O dito da vez


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A explosiva descoberta
Ainda me atordoa.
Estou cego e vejo.
Arranco os olhos e vejo

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Carlos Drummond de Andrad

9 de mai de 2011

Definiçao de anarquismo por Florentino de Carvalho



Consideramos o anarquismo como doutrina de ação não como idéia elaborada fora da realidade social, acima da vida ativa do povo. Uma força combativa, uma potência criadora tendente a um fim concreto e determinado. A realização de uma sociedade libertária.
(...)

Conquistemos para a nossa causa quantos homens de coração e de inteligência for possível conquistar. Corramos para o povo, esse reservatório de inextinguíveis energias, de cujas vísceras têm saído os anunciadores das verdades eternas e os atores das homéricas tragédias.
Ai está sempre em gestação o justo, o vidente, o sonhador, o poeta. Herói anônimo da barricada ou sentinela avançada que preludia Nêmesis: o qual sabe morrer com um canto de amor nos lábios ou uma grande fé no futuro grandioso da humanidade. (O anarquismo).

Estudando as organizações políticas contemporâneas observamos que, no império, o poder reside num só indivíduo, enviado por Deus; na monarquia constitucional o poder é dividido entre a casa reinante e os chamados representantes do povo; na democracia o poder reside no conjunto, nos burocratas.
Por sua vez, o anarquismo, na sua doutrina de organização política, afirma que o poder deve residir em todos os cidadãos, deve ser socializado. (Síntese doutrinária).

Todas as seitas, sociedades ou partidos, todos os homens, classes ou coletividades que não tiveram o atrevimento de escandalizar o mundo com as suas idéias, os seus métodos e os seus atos, feneceram sem que os seus ideais tivessem chegado a ocupar o seu posto de predomínio, mais ou menos duradouro, no curso das idades. (É preciso escandalizar).

A imprensa anarquista (Germinal! - 1913)

Inimigos de todas as leis, de todos os regulamentos, de todos os programas; mente aberta a todas as idéias ou pensamentos elevados, irradiados pela luz do livre exame, não podemos circunscrever-nos a uma estrita concepção encerrada nos moldes de determinada escola filosófica ou sociológica.

Podemos, sim, ter mais simpatia por esta ou aquela tendência, este ou aquele método de luta, mas, tratando-se de investigação e de propaganda, é um disparate seguir o método unilateral. Todos os meios que não estiverem em conflito com os nossos princípios devem ser empregados na luta pela nossa causa.

Entre estes meios alguns há que, à primeira vista parecem contrários ao Ideal.
A revolução armada, o atentado, o incêndio, o sabotagem, a greve, a manifestação pública, a organização operária, são meios mais ou menos violentos, antepostos à nossa idéia de paz e de harmonia.

A relativa liberdade que hoje gozamos deve-se a essas revoluções, a esses atentados. A sabotagem e as greves parciais ou gerais são também fatores que refreiam o galope burguês, disputando, para o operariado, as melhores condições possíveis de existência, tanto política como econômica.

Para promover as greves e as revoluções, melhor seria que, em vez das sociedades de classes, se constituíssem numerosos grupos de ação e de propaganda em cada classe; mas, para isso não existe a suficiente preparação revolucionária entre o operariado. E a organização de sociedades operárias produz-se fatalmente, determinada pelo próprio sistema capitalista. O que se torna necessário, portanto, é orientar as sociedades de forma que preparem os trabalhadores para a formação desses grupos, que são o esboço da sociedade futura.

A manifestação pública, que para muitos representa um ajuntamento de barulhentos, é antes do que o livro, o panfleto e o jornal, o melhor meio de transformação da opinião pública, porque traz ao mesmo tempo a divulgação da idéia e a afirmação prática, embora relativa, do sentimento que a torna vivaz e respeitável. E nestas manifestações surgem, com freqüência, grandes movimentos de revolta, que fazem tremer os dirigentes do regime burguês.

A liberalidade e o bem estar, na sociedade presente, enervam as energias, e as pequenas transformações são reformas fictícias que dão mais longa vida à classe que impera; mas também é certo que o excesso de miséria e de despotismo inutiliza os indivíduos completamente, preparando-os somente para a bestialidade ou para a morte.
Como os nossos princípios não preconizam a não resistência ao mal pela violência, somos conseqüentes com eles, mesmo empregando os meios violentos.
Voltando a questão da organização operária, direi que se nós não a inspiramos nas nossas tendências, ela tomará outro rumo, constituindo-se no mais poderoso obstáculo às nossas aspirações, como acontece na Alemanha, na Bélgica e outros paises.

Se popularizarmos o nosso ideal e não o praticarmos destruindo moral e materialmente a sociedade presente, ele será sempre uma bela utopia.
Todos esses meios estão concordes com o fim que se persegue, e, em vez de seguirmos exclusivamente a escola de Stirner, de Proudhon, de Kropotkin, etc., temos que propagar, com as reservas da própria opinião, as diversas escolas, propagando e afirmando a Anarquia, abreviando a hora da Revolução.

Anarquismo incivilizado...

... ou sem adjetivos

como será a organização social neste anarquismo?

... ou, sem adjetivos!!!

como seria a organização social para este anarquismo?

vejamos:

No cenário da luta social a classe trabalhadora não se basta a si mesma: é incapaz de triunfar sem o concurso das restantes classes proletárias e das forças subversivas que se destacam das classes privilegiadas, porém é a classe trabalhadora quem fornece o contingente decisivo.

A história assinala aos trabalhadores uma missão muito mais elevada que a defesa dos mesquinhos direitos profissionais ou a guerra pelo Poder. A sua missão é concorrer para libertar a humanidade da escravidão moderna, de dar maior impulso à criação de uma nova vida, de uma nova ordem de coisas.

Demais, a solução das grandes crises sociais que se vem desenhando no Oriente e no Ocidente motivam processos radicais.

Mormente hoje, a situação revolucionária a que nos arrastou o capitalismo exige uma organização que, tanto pela sua estrutura como pelos seus princípios, responda às necessidades da vitória.

O sindicalismo, o unionismo industrial e os conselhos de fábrica, pelo seu mal de origem, são indesejáveis como modelos de organização.

A organização operária, para ter eficiência, para produzir em seu seio os elementos revolucionários, não deve estar, em justaposição à estrutura do edifício capitalista: deve estar em contraposição.

Em todos os seus aspectos a organização operária deve ser o reflexo da subversão à classe dominante.

.. anarquismo sem adjetivos!!!!

vejamos estre trecho de um escrito publicado em 1927:

De conformidade com a definição acima, do uso corrente que nos meios políticos e nos meios sociais se vem fazendo do termo “política”, convimos em que são políticos os autoritários: monarquistas, republicanos, socialistas, ou comunistas; os ditadores de qualquer categoria. São apolíticos (em teoria), os sindicalistas, neutralistas e revolucionários.

São anti-políticos os anarquistas.

Em política só os anarquistas são negativistas: concebem instituições econômicas e sociais, mas não têm idéia alguma de organização política; não tencionam empalmar os destinos da humanidade.

E ao guerrearem as instituições e os partidos políticos, não fazem política, do mesmo modo que não praticam a religião criticando a Igreja e seus dogmas, propagando o livre pensamento.


FLORENTINO DE CARVALHO 1927

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JUSTIÇA

JUSTIÇA

Agora uma fabulazinha

Me falaram sobre uma floresta distante onde uma história triste aconteceu no tempo em que os pássaros falavam, os urubus bichos altivos mas sem dotes para o canto resolveram mesmo contra a natureza que havia de se tornar grandes cantores.
Abriram escolas e importaram professores, aprenderam


mi

sol

si
Encomendaram diplomas e combinaram provas entre si para escolher quais deles passariam a mandar nos demais a partir daí criaram concursos, inventaram títulos pomposos, cada urubuzinho aprendiz sonhava um dia se tornar um ilustre urubu titular afim de ser chamado por vossa excelência.
Passaram-se décadas arte que a patética harmonia dos urubus maestros foi abalada com a invasão da floresta por canários tagarelas, que faziam coro com periquitos festivos e serenatas com sabiás. Os velhos urubus encrespados entortaram o bico e convocaram canários e periquitos para um rigoroso inquérito:
cade os documentos de seus concursos?
Indagaram, e os pobres passarinhos se olharam assustados... Nunca haviam freqüentado escola de canto pois o canto nascera com eles.
Seu canto era tão natural que nunca se preocuparam em provar que sabiam cantar naturalmente cantavam
Não, não, não assim não pode, cantar sem os documentos devidos é um desrespeito a ordem, bradaram os urubus.
E em um nisoro expulsaram da floresta os inofensivos passarinhos que ousavam cantar sem alvarás...

Moral da história: em terra de urubus diplomados não se ouve os cantos dos sabiás