O dito da vez


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A explosiva descoberta
Ainda me atordoa.
Estou cego e vejo.
Arranco os olhos e vejo

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Carlos Drummond de Andrad

14 de mai de 2011

Trecho do livro de Edgar Rodrigues: O Anarquismo Hoje Uma Reflexão Sobre o Movimento Libertário




[...] Neste contexto de restauração, principalmente nas sociedades de consumo, massificadas e manipuladas por uma rede de propaganda e informação dirigida, as possibilidades de uma alternativa social, se afunilam. Já que os valores libertários da autonomia, da solidariedade, do livre pensamento e do autogoverno, são dificilmente inteligíveis ou aceites pela maioria dos cidadãos amestrados e desamparados e perdidos num contexto social de individualização e atomização extrema. Tornando-se assim incapazes de qualquer reflexão crítica, afundados que estão no minimalismo ético e no cinismo pragmático. O que exprime a maior vitória do sistema: a homogeneização ideológica e cultural das sociedades onde predominam os não-valores do individualismo, da concorrência e da esquizofrenia dionisíaca para usar as palavras de Carlos Díaz.*

Só os excluídos dessa sociedade (e que não aspiram a se integrar no reino da sujeição conformista) ou os que nela não se reconhecem — uma pequena e desarticulada minoria — podem se identificar potencialmente com esses valores libertários. Em termos objetivos essa é a nossa margem de atuação nas sociedades do chamado Primeiro Mundo. Mesmo que saibamos que esse conformismo majoritário é cíclico e pode ser abalado, quer por alterações socio-econômicas, quer pelo aprofundamento gradual da crise civilizacional que vivemos. [...]

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JUSTIÇA

JUSTIÇA

Agora uma fabulazinha

Me falaram sobre uma floresta distante onde uma história triste aconteceu no tempo em que os pássaros falavam, os urubus bichos altivos mas sem dotes para o canto resolveram mesmo contra a natureza que havia de se tornar grandes cantores.
Abriram escolas e importaram professores, aprenderam


mi

sol

si
Encomendaram diplomas e combinaram provas entre si para escolher quais deles passariam a mandar nos demais a partir daí criaram concursos, inventaram títulos pomposos, cada urubuzinho aprendiz sonhava um dia se tornar um ilustre urubu titular afim de ser chamado por vossa excelência.
Passaram-se décadas arte que a patética harmonia dos urubus maestros foi abalada com a invasão da floresta por canários tagarelas, que faziam coro com periquitos festivos e serenatas com sabiás. Os velhos urubus encrespados entortaram o bico e convocaram canários e periquitos para um rigoroso inquérito:
cade os documentos de seus concursos?
Indagaram, e os pobres passarinhos se olharam assustados... Nunca haviam freqüentado escola de canto pois o canto nascera com eles.
Seu canto era tão natural que nunca se preocuparam em provar que sabiam cantar naturalmente cantavam
Não, não, não assim não pode, cantar sem os documentos devidos é um desrespeito a ordem, bradaram os urubus.
E em um nisoro expulsaram da floresta os inofensivos passarinhos que ousavam cantar sem alvarás...

Moral da história: em terra de urubus diplomados não se ouve os cantos dos sabiás