O dito da vez


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A explosiva descoberta
Ainda me atordoa.
Estou cego e vejo.
Arranco os olhos e vejo

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Carlos Drummond de Andrad

30 de jul de 2011

Assim



Tenho sensações de velhos ordinários
De grandes contos contados
Cantados através de versos e rimas
Cheinho, abarrotado de historias
Do vosso quarto, da vossa carne em vossa solidão
Cheio de seres de corpo presente
As falsas liberdades se mostram na praça...
Saindo de si, para si liberto-me!
km

28 de jul de 2011

Feminismo? Caridade?


por Maria Lacerda de Moura



A palavra "feminismo", de significação elástica, deturpada, corrompida, mal interpretada, já não diz nada das reivindicações feministas. Resvalou para o ridículo, numa concepção vaga, adaptada incondicionalmente a tudo quanto se refere à mulher.Em qualquer gazela, a cada passo, vemos a expressão "vitórias do feminismo" – referente, às vezes, a uma simples questão de modas! Ocupar uma posição de destaque em qualquer repartição pública, cortar os cabelos "à la garçonne", viajar só, estudar em academias, publicar um livro de versos, ser "diseuse", divorciar-se três ou quatro vezes, pelas colunas do "Para Todos", atravessar a nado o Canal da Mancha, ser campeã de qualquer esporte. – tudo isso consiste "nas vitórias do feminismo", vitórias que nada significam perante o problema da emancipação integral da mulher.

A verdadeira emancipação é posta de lado

É uma tática bem manejada. Enquanto as mulheres se contentam com essas "vitórias", a sua emancipação é posta de lado ou nem chega a ser descoberta pelos tais reivindicadores de direitos adquiridos... E essas reivindicações não se podem limitar a ação caridosa ou a um simples direito de voto que não vem, de modo algum, solucionar a questão da felicidade humana e se restringirá a um número limitadíssimo de mulheres. Aliás, quando os homens sérios retiram-se, num ostracismo voluntário, dessa política de latrocínios oficializados, desse bacanal parasitário, desse despudor em se tratando dos negócios públicos; quando se decreta, positivamente a falência, o descrédito do parlamentarismo em toda uma sociedade em plena decomposição, – é agora que a mulher acorda e sai correndo atrás do voto, coisa que deveria ser reivindicado a cem ou duzentos anos atrás... o supõe, ingenuamente, estar cuidando dos interesses femininos ou dos interesses sociais.

A solução para os problemas humanos não é a caridade

E quando chegamos à conclusão de que a caridade humilha, deprecia, desviriliza; desfibra a quem dá e a quem recebe; quando sentimos que a solução para os problemas humanos não é a caridade que sufoca todas as fibras interiores de que tira, às faces escancaradas da miséria, as sobras, o supérfluo; a caridade que estrangula todas as energias latentes daquele que estende as mãos para receber, servilmente, o que sobra das orgias e da exploração dos que vivem à custa do trabalho alheio; quando por si mesma, a moral de que se alimenta a sociedade vigente decreta a falência, essa moral odiosa, de classes de ricos piedosos e de pobres a receberem esmolas, de exploradores caridosos e explorados calculadamente vigiados pela força armada, mantenedora da passividade exterior e da revolta latente dos ilótas modernos; essa moral farisaica que, para os ricos aconselha a caridade, a distribuição ostentosa do supérfluo adquirido à custa do suor proletário, e para os pobres recomenda a resignação passiva, o receber humildemente as sobras que espirram, por acaso, das mesas dos ricos e olhar ainda agradecidos, para essas mãos orgulhosas que se divertem nas caridades exibicionistas dos salões elegantes, tirando partido das misérias sociais para o seu prazer; quando novas fórmulas de uma moral mais pura se nos apresentam para outra organização social de mais eqüidade, – ainda a mulher está convencida de que a sua mais alta missão na vida é a caridade e só conhece a questão social através da caridade, mas, dessa caridade de chás, tangos e requebros nos salões...

Gastam somas fabulosas com a construção de igrejas e exploram torpemente os criados

Essa mesma mulher que reparte altas somas para a construção de igrejas ou "creches" religiosas, explora, torpemente, os criados, a cozinheira, a lavadeira, a costureirinha contratada para trabalhar em sua casa, horas e horas, sob o olhar impertinente da mundana ociosa, da criatura virtuosíssima que, pelas colunas da imprensa, espalma as mãos dadivosas consolando os infelizes, os mal instalados na vida... Dá por um chapéu, por uma pluma, um brinco, um vestido de baile, um leque, uma sombrinha, uma jóia, por qualquer fantasia, somas fabulosas, inacreditáveis, entretanto, exerce pressão vergonhosa sobre a sua bordadeira que lhe cobra uma miséria por qualquer trabalho feito com sacrifício inaudito, em horas triturantes de agonia, à noite depois de exausta do trabalho diário do atelier – no qual também já lhe tiraram gotas de sangue, na amargura da exploração pelo salário quotidiano.

Chora ante o ecran do cinema e fica impassível ante as injustiças sociais

Sentimentalismo de epiderme que faz chorar ante o écran do cinema e, todavia, soluça em torno da elegância caridosa, toda a miséria ciclópica da luta pela vida e ela não vê, não quer ver o sofrimento milenar da mulher proletária , calculadamente cultivada a sua ignorância através do pão duro de cada dia, no trabalho exaustivo da fábrica, das oficinas e no lidar doméstico – servindo à ociosidade farta da alta sociedade ou dos bordéis do vício elegante.A piedade das senhoras caridosas não vê, não sabe da luta dantesca de uma pobre moça do povo que resvala na miséria mais negra se não cai nos braços escancarados da prostituição "necessária" nesta sociedade bestial e moraliteísta. A atividade da mulher elegante só sabe votar-se a essa caridade exibicionista dos salões iluminados, onde ostenta a sua beleza e sentimentos problemáticos de uma bondade estudada no espelho... A mulher é vaidosa e comodista e os psicólogos femininos preocupados em agradar, em fazer psicologia de "boudoir" – não perscrutam, não querem ver a falsidade dos altos sentimentos caridosos do mundanismo elegante. Prefere continuar a sofrer as conseqüências do seu servilismo, da sua submissão a desenvolver o caráter, as faculdades de iniciativa para lutar contando com as suas próprias energias. Procura conservar o seu parasitismo dourado, indiferente aos males sociais: é odalisca e cortesã, mas, vai à Igreja, em horas chics, rezar pelo próximo e, dançando um passo moderno, exerce a caridade.

Como é odiosa e perversa essa caridade!
Civilização de protetores e protegidos

E a mulher duplamente escravizada não compreendeu que é necessário sim, alevantar o ânimo abatido do que luta, do que pensa sucumbir aos embates da injustiça social, dar-lhe meios de subsistência pelo próprio esforço e fazer dele um indivíduo capaz de ver a casta civilização de fartos e famintos, de ociosos parasitas vivendo à custa do sacrifício alheio, civilização de protetores e protegidos, de lobos e cordeiros, em que os mais altos sentimentos se confundem com as mais torpes baixezas, de chibata azorrague, de avariose e cafetismo, de excesso de ociosidade e excesso de miséria. E tudo, inclusive, principalmente a literatura, essa literatura nefasta, de elogios, de louvores incondicionais, literatura odiosa endeusando a fêmea, literatura à Júlio Dantas tudo contribui para o cultivo sistemático da pieguice, de chiliques e requebros, do falso sentimento, do sentimentalismo para o público. E o raciocínio, por si obscurecido através da escravidão feminina secular, da tutela dos dogmas e da moda, dos prejuízos e da rotina, fecha-se sob a chuva de galanteios, de frases feitas. E a mulher esquece-se de que tem mais alguma coisa além da sua carne, do seus contornos perturbadores. Deixa de ser mulher para ser apenas o animal do homem. A grande miséria, a enorme dor das injustiças sociais vive ao seu lado e a mulher desvia o olhar para poder divertir-se, gozar das regalias e do seu comodismo de "bibelot", de lulu número 1, prisioneira nas gaiolas douradas das avenidas elegantes, sempre a mesma escrava, odalisca e cortesã.

Adormecida dentro dos trapos

A alma feminina jaz adormecida dentro dos trapos, das jóias, do império da moda, – a eterna sultana desse harém de civilizados que ainda compram, vendem, exploram, seduzem, abandonam por imprestável a mesma mulher, cuja posse exclusiva consiste a sua preocupação única. É deprimente a situação da mulher superior, neste meio de cafetismo social, em que os homens não sabem olhar uma mulher senão desrespeitando-a.
E para quê enumerar essas associações atrasadas do feminismo de caridades?
Sem dúvida é doloroso perscrutar as misérias dos famintos, da nudez, dos cortiços.
Mas, não se trata de esverrumar a causa da chaga sangrenta da miséria, mesmo do coração da opulência, ao lado da ociosidade que se diverte cinicamente, depois de atirar uns níqueis para os esfaimados, níqueis roubados ao trabalho árduo dos explorados do salário.

Divertimentos à custa da dor

Há apenas a preocupação de se jogar migalha na boca escancarada da fome, talvez para que nos deixem em paz... E, divertir-se a custa da dor, da amargura, da fome, é insultar o sofrimento.
E a miséria está de tal modo humilhada, deprimida, que nem forças tem para devolver, orgulhosamente, os restos que se lhe atiram através dos esplendores dos salões elegantes, por entre as pontas dos dedos enluvados para que não volte um salpico das calçadas a enlamear-lhes as mãos dadivosas. Não houvesse ociosos fartos, degenerados pelo tédio e pelos vícios elegantes, não houvesse a exploração do homem pelo homem, não houvesse a exploração da mulher pelo homem, e certo não seria "necessária" a prostituição, essa perversidade inominável em nome da virtude.
A caridade é "a janela da consciência", aberta para a exploração diurna e noturna do proletariado nas oficinas, nas fábricas e do camponês, do colono na agricultura. Para que a elegância brilhe, para que triunfe o mundanismo, para que os "cabarets" e os "cassinos chics" regorgitem de ociosos – é preciso que o colono, campônio e o operário de ambos os sexos seja triturado, dobrado, esmagado nas oficinas, na lavoura, nas fábricas, dia após dia, sem tréguas, sem nenhum direito a não ser o direito ao trabalho obrigatório.

As várias superstições

É a escravidão moderna do salário para matar a fome e cobrir a nudez dos filhos, também cedo destinados à exploração torpe e miserável do parasitismo social, incansável na sua faina, de acumular bens para gozar à custa do suor exaustivo das máquinas de trabalho, dos animais de tiro, do proletariado mundial. Devemos à superstição governamental, à superstição religiosa sectarista, à superstição patriótica, à superstição nacionalista, à superstição do progresso material, à ganância de uns e ao servilismo da maioria – o predomínio desta civilização de duas classes sociais: a dos ricos e a dos pobres.
A humanidade custará a compreender que a vida social poderia desdobrar-se num ambiente de solidariedade, de auxílio mútuo, sem amos nem escravos, sem protetores e protegidos, sem representações parlamentares em mediocracias diplomadas...

Religiões - instrumentos de explorações dos incautos

Levará ainda tantos séculos a perceber que as religiões organizadas, política e economicamente, não são senão instrumentos de exploração dos ignorantes, dos desfibrados, dos ambiciosos, dos moluscos, dos que carecem de espinha dorsal... Ninguém cresce na sua individualidade através da consciência ou, talvez, da inconsciência de outrém. Não é demais repetir que a atual organização social baseia-se na ignorância de uns, no servilismo da maioria, na astúcia de outros, no comodismo de muitos, na exploração dos espertos, na felicidade dos "proxenetas" e "souteneur ", desse cafetismo, desse regime de concorrência, em que se compra e vende tudo, inclusive o Amor e a Consciência – as mais altas manifestações do que é nobre e belo e grande, do que tumultua na vibração interior da nossa vida profunda.

Representação parlamentar: circo de cavalhinhos

Sentimos que as mentalidades de "elite" ultrapassaram de há muito a moral atual que tenta acorrentar ainda as aspirações humanas libertárias. Tudo faliu: a igreja, o parlamentarismo, a academia, a instituição legal do casamento, o ensino universitário, o patriotismo. Pois bem: é agora que a mulher vem reivindicar o direito do voto – quando a representação parlamentar é circo de cavalinhos, o sufrágio universal uma mentira. A mulher, essa energia latente formidável que vem despertando para a atividade social, já foi enlaçada pelo passado reacionário – para dispersar todas as suas forças na corrente das "verdades mortas".

Feminismo de votos e feminismo de caridades

É a razão por que não posso aceitar nem o feminismo de votos e muito menos o feminismo de caridades. E enquanto isso a mulher se esquece de reivindicar o direito de ser dona de seu próprio corpo, o direito da posse de si mesma. Sou "indesejável", estou com os individualistas livres, os que sonham mais alto, uma sociedade onde haja pão para todas as bocas, onde se aproveitem todas as energias humanas, onde se possa cantar um hino à alegria de viver na expansão de todas as forças interiores, num sentido mais alto – para uma limitação cada vez mais ampla da sociedade sobre o indivíduo. Que representa uma "creche", um hospital ou o direito de voto ante a vastidão dos nossos sonhos de redenção humana pela própria humanidade? É subir mais alto o coração e o cérebro, ver horizontes mais dilatados -além do sectarismo religioso ou da superstição social governamental. Isso é feminismo? Dêem o nome que quiserem, pouco importa: o que esse feminismo (não me agrada a expressão tão estreita para ideal tão amplo) reivindica é o "Direito Humano", o Direito Individual, acima de qualquer outro direito, além dos direitos limitados ao parlamentarismo, além dos direitos de classe.

20 de jul de 2011

Documentário: Emma Goldman, uma mulher muito perigosa‏

“Emma Goldman: An exceedingly dangerous woman”. Este é o título original do documentário de Mel Bucklin, que aborda a figura de Emma Goldman (Kaunas, 27 de junho de 1869 — Toronto, 14 de maio de 1940), considerada por mais de trinta anos como a inimiga pública número um dos Estados Unidos, não por cometer atos violentos, mas por utilizar a arma mais perigosa que está à mão de todo ser humano: a razão.

Com uma vida apaixonante, Emma Goldman, junto com Alexander Berkman, se encontrará no olho do furacão do movimento anarquista. Célebre anarquista de origem lituana, conhecida por seus escritos e manifestos radicais, libertários e feministas, também foi uma das pioneiras na luta pela emancipação das mulheres.

Veja o vídeo aqui, com legendas em castelhano:

15 de jul de 2011

Narrativas “bombas” cem anos antes do Twitter



[O anarquista francês Félix Fénéon escreveu artigos de apenas 140 caracteres, até agora desconhecidos, em castelhano, que dinamitou a realidade.]

Apenas um anarquista seria capaz de colocar uma carga explosiva em um jornal para acabar com a novela. Félix Fénéon (1861-1944) não era um romancista, ou jornalista. Mas ele usou um disfarce anônimo com o qual assinou em 1906, todas as noites, no jornal Le Matin, 1200 artigos, curtos, pequenos, em três linhas. Notas rápidas e explosivas, tiradas de notícias sobre suicídio, envenenamento, greves, furtos, assaltos, incêndios, desaparecimentos, brigas, tiroteios, desespero, rancor, ciúme, desastres naturais, protagonizados por heróis de má sorte oprimidos pela fatalidade.

Na virada do século, atravessar a rua era tão perigoso quanto ler a coluna de Fénéon - que foi fotógrafo em um mundo de ilhotes tragicômicos, incluindo avançados, com o destino de humor negro e ironia à beira do cinismo, a marca atual da imprensa francesa: "Catherine Rosello, vizinha de Tolón, mãe de cinco filhos, queria desviar de um trem de carga. Foi atropelada por um trem de passageiros". É apenas uma amostra destes escritos, que resumem em um flash o outro lado da notícia, a nova cara da novela que começou a tomar forma.

O editorial “Impedimenta” recupera agora esse trabalho de Fénéon; há alguns anos o seu antecessor New York Review Books o promoveu, infiltrando entre os milhões de twits que movem a atualidade do século 21; esta maravilhosa aventura de concisão e modernidade criada por um dos personagens mais silenciosos do século passado.

Um silêncio sepulcral

A descoberta notável dessas novelas em três linhas acontece após a morte de seu autor, que sempre se recusou a publicar em vida a compilação dos mais de 1.200 artigos ou micro-histórias ou partículas de realidade ficcionada. "Eu só desejo o silêncio", respondeu Fénéon. Mas não sabia que tanto sua amante como sua esposa recortava e colecionava, em cadernos, cada ocorrência no jornal.

O autor francês caminhava às cegas através das luzes da imaginação e das sombras dos acontecimentos: fez das novelas teletipo bombas, que explodiram em apenas 140 caracteres por mais de um século, que regressavam carregadas com pólvora para se infiltrar nas tecnologias da urgência. "Um cinqüentenário desconhecido, enorme além de inchado, após um mês de permanência ininterrupta na água, foi capturado em La Frette pelo Sr. Duquesne", ele escreve sarcástico e conciso, em um dos milhares de latidos, que terminaram com o grande desafio do destino perfeito das tramas do escritor e da retórica de atualidade da pluma.

"Louis Lamarre não tinha emprego ou habitação, mas algum dinheiro. Comprou em uma mercearia em Saint-Denis um litro de petróleo e bebeu”. Tal como levanta Fénéon, a notícia vive e morre no nível de descrição, e deixa o verbo fazer o resto. Obra-chave da modernidade, inédita em castelhano na íntegra até agora, é claramente um trabalho de precisão de escrita em miniatura.

Trabalhadores com facas


Traça as entranhas de um mundo cruel e absurdo, que muda para se tornar urbano, caótico e violento. Nessas pílulas poderia ser o início do sensacionalismo da imprensa, mas o eufemismo irônico de seu tom o leva para longe do sensacionalismo.

Por exemplo, denúncia seca: "Peões franceses de Florac protestam, inclusive com facas, contra a abundância de elemento espanhol no trabalho". Ternura cruel: "Desde sua infância, a Sra. Mélinette, de 16 anos, colhia flores artificiais sobre os túmulos de Saint-Denis. Não mais: agora está no necrotério". Humor negro: "Uma louca de Puéchabon (Hérault), a Sra. Bautiol, acordou seus sogros a marretadas”. Veemência contida: "O pastor da Monceau tem um sério impedimento para realizar a missa. Ladrões roubaram seus objetos de culto".

Precisamente, liberou sua elegante ira contra a Igreja, e no debate sobre a presença de crucifixos nas escolas: "Fortemente protegido por beatos, o prefeito de Longechenal (Isère), tornou a colocar na escola o crucifixo que o professor retirou". "Mais uma vez, Cristo está nas paredes das escolas de Ruaux (Vosges), através do prefeito Paul Zeller, que é seu seguidor". "Desta vez, a imagem do crucifixo está solidamente aparafusada à parede da escola de Bouillé. Mérito do prefeito de Maine-et-Loire”. Cem anos atrás, Fénéon lançou bombas que ainda trovejam.

agência de notícias anarquistas-ana
Recolhida em si mesma

a alma do figo

é flor em za-zen.

Yeda Prates Bernis

8 de jul de 2011

The corporation

Parte I


Parte II

The Corporation 2/2 from Zaire on Vimeo.

JUSTIÇA

JUSTIÇA

Agora uma fabulazinha

Me falaram sobre uma floresta distante onde uma história triste aconteceu no tempo em que os pássaros falavam, os urubus bichos altivos mas sem dotes para o canto resolveram mesmo contra a natureza que havia de se tornar grandes cantores.
Abriram escolas e importaram professores, aprenderam


mi

sol

si
Encomendaram diplomas e combinaram provas entre si para escolher quais deles passariam a mandar nos demais a partir daí criaram concursos, inventaram títulos pomposos, cada urubuzinho aprendiz sonhava um dia se tornar um ilustre urubu titular afim de ser chamado por vossa excelência.
Passaram-se décadas arte que a patética harmonia dos urubus maestros foi abalada com a invasão da floresta por canários tagarelas, que faziam coro com periquitos festivos e serenatas com sabiás. Os velhos urubus encrespados entortaram o bico e convocaram canários e periquitos para um rigoroso inquérito:
cade os documentos de seus concursos?
Indagaram, e os pobres passarinhos se olharam assustados... Nunca haviam freqüentado escola de canto pois o canto nascera com eles.
Seu canto era tão natural que nunca se preocuparam em provar que sabiam cantar naturalmente cantavam
Não, não, não assim não pode, cantar sem os documentos devidos é um desrespeito a ordem, bradaram os urubus.
E em um nisoro expulsaram da floresta os inofensivos passarinhos que ousavam cantar sem alvarás...

Moral da história: em terra de urubus diplomados não se ouve os cantos dos sabiás