aprenderam


mi

sol

si
Encomendaram diplomas e combinaram provas entre si para escolher quais deles passariam a mandar nos demais a partir daí criaram concursos, inventaram títulos pomposos, cada urubuzinho aprendiz sonhava um dia se tornar um ilustre urubu titular afim de ser chamado por vossa excelência.
Passaram-se décadas arte que a patética harmonia dos urubus maestros foi abalada com a invasão da floresta por canários tagarelas, que faziam coro com periquitos festivos e serenatas com sabiás. Os velhos urubus encrespados entortaram o bico e convocaram canários e periquitos para um rigoroso inquérito:
cade os documentos de seus concursos?
Indagaram, e os pobres passarinhos se olharam assustados... Nunca haviam freqüentado escola de canto pois o canto nascera com eles.
Seu canto era tão natural que nunca se preocuparam em provar que sabiam cantar naturalmente cantavam
Não, não, não assim não pode, cantar sem os documentos devidos é um desrespeito a ordem, bradaram os urubus.
E em um nisoro expulsaram da floresta os inofensivos passarinhos que ousavam cantar sem alvarás...

Moral da história: em terra de urubus diplomados não se ouve os cantos dos sabiás